Life Is Worth Living

3 Nós já nos conhecíamos.


Notas iniciais
Hoje vamos saber finalmente o que Blaine é de Kurt. =D Espero que gostem. Boa leitura. (LEIAM AS NOTAS FINAIS! POR FAVOR.)

Era uma manhã de sábado, seguinte ao dia que Kurt voltara do hospital. Hoje Burt não trabalharia, pois resolveu tirar o dia para dar alguma atenção ao seu filho e conversar com ele como o médico pedira.

Ele foi até o quarto de Kurt e bateu na porta a fim de chamar o filho para tomar café da manhã.

– Kiddo...? Posso entrar?

Kurt ainda estava na cama, já havia acordado umas duas horas atrás, mas simplesmente não teve ânimo para levantar como todos os dias. E como hoje não teria escola, não viu motivos para sair do seu quarto. O plano era ficar ali o dia todo com seus demônios interiores e seus pensamentos, até seu pai bater em sua porta.

– Só um minuto pai... – Kurt levantou sem pressa e abriu sua porta para o pai passar – Aconteceu alguma coisa?

– Não. Eu só queria perguntar se não quer descer e tomar um café comigo, faz tempo que não fazemos isso... O que acha?

– Eu não sei pai, não estou com fome.

– Kurt, por favor. Não me faça te obrigar a isso... Você desmaiou ontem, foi parar no hospital e os médicos disseram que era por falta de vitamina no corpo, você está mais magro Kurt. Por favor.

– Tudo bem pai, eu já vou descer. Posso apenas tomar um banho antes, trocar de roupa?

– Tudo bem, estarei te esperando lá embaixo. Enquanto isso vou fazer alguns waffles, sei o quanto gostava quando era pequeno.

– Obrigado pai...

Burt desceu para cozinha enquanto Kurt tomou um banho rápido e pôs uma roupa qualquer, logo descendo para o café.

– Agora sim, bom dia kiddo!

– Bom dia pai...

– Aqui está, waffles quentinhos. Eu fui ao mercado e trouxe calda de chocolate e chantilly.

– Está muito bom o cheiro, talvez eu coma um pouquinho.

– Pode comer o quanto quiser, eu fiz bastante! – Burt sorriu e se juntou à mesa com seu filho – E então, como está na escola?

– Sabia que tinha alguma coisa por trás desse café...

– Ah qual é Kurt... Eu sei que não quer conversar, mas eu sou seu pai e apenas quero saber do meu filho. Faz tempo que não nos sentamos numa mesa para uma refeição. Mas se não quer conversar, tudo bem, nós ficamos em silêncio.

Depois de cinco minutos de apenas barulhos de talheres batendo no prato, Kurt olhou para Burt que tinha um semblante triste e acabou cedendo à vontade do pai.

– Está indo...

– Como?

– A escola, está indo...

– O que quer dizer com está indo? Bem ou mau?

– Está indo à medida do possível. Minhas notas não estão muito boas, tenho que estudar mais.

– Okay. Tenho certeza que conseguirá melhorar, você é e sempre foi muito inteligente. E também ainda estamos no início no ano, tem bastante tempo até lá.

– Infelizmente... – Kurt falou pra si, mas Burt ouviu.

– Falou alguma coisa? – o jovem negou com um sorriso forçado – E já fez algum amigo? Eu sei que está no segundo ano, mas pode ter entrado alguém novo.

– Não pai, ninguém.

– Entendi... – Burt olhou o filho de soslaio enquanto ele colocava mais chantilly e calda em seus waffles – Kurt, não está muito calor para essa camisa de manga comprida?

– N-não pai...– Kurt ficou nervoso com o comentário do pai e puxou mais as mangas para esconder mais seus braços – E-eu estou com frio.

– Será que está com febre? – Burt pôs a mão na testa de Kurt – Não está. Kurt, você está se sentindo bem?

– Estou pai. Eu vou subir tudo bem?

– Não vai terminar seu café? Ainda tem comida no seu prato.

– Eu... Eu vou estudar. – Kurt pegou o prato – Vou continuar a comer lá no quarto. Obrigado pai.

– De nada, Kurt...

