Life Is Worth Living
9 Não quero te perder.
Notas iniciais
— Blaine? Quem é Blaine?
— Pai…?
— Sou eu, filho! Papai está aqui com você. — Burt sorriu aliviado derrubando algumas lágrimas - Graças a Deus eu posso ver esses olhos lindos outra vez…
Burt disse com seus olhos cheios d'água e acariciando os cabelos castanho do filho quando alguns enfermeiros entraram no quarto para examinar o necessário para checar se Kurt estava bem após o coma e depois foram embora deixando pai e filho sozinhos.
— Pai, o que aconteceu?
— Eu te encontrei desacordado no chão do nosso banheiro com os pulsos machucados, por isso te trouxe até aqui e os médicos disseram que você já estava em coma e precisou de uma transfusão.
— Pai, me perdoe, é que…
— Kiddo, por favor, não precisamos discutir sobre isso agora. O que importa é que está vivo e bem. Mas outro dia, nós vamos conversar sobre, okay?— O castanho assentiu — Agora Kurt, quem é Blaine? Você acordou chamando esse nome e…
— Oh meu Deus, Blaine!— o Hummel mais novo tentou se levantar da cama esquecendo que estava preso aos fios e tubos dos monitores e soro — Droga!
— Calma Kurt, o que está acontecendo?— Burt ajudou o filho a se sentar na cama — Me explique e talvez eu possa te ajudar.
— Eu preciso falar com Blaine, pai. Ele me salvou.
— O que? Como assim?
— Eu não posso explicar agora, pai. Eu também estou confuso sobre isso tudo, mas eu preciso falar com ele.
— Mas Kurt, eu não sei quem… A não ser que seja…
(…)
Pam, Charlie e Cooper estavam inquietos olhando para o moreno em coma. Eles estavam ainda mais nervosos, pois o coração de Blaine quase teve uma parada cardíaca fazendo os médicos correrem apressados para salva-lo.
E agora, aparentemente fora de perigo, Blaine parecia dormir normalmente e prestes a acordar a qualquer momento.
Os Anderson, agora estavam sentados cada um em um canto do quarto quase adormecendo, quando ouviram um murmúrio.
— K-kurt…
— Blaine! Meu amor, mamãe está aqui, meu filho!
— Espere Pam, vamos esperar ele despertar no tempo dele... Coop, vá chamar um médico, seu irmão está acordando.
O garoto correu atrás de um médico que não demorou muito para vir examinar Blaine.
— K-kurt…
— Quem, filho?
— Pai? Mãe? Onde eu estou? Cadê Kurt? Eu preciso falar com ele… — Blaine também tentou se levantar, mas se viu preso em diversos fios.
— Blainey, espere...— pediu Pam — Quem é Kurt e porque precisa falar tanto com ele? Você acabou de sair de um coma e ainda não sabemos o que você tem…
— Acredite em mim mãe, eu estou bem, não tenho nada!
— Okay…— Charlie disse — Quem é Kurt? O único Kurt que eu conheço é o…
Charlie foi interrompido por alguém batendo a porta.
— Entra…
— Oi, Charlie, Pam…
— Hey Burt, aconteceu alguma coisa? Como está o seu filho?
— Agora está tudo bem, ele acordou graças a Deus... Vejo que o seu garoto também acordou!
— Sim, os médicos disseram que ele está fora de perigo.
— Que bom, fico feliz! Bem, eu vim até aqui porque… É meio estranho o que vou dizer, mas meu filho acordou chamando pelo seu e quando perguntei quem era ele ficou agitado querendo falar com ele de qualquer maneira, por isso vim até aqui porque ele é o único Blaine que eu conheço.
— Engraçado Burt, mas Blaine também despertou do coma chamando o nome do seu filho. E estava agora mesmo querendo encontrá-lo.
— Espera, o senhor é pai do Kurt?— Blaine perguntou ansioso e Burt assentiu — Céus, onde ele está? Ele está bem?
— Está sim. Vocês se conhecem? Kurt nunca me disse nada sobre amigo nenhum.
