Notas iniciais
Oiee princesas! Como foi a semana de vocês? A minha foi super corrida, com alguns problemas, mas o que importa é que é sexta feira e é dia de cap novo!!!! (sem atrasos, amém) Não posso esquecer de agradecer os comentários do cap passado, então Valarie Lockwood, Elister, NandaNascimento e Menta OBRIGADA, vocês são sinônimo de perfeição *---* Agora sobre o cap: eu geralmente uso titulos em português, mas dessa vez não tinha nada que definisse melhor esse do que "Daddy Issues" Daddy Issues tbm é o nome de uma música do The Neighbourhood, que tem tudo a ver com o cap, se puderem ouçam. Sem mais demoras vamos ver como o nosso DixChechas está. Boa leitura!

• NATALIE COOPER •

O Sol ainda não tinha nascido no horizonte quando eu abri os olhos, o quarto estava na penumbra e o vento gelado da manhã batia na janela, mas eu sorri como se fosse tarde de sol na praia. Aquela sensação de estar completa inundava o meu peito, era algo novo pra mim, tinha nascido no pedreira, algumas noites atrás.

Não precisei afundar nas lembranças, achando que tudo tivesse sido um sonho, porque o braço pesado, solto na minha cintura, deixava a realidade cristalina.

Toquei a mão de Daryl, bem de leve, me aconchegando em seu corpo que estava atrás do meu. Era a primeira vez que eu o fazia dormir na minha cama e tinha sido... extraordinário.

Senti o nariz dele roçando meu pescoço e subindo até minha nuca, enquanto o braço, que estava na minha cintura, me apertava um pouco mais. Eu queria poder acordar e dormir com aquele homem todos os dias...

— Acordei você? — Perguntei baixinho.

— Não, eu já estava acordado há um tempo... — Respondeu rouco, somente um sussurro ao pé do meu ouvido.

A barba dele me arranhava de leve, e eu apenas me deixei suspirar, enquanto apreciava a sensação que me causava arrepios pelo corpo todo. Obviamente eu já estava entregue. Daryl escorregou a mão para minha coxa, totalmente exposta, afinal eu dormira com nada mais que a camisa dele.

Quem diria que um dia eu teria aquele homem só de cueca na minha cama...

— Tenho que ir, logo vai amanhecer. — Eu ouvi as palavras, mas o modo como ele apertava minha perna e beijava meu pescoço, fez o significado delas se esvaírem como fumaça.

— Não parece que você quer ir... — Comentei com uma risadinha, depois de empurrar um pouco mais meu corpo para trás e sentir uma parte bem especifica de Daryl ser pressionada contra mim.

— Eu disse que tenho que ir, não que quero ir. — A resposta veio em tom de brincadeira e eu sorri, virando meu corpo para ele e deslizando minhas mãos pelo seu peitoral nu.

— Acontece que você não pode ir. — Devolvi, com um sorriso travesso.

— Por que? — Daryl capturou meu lábios rapidamente, enquanto seu toque áspero subia para o meu quadril.

— Eu estou usando a sua camisa, não dá pra você ir embora sem ela... — Fingi que lamentava.

Outro beijo, os toques foram ficando mais ousados.

Daryl rolou por cima de mim e eu o prensei com as pernas. Eu podia sentir a barba dele arranhar meu queixo conforme nos beijávamos. Era impressão minha ou estava mesmo quente demais ali?

— Não vai me mandar devolver sua camisa? — Brinquei, quando o beijo cessou e os olhos azuis se abriram um pouco acima do meu rosto.

— Agora não... — Se arrumou entre as minhas pernas, fazendo nossos corpos se encaixarem.

Ele obviamente não iria embora, não que eu tivesse pensado em deixa-lo ir mesmo...

A gente parecia se entender na cama, na cabine da caminhonete, na caçamba, na barraca... Enfim, em todo lugar. Ou talvez fosse o fato de eu estar apaixonada e isso tornar tudo perfeito. Eu nunca tinha levado muito a sério aquele papinho de "sexo com amor é mais gostoso", porém, ao que tudo indicava, era verdade.

