Lifetime

14 Capítulo Catorze


Notas iniciais
Voltei...com dobradinha reveladora e cheia de feels. T.T Espero que gostem! Um beijo!

John que nunca havia vivido nada parecido se virou, saindo apressadamente do salão ao invés de ir lá e confrontá-los, em ir brigar ou gritar. Era esse pelo menos o comportamento que ele esperava ter em um momento como aquele.

Derrubando a bandeja de um garçom que passava, pediu perdão e apertou os passos antes que Sherlock e Adam o vissem.

Assim que retornou para a recepção sentiu sua cabeça rodar e lhe faltar o ar. Aquilo era um pesadelo. Um mero mal entendido.

Simplesmente não podia ser. Provavelmente havia algo de muito errado e mal compreendido naquela cena tão absurda.

Aquele não podia ser o Sherlock. O seu Sherlock.

– O senhor está bem? – um dos assistentes do hotel lhe fez voltar para a realidade.

– Oh...eu, onde fica o banheiro, por favor?

– No segundo andar , no corredor à direita. Terceira porta.

John saiu, mas mal conseguia sentir suas pernas. Aquilo não estava acontecendo. Sentiu seus olhos pesarem, doerem. Seu estômago agora em sua boca, sentia suas mãos tremendo.

Sherlock não era daquele jeito. Ele jamais seria capaz de uma coisa dessas. Não era assim!

Mas o jeito como ele se inclinou. O jeito como ele tomou a iniciativa e beijou Adam. O sorriso de Adam para ele. Os dedos dele em seu rosto.

Por que agora tudo fazia tanto sentido?

John sempre tivera ciúmes, uma raiva fora do normal e ele se odiava por ter razão no final das contas.

Olhando seu reflexo no enorme espelho à sua frente, ele pensou que ia vomitar. Queria gritar. Queria acabar com Adam. E com Sherlock, apesar de tudo.

Queria voltar para sua casa. Queria nunca ter saído dela.

Ainda tentando respirar, lavou seu rosto muitas vezes pensando que tudo poderia ser uma piada já que nada fazia sentido.

Ou sua vida tinha sido uma bela e grande mentira. Cenas voltavam à sua mente de maneira descontrolada. Não, não podia ser verdade.

Se assustou quando seu celular tocou urgente no bolso de sua jaqueta. Maior foi sua surpresa ao ver que era Sherlock que o ligava.

Teria ele o visto? Mas o que isso importava agora?

Watson queria poder impedir os pensamentos que bombardeavam sua mente agora, mas era impossível não lembrar do tempo que Adam e Sherlock já se conheciam. De todas as vezes que ele havia sido excluído em conversas entre os dois. De que os dois estavam naquele lugar há cinco malditos dias.

– A-alô. – atendeu após a terceira insistente tentativa do moreno.

– John? Você já chegou? – a voz do outro lado soou fria. Distante e ainda assim um tanto quanto urgente.

– Sim. Eu...e-eu acabei de embarcar. Onde você está? – respondeu tentando se controlar ao máximo.

– Te buscarei no aeroporto.

– Oh. Certo.

– Está tudo bem? – a voz perguntou muito a contragosto depois de um silêncio angustiante.

– Tudo ótimo. Venha daqui uma hora. Vou comer alguma coisa antes de irmos para o hotel, seja qual for ele. – o médico respondeu desligando o celular.

Saindo do hotel, ele retornou para o aeroporto. Precisava de tempo. Precisava pensar.

Enquanto via sem realmente observar àquelas pessoas que passavam apressadas por ele, ele se recordou de quando os dois se conheceram. Do primeiro beijo. E no último que haviam trocado rapidamente no aeroporto antes da partida de Holmes.

Tanto havia mudado desde então, isso era bem verdade. Mas havia sido para melhor, para maior. Para mais verdadeiro e profundo. Era nisso que ele havia acreditado até então.

As lágrimas presas em seu olhar, quisera ele poder escondê-las. Queria calá-las. Queria exterminá-las. Seu maior sonho destruído. Tinha feito tudo certo, mas ainda assim havia dado errado.

Em que momento havia perdido Sherlock? Em que momento os dois haviam se perdido um do outro?

