Life Is Worth Living
7 Traga-me de volta a vida.
Notas iniciais
Dois dias depois do episódio do Slushie, Blaine e Kurt ainda estavam andando juntos pelo colégio. O castanho ainda tentou afastar o moreno com alguns argumentos, mas ele estava irredutível e então Kurt parou de tentar rezando para alguma força maior que nada acontecesse com Blaine outra vez.
— Kurt...
— Sim...?
— Você vai hoje comigo para o coral e vai fazer teste para entrar!
— O que? Não, definitivamente não.
— Por quê?
— Porque eu não quero? Porque ninguém gosta de mim? Porque as pessoas não querem contato comigo por medo do Azímio e os outros? Quer mais algum motivo?
— Se tiver pode dar, porque nenhum desses aí me convenceu.— Blaine sorriu brincalhão e Kurt apenas revirou os olhos.
— Blaine eu só não quero, okay?
O sinal tocou e Blaine se levantou da arquibancada e foi descendo sendo acompanhado por Kurt, quando chegaram ao chão, Blaine pegou Kurt e o colocou sobre o ombro carregando o castanho que começou a se debater.
— Blaine, me solta! Você andou se drogando? Me larga!— Kurt batia as pernas e batia nas costas de Blaine que apenas ria.
— Você vai até o clube querendo ou não.
— Okay, eu posso até ir, mas você não vai conseguir me fazer cantar...
— É o que veremos...
Blaine foi o resto do caminho com Kurt em seu ombro de braços cruzados irritado. Quando chegou na porta da sala do coral, o moreno pôs o amigo no chão que continuou com a cara fechada.
— Se você não cantar eu juro que nunca mais falo com você, nem vou olhar na sua cara...
— Ótimo!
— Ótimo? Você realmente quer que eu fique longe?
— Quero.— Kurt desviou o olhar e apertou mais ainda os braços cruzados.
— Tudo bem, adeus Kurt.
Blaine já ia entrando na sala quando Kurt de repente segurou seu pulso.
— Eu te odeio.
— É mesmo? Porque eu acho que não?
— Se eu desafinar ou não conseguir cantar, eu te mato! Eu odeio a minha voz!
— Pena, pois é uma das vozes mais bonitas que eu já ouvi em toda minha vida. Só perde para minha mãe cantando enquanto prepara o almoço.
Blaine riu sendo acompanhado por Kurt. E então o moreno abriu a porta da sala entrando com o castanho logo atrás tentando se esconder.
— Olá Blaine, seja bem vindo de volta!
— Olá Mr. Shue! Hoje eu trouxe um amigo comigo...— Blaine procurou Kurt ao seu lado e o encontrou atrás de si – Vamos Kurt não seja tão tímido.— Hummel saiu de trás dele e retribuiu o aperto de mão do professor – Esse aqui é Kurt Hummel, e como eu sei que ainda falta uma voz em nosso coral, eu queria que ele fizesse um teste.
— Ótimo! Eu ia mesmo conversar sobre isso com vocês, Kurt chegou numa boa hora! Já sabe o que cantar?
— A-acho que sim...
— Okay, é só pedir para nossa banda que eles te acompanham!
O castanho assentiu e foi em direção à banda.
— Kurt, o que você vai cantar?— Blaine perguntou baixo.
— Bring Me To Life, do Evanescence. Por quê?
— Mr. Shue, eu posso acompanhar Kurt no violão?
— Claro!
O professor se sentou junto aos outros do coral e esperou os dois se posicionarem. O Anderson se sentou em um banquinho ao lado do Hummel e o esperou fazer o sinal para começar a tocar que não veio.
— Blaine, eu não vou conseguir cantar...
— Vai sim, olha pra mim...— Kurt o olhou – Canta pra mim, finge que só estamos aqui eu e você.
Kurt respirou fundo e encarou Blaine que recebeu o sinal para começar a tocar.
How can you see into my eyes like open doors? (Como você pode ver dentro dos meus olhos, como portas abertas?)
Leading you down into my core (Levando-o até meu interior)
Where I've become so numb? (Onde eu me tornei tão entorpecida?)
Without a soul, my spirit's sleeping somewhere cold (Sem uma alma, meu espírito está dormindo em algum lugar frio)
Until you find it there and lead it back home (Até que você o encontre lá e o leve de volta para casa)
Kurt começou a cantar baixo e mais tímido que antes. Com medo da rejeição, ele não conseguia nem ao menos olhar para os membros do coral e o professor, apenas conseguia olhar um pouco para Blaine, mas logo tornava a encarar o chão.
Wake me up inside (Me acorde por dentro)
Wake me up inside (Me acorde por dentro)
Call my name and save me from the dark (Chame meu nome e me salve da escuridão)
Bid my blood to run (Faça meu sangue correr)
Before I come undone (Antes que eu me desfaça)
Save me from the nothing I've become (Me salve desse nada que eu me tornei)
Já no refrão, Kurt parecia um pouco mais confiante, pois a coragem que Blaine transmitia com seu olhar o ajudava muito. O moreno, por sua vez, estava encantado com a voz do castanho, jamais imaginaria que ele pudesse cantar tão bem.