Quando os pássaros começaram a cantar, anunciando a manhã, estamos ofegantes e suados. Eu me enrolei como um filhote nas cobertas e Daryl foi até meu banheiro. Claro que eu queria tomar uma ducha também, mas preferi não forçar tanto os limites.

Acabei cochilando, até que Daryl me acordou, depois de sair do banho, tocando meu rosto de leve.

— Hey, Bochechas, você vai ter que me devolver minha camisa agora.

— Não... — resmunguei, manhosa. — Deixa eu ficar com essa, aposto que você tem outra na caminhonete.

— Tenho mesmo, mas a caminhonete, está a três quadras daqui lembra?

Me sentei na cama, ainda sem vontade, não dava pra acreditar que eu tinha mesmo concordado com aquela ideia de não deixar a caminhonete na frente de casa, como se meu pai fosse mesmo se importar com aquilo. Mas por fim, eu tirei a camisa, me enrolando no lençol.

— Eu volto daqui a pouco pra abrir a oficina, vou só pegar a caminhonete e talvez tomar um expresso no Joe's — Avisou, enquanto fechava os botões.

Meu Deus, que homem lindo, eu sou muito sortuda.

— Por que não toma café aqui? — Perguntei, ainda meio sonolenta, me sentindo tentada a puxar Daryl de volta para cama.

Ele me encarou como se eu fosse boba e estivesse esquecendo alguma coisa importante. Mas não respondeu, apenas me deu um beijo e caminhou para a... espera, janela?

— O que você está fazendo? — Minha confusão ficou clara em cada sílaba.

— Você não achou que eu ia mesmo sair pela porta da frente, essa hora, com essa cara e esse cabelo molhado, não é? — Respondeu, como se fosse óbvio.

— Achei. —Devolvi no mesmo tom. — Não é como se você nunca tivesse dormido aqui.

— Aqui, não significa no seu quarto. Seu pai não é idiota, Bochechas.

Eu estava meio lerda por causa do sono, mas, mesmo assim, aquilo parecia ridículo.

— Exato, ele não é idiota, ele sabe o que acontece entre a gente. — Dei de ombros.

— Saber e ter certeza são duas coisas diferentes. — Daryl retrucou, como se fosse o dono da razão, abrindo a janela do meu quarto.

— Na verdade, são exatamente a mesma coisa. — Apontei me levantando, ainda enrolada no lençol.

— Você entendeu... — Bufou, contrariado. — Será que podemos fazer isso do meu jeito, por favor?

Eu já tinha a lista mental de todos os argumentos que usaria, mas resolvi dar um desconto e apenas assenti.

— Você fica me devendo essa, e pode apostar que eu vou cobrar. — Insinuei, me aproximando e lhe roubando um beijo.

— Isso era pra me intimidar? Não funcionou, pareceu mais um incentivo, na verdade. — Debochou, me dando um último beijo, antes de sair.

Daryl pulou a janela sem dificuldades, atingindo o chão como um felino, eu ainda achava aquilo desnecessário, mas foi bastante sexy assistir uma coisa daquelas.

Tomei um banho rápido e desci as escadas um tanto saltitante, meu pai já estava na cozinha, o cheiro de café perfumava o ambiente.

— Bom dia! — Cumprimentei animada, dando lhe um beijo estralado.

— Bom dia, mocinha. Você parece muito feliz hoje... — Comentou, colocando algumas coisas sobre a mesa de café da manhã.

— Eu estou mesmo. — Sorri, puxando uma cadeira e me sentando. — Feliz e faminta.

Peter meneou a cabeça, sorrindo meio de canto, no mesmo instante em que eu ouvia Daryl abrir o portão da oficina.

Longos minutos depois ele bateu na porta. Meu pai me lançou um olhar primeiro e eu escolhi meus ombros, enquanto me servia de algumas panquecas. Ele negou algumas vezes, rindo de canto e caminhando até a porta.

