Lifetime
11 Capítulo Onze
Notas iniciais
– Eu não acredito que a senhorita já terminou! – John sorriu ao ver Amy virar seu pratinho de salada de frutas vazio em cima do cadeirão.
– O bolo, John. Deve estar pronto. – Sherlock comentou enquanto lia seu livro quase deitado na poltrona.
– Oh, claro. Além de me ajudar a lembrar, você não quer ir lá buscar também? Porque eu tenho que ir dar banho na Am e tomar o meu banho antes da festinha!
Holmes o encarou com mau humor e após soltar um longo suspiro concordou saindo, colocando o casaco e pegando as chaves.
O aniversário de um ano da pequena havia finalmente chegado! Fazia uma manhã de sol muito fria e Sherlock observou que havia homens trabalhando no apartamento da Sra. Hudson, mesmo sendo um domingo.
“Vieram fazer reparos no quarto de visitas, a irmã dela virá visita-la como de costume. Por isso a urgência” ele pensou enquanto já atravessava a rua.
A confeitaria onde o bolo da ruivinha havia sido encomendado ficava a algumas quadras dali e Sherlock aproveitou para pensar mais uma vez sobre o roubo misterioso da obra de Van Gogh.
Nada se encaixava e ele tinha nítida impressão de que detalhes muito importantes passavam por ele, detalhes que não conseguia perceber.
Não poderia, porém, ser diferente, afinal sentia-se distraidamente e infinitamente feliz. Ele e John estavam melhores do que nunca e Amy só acrescentava a toda essa felicidade. Holmes sabia que tudo isso lhe tirava o foco. Esse era o preço.
Mas nada de novo havia sido divulgado sobre o caso do pintor e o detetive pensou e repensou em tudo mais uma vez antes em poucos passos, antes de entrar no pequeno estabelecimento e pagar pelo bolo da Hello Kitty que já o esperava.
Enquanto observava a atendente embrulhar bolo rosa e roxo Holmes teve um pensamento que nunca pensou ter antes: “Como o tempo passa rápido.”
Sorriu para si mesmo ao pensar que tal frase era algo tipicamente dito por pais, mas que não deixava de ser verdade.
Apesar do Tempo ser algo relativo para cada pessoa e de sempre termos a impressão que ele passa rápido depois que ele já passou, Sherlock não podia negar que tudo havia acontecido rápido.
Amélie havia chegado, assim como John, em sua vida de maneira inesperada. Em um dia que ele achava que seria mais um. Mas contrariando seus conhecimentos, lógicas e expectativas, aquela “criaturazinha”, como gostava de chama-lá, havia conquistado seu coração por completo agora.
E assim como o médico, era impossível imaginar uma vida sem ela. Sem seu choro, seu sorriso, sem sua vozinha dizendo “papapai” quando queria colo.
No caminho de volta pegou um atalho e ao retornar à Rua Baker viu os homens que trabalhavam no apartamento da Sra. Hudson parados na frente do prédio, conversando, em uma pequena pausa, aparentemente.
Antes de atravessar, porém algo lhe chamou logo a atenção e ele avistou um carro preto parando em sua frente, surpreendendo-se ao ver Adam, olhando-o sorridente da janela.
– Hey, Sherlock! Como vai?
– Adam. – respondeu parando onde estava enquanto o homem saia e ia em sua direção.
– Tem um minuto?
– Obviamente. Só não compreendo a pressa para falar comigo, já que nos vimos na sexta.
– Oh. Claro...é que...
– E você poderia ter me ligado. Ou ter mandado uma mensagem, eu não sei.
– Ok. Eu serei rápido e objetivo, certo? Greg me disse que hoje é aniversário da sua filhinha e por mais ofendido que eu esteja por não ter sido convidado, eu não quero atrapalhá-lo com seus preparativos.
– Oh, não se ofenda. Pelo menos não comigo. É uma mera convenção social. E eu não me importaria em passar em branco já que a Am nem sabe o que está acontecendo ao seu redor. Mas John faz questão e foi ele quem decretou que você não seria convidado. – o moreno respondeu com um sorriso irônico.
Adam então o encarou de cima abaixo terminando com um sorriso de lado e por fim disse:
– OK. Vamos ao que interessa: acho que sabemos, pelo menos achamos que sabemos, quem pode ter furtado o quatro do Van Gogh.
