Lifetime

13 Capítulo Treze


No dia seguinte...

– Já estou me arrependendo. – John resmungou levando Amélie num canguru enquanto Sherlock ao seu lado arrastava sua mala de carrinho, ambos caminhando pelo saguão movimentado do principal aeroporto de Londres.

– Te ligarei assim que pousar. – Holmes respondeu enquanto digitava uma mensagem de texto para Lestrade, avisando sobre sua ida antecipada.

– Certo. Ok. Acho que só podemos ir até aqui...- o loiro observou ao ver a sala de espera logo à frente.

– Oh. De fato. Minha criaturazinha...cuide de John, ele precisará. – Sherlock sorriu enquanto acariciava o bracinho gordo de Amy que encarava-o atentamente.

– Diga tchau para o papapai, Amy...- John respondeu enquanto segurava a fralda e ursinho Pooh de pelúcia. — Se cuide.

– Você também. – Holmes respondeu quando seus olhos se encontraram.

Por alguns segundos eles hesitaram, mas John o puxou pelo braço e o beijou nos lábios rapidamente.

– Eu te amo. Até sábado. – este disse sem graça ao ver Sherlock sem graça.

– Até. Eu te amo, John. – respondeu com um sorriso de lado.

Após trocarem mais um olhar, Holmes se afastou e seguiu sem olhar para trás. Antes de entrar na sala, porém olhou de volta e viu que John e Amy ainda o olhavam.

– Diga tchau pro papapai...- ouviu o loiro dizer ao longe enquanto balançava o bracinho da menina que agitada, parecia de fato chamá-lo de volta.

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Após algumas horas, John em casa enquanto assistia tevê, pensou que Sherlock já tinha chegado e que, portanto, deveria ligar a qualquer momento.

Com os afazeres de casa ele tentou não pensar no assunto e só deu realmente falta da ligação de Holmes de madrugada quando seu celular recebeu um simples sms que dizia “Cheguei. SH”.

Tal mensagem era tão fria, tão distante. Eles nem se falavam mais com “SH” e JW” e aquilo o fez ficar preocupado.

Sua preocupação só aumentou quando nas horas seguintes percebeu, após tentar ligar para Sherlock, que este estava desligado.

– Merda. – disse baixinho enquanto observava Am tomar sua mamadeira calmamente na manhã seguinte .

Horas mais tarde, no trabalho a situação se manteve igual e só à noite quando chegou em casa, conseguiu ligar.

Após chamar por cinco vezes alguém atendeu, mas não conseguiu ouvir nada no começo além de vozes animadas e música ao fundo.

– Sherlock? Merda...por que não me ligou? Você quer me matar de preocupação?

– Alô? Watson? – uma voz que não era de Holmes respondeu após um tempo.

– A-Adam? – o médico respondeu, o ciúme amargo subindo por sua garganta – O que está fazendo com o celular do Sherlock?

– Oh. Ele foi ao banheiro...e pediu para eu cuidar. Estamos jantando. Posso te ajudar?

– Não. Você não ouviu? Eu quero falar com o dono do celular. Onde ele está? Eu quero falar com ele agora.

Após ouvir duas risadas abafadas, John escutou a voz de Sherlock ao fundo e então este disse:

– John.

– Pelo amor de Deus! Você quer me matar? Por que não me ligou? Só me mandou aquela mensagem idiota? Você está bem?

A ligação ficou em silêncio e após um tempo ele ouviu a voz de Sherlock dizer:

– Eu estava no banheiro. Tenho que ir. Nos falamos depois.

– Alô? Alô?! – John insistiu, mas a ligação havia sido desligada.

Que lugar era aquele? De quem era aquela terceira risada? Por que Sherlock estava agindo de maneira distante? Sherlock jamais permitia que John sequer tocasse em seu celular e agora havia entregado o para um simples estranho.

Tais comportamentos deixaram John mais nervoso do que já estava, o deixaram apreensivo e desconfiado. Ainda teriam mais cinco dias até que tudo fosse esclarecido e isso quase o enlouqueceu.

Ao pensar na pequena Am, tentou se acalmar e tomar controle da situação. Tentou ser o mais frio que conseguiu e pensou que talvez tudo tivesse agitado e por isso a frieza, apenas reflexo da falta de tempo.

As coisas se complicaram, quando ao chegar ao trabalho na quinta-feira, lhe informaram que a ida da equipe de Lestrade até Amsterdã para acompanhar o caso, havia sido cancelada.

– Mas por quê?! – esbravejou na sala de Greg que o observava atentamente de sua mesa.

– Eu não tenho detalhes, John. Infelizmente. Mas a polícia holandesa não quer mais ninguém envolvido...já temos duas pessoas no local cuidando do caso e os nossos vistos não foram autorizados também. Eu realmente sinto muito. Sherlock deu notícias?

– Não. Aquelas mesmas mensagens no final da noite dizendo que está tudo bem. Greg, tem algo muito errado acontecendo. Eu não sei o que é...mas eu preciso ir para lá descobrir.