— Bom dia, Daryl. — Cumprimentou, sem precisar checar que era mesmo ele.

— Bom dia Cooper, eu já abri a... — Meu pai não deixou que ele terminasse.

— Por que não entra e toma café com a gente. — Convidou, abrindo totalmente a porta, e antes que Daryl pudesse retrucar, lançou lhe um olhar de quem não admitia negativas.

Meus olhos se encontraram com os do homem que eu amava e sorri abertamente, enquanto ele tentava ser natural.

— E, Daryl... — Meu pai começou e nossas atenções se voltaram pra ele. — Da próxima vez, desce pela escada, não quero que você sofra um acidente e caia da janela.

Os dois se encararam por um momento, com Daryl ensaiando dizer alguma coisa, mas só conseguindo gaguejar, até que eu tive uma crise de riso incontrolável, que meio quebrou o clima.

Daryl me encarou feio, claramente incomodado e envergonhado com a minha reação.

— Foi mal... — Pedi baixinho, fazendo o possível pra me controlar.

— Pelo menos eu não vou ter me preocupar com minha filha dormindo aqui sozinha, enquanto eu passo o fim de semana fora pescando... — Meu pai comentou enquanto se sentava. — Ou será que o fato de você não estar dormindo sozinha é exatamente com o que eu tenho que me preocupar?

Daryl ainda estava parado no mesmo lugar, virou a cabeça para a porta, não sabendo se saía ou ficava.

— Pode sentar, Dixon. Eu não vou voar em você com a faca... Eu acho. — Os dois trocaram um último olhar até que Daryl finalmente se sentou.

— Eu tenho certeza que estou me saindo muito mal nesse negócio de ser pai... — Peter negou algumas vezes, rindo sem humor.

— Pois eu tenho certeza que você está se saindo super bem. — Sorri, segurando sua mão sobre a mesa.

— Você é suspeita pra opinar sobre esse assunto. — Retrucou, se fazendo de difícil.

— O Daryl também acha que você está indo super bem, não é, Baby Dix? — Incentivei a resposta e Daryl assentiu vagamente, enquanto se servia.

— A opinião dele podia até ser um bom medidor antes, mas agora ele está envolvido demais, não conta. — Meu pai ainda balançava a cabeça, enquanto se servia de café.

— Pai, seja legal... — O encarei persuasiva, meio que murmurando entre os dentes.

— Eu estou sendo, Daryl estar aqui vivo e inteiro é prova disso.

— Pai! — Adverti, segurando sua mão sobre a mesa novamente e apertando levemente, abrindo um sorriso e piscando algumas vezes, como se pedisse pra ele maneirar.

— Ela faz isso com você também? — Perguntou ao Daryl, apontando para mim. — Porque se for só comigo, vai ser sacanagem...

— Ela faz. — Daryl assentiu. — É totalmente injusto, não tem como negar olhando essas bochechinhas.

— De que lado você está? — Acusei, cruzando os braços e me fazendo de ofendida.

— A casa é dele, a oficina é dele, as panquecas são dele e a filha é dele também. De que lado você acha que eu vou ficar? — Daryl deu de ombros.

Joguei a cabeça pra trás, revirando os olhos e não podia ter acabado de outro jeito, a não ser, com nós três rindo.

➷•➷•➷•➷•➷

— Pegou tudo? — Perguntei, olhando meu pai colocar as coisas no porta-malas.

Ele estava pronto para sair, ficaria o fim de semana fora, junto com alguns outros caras, inclusive o Joe do bar, para um retiro de pesca, ou seja lá o que aquilo fosse.

— Tudo aqui. — Assentiu, fechando o compartimento. — Vocês vão se virar bem sem mim?

— Claro, Daryl vai terminar o último carro em algumas horas e vamos ficar com a oficina vazia no fim de semana, segunda você já vai estar de volta, o que podia dar errado? — Respondi, dando levemente de ombros, sem entender a preocupação.

