Life Is Worth Living
8 Promessas.
Notas iniciais
O caminho de volta para casa foi solitário para Blaine, não havia ninguém além dele na rua, apenas ele e o silêncio.
Agora o moreno refletia sobre Kurt, será que ele havia feito mal ao castanho o forçando para fazer o teste? Ele só queria trazer alguma alegria para a vida do amigo e como a música sempre o fez feliz e era como uma válvula de escape para si, Blaine achou que funcionaria com Kurt.
Antes que o Anderson pudesse ter o próximo pensamento, sua visão ficou demasiadamente turva e ele caiu. Uma pessoa que virava a rua, o viu caído no chão e resolveu chamar uma ambulância quando constatou que o jovem não reagia a nenhum estímulo.
(...)
— Pelo o amor de Deus, cadê meu filho?
— Acalme-se senhora, quem é o seu filho?
— Blaine Devon Anderson.— respondeu Charlie abraçando a esposa nervosa.
— Oh sim, seu filho está em observação na emergência, ele foi encontrado desacordado na rua e os médicos estão fazendo os devidos exames para saber o motivo do desmaio. Peço que vocês esperem na sala de espera, por favor, pois o doutor em breve falará com vocês.
— Okay, obrigado.
— Obrigado? Charlie, eu quero ver meu filho!
— Amor, não podemos fazer nada, só nos resta esperar. Acredite, eu também estou ansioso para ver Blaine, mas agora precisamos deixar que os médicos trabalhem.
Pam abraçou o marido e começou a chorar sendo conduzida a cadeira mais próxima.
Depois de alguns breves minutos que, pareceram uma eternidade para os pais preocupados, um médico veio lá de dentro.
— Responsáveis por Blaine Devon Anderson...?
— Somos nós! O que meu filho tem doutor? É grave?
— Acalme-se Pam, deixe o médico falar...
— Bem, Blaine ainda está em observação e como devem ter dito para vocês, ele já chegou aqui desacordado. Nós fizemos todos os exames necessários para tentar descobrir a causa do desmaio, mas não encontramos nada. Isso é um bom sinal já que significa que o seu filho não tem nenhuma doença ou algo do tipo, porém é ruim já que Blaine está em coma...
— Como assim em coma?! Se ele não tem nada, como ele poderia estar em coma?!— Pam se desesperou ainda mais – E quando ele vai acordar, doutor? O senhor está me escondendo alguma coisa!
— Eu sinto muito, mas eu não tenho como prever quando Blaine vai acordar, já que não encontramos nada em seus exames. Vamos mantê-lo em observação e daqui a duas horas iremos repetir todos os exames. Qualquer novidade, eu venho chamá-los.
— Doutor, nós podemos ver nosso filho?
— Claro senhor Anderson, por favor, queiram me acompanhar...
O médico conduziu os pais de Blaine até a ala onde ele estava. Quando o acharam, o moreno parecia estar apenas dormindo e que acordaria a qualquer momento. Havia alguns enfermeiros examinando o garoto, monitorando sua pulsação, respiração, batimentos e todos os outros detalhes.
— Por favor, façam silêncio e sejam breves. Aqui é a ala de emergência, então não é permitido ninguém além da equipe médica.
— Okay, obrigado doutor.
(...)
Quando Burt chegou em casa, estranhou o silêncio, mas não se preocupou, pois Kurt poderia estar apenas dormindo.
Então, ele resolveu ir até o banheiro tomar uma ducha antes de ir até a cozinha fazer um chocolate quente do qual o filho tanto gostava.
O homem cansado se encaminhou até o banheiro e quando girou a maçaneta não conseguiu abrir a porta.
Burt girou a maçaneta, mas a porta não abriu. Estava trancada. O homem achou estranho e decidiu ir até o quarto do filho e como suspeitava, ele não estava lá.
Então ele voltou ao banheiro, dessa vez batendo na porta.
— Kiddo, você está aí?— nenhuma resposta – Filho, está tudo bem?