– Claro. Eu também acho. Deixe Amy conosco e vá...está mais do que liberado daqui também. Eu quero acreditar que tudo isso é bobagem e falta de comunicação, mas John...eu também estou preocupado. Minha equipe procurou pela tal “Devil’s Hand” e não encontrou registro de nada...nem uma seita secreta é tão secreta assim. – o inspetor declarou.

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Após deixar Amy com Molly, John seguiu naquela mesma tarde para o apartamento e separou uma mala com poucas peças de roupas. Não conseguia pensar direito.

Sherlock poderia estar em perigo, com qualquer tipo de pessoa. Ele estava com Adam e aquilo era mais que o suficiente, agora ele tinha certeza.

Enquanto devorava um sanduíche tentou ligar e seu coração disparou ao ouvir a voz de Sherlock atender.

– Alô. Ei...Sherlock, tudo bem?

– Estou ocupado agora, John. – este respondeu secamente e isso fez seu sangue ferver de ódio.

– Oh. Quanta consideração de sua parte. Você ao menos sabe que a nossa ida para aí foi cancelada?

– Fiquei sabendo sim.

– Aham. Só que tudo isso está muito estranho, não? Então estou indo para aí...

– John, não. – o moreno respondeu e o loiro conseguiu perceber desespero em sua voz calma, algo que o deixou ainda mais apreensivo.

– Agora que eu vou mesmo. Eu não tenho dinheiro, voos de última hora são quase três vezes mais caros, mas peguei da poupança que fizemos para a Amy...espero que não se importe. Não me deram visto, mas o seu irmão conseguiu dar um jeito para mim. Eu quero ir. Eu sinto que você precisa de mim aí...que precisa da minha ajuda...com o caso do Van Gogh obviamente, quero dizer. Tenho tanta saudade sua, você não quer que eu vá, meu amor?

– Tanto faz. – o detetive respondeu secamente após um longo silêncio.

– Em qual hotel você está hospedado? – John perguntou após mais outro longo silêncio, ignorando a reação de Sherlock, porém a ligação havia sido desligada de novo.

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Seu corpo doía por inteiro. A viagem apesar de rápida havia sido cansativa. John que não dormia bem há quase uma semana sentia-se exausto e quando se viu na rua do aeroporto de Amsterdã, entrando em um táxi, se lembrou que ainda não sabia onde Sherlock estava.

Após algumas mensagens, Mycroft respondeu:

“NH Grand Hotel Krasnapolsky. Fica no Centro. Tente esse. Não localizei nada sobre os dois, até parecem que se esconderam! Mas era o que o tal Adam usava quando viajou para aí antes de sequestrar o Sherlock com ele. Boa sorte. Mande notícias, cunhadinho.”

John respirou fundo e pediu ao taxista que o levasse até o local indicado. No percurso não conseguiu pensar ou reparar em nada. O gosto ruim em sua garganta agora era indescritível.

Assim que chegou ao quatro estrelas em questão, perguntou por Adam e por Sherlock para a recepcionista que lhe atendeu prontamente e pediu que seguisse até o restaurante do primeiro andar, pois os dois ainda se encontravam naquele local, tomando o café da manhã.

Watson, com sua pequena mala, seguiu apressadamente, conforme instruções.

Ao entrar, avistou um ambiente grande, de luxo e muito bem iluminado. Com vidraças douradas que iam por toda sua extensão e que mediam todo o pé direito, viu muitas mesas e um restaurante ao fundo.

Entre as mesas, passou por talheres de prata e turistas endinheirados. Todos pareciam encará-lo assustado, com seus modos apressados e inadequados.

Seus olhos seguiram por todo o salão até finalmente ver Sherlock, sentado de costas para ele, perto de uma das imensas janelas abertas. A cortina fina de cor creme balançava de maneira harmoniosa e aquilo o distraiu por alguns segundos até perceber que Adam o acompanhava na mesa, sentando à sua frente e de lado de onde John estava.

O médico tentou respirar fundo, mas não conseguiu. Seguindo agora lentamente ele só queria que tudo aquilo terminasse.

Ao se aproximar mais agora ele conseguia ver melhor as expressões de Adam. Este sorria de maneira animada para Sherlock, que de onde John podia ver, era possível apenas reparar em seus cachos, sua nuca e seu terno azul marinho.

E no instante seguinte que John sentiu seu coração parar. Suas pernas fraquejarem. Seus pulsos cerrarem.

No instante que se seguiu seus olhos testemunharam Sherlock se inclinar sob a mesa, apoiar seus cotovelos e beijar Adam, que retribuiu segurando seu rosto, com intimidade.

Notas finais
Pois é, gente. T.T Here comes the FEEELS. Sei que um final desse é difícil gostar né...mas eu volto em breve, pra esclarecer essa história toda. Espero que (apesar dos pesares) vocês tenham gostado. Tava com saudades, sabia?! ♥ Um beijo e até breve!:D