Lifetime

19 Capitulo Dezenove


Sherlock encarava o terreno aberto e abandonado. Moriarty se aproximava com sua expressão satisfeita. Naquele lugar só havia eles e ainda assim Holmes sabia que não podia confiar.

– Pobre John. Adam me contou todos os detalhes. Tsc tsc...a auto estima dele, pobrezinho. E você disse tudo de maneira tão convincente. Você sempre soube que seria muito fácil distrair o médico, não sabia? Oh Sherlock, eu e você...pensamos igual!

Holmes então prendeu sua respiração assim que Jim se aproximou com um sorriso.

– Me diga logo o que você quer. – sussurrou.

– Essa é a melhor parte. Você está gostando? Eu pensei em tudo...mas estava tão inseguro. Que bom que tudo tem saído melhor do que o esperado.

– Por que você está fazendo isso? – o detetive insistiu ao perceber que Adam chegava.

– No final, eu prometo que você entenderá. – este respondeu ainda sorrindo enquanto lhe apontava uma arma, fazendo-o entrar no carro.

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Assim que chegaram, Sherlock logo reconheceu o local, eles estavam no Museu do Van Gogh de Amsterdam.

– Por aqui, não fique tímido...- Jim disse enquanto os três adentraram no espaço que estava vazio e aparentemente isolado pela polícia, por conta das investigações.

Caminhando pelos corredores, Sherlock então pode começar juntar finalmente as peças do tal quebra cabeça.

As obras ficavam em paredes de drywall e onde o quadro, “Noite estrelada sobre o Rhone” ficava havia uma estrutura metálica acima.

– Então, começa a entender o nosso jogo agora, Sherlock? – Moriarty sorriu assim que viu que o detetive agora observava tudo muito atentamente.

– Karel, o pai de Amy. Ele furtou o quadro, não foi? Ele era equilibrista e um dos poucos que realmente conseguiriam tirar o quadro dali, após o sistema de segurança ser desativado...

– Um sistema um tanto quanto fácil de se entrar, devo confessar. – Jim sorriu para Sherlock.

– Ele fez isso pelo dinheiro. Ele e Ester viviam miseravelmente e você prometeu muito dinheiro pelo crime. Mas ao verem que era para você, eles tentaram fugir. Foi quando você enviou aquele livro sobre Van Gogh com marcas de sangue e com a letra M de Moriarty. Quando eles foram para Londres eles estavam apenas fugindo. Eles sabiam que mais cedo ou mais tarde seriam pegos. E pagariam pelo crime ou com suas próprias vidas. É por isso que os avós de Amy não tinham mais contato com Ester. Eles sabiam que Ester estava envolvido a Devil’s Hand.

– Sim, sim, sim...oh, você explicando soa como música da melhor qualidade eu meus ouvidos. Isso mesmo! E Devil’s Hand, permita-lhe dizer...sou eu! Oh, eles foram tão inocentes, Sherlock. Como você foi até agora...não percebe? Foi Adam que levou o caso deles para você cuidar. Ele mesmo cuidou de tudo pessoalmente. E tudo ficou melhor quando o imbecil do John quis adotar a orfãzinha! – este sorriu ainda mais, fazendo-o cerrar seus punhos.

– O que você quer dizer?! – esbravejou.

– Bem...você já solucionou o caso. E quando eu digo isso, entenda que eu te dei todas as respostas. Mas ainda falta onde o quadro está, Sherlock. E o mais importante. O que você terá que escolher para poder saber disso.

– Escolher? O que você quer que eu escolha?! Eu já abri mão de tudo!

– Não consegue ter uma ideia? Talvez esteja faltando um pouco de dramatização nessa história. Felizmente eu sabia que você seria limitado a esse ponto e já tenho tudo preparado.

Adam então surgiu por detrás das paredes, apontando uma arma para sua cabeça.

– Sua queda, Sherlock. Ela terminará agora. – James sorriu de maneira vibrante.

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Holmes saiu do carro seguido por Adam e Jim. Mais uma vez ele sabia onde estava.

Nas margens do Rio Amstel, principal dos Países Baixos, havia uma elevação que terminava em um precipício.

Tal área ficava mais afastada da cidade, para quem seguia em direção às províncias localizadas no interior.

– Belíssima paisagem, não? – Moriarty sorriu ao ver que Sherlock olhava para o rio extenso, de águas agitadas abaixo onde eles se encontravam.