Now that I know what I'm without (Agora que sei o que me falta)
You can't just leave me (Você não pode apenas me deixar)
Breathe into me and make me real (Respire dentro de mim e me torne real)
Bring me to life (Me traga de volta a vida)
Wake me up inside (Me acorde por dentro)
Wake me up inside (Me acorde por dentro)
Call my name and save me from the dark (Chame meu nome e me salve da escuridão)
Bid my blood to run (Faça meu sangue correr)
Before I come undone (Antes que eu me desfaça)
Save me from the nothing I've become (Me salve desse nada que eu me tornei)
Não era só Blaine que estava surpreso com a voz de Kurt, os outros alunos do coral também estavam. Eles conheciam o castanho como toda a escola, mas apenas sabiam dos distúrbios que ele sofria através de diversos boatos que circulavam no colégio. Então vê-lo cantar agora era surpreendente.
Frozen inside without your touch (Congelando por dentro sem o seu toque)
Without your love, darling (Sem o seu amor, querido)
Only you are the life among the dead (Só você é a vida entre os mortos)
Para Kurt, aquela música poderia o descrever já que na maioria das vezes, especialmente quando ele estava sozinho, era como se ele estivesse morto de alguma forma. Ele não possuía mais motivos para sorrir, ficar alegre, era apenas dor, tristeza e solidão. Nem seus sonhos eram felizes, eram sempre memórias tristes de sua mãe já no final da vida ou pesadelos com seu pai e ele sozinho com vozes lhe sussurrando coisas horríveis.
Wake me up inside (Me acorde por dentro)
Wake me up inside (Me acorde por dentro)
Call my name and save me from the dark (Chame meu nome e me salve da escuridão)
Bid my blood to run (Faça meu sangue correr)
Before I come undone (Antes que eu me desfaça)
Save me from the nothing I've become (Me salve desse nada que eu me tornei)
Kurt encerrou a música e sem esperar qualquer resposta do professor, saiu da sala deixando todos confusos, inclusive Blaine que largou o violão e correu atrás do amigo que estava agachado ao lado da porta da sala do coral.
— Kurt, o que aconteceu?
— Eles me odeiam, eu vi nos olhos deles! Eu os ouvi rindo da minha cara, Blaine!— Blaine ficou confuso e nervoso pelo castanho estar aos prantos.
— Eles não estavam rindo Kurt, não fica assim...
Blaine tentou tocar as costas de Kurt, mas o mesmo afastou a mão do moreno e se levantou.
— Me deixa em paz, eu preciso ficar sozinho!— Kurt disse indo embora.
— Espera, onde você vai?
— Eu vou para minha casa! E nem pense em me seguir, eu não preciso de babá!
O moreno ficou triste com o jeito que o castanho o tratou e ao mesmo tempo culpado por tê-lo forçado de certa forma a fazer o teste para entrar no coral. Mas ele só fez aquilo porque achou que ajudaria o castanho a se sentir melhor pertencendo a um grupo e com a música.
Já que Blaine não tinha alternativa, ele apenas deixou Kurt ir embora e voltou para sala.
— Blaine, cadê Kurt?— Mr. Shue perguntou.
— E-ele recebeu uma ligação e precisou ir para casa às pressas...— o moreno mentiu e pegou sua mochila – Mr. Shue, eu posso ir embora, não me sinto muito bem...
— Claro Blaine, não quer ir à enfermaria antes?— Blaine negou com a cabeça – Tudo bem. Ah, diga a Kurt que se ele quiser a vaga dele aqui conosco está garantida! Nós achamos a voz dele incrível e gostaríamos muito que ele se juntasse ao grupo!
— Eu darei o recado, obrigado Mr. Shue...
O moreno saiu da sala cabisbaixo e foi para casa.
(...)
Kurt chegou a casa com o rosto molhado de tanto chorar pelo caminho. Ele tinha ouvido aquelas pessoas rindo dele e aquilo o destruiu. Claro que tinha sido traição de sua própria mente, mas para Kurt aquilo havia sido bem real.
Por todo o percurso até em casa, Kurt foi ouvindo vozes que o diziam coisas horríveis.
“Você é um nada.”
“Não serve pra nada!”
“Você é um estorvo, Blaine só está com você por pena!”
Sem pensar e quase automaticamente, Kurt subiu as escadas ainda com as vozes sussurrando em seu ouvido e se trancou no banheiro.
Pegou as laminas escondidas atrás do espelho que ele tinha para “casos de emergência” e começou a se cortar sentado no chão.
Ele sentia ódio de si mesmo apenas por existir e as vozes em sua cabeça não o deixavam se convencer do contrário. Elas mandavam ele se cortar de novo, e de novo e outra vez até que ele tenha sofrido o suficiente.
Mas o problema era que o suficiente nunca chegava.
Kurt começou a ficar tonto e fraco, sua vista escurecia cada vez mais e o sangue em seus pulsos se esvaía cada vez mais pelos seus pulsos demasiadamente cortados.
Enfim a escuridão chegou... Era tão reconfortante, tão tranquilo. As vozes haviam cessado, seus cortes já não doíam mais e ele não sentia mais nada.
Era apenas Kurt e uma pequena luz ao longe que para ele, seria sua tão desejada paz.
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