Outra vez nenhuma resposta e isso deixou o mais velho um pouco preocupado.
— Kurt, pelo o amor de Deus, você está aí? Me responde!
O castanho não respondeu e um desespero tomou conta de Burt quando se lembrou do que o médico dissera dias atrás.
"…Reparamos algumas marcas em seus pulsos…”
“...Converse com seu filho…"
— Droga! Kurt, meu menino, abre essa porta!
Como Kurt ainda não atendeu, Burt resolveu arrombar a porta e quando entrou no banheiro viu a cena que ele mais temia.
Kurt estava desacordado no chão, com seus pulsos ensanguentados e uma lâmina igualmente suja. O pai nervoso não teve outra reação a não ser se jogar no chão e pegar o filho no colo.
— Kurt, pelo o amor de Deus o que você fez! Meu filho, não me deixe meu menino…
Burt chorava desesperado, enquanto tentava enrolava os pulsos do filho com toalhas. Depois o pegou nos braços levando-o até o carro e dirigiu para o hospital mais próximo.
Lá, o Hummel chegou mais desesperado ainda com o filho em seus braços.
— Alguém pelo o amor de Deus! Ajuda meu filho! Por favor!
Um homem na recepção viu o nervosismo do pai e resolveu ajudá-lo chamando uma enfermeira.
— Hey você! Emergência aqui! Fica tranquilo cara, já vem alguém.
— Aqui senhor, coloque-o na maca!— Burt fez o que lhe foi mandado — Qual o problema dele?
— Ele cortou os pulsos, acho que perdeu muito sangue. Salva o meu filho, por favor…
— Nós vamos senhor, peço que deixe-o com a gente e espere na recepção!
— Mas meu filho…
— Vem, vamos beber uma água, seu filho está em boas mãos.
O homem solidário levou Burt até uma cadeira o sentou ao lado de sua esposa e lhe trouxe um copo d'água.
— Eu não posso perder o meu Kurt, ele é tudo que eu tenho...
— É difícil, mas tem que ser forte, ele vai ficar bem.
— Obrigado por me ajudar.
— Disponha! Eu e minha esposa também estamos preocupados com nosso filho. Ele desmaiou na rua sozinho, agora está em coma e ninguém sabe o porque disso.
— Eu sinto muito.
Hummel baixou a cabeça e tirou o boné começando a chorar outra vez. Ele se sentia culpado por não ter conversado com Kurt. Burt pensava que se tivesse parado para saber o que o filho estava realmente passando, o castanho talvez não estivesse mais se auto mutilando e tentando se suicídio constantemente.
O problema foi que ele não soube como chegar no próprio filho para tocar num assunto tão delicado.
— Ele vai se recuperar moço, não fica assim.— disse a esposa do homem que o ajudou a chamar ajuda.
— Obrigado. Aliás, meu nome é Burt. Burt Hummel.
— O meu é Pam Anderson e meu marido, Charlie Anderson.
— Prazer...
— Quem é o responsável pelo jovem com ferimentos no pulso?
— Sou eu doutor!— Burt se levantou apressado com medo do que poderia ouvir – Por favor, não me diga que cheguei tarde demais...
— Acalme-se senhor...
— Burt. Burt Hummel.
— Sim, acalme-se senhor Hummel, seu filho está relativamente bem, porém precisa de uma transfusão de sangue já que teve uma perda considerável e por hora ele está em coma.
— Por favor, eu dou o meu sangue! Mas salva meu menino.
— O senhor é compatível?
— Sim, eu sou!
— Ótimo, só precisamos fazer alguns exames e algumas perguntas para depois realizar a transfusão. Queira me acompanhar por gentileza.
Burt seguiu o médico até a sala de exames de sangue.
(...)
Blaine acordou um pouco atordoado em meio a uma escuridão sem fim e se levantou com dificuldade já que se sentia estranhamente fraco.