Não havia sido ele um bom companheiro?

Um absurdo completo, pois tudo estava perfeito até aquela maldita viagem. Eles eram mais fortes do que aquilo. Juntos eles haviam vivido, haviam superado coisas piores.

Quando seu celular tocou novamente ele pensou em jogá-lo fora. Em voltar no primeiro voo. Em abandonar Sherlock ali mesmo sem precisarem se olhar ou se falar.

– Estou na cafeteria principal. – foram suas palavras ao atendê-lo.

– Já te achei.

John procurou pelo moreno entre a multidão e logo o localizou, com sua aparência impecável. Com seus cachos e seu paletó azul marinho.

Não houve sorrisos, ou palavras. Watson mal conseguia encará-lo quando este se aproximou e pegou sua mala menor, tentando-o auxiliá-lo, seus dedos se tocando por um breve segundo.

Enquanto caminhavam em direção dos taxis, ele se permitiu olhar para Sherlock, aquele estranho agora.

Observou que este parecia estressado. Não feliz. Parecia tenso. Não apaixonado. Parecia triste, porém o fato de parecer não o enganaria mais, nunca mais.

– Onde está Adam? – perguntou, sua voz tremendo de raiva assim que entraram no carro.

Sherlock o encarou, mas não havia surpresa. Apenas aqueles olhos azuis claros.

– Ficou no hotel. Muito trabalho.

– Oh, eu imagino. Imagino também que vocês tenham descoberto quem foi o ladrão que roubou a obra? Você já falou com o tal suspeito? – John insistiu mesmo percebendo que o detetive agora parecia extremamente desconfortável em sua presença – Você está neste lugar tem quase uma semana, não é possível que não tenha descoberto.

Sherlock se virou os dois trocaram um longo olhar, que fez o médico perceber que ele não queria falar sobre aquilo naquele lugar.

O caminho foi feito em completo silêncio. Um pesadelo perfeito e ainda assim dolorosamente real.

O moreno encarava a janela sem nunca olhar em sua direção e John, em contrapartida não conseguiu tirar seus olhos dele: das suas mãos entrelaçadas em seu colo. Seus dedos fortemente pressionados. Da pele clara do seu rosto recebendo o sol frio.

John sentiu de novo a dor da cena do beijo de Sherlock e Adam atingi-lo.

Adam havia tocado aquele corpo que havia nascido para ser somente dele, até o final de seus dias. Havia beijado aquele belos lábios que haviam por diversas vezes e diversos contextos dito as palavras “eu te amo, John”.

Ao chegarem ao hotel, caminharam lado a lado até a recepção, subindo pelo elevador cheio.

– Sétimo andar. É aqui. – Sherlock disse e então eles seguiram por um longo corredor.

Toda a raiva de John, toda sua angústia explodiu quando, logo após entrarem no quarto, ele percebeu que havia duas taças de vinho vazias sob o criado mudo, três garrafas e a cama ainda por fazer.

– O serviço do quarto ainda não veio. – Holmes comentou após assistir os olhos do loiro percorrerem por todo o quarto.

Os dois se olharam mais uma vez, com apenas quatro passos de distância separando-os e então John desabou:

– Não precisa mentir mais para mim. Eu sei sobre você e o Adam...pelo amor de Deus.

Neste instante Sherlock se virou, indo em direção da janela, ainda fechada, se afastando.

– Fale comigo! Olhe para mim, Sherlock...o que pensa que está fazendo?!

Holmes se virou então, encostando-se e encarando-o com suas feições sem nenhuma emoção e ainda assim muito decidido.

– Como pôde? Por quê?! De todas coisas...de tudo que podíamos suportar juntos, você fez a única coisa que sabe que não sou capaz de perdoar...traição, ainda por cima com um imbecil qualquer como o Adam! Desde quando vocês estão juntos?! – John gritou enquanto esmurrava um pequeno armário perto da porta agora.

– Não vejo como isso tem importância agora... – Sherlock respondeu forçadamente calmo.

– Oh, me poupe...não seja insuportável agora. Me diga! Vocês dois...me diga que aquele beijo que eu vi no restaurante foi o primeiro. Que isso começou hoje...