— Eu confio no Daryl com a oficina, não é sobre isso que eu estou perguntando... — Me encarou mais sério. — Não acha que está indo depressa demais?

— Estamos agindo normalmente, pai. — Continuei sem entender.

— Você mal deixa o menino ir embora, Natalie. Se isso não é ir depressa eu não sei o que é...

Suspirei, eu não podia contar ao meu pai que o motivo de eu manter Daryl em casa todo o tempo era apenas para que ele não precisasse ir pra casa do pai dele.

— Eu não estou dizendo isso porque me incomodo com ele aqui em casa, filha. Eu sou acostumado com casa cheia. O problema é que talvez você esteja colocando expectativa demais nisso... Eu entendo, primeiro amor e tal, mas tenha cuidado com os planos que você faz, quanto mais alto você sobe, mais alta é a queda. — Advertiu um tanto mórbido, e aquilo me causou um arrepio.

— Credo, pai. — Cruzei os braços como se precisasse me defender de alguma coisa. — Não precisa se preocupar, eu não estou fazendo planos, nem nada assim.

O engraçado é que eu mesma não me dei conta do quão mentirosa aquela frase era, claro que eu estava fazendo planos, eu fazia planos o tempo todo. Eu só não tinha me dado conta disso conscientemente.

— Se você diz... — Ele deu de ombros, mas ainda parecia preocupado. — Vou indo, combinei de pegar o Joe ainda. Juízo.

Me abraçou e beijou o topo da minha cabeça, acenando para Daryl depois e fazendo as mesmas recomendações para ele. Entrou no caro e eu fechei a porta, me debruçando sobre o vidro para dar-lhe um beijo na bochecha.

— Eu não preciso ter a conversa sobre proteção com você, não é? Me diz que sua mãe já fez isso... — Fez uma careta engraçada.

— Não se preocupe, não precisamos ter essa conversa. — Sorri sem-graça e dei um passo para longe do carro.

— Ótimo. Ótimo. Nos vemos no domingo de noite então. — Acenou uma última vez antes de dar a partida.

Ainda fiquei vendo o carro se afastar, enquanto uma palavra ecoava clara na minha mente: "proteção..." Olhei para Daryl de relance e mordi o interior dos lábios. Okay, talvez a gente tivesse esquecido aquele detalhe. Opa.

Mas eu tomava pílula anticoncepcional, quer dizer, quando eu não esquecia nem nada assim. Ia ficar tudo bem.

— Que cara é essa? — Daryl perguntou, quando eu entrei na oficina novamente.

— Cara? Que cara? — Me fiz de desentendida.

— Essa de quem esqueceu a torneira aberta antes de ir viajar.

— Nada a ver... — Fiz um gesto banal com a mão direita enquanto ria.

Voltei pra minha mesa e terminei meus afazeres do dia, ficando totalmente entediada no segundo seguinte, como era de costume. Voltei a me aproximar de Daryl, que estava entretido no próprio trabalho, daquele jeito único que me deixava um tanto hipnotizada e me levava a imaginar coisas improprias.

— Lembra que você está me devendo? — Me encostei no capô, toda insinuativa.

Daryl me encarou por um segundo e meneou a cabeça, rindo de canto, como se não conseguisse acreditar em mim.

— Acho que você podia me pagar agora.... — Sorri inocentemente, como se não houvesse segundas intenções por trás daquilo.

— Você já terminou o seu trabalho, não é? — Indagou certeiramente e eu assenti. — Então é melhor você ir lá pra dentro, encontrar alguma coisa pra fazer, enquanto eu termino o meu.

Fiz uma careta, mas sabia que era uma briga perdida, se tinha uma coisa que Daryl Dixon levava a sério, era o trabalho dele. Resolvi fazer o que ele tinha dito e entrei, tendo uma ideia interessante sobre o que fazer com o meu tempo livre...

Daryl apareceu menos de uma hora depois, já havia finalizado os serviços do dia e fechado a oficina.

