Notas iniciais
My Chemical Romance - Sing
;*

Selena Pov

- Nossa, quantas pessoas... – dizia Demi, ao sairmos do carro.

- Demi, é uma festa. – disse caminhando ao seu lado até a porta. – O chato vai ser achar a Taylor aqui nessa multidão.

- E o bom é que vai ser difícil a Miley me achar. – falou animada.

- Ponto pra você. – falei e ela riu.

Nós entramos dentro da casa.

Estava ainda mais abarrotada que fora.

Luzes fortes piscavam no escuro, a musica eletrônica alta, casais se beijando em cantos escondidos.

Mais casais homossexuais, por causa da escola.

Sim, em nossa escola era normal o homossexualismo e isso é gerado por o próprio diretor/dono dela ser gay.

- Meninas! – uma loira abraçou nós duas ao mesmo tempo. – Faz tanto tempo!

- Não faz nem uma semana Tay. – respondeu Demi.

Ela nos olhou com sua expressão alienada.

- E isso não importa por que você esta bêbada. – completou Demi. – Onde fica as bebidas Tay?

- Mais já Demi? – perguntei.

- Por que você acha que não gosto de dirigir? – disse depositando um beijo em minha bochecha e saindo em direção ao barmen que fazia manobras com bebidas florescentes.

- Só ela mesmo. – disse voltando o olhar para Taylor. – Você esta mesmo bêbada, né?

Ela riu e eu junto.

- Vem dançar! – chamou ela pegando em minha cintura, o que achei estranho, e me puxando para perto dela da batida violenta da musica.

Demi Pov

- Mais uma! – pedi, baixando o pequeno copo com tudo na mesa.

- Outra garota? – perguntou o barmen sem camisa, espantado.

- Sim, mamãe. – isso foi grosso, mas quem mandou ele se meter em minha vida.

Eu tinha motivos para beber.

Terminei com minha namorada, estava com medo dela me achar por aqui, a Selena estava dançando com a Taylor, e... o que?

Risca o assunto da Selena, nem sei porque pensei nela.

Virei o copo de tequila novamente.

- Quer saber, me da a garrafa. – pedi ao despido.

Ele hesitou por alguns segundos, mas me entregou o recipiente transparente e para minha sorte, ou não, estava quase cheio.

Continuei sentada do banquinho alto do balcão, dando grandes goladas na bebida amarga.

Ela descia rasgando e cortando minha garganta, mas era uma dor boa.

- Sentiu minha falta? – ecoou uma voz bem perto de meus ouvidos, que me fez arrepiar.

Então uma mão pousou em minha coxa.

- Em nosso tempo de namoro você não bebia assim. – comentou e sentou-se em minha frente.

Ela estava muito bonita.

Vestindo um vestido super-curto preto, com desenhos dourados aqui e ali. E as sandálias de salto alto que eu a dei em nosso aniversario de namoro

- Foi esse um dos motivos para o termino do mesmo. – disse em um sorriso sínico, empurrando sua mão para fora de meu corpo.

Dei outra golada.

- Ninguém mais tem uma garrafa na mão. – disse Miley.

- Eu tenho meus contatos.

Ela tomou o frasco de minhas mãos, o levando vagarosamente ao encontro de seus lábios rosados. Mas, antes deles colidirem eu o tomei a posse de suas mãos.

- Essa é minha, arrume outra para você. – disse me levantando.

- Possessiva. – disse Miley também se levantando e segurando meu pulso, me mantendo parada em sua frente. – Sinto falta disso.

- Miley, por favor, me deixa em paz. – disse me soltando dela e caminhando para longe.

Mas não foi tão fácil assim.

- Vai me dizer que não se sente sozinha. – dizia ela andando ao meu lado. – Que não sente minha falta.

- Eu sinto sua falta, Miley. – admiti. – Mas como amiga. Não estou acostumada a ficar longe de você, mas farei se for preciso.

- Dança comigo. – convidou ela, ignorando tudo que disse.

- Não.

- Porque? – perguntou. – Vamos dançar. Nós fazíamos quando éramos amigas.

- Somos amigas? – perguntei.

- Assim como antes. – respondeu sorrindo. — Vamos?

Ela pegou minha mão.

Eu ia dizer não. Estava muito estranho para uma pessoa que acaba de falar que quer voltar, mas, como já estava alcoolizada, aceitei.

Nós dançávamos juntas. Bem juntas.

