Lifetime

12 Capítulo Doze


A festinha da pequena ruiva havia sido um sucesso e apesar dos poucos convidados, tudo havia sido muito agradável e divertido.

Após limparem tudo com a ajuda da sempre disposta Sra. Hudson, os dois finalmente tiveram um momento de paz com a Amélie que agora dormia tranquilamente em seu quarto.

Sherlock lia concentrado ao seu livro na poltrona do quarto quando John, que havia tomado seu segundo banho entrou.

Este não podia negar que o fato do moreno não ter lhe contado sobre o encontro com Adam o incomodava e muito. Mas conhecendo-o como conhecia, não se deixou levar pela estranheza de tal ato.

Aquilo era apenas uma crise de ciúmes e ele sabia que tinha que se controlar antes de iniciar uma briga.

– Oi...- ele disse se aproximando e fazendo este encará-lo por inteiro, por cima do livro.

– Conseguiu tirar o bolo do cabelo? – este sorriu deixando o livro no seu colo enquanto o médico se aproximava ainda mais.

– Sim. Am fez questão de esfregar aqueles dedinhos gordos nele. Ela já dormiu?

– Como um anjo...- Sherlock respondeu enquanto se ajeitava melhor, percebendo que o loiro agora subia no seu colo, enquanto terminava de enxugar seu cabelo.

– Isso é muito interessante...e por falar em interessante, posso saber que livro é este que o senhor tem ficado tão interessado ultimamente?

– É sobre Amsterdã. Sobre a história da cidade para ser mais claro, além de guia. Sempre quis estudar sobre eles e agora temos um motivo.

– Sim, você está certo. Para variar. – John respondeu com um sussurro jogando a toalha longe e segurando o pescoço de Sherlock repentinamente. Este lhe deu um meio sorriso e o beijou delicadamente.

– Festas de crianças não são tão difíceis, apesar de serem bem tediosas...- o detetive comentou, sentindo a mão de John puxar seus cabelos com força, a língua agora em seu pescoço.

– Uhum...- foi a resposta que este deu após um tempo enquanto mordia seu queixo, seu lábio inferior. Sherlock o segurava suas pernas encaixadas em seu quadril.

– John...- este sussurrou em tom grave, ao ver este tirar a camiseta e o beijar de maneira urgente, necessitada – John...John, espera. Você me viu conversando com o Adam hoje cedo, não?

Neste momento John se levantou como se ele fosse contagioso e muito sério, soltou um longo suspiro e respondeu:

– Você não consegue o curtir o momento, não? Sem questionar...só aproveitar!

– Eu sabia que era isso – Sherlock respondeu com um sorriso – Você nunca é assim a não ser que esteja com muito ciúmes ou queira provar algo. Muito menos após pouco tempo da Amy dormir e de você ter tomado seu banho.

– OK. Você conhece a minha alma e não está afim hoje. Eu entendi.

– Não que eu não queira, John. Mas acho que temos outras prioridades neste momento.

– Ah é mesmo? Às quinze para as uma da manhã? Eu só queria transar com o meu lindo companheiro após um dia cheio, mas se você tem algo melhor...diga, estou ouvindo. – este replicou se jogando na cama.

– Adam hoje veio me contar algumas novidades sobre o caso do roubo da obra. Há fatos novos e aparentemente relevantes...e em resumo eu precisarei antecipar a ida para lá.

– Oh. Sério? Puxa, até que enfim...certo. Mas é no próximo final de semana, não? Para quando eles querem? Porque dependendo do dia eu posso falar com a minha mãe para cuidar da...

– Eu iria amanhã com Adam. – Sherlock o interrompeu.

Watson então levantou suas duas sobrancelhas como se não tivesse ouvido direito e não obtendo reação nenhuma de volta, pigarreou e soltou uma risada.

– O que há de engraçado, John?

– Você. Vocês. Esse cara só pode estar brincando, certo? – o loiro respondeu, o ciúmes transbordando agora – Quem ele pensa que é? Vir aqui hoje e te fazer essa proposta que está na cara que é uma desculpinha idiota para se aproximar de você?

– O quê?! Você enlouqueceu? Ou ao menos ouviu o que eu disse? É sobre a investigação. Sobre um dos casos mais importantes para nós até hoje. Eu terei acesso a informações de primeira mão...

– Oh, é mesmo? E o que ele te disse? “Deixe o seu parceiro de lado. Oh, eu sou tão inteligente disposto e atraente...”!

Sherlock piscou três vezes e respondeu:

– Você parece um adolescente às vezes. Reagindo desse jeito exagerado...

– Oh. E você adora me ver assim né? Nem em mil anos você viajará com aquele sujeito sozinho!

– Eu sei muito bem me cuidar, John! E não ficarei sozinho com ele...esse ciúme é irracional e estúpido.

– É mesmo! Eu não gosto daquele cara, Sherlock. Você sabe muito bem. Eu nunca, nunca gostei.

– Isso não é um problema meu, John. Eu também não morro de amores por ele se quer saber, alias não morro de amores por ninguém no trabalho e nem por isso...

– Ok, Sherlock! Seja breve...me explique o porque você necessita tanto ir amanhã com o seu amigo para a Holanda, a terra do oba oba?!

– Porque a polícia local prendeu um suspeito de ter cometido o crime. Ele aparentemente faz parte de um grupo seleto de criminosos especializados em roubo de obras de arte, chamado “Devil’s Hand”.

– Eu nunca ouvi falar nesse grupo. – o médico declarou mal humorado.

– Naturalmente, porque eles são muito poderosos. John, eu posso te falar exatamente tudo o que o Adam me disse, exatamente do jeito que ele me contou, mas por favor...eu preciso que confie em mim. E no que nós temos. Você sabe que eu jamais seria capaz de magoá-lo...eu te amo.

Os dois se encararam demoradamente e ao ver os olhos brilhantes do detetive, John percebeu o quanto estava sendo possessivo. Tal investigação era importante para Sherlock e eles não podiam permitir que alguém de fora se infiltrasse de tal maneira.

– Eu sei, meu amor. Não é sobre nós que eu temo. É sobre o Adam...eu não sei, Sherlock. Eu não confio nele.

Sherlock se levantou e indo em direção da cama, se deitou em cima de Watson que o abraçou forte enquanto se encaravam.

– Nos veremos no sábado. E nos falaremos a todo momento. Isso é importante para nós.

– Será mesmo? Desde a chegada da Amélie eu tenho repensado no que é realmente importante para nós...eu preciso de você aqui comigo, Sherlock. Me ajudando com ela...

– John, eu prometo que quando eu resolver...digo, quando eu e você resolvermos tudo ficará mais calmo. Podemos tirar até umas férias. O que acha? Praia? Campo? Neve? Você escolhe...- o moreno sorriu dando beijinhos rápidos na boca deste que o fez sorrir.

– Você testa a paciência de qualquer um, Sherlock Holmes. OK, certo. Só desta vez, ouviu? Droga...quero só ver a Amélie chorar por sua causa.

– Acho mais fácil ela ver você chorar primeiro. – Sherlock respondeu rindo.

– É, eu também. Seu teimoso egoísta. Ok, você precisará ajuda com sua mala? Quer ajuda?

– Claro, doutor! – este respondeu beijando-o novamente, enquanto se levantavam de maneira animada.