— Você está fazendo bolinhos? — Perguntou, olhando a bagunça na cozinha.

— São cupcakes, não bolinhos — Corrigi, enchendo as forminhas.

— Dá na mesma. — Ele deu de ombros, tentando provar o que estava na vasilha de massa. Claro que eu não deixei. — Pensei que você não sabia cozinhar.

Tombei a cabeça para o lado, enquanto fazia uma careta e estreitava meus olhos na direção dele.

— Isso, joga mesmo minhas desgraças na minha cara... — Ironizei, colocando tudo no forno. — São só cupcakes, nada pode dar errado.

Daryl meneou a cabeça, totalmente desacreditado.

— Esse é exatamente o tipo de frase que vem antes de alguma coisa que deu muito errado — Debochou, cruzando os braços e se encostando em uma das paredes. Olhei feio pra ele, coisa que não pareceu afetá-lo. — Talvez seja melhor a gente pedir uma pizza pra garantir.

Joguei o pano de prato nele, mas Daryl o pegou no ar, me puxando pra perto e selando nossos lábios.

— Quando você voltar do banho tudo já vai estar pronto e você vai ver como eu sou uma ótima boleira. — Me gabei, envolvida no abraço dele.

Mais um beijo, e eu quase pedi pra subir junto, mas claro que a palavra "limites" brilhou na minha cabeça, como luzes de neon

Daryl subiu e minutos depois eu ainda estava divagando sobre todas as possibilidades daquela noite com um sorriso enorme no rosto, quando alguém tocou a campainha. Estranhei, não estávamos esperando ninguém, mas em todo caso podia ser um cliente com alguma emergência.

Olhei de relance para o forno e decidi que fosse o que fosse eu voltaria a tempo de tirar os cupcakes dali. Larguei o pano de prato na mesa e saí, ainda com um sorriso no rosto, mas minha expressão mudou totalmente quando eu abri o portão e vi quem era.

Seja educada. Seja educada. Seja educada. Comecei a repetir mentalmente como um mantra, embora minha cara deixasse bem claro o meu descontentamento.

— Ele está aí? — Will Dixon perguntou, sem um pingo de cerimonia ou educação. Senti minhas unhas fincarem nas palmas da minha mão, tamanha a força com a qual cerrei os punhos.

Era a primeira vez que estávamos frente a frente desde que eu descobrira tudo, eu procurava evitar qualquer contato com aquele abusador, filho de uma chocadeira.

— Daryl? — Joguei de volta, me fazendo de desentendida.

— Quem mais seria? Acha mesmo que eu viria aqui por outro motivo, garota? — Ele estava bêbado, percebi quase de imediato, o cheiro de álcool me causando náuseas, ou talvez fosse só a presença daquele cretino mesmo.

Me dei conta de que diferente de Daryl e Merle, meu pai não parecia ser amigo de Will Dixon, uma ponta de orgulho brotou no meu peito, junto com uma pitada de dúvida, eu perguntaria sobre isso qualquer hora.

— Ele não pode falar com você agora... — Dei de ombros, sabendo que se fosse por mim, Daryl sequer olharia para aquele homem novamente. — O que você quer?

Era meio complicado controlar o meu tom hostil, merda, eu não tinha sangue de barata, o velho com certeza notou minha agressividade.

— Coisa de família. Nada que tenha a ver com... — Ele fez uma pausa pra me medir da cabeça aos pés, como se eu não valesse nada. — Você.

É o pai do Daryl, pelo amor de Deus, seja educada... Controle-se. Continuei repetindo, e aquilo foi como um estopim, merda, era o pai dele, e esse era exatamente o problema, aquele velho nojento não podia ser considerado um pai.

— "Coisa de família..." — Repeti irônica. — Devo chamar a polícia então? Entre agressão física e abuso de menor, qual o próximo crime que você vai chamar de "coisa de família" hoje? — Cuspi, incontrolavelmente.