Nossos movimentos eram limitados diante de nossos corpos praticamente colados e a multidão na pista nos esmagando, nossos cabelos jogados em nosso rosto, ela já havia roubado minha garrafa de tequila e tomado metade, alem de estar usando meu chapéu.

As luzes me cegavam, assim como a musica me deixa surda; mas, mesmo cega e surda pude ver e ouvir as duas mulheres em minha frente.

Miley notou que eu estava as olhando.

- O que foi? – perguntou, ainda com o sorriso bêbado em sua face. – Quem são? Aaah sim, a Selena e a Taylor. Por que você tá assim?

Eu estava apática olhando a cena.

Elas não estavam dançando como nós. Estavam um tanto separadas de mãos dadas, não de corpo colado, rindo por graça, não por que a bebida mandava. Era tão ingênuo, mas ao mesmo tempo tão malicioso.

Elas não pareciam notar o que eu dotava, nem eu sabia o por que de mim mesma procurar esses detalhes como: um mão de Taylor estava acariciando a cintura fina de Selena. Era uma caricia tão amigável, mas me gerava... não sei, raiva talvez. Vontade de socar a loira.

Balancei a cabeça tentando afastar todos esses pensamentos de mim, só então percebi que não dançava mais. Meu corpo era o único imóvel no meio de tanta gente, mas Miley ainda se esfregava em mim como se o mundo fosse acabar.

- Miley... – ia repreende-la, mas ela me interrompeu.

- Demi, é só a Selena e a Taylor. – disse ela, fixando as mãos em minha nuca, me puxando cada vez mais perto. – As deixe fazer sua diversão que nós faremos a nossa.

Então me beijou.

Não pode notar que senti paixão nesse beijo.

Ela tinha amor, tinha vontade, desejo.

Passei minhas mãos por sua cintura, arrancando um sorriso dela.

Ela aprofundou mais ainda o beijo, fazendo com que nossas línguas dançassem como nossos corpos, como se a batida da musica fossem para elas não para nós.

Parei o beijo.

- Miley, não posso. – sussurrei.

- Pode sim! – disse ela, deixando as mãos vagarem sob minha barriga.

Como se matasse a saudade de tocá-la.

- Não é que eu não posso... – retirei minhas mãos de seu corpo, mas isso não a impediu de continuar. – É que eu não quero.

Ela olhou em meus olhos. Ela não espera isso, eu sabia. Via a surpresa em seu olhar.

- Não quer? – disse-me irônica. – Então o que foi isso de segundos atrás.

- Foi a bebida! – disse perdendo a paciência e me descolando dela.

- Espera Demi. – ela corria atrás de mim. – Demi, amor!

- Amor? – virei-me para ela

- Você querendo ou não, ainda é meu amor. – passou os dedos por minha boca.

- Me solta.

- Me da mais uma chance. – ela implorava, seus olhos refletiam o desespero.

Era a primeira vez em todos esses dias que eu falava com a verdadeira Miley. Não a Miley baladeira e pegadora, mas sim a sensível e que tem coração.

- Miley, não da mais. – disse eu. – Desculpa.

- Me de um mês, menos, e eu faço você se apaixonar por mim de novo. – disse ela, brincando com a ponta de meu cabelo. – Prometo.

- Miley, eu estou bêbada, não dá pra conversar agora. – disse eu.

- Eu passo na sua casa...

- Não. Acabou, só isso.

Peguei o chapéu e recoloquei em mim, tirando a garrafa delicadamente de suas mãos.

Voltei ao balcão do barmen.

- Ai, ei, isso você mesmo. – disse a um homem sem camisa de gravata. – Outra dose.

- Outro copo? – questionou.

- Não, palhaço, outra garrafa.

Ele entregou-me uma na metade.

Tomei um gole.

- Droga de vida. – reclamei para mim mesma, virando outro.

Selena Pov

- Olha o jeito que aquele dança. – disse Taylor apontando para um garoto de jaqueta de couro.

Eu ri.

- Parece que esta procurando uma cadela no cio. – debochei.

Nós dançávamos rindo das palhaçadas dos outros na pista de dança, até que alguém praticamente me atropelou, me jogando na parede.

- Se você pensa que pode ficar com a Demi, muito enganada é pouco para seu estado. – disse a figura de cabelos castanhos.

- O-o quê? – perguntei perdida.

- O-o quê? – Miley me imitou. – Só cego mesmo pra não ver que você gosta de Demi. Não entendo como ela ainda não descobriu.