— Nós estudamos juntos, eu cheguei da Inglaterra a pouco tempo atrás e meus pais me matricularam na mesma escola que seu filho. Somos amigos.
— Que bom que Kurt fez algum amigo, afinal! Bem, quando você estiver de alta, pode vir falar com ele. Ele está te esperando. Obrigada Pam e Charlie, tchau garoto!
Burt saiu do quarto e voltou para o quarto onde estava Kurt.
— O encontrou, pai?
— Sim, ele está no quarto ao lado e bem, porém ainda em observação já que recém acordou do coma, por isso não pode vir aqui agora.
— Obrigado, pai.
— Disponha, Kiddo.
Burt puxou uma cadeira e se sentou ao lado do filho segurando a mão dele em seguida. O pai esta aliviado por ver Kurt acordado.
(…)
No dia seguinte, Blaine finalmente ganhou alta depois de realizar outra vez todos os exercícios e constatar que realmente o moreno não tinha nada.
Os Anderson iam embora, mas antes Blaine pediu para visitar Kurt.
— Com licença…— Blaine disse batendo a porta e entrando.
— Olá garoto, recebeu alta, muito bom! — Burt o saudou— Kurt está dormindo, disseram que é efeito do soro.
— Entendo. Mas será que eu posso mesmo assim ficar aqui um pouco com ele?
— Claro! Eu vou aproveitar e tomar um café, pode ficar o tempo que precisar!
— Obrigado Senhor Hummel.
— Disponha e por favor me chame de Burt.
— Okay Burt…
Blaine e Burt trocaram um breve sorriso e depois o mais velho saiu do quarto deixando os dois meninos enfim sós.
O moreno se aproximou do leito do castanho e segurou sua mão fazendo assim Kurt despertar lentamente.
— B-blaine…?
— Oi, como você está?
— Estou bem, só um pouco lento, mas meu pai disse que deve ser do soro.
— Ah sim...
— Cadê meu pai, aliás?
— Ele foi tomar café e me deixou ficar aqui com você o tempo que precisar. Eu precisava saber se você estava bem, eu acordei do meu coma angustiado.
— Você teve um sonho enquanto estava em coma?
— Eu não lembro…
— Não?!
— Não. Porque, você teve?
— Eu? Eu, não…— mentiu Kurt. Porque será que Blaine nunca se lembrava dos sonhos? Talvez fosse tudo imaginação do castanho mesmo — Blaine…?
— Sim?
— Será que você poderia cantar um pouquinho pra mim? Se não quiser, tudo bem!
— Claro, que música você quer?
— Qualquer uma que você quiser… Só queria te ouvir cantar de novo.
Blaine deu um sorriso tímido e pensou por alguns instantes logo sabendo qual música cantaria.
"Young boy, don't cry
I'll be right here when your world starts to fall
Young boy, it's alright
Your tears will dry, you'll soon be free to fly"
Blaine cantou tomando a liberdade de fazer algumas mudanças na letra enquanto Kurt fechava os olhos aproveitando a canção.
"When you're safe inside your room you tend to dream
Of a place where nothing's harder than it seems
No one ever wants or bothers to explain
Of the heartache life can bring and what it means"
Aquela letra estava descrevendo tão bem o castanho que ele não aguentou e deixou algumas lágrimas escaparem, logo sendo amparadas pelos dedos carinhosos de Blaine que não as deixavam cair.
"When there's no one else, look inside yourself
Like your oldest friend just trust the voice within
Then you'll find the strength that will guide your way
You'll learn to begin to trust the voice within"
— K, me promete outra vez que nunca mais vai se cortar? Que vai me deixar te ajudar de uma vez por todas?
— É tão difícil, B… — disse o castanho ainda chorando — Eu já quebrei essa promessa uma vez...
— Mas você precisa tentar, eu… eu não quero te perder, Kurt.
— Eu vou tentar, okay?
— Já é um começo, obrigado.
Kurt sorriu tímido sendo retribuído por Blaine que também sorriu e deu um beijo na testa do amigo.
O castanho, pela primeira vez, se sentiu amado por alguém que não fosse seu próprio pai.
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