Merda! Meu corpo inteiro gelou quando me dei conta do que eu tinha acabado de fazer. Will Dixon me encarava totalmente estático, ele não esperava por aquilo.

Parei de respirar, não me movi, se por um lado era um alívio deixar claro que eu sabia a pessoa horrível que aquele homem era, por outro, eu entendia que fazer uma coisa daquelas não era o melhor para o Daryl.

Foram quase cinco segundos até que Will se recompôs e abriu um sorriso debochado que lembrava bastante de Merle.

— Foi isso que o garoto disse pra você? — Riu, como se não fosse nada. — Daryl tem um dom pra se fazer de vítima, sempre foi assim... Devo presumir que é por isso que o ingrato não tem ido pra casa? Avisa pra ele que as contas vencem e eu não...

— Ele não me disse nada, mas eu não sou cega. Por mim ele não voltaria pra lá nunca mais. — O interrompi, não dava pra acreditar que o homem tinha mesmo a cara de pau de se fazer de inocente.

Assim que ouviu minha resposta sua postura mudou pra algo mais agressivo, ele deu três passos na minha direção de forma ameaçadora, mas eu não me intimidei, talvez eu até devesse, mas estava brava demais pra ter algum senso de autopreservação.

— Então você acha que sabe de tudo? Que pode acusar? Acha mesmo que manda alguma coisa aqui? Devia tomar cuidado, seu pai não pode te proteger com um pé dentro da cova como ele está. — A ameaça veio fria, mas não foi nela que eu foquei.

O que ele queria dizer com: "seu pai não pode te proteger com um pé dentro da cova como ele está." Aquela frase me pegou mais que as outras, mesmo assim eu sabia que podia ser só uma intimidação idiota e eu não podia focar naquilo.

— Você devia ir embora. — Retruquei duramente, sem me mover um só passo. — Você não vai levar um centavo do dinheiro que o Daryl dá duro pra conseguir, e da próxima vez que parar na minha porta e me fizer uma ameaça, tenha certeza de que eu não estou gravando tudo. — Tirei o celular do bolso, uma jogada arriscada, já que era mentira, eu não tinha gravado coisa alguma. — Eu te queria atrás das grades por outras coisas, mas por ameaça vai ter que bastar... — Dei de ombros como se estivesse perfeitamente calma.

Era como estar na escola de novo, batendo de frente com um valentão qualquer, a diferença é que o valentão era um idoso, e que qualquer coisa que eu fizesse com ele atingiria o Daryl diretamente, não era uma guerra que eu queria travar, porque não teriam vencedores nela, afinal, mesmo ganhando, eu acabaria perdendo. Tudo que me restava era o bom e velho blefe.

— Não tem nenhuma criança aqui, senhor Dixon. — Ergui um pouco o queixo. — As intimidações de um velho decrépito não me amedrontam.

Mais uma risadinha debochada como resposta e um passo pra trás, tentei não respirar aliviada, manter a pose, mesmo que por dentro eu estivesse igual a um acidente de carro.

— Pensei que o lance dele com você era sexo, mas agora percebi que você é a mãezinha dele. Que patético. Se quer tanto o garoto, pode ficar, melhor pra mim. — Deu mais alguns passos pra trás, começando a se afastar como se estivesse por cima da carne podre. — Boa sorte com isso, mas cuidado também, corre pela cidade o boato que toda mulher que se envolve com um Dixon por muito tempo acaba morta...

Will jogou as mãos para ar, enquanto andava de costas, e mudou sua expressão, como se realmente sentisse alguma compaixão, eu ainda estava parada no mesmo lugar, totalmente perplexa, quando ele sumiu na esquina.

Tentei processar tudo aquilo, respirando fundo e relaxando o corpo, mas a conversa ficava dando voltas na minha mente, cada frase me trazendo uma emoção diferente, era perturbador. Se uma conversa de alguns minutos com aquele homem havia me deixado naquele estado, eu mal conseguia pensar no que Daryl tinha passado, convivendo com aquele homem por anos.