– Quando você diz “sabemos” significa...
– Significa a polícia de Amsterdã e eu. É como eu te disse, Sherlock. Eu morei lá por muitos anos, sei como funciona e sei quais são as ferramentas e linhas de pensamento para as investigações. Bom, existe um grupo especializado em roubos de artes...chamados “Hand’s Devil”...
– Oh, são teatrais...
– Sim! E muito bons no que fazem...poucas pessoas o conhecem.
– Eu mesmo nunca ouvi falar antes. – o detetive respondeu honestamente.
– Compreensível. É um grupo de no máximo dez pessoas, pelo que dizem...são alta elite por assim dizer. Eles estão envolvidos com roubos históricos de obras no Louvre do Leonardo Da Vinci e da Frida Khalo e do Picasso no Museu Contemporâneo de Nova York. A questão é que eles pegaram um dos supostos envolvidos ontem à noite. No momento ele já está detido em uma pequena cidade aos arredores de Amsterdã para não fazer alarde.
– Ótimo. Iremos no próximo final de semana, como combinado, para checar todas as informações e verificar se faz sentido ou não incriminá-lo.
– É exatamente aí onde eu queria chegar. Sherlock, eles não têm provas de que este tal cara é de fato da Devil’s Hand, apenas testemunhas ocultas, mas teríamos que averiguar pessoalmente e ninguém melhor do que você! Mas a lei holandesa, rigorosa como é e deve ser, não permite permanecer com alguém em tais circunstâncias por mais de 48 horas.
– Fiquem de olhos nele, então. Ele aparentemente faz apenas obras desaparecerem e não a si próprio.
– Não podemos! Corremos riscos se ele for liberado...este grupo esta ligado com políticos, diretamente com pessoas altamente poderosas e perigosas. Mídia,
– E no que exatamente vocês estão pensando?
– Em antecipar a viagem. Você viria comigo primeiro. Amanhã...
– Amanhã? É completamente impossível! E toda essa história é toda muito vaga para se apostar tanto. – Holmes respondeu.
– Mas já temos tudo preparado. Por favor, pense no assunto. Você falaria com o John e ele iria depois com o restante do pessoal.
Encarando-o Adam, o moreno refletiu por um momento. Toda aquela história era muito estranha além de incompleta, mas isso só a tornava ainda mais interessante.
Ele tentaria falar com John, mas naturalmente haveria uma guerra antes do loiro concordar.
– Ok. Falarei e te darei uma resposta amanhã de manhã. Agora preciso ir porque o bolo tem que ficar na geladeira.
– Oh...perfeito! A gente se fala então!
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John a trocou de maneira cuidadosa. Ao vê-la concentrada e tão bonitinha brincando com sua pequena boneca, ele disse:
– Eu não posso acreditar que você disse sua primeira palavra para o outro papai e se esqueceu de mim!
Segurando-a no colo ele beijou seus cabelos e ajeitou seu vestido de festa. Indo até a sala, a colocou no chão, no tapete da sala enquanto arrumava as coisas.
A mesa com os salgados e refrescos já estava pronta e agora só faltava o bolo e os convidados que deveriam chegar em menos de duas horas.
John adorava absolutamente tudo naquela rotina. Sim, ele adorava também ser médico e acompanhar o amor de sua vida em casos policiais que pareciam impossíveis, mas o fato de ser casado e possuir uma família, um lar...isso era o que ele sempre havia sonhado.
Com suas particularidades, Watson havia finalmente conquistado o que queria: ter uma vida com Sherlock que ultrapassava as investigações, a polícia, livros. Uma vida de verdade.
Indo até a janela, sua curiosidade foi despertada ao ver Holmes conversando com Adam na outra calçada em frente ao prédio.
Os dois pareciam sérios e pelos trejeitos, Sherlock parecia um tanto quanto apressado enquanto segurava o bolo.
Não, ele não gostava nada de Adam. Tudo nele lhe soava forçado, falso.
Deu um longo suspiro e voltou para perto de Amélie que agora engatinhava em sua direção. Mal podia saber que tudo que haviam conquistado estava agora por um tênue fio.
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