Olhando para todos os lados procurando qualquer coisa, qualquer ponto de luz, ele ouviu um choro ao longe. Foi só aí que ele enxergou demasiadamente longe uma silhueta de alguém deitado no chão e uma pequena luz iluminando essa pessoa.
Sem hesitar, Blaine correu até essa pessoa para tentar acudi-la de qualquer que seja seu problema. Quanto mais perto ele ficava dessa pessoa, o barulho de um monitor cardíaco podia ser ouvido cada vez mais forte.
O moreno se agachou próximo à pessoa e pôs a mão em seu ombro que tremia por conta do choro.
— Hey, o que aconteceu? Por chora tanto?
— B-blaine...?
— Kurt! O que está acontecendo?! Porque esse barulho constante de monitor cardíaco?
— Eu estou morrendo...— Kurt se sentou tentando enxugar suas lágrimas – Eu estava em meu banheiro e as vozes mandaram eu me cortar, pois só assim eu me sentiria melhor... Eu obedeci. Por isso estou aqui. Elas dizem que se eu for até aquela luz, eu vou poder ser livre e encontrar outra vez minha mãe.
— Você não pode ir até lá! Não faça isso, por favor! Pense nas pessoas que você deixaria pra trás! Tenho certeza que não é isso que sua mãe iria querer!
— Ninguém se importa comigo Blaine! Eu sou apenas um estorvo na vida do meu pai! Não sirvo pra nada! Você estava andando comigo pela escola por pena! Me deixe ir!
— Kurt, por favor, não vai! Tenho certeza que seu pai está nesse momento desesperado sem você! Não desista, não deixe essas vozes te levarem!
— O que você está fazendo aqui?
— Lembra quando eu lhe contei que tudo que te acontece, acontece também a mim?— o castanho assentiu – Nós somos almas gêmeas, Kurt. Se você morrer, eu também morro. Minha alma não terá mais sentido em existir sem a sua e com isso ela desaparecerá para sempre e nunca mais poderemos reencarnar e nos encontrar. Minha alma depende da sua!
— Você só está dizendo isso para me fazer sentir culpa e não ir!
— Tudo bem,— Blaine segurou firme a mão de Kurt – Se você irá partir, iremos juntos!
Blaine deu um passo adiante e Kurt não saiu do lugar nervoso.
— Vamos Kurt, o que está esperando?
— Eu não quero que você morra. Não sei por que, mas eu não posso e não quero te perder.
— Isso é porque você se preocupa comigo, eu também não posso, não quero e não consigo te deixar partir. Nossas almas são unidas em uma só alma, Kurt. Unidas pelo nosso amor de milênios.
— Mas eu não quero voltar e continuar sofrendo... As vozes... Elas riem de mim, elas me odeiam e me obrigam a fazer coisas que eu não quero!— Kurt caiu ajoelhado no chão aos prantos frente à Blaine – Me ajuda... Faz parar... Por favor...
O moreno se abaixou na altura do moreno e segurou seu rosto olhando profundamente em seus olhos.
— Eu não vou deixar ela te atormentarem, nunca mais. Eu juro que vou te ajudar a calar cada uma delas, só preciso que você me deixe ajudar. Promete?
— E-eu prometo, apenas quero que elas me deixem em paz.
Blaine abraçou forte Kurt o confortando até ele cessar seu choro.
— Pronto para voltar?
— Eu estou, mas me promete que nunca mais irá me abandonar?
— Eu prometo, nunca mais vou sair do seu lado.
Eles se abraçaram outra vez e a escuridão de repente se tornou luz. Uma luz que emanava dos dois garotos abraçados no chão.
E junto com a terrível escuridão, foi-se o terrível barulho do monitor cardíaco.
(...)
Burt, Charlie e Pam estavam ainda na sala de espera esperando por notícias dos seus filhos, porém ninguém aparecia.
O Hummel era o mais apreensivo, pois ele não sabia como Kurt havia reagido a transfusão. Já fazia horas e que ele havia doado seu sangue, mas nenhuma resposta lhe foi dada.