Nada mais havia naquele lugar além do céu cinzento e o vento que urrava em seus ouvidos como se anunciasse algo de muito ruim.

– Parece gelado, não? – Jim se aproximou do detetive que tentava sem sucesso, encontrar uma maneira de fugir dali.

Os dois então se encararam e este disse:

– Anos atrás, quando você e o estúpido do seu marido me denunciaram, vocês se tornaram heróis. Quanta presunção! Era tudo o que você queria, não? E conseguiram. Tanto que continuaram fazendo isso. Eu vim para cá e mesmo assim soube do quanto Sherlock Holmes e John Watson era excelente resolvendo crimes juntos. Eu assisti atentamente vocês se tornarem o que são hoje, mas você...Sherlock Holmes, por mais esperto que seja, nunca saberá o que eu tive que fazer para tornar o dia de hoje real.

– É porque eu nunca tive interesse em você ou na sua existência estúpida. – o moreno respondeu entredentes, e isso fez Jim gargalhar.

– Oh, sim. E por falar em existência estúpida. Bem, agora você terá que decidir. O que você realmente quer? Fama por ter “descoberto” o crime do século...ou sua vida ridícula ao lado de John e da orfã?

– O que você quer? – este respondeu se aproximando de maneira ameaçadora, mas Adam apontou a arma novamente e ele então se esquivou.

– Ainda não entendeu? Oh...lerdo, uh? Você tem duas escolhas: ou você se torna ainda mais famoso, prestigiado e rico detetive ou fica com sua família.

– Por que nós estamos aqui?! – esbravejou, enquanto o vento agora se tornava mais forte, o rio mais agitado.

– Porque tem um detalhe em sua escolha. Em qualquer uma das opções que escolher, eu vou acabar com a sua vida. – Moriarty sussurrou, enquanto um sorriso se abria.

– Você não me conhece. Jamais poderia. Porque você já acabou comigo quando me fez não ter escolha e me obrigou a fazer John acreditar que eu havia traído ele. Eu já estou morto. – Sherlock respondeu, enquanto lágrimas de desespero surgiam em seu rosto sem nem ao menos ele notar.

– Isso foi mesmo. Você pode se tornar muito famoso e ainda assim será odiado por aqueles poucos que conseguiram te amar um dia. Ou você pode escolher sua família. E eu farei com que o mundo saiba que você armou este roubo do quadro do Van Gogh apenas para se promover. E você será uma mentira, Sherlock Holmes. Um gênio falso e pretensioso. Um ladrão. Eu tenho provas o suficiente para isso. E sua vida estará terminada. – Moriarty concluiu.

Sherlock então encarou Adam à sua frente, ainda com a arma e James Moriarty, o louco.

Neste instante em sua mente ele só conseguia pensar em John e o quanto o amava. Se lembrou da primeira vez que seus olhos se encontraram.

Havia sido no laboratório da faculdade em uma manhã de sábado comum. Sherlock havia se virado e então lá estava ele. John.

Inesperado e ainda assim melhor do que poderia sonhar. E ele soube. Simplesmente soube.

Sentia falta de sua filha e de suas mãozinhas fofas. De seu cheiro de morango.

– Eu sempre vou escolher minha família. – revelou em um sussurro.

– Oh. Você é de fato a maior decepção de todas, Sherlock. – James respondeu fingindo decepção.

Os instantes que se seguiram passaram mais rápidos que o próprio vento que agora se tornava insuportável.

– Ei! – os três ouviram uma voz surgindo e assim que se viraram viram John, que armado agora apontava para Adam.

Este, rápido o bastante atirou atingindo John que revidou, acertando-o em seu peito dois tiros. Fatal. Mortal.

– John! – Sherlock tentou correr, mas Moriarty sacou sua arma segurando-o pelos braços e puxando-o para o precipício.

Watson sentia uma dor horrível atingir o lado esquerdo do seu corpo e ao abrir seus olhos viu que seu ombro esquerdo sangrava muito. Se levantando rapidamente ele viu Moriarty e Sherlock.

Tentou se mexer, e apontar a arma mas seu braço doía demais para apoiar com suas duas mãos.

– Se eu fosse você, não me mexeria mais nenhum centímetro! – Moriarty gritou enquanto puxava ainda mais Sherlock para a beirada.

Holmes encarou a feição viciada, louca de James ao seu lado e olhando novamente para o médico, ele consentiu.

– John, não. Está tudo bem.

