Lifetime

10 Capítulo Dez


À noite, após Amélie dormir, John tomou um longo banho e resolveu se deitar também.

Sherlock dormia de bruços há horas e após os dois ficarem o dia todo sem se falar.

Após a chegada da pequena, eles tentavam não discutir, porque ambos sabiam por experiência própria que crescer em um lar cujos pais só discutem, podia ser algo traumatizante.

Watson queria fazer as pazes, mas não sabia exatamente como. Havia sido tolo e impaciente com Sherlock que só queria ajudar. Sendo pai agora ele enxergava o quanto era super protetor e isso o incomodava também.

Como palavras às vezes são desnecessárias, ele tentou da maneira mais direta: sexo.

Se desse certo, maravilha. Se não, ele tinha merecido!

Passando seus dedos sobre as costas do moreno, ele se deitou bem perto. Sorriu ao perceber que Sherlock havia acordado, mas fingia ainda dormir.

Começou então a beijar a nuca do moreno e a massagear seus braços, encaixando seu corpo no dele.

– Me desculpa vai...eu fui um idiota. – sussurrou assim que Holmes abriu os olhos, encarando-o sério.

– Eu também fui. Não me dou bem com bebês, John. Isso é um fato. – a voz dele saiu mais grave do que de costume.

– Você é e foi maravilhoso. Louco, é verdade...mas maravilhoso. Amy amou o suporte e eu depois vi o quanto ele é realmente seguro, apesar de não parecer. Você é um ótimo pai, Sherlock. E o amor da minha vida...não poderia ser mais nada perfeito. É que depois do estresse no mercado, chegar em casa e ver nossa filha praticamente flutuando foi um pouco assustador! – John respondeu fazendo-o sorrir.

– Ela ficou tão bonitinha, não? Eu sabia que ela ia adorar! Eu tentei tirá-la, mas ela chorou. Eu odeio quando ela chora, John.

O médico então sorriu e o abraçou, puxando seu rosto e beijando-o de maneira apaixonada.

– Eu te amo...seu maluco.

Virando-se agora de frente, Holmes o puxou para mais um beijo enquanto Watson deitava-se por cima, abraçando-o.

– Eu te amo também...

– Você me perdoa? Pela minha grosseria...e por todo o resto.

– É claro. Você estava certo.

– Jura? Bem, temos que ter cuidado, Sherlock. Ela é muito pequenininha.

– Bela constatação...- ele sorriu.

– Eu sei...mas é sempre bom lembrarmos disso, de qualquer maneira. Ela crescerá e poderemos fazer brincadeiras com ela, mas ela é uma menina...é mais frágil.

– Eu sei. Às vezes me esqueço desse detalhe. – Holmes constatou.

– Eu também. E olha que uma vez eu tranquei minha irmã no porta malas do carro do meu pai. Estávamos na praia e ela quis me matar quando saiu de lá...- John riu ao lembrar da cena.

– Amy está dormindo. – Sherlock notou após alguns instantes.

– Sim. Como um anjo...tomou uma mamadeira cheia de leite e depois desmaiou no meu colo.

– Então...acho que posso exigir um pedido de desculpas melhor do que só palavras, não acha? – este respondeu de maneira maliciosa.

– É claro que pode...você pode absolutamente tudo. Na verdade, era exatamente isso que eu pretendia com você... – respondeu antes de se beijarem novamente, enquanto se livravam de suas roupas.

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John coçou os olhos e bocejou. Molly que havia ido até a casa deles no dia seguinte para visita-los achou graça e disse:

– Filhos são tão legais, certo?

– Hã? Ah...são sim. Aham.

– Uau...a Amy não dormiu nada, aposto. – ela comentou enquanto recolhia os brinquedos no chão.

– Na realidade eu e o Sherlock não dormimos nada...- ele sorriu sem graça.

– Oh! Hmm..entendi tudo. Então todo esse sono foi por um bom motivo.

– Um ótimo motivo! Nós geralmente só temos a madrugada para nós e ontem discutimos durante o dia. O que é melhor do que um sexo pós-briga? – ele brincou.

– Foi grave a briga?

– Não...quero dizer, superamos ainda bem. O interessante de se ter uma filha é que tudo melhorou. Até o sexo...você acredita que o outro dia o Sherlock me disse que eu era um pai sexy? Eu não sei muito o que isso quer dizer, mas isso rendeu pelo menos uma semana de...oh, Deus. Estou com sono mesmo, estou até contando minhas intimidades para você, Molly! Sinto muito.

– Pelo amor, John! Somos amigos...não que eu queira que você entra em detalhes, mas...- ela sorriu sentando-se na outra poltrona ao seu lado.

