Lifetime
2 Capítulo Dois
Dias mais tarde...
Sherlock e John caminhavam juntos pelo corredor em um dos Necrotérios de Londres enquanto Lestrade e Anderson iam à frente comentando sobre o caso que estavam cuidando: assassinato de uma modelo que havia sido encontrada afogada em sua própria banheira. Em certo ponto e já sem paciência, Holmes revirou os olhos e os interrompeu dizendo:
– Não diga bobagens. É óbvio que ele não a matou, vocês não repararam no sapato dele? — Os três pararam encarando-o sem reação o que fez soltar um longo suspiro e continuar: — Como vocês suportam ser limitados a esse ponto? O sapato dele estava marca alguma. Lestrade mesmo acabou de dizer que quando chegou ao local viu que o corpo dela foi encontrado e que além de água o banheiro estava revirado, simulando uma briga.
– É, sabichão...já falamos sobre isso. Seu ex namorado foi encontrado escondido num night club perto dali. Os dois não haviam terminado bem, vai ver ele quis se vingar. Vai ver ele não aceitou bem o término...crime passional! – Anderson interrompeu o detetive.
– Você é exatamente o tipo de pessoa que não acrescenta em nada na polícia. – Sherlock respondeu.
– Certo, Sherlock...gente, tudo bem. Deb foi encontrada morta e coincidentemente...
– Não existe coincidências, John...- o moreno interrompeu.
– Ok...supomos não saber sobre o término, o fato dele estar ali perto e um night club não quer dizer nada. Quero dizer, não pode ser o suficiente para incriminar alguém.
– Exatamente é onde eu quero chegar. E ele jamais teria tempo hábil para assassiná-la, trocar de roupa e sapatos já que quando foi encontrado estava impecável, como se estivesse acabado de sair do trabalho. Em menos de duas horas ele conseguiu se dirigir a uma casa noturna e gastar R$ 400,00 em cervejas e mulheres. – Holmes explicou.
– E com que diabos você soube disso? E como isso sequer pode ser tão óbvio para alguém normal?! – Anderson questionou.
– Hoje pela manhã, assim que ele foi levado à delegacia. Fiz rápidas perguntas. Entre algumas coisas deles eu notei que além do celular ele tinha um recibo. Isso foi extremamente fácil. – respondeu de maneira objetiva, fazendo John ter que disfarçar um sorriso.
– Greg, antes que eles se matem...o que você encontrou no apartamento dela? – este perguntou, vendo que os dois se encaravam furiosamente.
– Bem, nada de conclusivo na verdade. A porta teve sua fechadura arrombada, mas os vizinhos alegam não terem ouvido nada. E você não deveria ter interrompido, John! Eu tinha apostado no Anderson hoje, só para variar...- o inspetor riu continuando a caminhada com os três atrás. – Vamos à autópsia finalmente se me permitem. Será de grande ajuda.
– Isso é o que eu espero. – Watson respondeu já colocando seu jaleco e suas luvas.
Ao entrarem na sala de necropsia encontraram o corpo da vítima, bem como os itens para realizar o procedimento que daria maiores informações sobre sua morte.
– Oh, gente. Uma mensagem no celular...já venho. – Lestrade comentou saindo do local.
– Da Molly. Sobre o filho dele. Tomando banho ou após ter tomado banho. – Sherlock respondeu quando John o olhou de maneira curiosa.
Watson então começou a ver o rosto e as marcas de ferimento no corpo enquanto Sherlock colocou luvas e agora procurava evidências nas mãos e braços.
– Se me deem licença, preciso atender. – Anderson disse olhando para John e saindo apressadamente com o celular também.
– Vai tarde. – Holmes comentou enquanto John continuava de maneira concentrada a ver os machucados.
– Soube que ele e Donavan estavam juntos. Esse mau humor é porque eu soube que terminaram.
– Esse é o tipo de informação que você não precisa compartilhar comigo, John. – o moreno respondeu fazendo-o sorrir de volta.