- Miley, do que você ta...

- Cala boca Gomez, que agora, quem fala aqui sou eu. – começou ela. – Se você chegar a menos de dois metros da minha Demetria você esta morta, digo, realmente morta.

- Você esta louca!

- Não disse pra calar a boca? – disse ela.

Seu rosto feroz me dava medo, ainda mais aquelas luzes escuras passando por nós toda hora. Era aterrorizante.

Ela estava tão doente, que suspeitei de estar armada.

- Não quero ver você respirando o ar dela, ok. – continuou. – Ou você vai se ver comigo e meus novos amigos.

- Demi nunca vai deixar você fazer isso comigo. – falei, tentando esconder o terror.

- A Demi nunca vai ficar sabendo dessa conversa. Por que se ficar... – ela deu um sorriso demoníaco que completou a frase para ela. – Você, fique longe da minha Demi.

- Ela não te pertence! – puxei a coragem de dentro de mim. – Que eu saiba ela esta solteira agora.

Provoquei-a.

Tinha que defender minha Demi.

- Você não devia ter dito isso... – sua face se encheu de ódio, mas logo o susto o domou.

- Miley, sai de perto da minha amiga. – minha salvação chegou, e era ela. Sempre era ela.

- Aaah, oi Demi. – Miley virou para ela, se aproximando. – Veio me pedir para dançar de novo?

De novo?, como assim...

- Não Miley, vim exigir que saia de perto da Selena. – disse simplesmente, sua voz raivosa.

- Ok, amor. – provocou-me Miley. – Te vejo por ai e, aaah Selly querida, beijos para você também.

Ela sumiu na multidão, e não pude evitar correr e abraçar Demi.

- Calma, o que aconteceu? – perguntava ela, passando a mão sobre meus cabelos.

Só agora percebi o que ela segurava.

- Eu que pergunto, o que aconteceu? – apontei para a garrafa quase vazia.

- Aaah, isso! – disse ela. Esta bêbada. – Me empolguei, acho. Mas, o que ela te disse?

- Hm... nada. – a abracei novamente.

Mesmo bêbada ela era minha Demi.

- Nada? – perguntou confusa.

- É... – lagrimas começaram a cair.

Tinha medo de Miley, por mais que custasse admitir.

Eu sabia que não eram simples ameaças. Vira o ódio e a obsessão em seu olhar.

- Selly, vamos embora. – ela largou a garrafa com tudo no chão e se virou para Taylor, que ainda dançava normalmente. – Taylor, obrigada, mas vamos embora.

- O quê? Não! – despertou ela. – Selly, você tá chorando?

Escondi meu rosto na curva do pescoço de Demi, ainda chorando.

- Tay, tá tudo bem. – continuou ela. – Nós só vamos para casa.

- Mas a Selly tá mal, não vai poder dirigir...

- Eu dirijo.

- Mas, você esta bêbada...

- Não tem problema. Minha casa não é longe.

Taylor tentava pensar em algo para falar, mas não encontrava nada.

- Selly, vem. – sussurrou ela para mim.

Me separei dela e agarrei seu braço, limpando minhas lagrimas.

Demi tinha dificuldade de colocar a chave na ignição.

- Demi, tem certeza que não quer que eu dirija?

- Tenho, olha seu estado. – sua voz estava ligeiramente enrolada.

- E olha o seu!

- Calma, vai dar tudo certo. – ela colocou a mão por cima da minha e eu olhei em seus olhos.

Seus lindos olhos castanhos tinham a mesma calma que sua voz. Seu corpo e mente podiam estar sob controle da bebida, mas o coração não. E seus olhos refletiam o coração, não só agora, como sempre.

- Não vou deixar nada acontecer com você. – sussurrou, a voz ainda embargada pela bebida, mas tão sóbria tanto eu. – Eu te amo.

Congelei no lugar.

Ela sempre falava isso para mim, mas eu sempre me sentia mal por não responder. Ela falava “eu te amo” como se fossemos as mesmas de dez anos atrás. Amigas. Não como somos hoje... mais que amigas.

Bem, para mim sim. Muito mais que amiga para mim.

E mesmo que negue as vezes meus sonhos confirmavam.

Se a respondesse, sabia que sairiam coisas que quero guardar... que tenho que guardar, mas hoje eu respondi:

- Eu também te amo.

Notas finais
Obrigada pelos review *.*
Estou tão animada !
Até o próximo post, beijo beijo !

Review ?