– Oh, ainda bem que isso não mudou! Mas me sinto tão mais velho! Quero dizer...Sherlock é e sempre foi muito...bem, com ele é sempre uma aventura, uma loucura, sabe? Acho que é mais divertido do passar um feriado ensolarado na Disney com o Paul, o John, o George e Ringo...e o papai noel juntos! – John se entusiasmou fazendo-a gargalhar – Mas eu às vezes não aguento. Quero dizer, não estou reclamando...mas é que Sherlock tira uma energia que eu não sei onde! E eu tento dar contar...e pensar nas contas e...droga, eu realmente preciso dormir pelo menos meia hora.

– Vá então! Eu arrumarei tudo por aqui. Greg, Louis, Sherlock e Amy não devem demorar para voltar da Sra. Hudson e eu aviso que você foi se deitar um pouco...que estava com dor de cabeça...sei lá!

– Oh...ok. boa noite, Molly. – o médico se levantou e foi para o quarto sem hesitar.

Após os quatro voltarem, Lestrade, Molly e Louis logo foram embora. Holmes que segurava Amélie, a deixou em seu chiqueirinho da Hello Kitty ao lado da lareira. Sentando-se na poltrona logo à sua frente ele disse:

– Seu pai, John está dormindo...não, ele não é um bebê e veja, dorme como um em plena luz do dia! Não posso julgá-lo, ontem eu e ele...bem, daqui quarenta anos teremos uma conversa com você sobre isso.

Amélie que encarava-o apoiada de pé, com seus olhos muito verdes neste momento soltou um gritinho, como se reclamasse.

– Não, não adianta protestar. Só daqui quarenta anos, jamais antes disso. Você estudará e ajudará seus pais a resolver os casos, não será óbvia igual a todo o resto. Já pensou? Nós três contra todos os nossos inimigos espalhados pelo mundo!

Holmes sorriu ao notar que conversava melhor com uma criança que nem ao menos poderia respondê-lo ou compreendê-lo do que qualquer outra pessoa. A verdade era que tudo aquilo saia de forma natural, assim como o amor que por ela crescia a cada dia mais. Ele então continuou:

– No mês que vem iremos até sua terra natal...e talvez, se for da vontade deles, a levaremos para conhecer seus avós biológicos. – explicou enquanto a menina continuava encarando-o sem ao menos piscar – Nunca iremos mentir para você, Am. E sempre, sempre estaremos com você. Somos seus melhores amigos, nunca se esqueça disso. O John é um pai perfeito, não acha? Espero que você tenha mais dele do que de mim. Ou melhor, eu espero que você seja uma versão melhorada de nós dois juntos, já pensou? Você governaria o mundo, minha criaturazinha amada!

Sherlock então sorriu ao vê-la rir e sem conseguir resistir, a pegou novamente sentado se com ela em seu colo. Era necessário terminar de rever alguns testes, mas não se interessava nisso e sim que ela havia engordado exatamente dois quilos.

– Como tanto leite, mingau e papinha puderam te engordar em tão pouco tempo, uh? Mistério e mais mistério, minha cara Amélie Watson Holmes.

A ruivinha soltou mais um gritinho, desta vez de êxtase, agitada no colo e Sherlock. Segurando-a com força começou a brincar, como se ela estivesse pulando alto em seu colo. Esta simples ação fez a menina rir e babar ao mesmo tempo.

Sherlock então a abraçou, beijando-a enquanto esta ainda ria com as cosquinhas. Não mais que de repente ela disse em alto e bom som:

– Papapai!

Sherlock a afastou para longe, segurando-a suspensa no ar e se levantando depressa como se ela tivesse lhe contado um segredo de estado ou estivesse gravemente infectada por um vírus mortal.

Amélie encarava ele com uma feição divertida, como se já soubesse que ele teria a reação que acabara de ter.

– Você me chamou de...papai. – este respondeu, inesperadamente emocionado.

– Papapai...- ela repetiu, como se o corrigisse. Tais palavras eram suas primeiras de uma vida inteira e ser a razão delas não poderia ser algo mais belo.

Abrindo um enorme sorriso, ele a abraçou muito forte entre os braços, beijando seus cabelos finos e curtinhos, com cheiro de morango. Foi neste exato instante que ele teve a certeza que era capaz de ser um ótimo pai para Amélie.

Notas finais
Vomitando arco íris em 3, 2, 1...
kkkkkkk

Gentchy. É muito amor. ♥
Gostaram?!
Espero que sim! um beijo e até o próximo! :D