Notas iniciais
Nada a dizer, apenas... Boa leitura! ♥ [LINK ESPALHADO]

Mais tarde daquele dia, Kurt acabou recebendo alta e foi embora com seu pai enquanto Blaine foi embora com a sua própria família.
Todos estavam felizes por tudo aquilo acabar bem.

— Quer alguma coisa, kiddo? Está com fome?

— Pai, acho que devo algumas explicações…

— Sim deve, mas você acabou de sair de um coma, é melhor descansar, Kurt. Amanhã nós conversamos.

— Não pai, eu estou bem, prefiro que tenhamos essa conversa logo.

— Então está bem…— Burt suspirou e bagunçou os cabelos do filho — Vou fazer aquelas panquecas de blueberry que você gosta para gente comer enquanto conversa, okay?

— Okay! Obrigado, pai.

Pai e filho foram para cozinha e depois de fazerem as panquecas se sentaram a mesa e começaram a conversa.

— E então, Kiddo, pode me contar qualquer coisa. Eu não vou te julgar em nada.

— Bem… Primeiro de tudo, eu quero me desculpar por ter tentar tirar minha vida tantas vezes, mas é que eu achei que o senhor teria uma vida melhor sem eu te atrapalhando. Quer dizer, depois que a mamãe morreu, você precisou trabalhar mais para nos sustentar, não tinha tempo para mais nada...

— Ora Kurt, eu não me importo de trabalhar e eu também comecei a trabalhar mais porque queria me distrair, eu fiquei muito triste quando Beth se foi e fui acima de tudo egoísta porque acabei me afastando de você, te deixando sozinho.

— Mas o que me fez começar com… isso. Não foi apenas seu afastamento, pai. Na escola, os jogadores tiravam sarro da minha cara, me jogavam na lixeira e me jogavam slushie.

— Droga Kurt, porque você nunca me disse isso! Eu poderia ter ido na escola conversar com o diretor!

— Lá eles não resolvem nada, pai.

— E ninguém te defendia ou te ajudava?!

— Os jogadores meio que mandam lá, então eles deram a ordem de que se alguém se aproximasse de mim ou falasse comigo, sofreria o mesmo que eu, então ninguém nunca falou comigo, apenas me olhava.

— Então amanhã mesmo eu vou procurar outro colégio e vamos te transferir!

— Não! Não precisa, pai… Blaine está lá, isso não vai mais acontecer. Ele é o único que teve coragem de enfrentar aqueles idiotas.

— Tem certeza, Kurt? Eu não posso correr o risco de te perder de novo…

— Tenho pai, confia em mim. Eu fiz a mesma promessa para Blaine, faço para o senhor também. Eu nunca mais vou me cortar, vou tentar melhorar, okay?

— Okay. Eu só quero o seu bem, filho. Eu te amo e prometo ficar mais com você.

— Eu também te amo, pai. Obrigado.

(…)

Dois dias depois, Kurt e Blaine voltaram para escola e assim que chegaram tiveram praticamente todos os olhares dos alunos espalhados no corredor, direcionados para eles.
Eles observavam e depois sussurravam entre si, era uma sensação no mínimo desconfortável para os dois garotos recém chegados.

— Você acha que eles ficaram sabendo que estivemos em coma?

— Não sei, K. É melhor ignorar. E então, se sente melhor?

— Sim, obrigado. E você?

— Bem, obrigado.— Blaine sorriu e Kurt ficou tímido levando-o a desviar o olhar — Ah, sobre o coral, você não precisa voltar lá se quiser, okay? Eu entendo que você…

— Tudo bem.

— Tudo bem o que?

— Eu vou voltar no coral, você não disse que a música sempre te ajuda? Não custa nada tentar, não é?— Kurt sorriu fraco.

— Que máximo, K! Fico feliz que esteja evoluindo! Então… Nos encontramos no coral depois?

— Claro!

— Ótimo! Qualquer coisa me chama, okay?

Kurt assentiu com um sorriso e foi para suas aulas que passaram rapidamente e no final, como eles haviam combinado, Kurt e Blaine se encontraram na porta da sala do coral.

(…)

— Blaine, será que a gente pode ir ao auditório por um instante?

— Acho que sim, a escola não vai fechar agora mesmo, vamos lá.