Voltei para dentro ainda com as pernas tremendo, meu estado de choque era tão intenso, que fiquei parada na porta, totalmente inerte, incapaz de sentir o cheiro de queimado que se espalhava pela casa. Não sei quanto tempo fiquei ali olhando para o nada, só voltei a mim quando a voz de Daryl descendo as escadas me alertou:

— Bochechas, sua intenção é comer bolinho esturricado mesmo?

Sacudi a cabeça levemente e o vi parado no último degrau, me olhando com a expressão levemente divertida.

— Merda! — Corri até o forno, pegando o primeiro pano que vi pra tirar a forma de lá.

Obviamente eu me queimei no processo, deixando a forma e tudo que tinha nela cair no chão, afinal desgraça pouca é bobagem, não é mesmo?

— Você está bem? — Daryl me alcançou, quase no mesmo momento, desviando de alguns cupcakes que passeavam pelo chão, como pedras roliças.

Segurou minha mão entre as dele e me olhou preocupado. Eu o amei um pouco mais naquele momento, porque eu tinha acabado de ter um vislumbre da vida dele e não conseguia acreditar que uma criança que tinha passado por tanta merda, pudesse ter se tornado um homem tão maravilhoso.

Balancei a cabeça negativamente para a pergunta que ele tinha acabado de fazer, mesmo sabendo que a preocupação de Daryl era a queimadura e minha resposta nada tinha a ver com aquilo. Simplesmente o abracei e ele me envolveu, provavelmente achando exagerada minha reação.

— Pelo menos não vamos ter que comer os bolinhos... — Comentou casualmente, mas eu sabia que era pra me distrair, quebrar um pouco aquele clima. Me deixei rir, dando um leve tapa no ombro dele.

— Eram Cupcakes. — Corrigi pela enésima vez.

Daryl beijou minha testa e me ajudou a pegar toda aquela bagunça, antes de ligarmos para a pizzaria.

— Quem era? — Perguntou, quando nos jogamos no sofá, momentos depois. — Eu ouvi a campainha...

O encarei por meio segundo, eu podia e devia ter dito quem era de verdade, mas aquilo provavelmente acabaria com a nossa noite, eu não queria jogar Daryl naquilo tudo, talvez fosse melhor ele não saber...

— Um cliente — dei de ombros. — Eu o despachei rapidinho, não tem espaço na nossa agenda pra clientes essa noite, ele que venha na segunda. Hoje você tem algumas dividas pra quitar comigo.

Daryl apenas meneou a cabeça, com um sorriso contido, nada desconfiado da minha mentira.

A pizza chegou um pouco depois, e a noite foi correndo normal, mesmo que eu não conseguisse tirar da minha cabeça todos os planos pra que Daryl nunca mais visse o pai, sei que podia até soar egoísta, mas aquele homem não fazia bem pra ninguém, principalmente para o filho.

A gente podia morar junto... pensei em certa altura e aquilo não me pegou como uma novidade, coisas assim já tinham passado na minha cabeça aqueles dias. Eu sabia que era um passo enorme e que tornava as coisas muito mais sérias, contudo não parecia absurdo, um pouco precipitado talvez, eu reconhecia isso, mas quando você já sabe com quem quer passar o resto da vida, por que esperar?

Naquele momento eu sequer cogitei que aquele tipo de decisão não era algo que se tomava sozinha. Só porque eu estava pronta para dar aquele passo, não significava que Daryl estivesse...

Minha euforia me deixou cega pra muitas coisas.

Eu ainda tinha um sorriso no rosto, enquanto fazia planos mentais sobre meu futuro e Daryl assistia um jogo qualquer, sentado no sofá oposto ao meu, fumando um cigarro. Foquei nele por um segundo, gravando aquele momento na mente, sentindo aquela paixão percorrer minhas veias. Os olhos azuis focaram nos meus por um instante.

— Você está perdendo a melhor parte do jogo. — Avisou, dando outra tragada.