John começou a chorar silenciosamente ao ver que o moreno não falaria nada.

– Eu precisava de um tempo, John. – foi o que o detetive conseguiu dizer após o loiro se sentar na cama, com as mãos no rosto, completamente desacreditado.

– Oh! Claro. Porque assumir um compromisso...estar em um relacionamento sério deve ser angustiante para você, não? “Tedioso” como costuma dizer. Por que não me disse? Por que não me procurou? Por que esperou a Amy entrar na nossa vida? Somos casados...e depois de sete anos você simplesmente decide fugir como um adolescente? Eu nunca poderia esperar isso de você!

Sherlock se virou novamente para a janela e isso enlouqueceu o loiro que foi até onde este estava, puxando-o pelo braço com violência, ambos se olhando muito próximos agora.

– Me diga o motivo! Me diga com todas as letras, Sherlock! Porque eu necessito ouvi-las. Eu preciso acreditar...eu preciso te conhecer de verdade!

Neste momento a porta foi aberta e Adam entrou, logo percebendo a presença de John. Assim que os dois se olharam, este abriu um enorme sorriso, mas o loiro partiu para cima dele, acertando-o com um soco na boca que o fez se desequilibrar em cima de uma pequena cômoda.

– Pare, John! Pare...- Holmes pediu enquanto tirava o médico que agora tentava partir para cima do investigador que ainda transtornado, apenas se esquivava empurrando-o.

– Eu vou matar você, seu cretino! – o médico repetia sem parar até que Sherlock o empurrou contra a cama e disse:

– John, pare! E me escute bem o que eu vou dizer: finalmente acabou. Aceite isso. Eu não vou voltar com você...

– O quê?! Você enlouqueceu...o que este cara fez com você...- este respondeu..

– O que você não soube fazer, John. Não é mesmo...meu amor? – Adam respondeu sorrindo, seu nariz sangrando muito enquanto Holmes o encarava sério.

– Eu quero isso agora, John. Eu não quero mais você ou Amélie...ou Baker Street. Não vê? Isso jamais daria certo e eu nunca quis isso de verdade.

– Mas...isso só pode ser uma piada...o que você pensa que vai fazer? Com esse cara aqui na Holanda? Eu e você somos casados, Sherlock! Temos uma família juntos! Você perdeu a noção da realidade?!

– Amy não é sua filha, John. Muito menos minha. Não consegue ver? Eu não consigo mais mentir para mim mesmo. Eu tentei, mas eu não posso.

– Mas nós...

– Não insista mais...está muito claro até mesmo para alguém como você! – Sherlock respondeu muito alterado – Eu não quero mais! Vá embora. Eu sempre te disse, não disse? Eu não queria nada disso...e eu não vou querer nunca. Me esqueça...vá embora.

Muitas coisas se passavam pela mente e pelo coração do médico. Nenhuma delas tinha sentido. O moreno se aproximou dele e ele pode observar que havia lágrimas em seus olhos também.

– Tem que ser assim. Nunca daria certo. Sentimentos...apego...são uma mentira, John. E sempre acabam. Uma perda de tempo. Ilusões. – completou.

Watson o encarou de maneira furiosa depois de ver Adam que assistia aos dois atentamente.

Ainda em prantos, ele respirou fundo e disse:

– Você, Sherlock, é de longe a maior decepção de todas. Um covarde. Uma máquina. Um ser sem coração. Você trocou sete anos verdadeiros de felicidade, que eu sei que foram verdadeiros mesmo você negando eles agora , por um cara que nem ao menos te conhece ou te merece. E nem ao menos é capaz de me dar uma razão. Beleza? Poder? Tédio? Sexo? Eu tenho nojo de vocês...

Os dois trocaram um longo olhar, até Adam interromper dizendo:

– Não está vendo? Não tem mais nada para você aqui. Vá embora antes que eu chame a polícia ou até mesmo a embaixada para te levar de volta!

John se virou e pegando suas duas malas, abriu a porta com tudo. Antes disso, porém ouviu Sherlock dizer a frase:

– Tudo isso era muito óbvio, John.