Blaine acompanhou o castanho até o palco e reparou que ele parecia nervoso e então resolveu perguntar.

— Kurt, está tudo bem?

— E-está…— O castanho mal conseguia olhar para o moreno — Eu q-queria cantar uma música, será que você pode me acompanhar no piano? E-eu não sei tocar.

— Ah claro! Você está me deixando nervoso, K…

Blaine sorriu e se posicionou no banco do piano chamando Kurt para se sentar ao seu lado.

— Qual é a música?

— Essa aqui

Kurt entregou dois papéis com a partitura escrita a lápis. O castanho provavelmente tinha copiado de algum lugar, porém estava sem o nome da música.

— Espero ter copiado certo…

— Está sim! Posso começar?

O Hummel assentiu e então o moreno começou a dedilhar as primeiras notas reconhecendo aos poucos a música até Kurt começar a cantar com a voz mansa sem muito esforço. Ele parecia cantar apenas para si.

Feeling like I'm breathing my last breath (Me sentindo como se estivesse dando meu último suspiro)
Feeling like I'm walking my last steps (Me sentindo como se estivesse andando meus últimos passos)
Look at all of these tears I've wept (Olhe todas essas lágrimas que eu derramei)
Look at all the promises that I've kept (Olhe todas essas promessas que eu mantive)
I put my heart into your hands (Eu coloquei meu coração em suas mãos)
Here's my soul to keep (Aqui está minha alma para você guardar)
I let you in with all that I can (Te deixei entrar com tudo que eu posso)
You're not hard to reach (Você não é difícil de alcançar)
And you bless me with the best gift (E você me abençoa com o melhor presente)
That I've ever known (Que eu já tive)
You give me purpose (Você me dá propósito)
Yeah, you've given me purpose (É, você deu propósito)

Quando a parte do refrão chegou, Kurt pareceu respirar fundo tentando encontrar coragem e finalmente encarou o moreno. Ele definitivamente estava cantando para o moreno. Mas o que tudo aquilo significava de verdade? Um agradecimento? Uma despedida? Ou… não, Blaine não acreditava que poderia ser o que ele estava pensando.

Na segunda parte da música, Kurt encarou apenas os dedos de Blaine teclando habilidosamente cada tecla de marfim.

Thinking my journey's come to an end (Pensando que minha jornada tinha chegado ao fim)
Sending out a farewell to my friends, for inner peace (Mandando adeus aos meus amigos, por paz interior)
Ask you to forgive me for my sins, (Peço que me perdoe pelos meus pecados,)
Oh would you please? (Oh, você poderia, por favor?)
I'm more than grateful for the time we spent (Estou mais do que agradecido pelo nosso tempo juntos)
My spirit's at ease (Meu espírito está em paz)
I put my heart into your hands (Eu coloquei meu coração em suas mãos)
Learn the lessons you teach (Aprendi as lições que você ensinou)
No matter when, wherever I am (Não importa o que acontecer, em qualquer lugar)
You're not hard to reach (Você não é difícil de alcançar)
And you've given me the best gift (E você me abençoa com o melhor presente)
That I've ever known (Que eu já tive)
You give me purpose everyday (Você me dá propósito todo dia)
You give me purpose in every way (Você dá propósito de todos os jeitos)

Blaine tocou enfim a última tecla e olhou para Kurt que estava com a cabeça baixa. Com um dedo, o moreno levantou a cabeça do castanho fazendo-o encara-lo e então ele pôde ver uma lágrima descendo pelo rosto do Hummel e no mesmo instante o Anderson a secou com o polegar.

Nenhum dos dois conseguia dizer nada, apenas ficaram encarando um ao outro por intermináveis minutos como se tentassem decifrar um ao outro enxergando a alma através dos seus olhos.

De repente, Blaine, sem desprender seus olhares, se aproximou aos poucos de Kurt e quando suas respirações se igualaram, assim como as batidas de ambos os corações, os lábios do moreno encontraram finalmente os do castanho depois de tanto tempo.
Eles fecharam seus olhos e uma lágrima escorreu em sintonia.

Suas almas enfim estavam se reencontrando.

Notas finais
Me digam o que acharam! ;) Beijos e até a próxima! ♥