Lá fora, a lua já estava em seu ponto mais alto, Cooper já estava junto aos seus pais no hospital compartilhando da mesma ansiedade.
— Sr. e Sra. Anderson, seu filho já está no quarto.
— Ele acordou?!— Pam perguntou eufórica.
— Infelizmente não, mas no quarto vocês poderão ficar com ele. É até aconselhável já que com os devidos estímulos pode ajudá-lo a despertar mais rápido.
— Tudo bem, obrigado doutor.
— Disponha, Blaine está no quarto 225.
— Okay.— Charlie assentiu e se virou para falar com Burt – Nós vamos ver como está nosso menino, seja firme, que com certeza Kurt também irá se recuperar, okay? Qualquer coisa pode me chamar, estamos no quarto 225.
— Obrigado, Charlie. Você e sua esposa foram uma grande ajuda, boa sorte com Blaine!
Charlie sorriu gentil e acompanhou Pam e Cooper até o quarto do moreno.
Burt agora se encontrava em um silencio ensurdecedor e logo pensamentos ruins invadiram sua mente. Ele não se perdoaria se perdesse Kurt, Elizabeth nunca o perdoaria por ter deixado a vida do próprio filho se esvair por entre seus dedos sem ter feito nada para impedir. E Kurt era tudo que ele poderia ter em sua vida, ele era o motivo do sorriso, do orgulho, de viver, de acordar todos os dias, de trabalhar todos os dias.
Sem Kurt, não haveria mais razão, nada mais teria sentido.
— Sr. Hummel...? Sr. Hummel, o senhor está bem?
— O que? O que aconteceu? Como está meu filho?
— Ele está fora de perigo e reagiu bem ao procedimento. Já está no quarto, porém ainda em coma. Mas o senhor pode vê-lo.
— Graças a Deus!— Burt se levantou e abraçou o médico – Muito obrigado por ter salvo a vida do meu filho! Serei eternamente grato!
— Não precisa, apenas exerci o meu trabalho.— disse o médico simpático – Por favor, me acompanhe. Seu filho está no quarto 226.
— Tudo bem.
Burt um pouco mais aliviado seguiu o médico que o deixou a sós com Kurt.
O mais velho se sentou na cadeira ao lado da cama e segurou a mão do castanho.
— Papai está aqui com você...— Burt fungou tentando segurar as lágrimas que teimavam em cair – Apenas... Volte logo. Eu já sinto sua falta, Kiddo. Muita.
Acariciando a mão do filho, Burt adormeceu sem soltá-la.
Amanheceu no dia seguinte e o mais velho despertou fechando um pouco a persiana, pois o sol já estava forte demais no rosto de Kurt.
Quando ele se virou de costas, ouviu um resmungo bem baixinho. Kurt estava acordando.
— Blaine...
— O que você disse? Kiddo, sou eu, seu pai. Eu estou aqui.
Burt correu até a porta e chamou uma enfermeira que estava passando no corredor.
— Blaine...— Outra vez Kurt sussurrou quase inaudível.
— Enfermeira, o meu filho. Acho que ele está acordando do coma!
— Oh isso é ótimo, deixe-me dar uma olhada!
A mulher pacientemente posicionou o estetoscópio no peito de Kurt, ouviu seus batimentos cardíacos e depois verificou suas pupilas e reflexos com a ajuda de uma lanterna.
— Sim, ele está mesmo acordando e parece que está tudo bem. Apenas deixe-o em seu tempo, ele vai demorar um pouco a assimilar as coisas, mas logo estará normal, okay? Parabéns pelo seu filho.
— Muito obrigado!
A mulher saiu do quarto e Kurt outra vez sussurrou o nome de Blaine, porém Burt não conseguia entender, só conseguia ver os lábios do filho se mexer, mas parecia não sair som algum. Então ele se aproximou.
— B-blaine...
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