Após um tempo, Watson soltou um suspiro discreto e disse:
– Ei, Sherlock...dê uma olhada nisso.
Aproximando-se, Sherlock viu no couro cabeludo uma tatuagem de um olho egípcio dentro de um círculo a marca era pequena e ainda assim visível entre os cabelos de cor preta.
– Hm.
– Está pensando no mesmo que eu? – John perguntou enquanto fazia anotações em sua prancheta e olhava o histórico de saúde.
– Obviamente. Ela pertencia à máfia. Muito plausível, na verdade. Não poderia haver lugar mais perfeito do que este no caso dela. Por ser modelo, ela jamais poderia raspar o cabelo, então ninguém poderia desconfiar da marca. De qualquer maneira, ela teria que possuir algo que dissesse que ela pertencia a eles, mas como poderia fazê-la no restante do corpo sem que ninguém descobrisse?
– Bom, é mesmo! E eu fiquei sabendo que atualmente ela tinha assinado um contrato com uma companhia de produtos para cabelo, então mais um motivo para nunca ninguém desconfiar.
Sherlock andou de um lado para o outro e por fim os dois se olharam. Lestrade e Anderson voltaram e então encontraram os dois assim.
– E então? Não tinha nada, estou certo? – o segundo perguntou com má vontade.
– Pelo contrário. Havia tudo. Deb pertencia à máfia. Muito provavelmente foi morta por saber de mais, “queima de arquivo”. Veem? Tatuagem típica.
– Ok, mas e o ex-namorado dela? – Greg questionou.
– Você tirou fotos da cena do local quando foram até pela manhã, estou certo? – Sherlock perguntou.
– Sim...tirei sim, estão na minha máquina ainda. Está no porta luvas.
Os três então saíram e foram até o estacionamento onde o inspetor mostrou a sequência onde mostrava todo o local inclusive como ela havia sido encontrada.
– Hm. Realmente parece que foi ele quem matou. – Holmes comentou por fim enquanto os três olhavam novamente as fotos dentro do carro do inspetor.
– Viu? Ele errou...você assume? – Anderson provocou.
– Eu disse “parece”, não que disse que foi...você ao menos ouve direito? – este perguntou de maneira ríspida.
– O que quer dizer, Sherlock? – o loiro perguntou curioso.
– Que a cena está perfeita e crime perfeito não existe. Não conseguem enxergar? Roupas dos dois espalhadas pelo quarto, mas sem nada de real valor levado. Quem teve sangue frio de matar sua ex em uma banheira teria sido um pouco mais discreto ou organizado e deixado tudo como se fosse roubo. Isso é tão óbvio! – ele explicou de maneira entediada.
– Mas se é a máfia, nunca conseguiremos saber o que houve de fato... – Greg comentou desanimado.
– Vocês provavelmente não, mas eu vou. Lembram quando comentei sobre o bilhete de R$ 400,00 que ele havia gasto na noite anterior? Ninguém seria capaz de beber tudo isso em apenas algumas poucas horas e isso é mais óbvio ainda. Então pensem além pelo menos uma vez: Richard, o ex namorado mal encarado pode ter terminado com ela assim que descobriu o que fazia...pouco se sabe sobre o passado dela antes de sua carreira de sucesso como modelo, então, ao descobrir ele pode ter descoberto e terminado. Ainda digo mais, carreira de modelo é algo que demora para deslanchar, quando isso acontece. Deb ganhou destaque e fama mundial em menos de um ano...
– Oh. Realmente...- John comentou.
– Então, pensemos ainda mais adiante: Deb pode ter conhecido Richard em um local como este, um night club. A máfia provavelmente já sabendo sobre o término dos dois, quis falar com Richard e acabar com ele também. Provavelmente utilizaram Deb para fazê-lo ir até aquele local, que deve servir de fachada para encontro de pessoas como eles.
– Então, devemos olhar para o Richard, estou certo? Ele corre em perigo...esta ameaçado e ao prendê-lo sem querer o protegemos. Ainda bem que a polícia foi rápida e não precipitada desta vez! Ele é inocente...- Watson concluiu.