— Esse jogo está chato, nem a melhor parte salva. — Respondi, sem tirar os olhos dele. — Eu acho que devíamos gastar nosso tempo com algo mais interessante...

— Tipo o que? — Perguntou, ao virar o rosto pra mim e apoiar os cotovelos nos joelhos.

Dei um sorriso de lado, totalmente lascivo, antes de simplesmente tirar a blusa e jogá-la em um canto qualquer, ficando apenas de sutiã. Apoiei meu corpo no braço do sofá e joguei a cabeça para o lado, erguendo uma sobrancelha de maneira sugestiva.

Daryl deu uma tragada profunda, soltando a fumaça, de um jeito que eu achei totalmente sexy, me encarando de forma penetrante por alguns segundos.

— Tem razão, isso é bem mais interessante que o jogo... E acho que eu te devo, não é? — Deixou no ar e eu acabei rindo, pulando para o sofá em que ele estava.

Uma faísca e começávamos um incêndio, estávamos ficando muito bons naquilo.

O beijo que trocávamos eram voraz e descontrolado, nossas mãos estavam por toda parte. Definitivamente aquilo era o tipo de coisa que eu iria querer para o resto da vida.

Ouvi o telefone tocar ao longe, como se não fosse em casa, me contorcendo sob o corpo de Daryl. Outro toque. Ele parou, as sobrancelhas franzidas quando me encarou. Mas quem é que telefonava para os outros em uma hora daquelas?

— Não vai atender? — Perguntou, enquanto o terceiro toque se espalhava pela casa.

Suspirei, levantando meio a contragosto, tirando o telefone do gancho e murmurando um "alô" sem vontade.

— Boa noite, é da casa de Peter Cooper? — Uma voz feminina, bastante formal, perguntou do outro lado da linha.

— Sim, é a filha dele que está falando. — Respondi, jogando meu peso para uma perna só.

— Aqui é do hospital municipal de Dawson, senhorita Cooper. — Franzi as sobrancelhas, incapaz de conceber do que se tratava. — Seu pai deu entrada há pouco.

Apoiei meu peso na bancada antes que minhas pernas falhassem. Eu devia ter escutado errado. Eu tinha que ter escutado errado.

— O que aconteceu com ele? — Minha voz falhou três tons.

— Ele sofreu um infarto... — Tudo rodou, saiu de foco, um desespero ensurdecedor tomou conta de mim. — Nos estabilizamos o estado dele, mas esse episódio agravou o problema de coração do Senhor Cooper e teremos que operar, alguém da família precisa estar aqui...

Eu mal ouvi o som do telefone batendo contra o chão, sequer notei que o tinha soltado, apenas uma coisa ecoando na minha mente como uma maldição: "problema de coração". As coisas que eu tinha deixado passar naqueles meses voltando com força absurda e montando um quebra-cabeças macabro.

O céu estava desabando, caindo sobre os meus ombros. Daryl me segurou antes que eu desabasse junto. Ele perguntou alguma coisa que eu não fui capaz de ouvir conscientemente e, talvez por perceber meu choque e minha inercia pegou o telefone do chão.

Eu simplesmente não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo... Era um pesadelo, eu tinha que acordar.

Notas finais
Pois é, como eu disse, vários Daddy Issues nesse cap. O primeiro confronto Will x Natalie aconteceu, mas não pensei que vai ser o último. Vocês acham que ela fez certo de não contar para o Daryl? Nosso DixChechas estava tão feliz, mesmo com a Natalie abusando um pouco das expectativas, mas no meio de todo esse amorzinho, claro que tinha que acontecer um drama, afinal essa fic é minha neh uashaushush (tô rindo, mas tô sofrendo tbm) Papa Cooper, como muitaaaaa gente desconfiava, tem mesmo um problema de saúde, saberemos tudinho no proximo, direto da fonte, ou seja, cap narrado pelo pai mais amorzinho do mundo das fics, com direito a flash back e uma surpresinha (se vai ser boa ou ruim, daí já não sei...) Nos vemos semana que vem. Bjss e até.