Watson então concordou, jogando sua arma no chão, perto de onde o corpo Adam se encontrava. Sherlock ao ver tal cena, aproveitou a distração de Jim e agiu o mais rápido possível que conseguiu, acertando-o em cheio com dois golpes, um em seu braço e outro em seu rosto.

Tal movimento foi o suficiente para arma cair, bem como ele próprio perder o equilíbrio da onde estavam. Sherlock e John trocaram um breve olhar antes de Moriarty puxá-lo com ele, ambos agora sumindo, caindo no rio.

– Sherlock! Sherlock! Sherlock! – John correu até a ponta, o desespero preso em sua garganta, nas pontas de seus dedos. Seu coração não querendo acreditar naquilo que seus olhos tinham visto. — Meu Deus...meu Deus...

O médico então olhou a sua volta. Nada além do corpo de Adam e de uma imensa poça de sangue. Duas armas caídas. Ele não teve dúvidas. E no momento de adrenalina ele soube que aquilo não poderia ser o final.

Indo até a ponta também, ele encarou a nervosa correnteza abaixo e não hesitou em pular também.

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Quando John voltou a superfície podia sentir seus pulmões congelarem com a água que agora o cobria até os ombros.

Dando leves braçadas ele tomou fôlego antes de chamar por Sherlock, sem sucesso.

Mas à frente viu que surgia uma pequena queda de água e isto lhe deu esperanças.

– Sherlock! Sherlock! – gritou após voltar à superfície quando viu o detetive perto da margem, aparentemente desacordado.

Mergulhando o mais rápido que pode, Watson seguiu até o lugar onde o encontrou, com um ferimento em sua cabeça.

– Meu amor, acorde...eu estou aqui. – o médico começou a chorar assim que conseguiu apoiá-lo em seus ombros e levá-lo com muita dificuldade até a margem, cheia de pedras escorregadias e pequenas vegetações.

John olhou novamente ao seu redor e viu que todo o lugar era daquele jeito. Levantando-se tirou seu casaco, e cortou uma parte para estancar o ferimento.

Depois, com cuidado tirou o sobretudo de Sherlock e abriu sua camisa, massageando levemente seu peito e enquanto fazia respiração boca a boca.

Não demorou muito então até que este voltasse a si com um sobressalto, engasgando com a água presa em sua garganta.

– John...- foi o que conseguiu dizer assim que o loiro o abraçou muito forte, caindo no choro.

– Shh..estou aqui, meu amor. Acabou agora. Estou aqui.

– Você pulou também...você veio. Como você soube...?

– É claro que eu pulei. Não há vida sem você, Sherlock. Me desculpe por ter duvidado, por ter hesitado.

– Esse era a intenção. Meu objetivo foi alcançado com sucesso. – Holmes respondeu fazendo-o rir.

– Você, seu teimoso...você deveria ter me tido. Você ia, Sherlock...pelo amor de Deus. Você enfrentou tudo sozinho.

– Faria tudo de novo por você, John. Eu te amo.

O médico então em lágrimas, o abraçou ainda mais forte enquanto segurava o pano que estancava o machucado.

– Eu te amo tanto, meu amor. Seu irmão deve estar chegando com a polícia. Aguente firme. Comigo.

– Você está bem? O seu braço...

– Está tudo bem, foi de raspão. Como se sente?

– Ótimo. – Sherlock sorriu fechando os olhos.

– Então estou ótimo também.

– Ele me puxou e não esperava por isso. É como sempre digo: se for para se casar, que seja com um médico corajoso que sempre foi um excelente nadador.

Os dois trocaram um breve olhar, antes de John puxá-lo para um beijo que o deixou sem fôlego.

– Certo, melhor esperar você ao menos fazer um curativo antes da gente continuar. – este respondeu fazendo Holmes sorrir de volta.

Notas finais
YAY! *-* Finalmente! Vocês gostaram?! Eu espero que sim :B O próximo capítulo é o último! Já aproveitando, hora de propaganda cara de pau gratuita: Minha nova fic Johnlock, "One And Only" já teve seu prólogo postado...espero que vocês curtam! *~ E é claro que eu não poderia de desejar um feliz ano novo! :D 2013 foi tão excelente...que o próximo seja ainda mais fucking awesome!!! Bom, um ano que tem em seu primeiro dia, o primeiro capítulo da terceira temporada de "Sherlock" só pode ser maravilhoso, né? ;P Quero agradecer a todos por tudo. E nos veremos muuuuuuuito no ano que vem! Um beijo e FELIZ 2014!!! ~*