– Precisamente, John. – Sherlock respondeu com um meio sorriso.
– Isso tudo é muito...esperem, meu celular. Alô. Oi, oi...Donavan. Espere...o quê? Eu não acredito. Certo...leve-o para o médico imediatamente, estamos à caminho. Precisamos dele vivo mais do que nunca! – Lestrade desligou e olhou para Sherlock que o encarava já esperando pela noticia.
– Richard foi atacado na cela...esfaqueado, na realidade. Isso só comprova minha constatação. – o moreno comenta.
– É...exatamente. Vamos, precisamos ir vê-lo no hospital.
– Precisamos pegar nossas coisas...- John respondeu.
– Ok. Vocês dois estão dispensados. Agora a polícia segue daqui...obrigado, Sherlock. Obrigado, John. Qualquer coisa eu ligo. Iremos até o night club. Anderson cuidará disso.
– Boa sorte. – Holmes responde saindo do carro e se afastando enquanto Watson sorri e sai e se despede.
–---------------------------------------------------------------------
– Uau. Você...uau. – John diz encontrando-se com Sherlock que lavava as mãos no banheiro dos funcionários do necrotério.
– Eu sei. Você disse o quanto eu sou espetacular algumas vezes hoje. – este respondeu com um sorriso enquanto enxugava suas mãos e colocava cuidadosamente sua aliança de volta.
– Oh, mas isso foi em casa...hoje de manhã. Estou dizendo que você é espetacular também aqui...no trabalho, meu caro Holmes.
– Na verdade, eu sei. Você sempre deixa isso bem claro. Meu caríssimo, Watson.
Fechando a porta do banheiro, ele então empurra John contra a parede o beija de maneira leve, enquanto o médico o abraça, acariciando seus cabelos.
– Oh, desculpe. Interrompo algo? – Adam diz entrando de repente e de fato, interrompendo os dois que se separaram no susto.
– Adam, claro que só podia ser você...te espero lá fora, Sherlock. – John disse arrumando a gola de sua camisa enquanto saia completamente sem graça.
– E aí, tudo bem? – este comentou encarando o detetive de cima a baixo.
– Posso ajuda-lo em algo?
– Oh, não...só vim pegar minhas coisas. Parabéns pelo caso da modelo. Lestrade...
– Obrigado. – Sherlock agradecer querendo encerrar o assunto. John não gostava dele com Adam e ele próprio não era favor de conversas sem sentido.
– Oh, eu tenho alguns amigos em Amsterdã...da polícia, você sabe, que eu fiz quando trabalhei lá. E eles estão...
– Cuidando do caso do quadro do Van Gogh. Eu sei, o mundo está sabendo.
– É, na realidade eles me disseram que estão encontrando dificuldade no caso, mesmo tendo todos seus principais homens mobilizados no caso. Eles têm medo que se torne público, mas o culpado pelo crime é um gênio e eu pensei, bem...eu pensei em te indicar para o caso, você sabe...a Interpol já está envolvida.
– Oh. Isso seria possível? Porque é um caso interessante...
– Lógico! Se você quiser, eu posso fazer meus contatos. Teríamos que ir para lá, mas...
– Quando você diz “teríamos”...- Sherlock interrompeu.
– Eu, você...
– John, principalmente. Eu não farei nada sem ele...sem meu assistente.
– É claro que não. – Adam sorriu enquanto os dois trocavam um olhar – Bem, o John também...por que não? Então, se eu te indicar, você...vocês iriam?
– Absolutamente.
– Perfeito. Farei meus devidos contatos então e te falo dentro de alguns dias, ok? – este respondeu estendendo a mão.
– Feito. – o moreno respondeu sério cumprimentando-o de volta, enquanto se encaravam.
Notas finais
Em breve novos capítulos.
Vcs gostaram? Espero que sim...
um beijo e boa semana!:D
Fale com o autor