Kurt subiu praticamente correndo e Burt ficou na mesa tentando pensar em como faria Kurt se abrir para ele. Seu filho estava se autodestruindo e ele não sabia como tocar naquele assunto para ajudá-lo.

– Como eu queria que você estivesse aqui agora, Elizabeth.

(...)

Desde quando Blaine recebeu alta do hospital, ele passou a noite pensando no sonho estranho com o tal garoto castanho. No dia seguinte, ele apenas esqueceu e passou seu sábado normalmente até a hora do jantar quando Pam chamou todos na sala para se reunir a mesa.

– Bem, agora que estamos todos finalmente aqui reunidos, tenho um comunicado importante a fazer.

– O que é meu amor?– perguntou Pam curiosa.

– Eu fui promovido na empresa.

Todos na mesa vibraram e parabenizaram o homem mais velho. Até que ele ficou sério outra vez.

– Mas tem um detalhe…– todos ficaram em silêncio para ouvir atentamente o que Charlie tinha a dizer — Eu fui promovido e serei responsável por um das filiais da empresa, porém essa minha filial será em Ohio. Ou seja, teremos que nos mudar.

Silêncio total na mesa. Ninguém teve reação para falar nada além de Pam.

– Por mim tudo bem amor, se é para o bem de nossa família.

Pam olhou seus filhos e viu Cooper sem expressão, parecia ter aceitado qualquer decisão dos pais. Já Blaine estava um pouco cabisbaixo, ele amava sua escola, possuía alguns amigos ali e agora teria que deixar tudo pra trás e começar tudo outra vez.

– Filho…– Charlie chamou carinhoso e Blaine o olhou — Eu sei que está pensando em seus amigos daqui, sua escola, mas tenho certeza que conseguiremos uma escola tão legal quanto esta lá em Ohio.

– E do jeito que você é, vai achar vários amigos novos maninho! Você é bom nisso!

– Tudo bem, pai, Coop, mãe… Eu vou ficar bem. Em quanto tempo partimos?

– Semana que vem.– Charlie respondeu penalizado pelo filho — Blaine, lembra que me pediu aquele piano de calda?

– Sim pai...– O moreno respondeu sem emoção.

– Eu posso tentar te dá-lo agora, já que serei promovido, meu salário ficará melhor e então compro seu piano! Tudo bem?

– Obrigado pai, você é o melhor! Posso subir para o meu quarto? Estou um pouco cansado…

– Claro meu filho, pode ir. Boa noite.

– Boa noite mãe, boa noite Coop, boa noite pai, parabéns mais uma vez, estou muito feliz pelo senhor!

– Obrigado filho.

– Boa noite maninho.

Blaine subiu para seu quarto e logo se jogou em sua cama pensando em como diria a todos seus amigos do coral que estava de partida. Seria uma triste despedida, mas ele teria uma semana para fazer isso. De tanto pensar, o moreno logo adormeceu.

(…)

Kurt abriu seus olhos e se viu em um lugar totalmente branco. Ele estava sentado em algo que parecia ser um quadrado também branco.

Ele olhou pra frente e viu um ponto bem longe, porém esse ponto aos poucos foi tomando a forma de uma pessoa. Alguém estava vindo em sua direção.

Por algum motivo, Kurt não sentiu vontade de correr, nem mesmo medo, apenas aguardou pacientemente a pessoa se aproximar. Quando enfim aconteceu, o castanho reconheceu aquela pessoa com um belo sorriso no rosto que agora estava sentado de frente pra ele.

– Você apareceu naquele dia pra mim, não foi?– a pessoa em sua frente assentiu, parecia feliz por Kurt se lembrar de si — Me perdoe, mas não consigo lembrar do seu nome…

– Tudo bem, meu nome é Blaine.

– Isso, Blaine.

– Muito obrigado por me ouvir naquele dia e não pular Kurt…

– Como sabe meu nome?

– Eu te conheço há algum tempo. Na verdade nós nos conhecemos.

– Me desculpe, mas eu não me lembro de você.

– Não lembra porque a dor lhe fez se esquecer de nós.– Kurt só ficou mais confuso — Nós somos almas gêmeas, nos encontramos em todas as nossas vidas. Em vida não lembramos um do outro, porém nossas almas sim, por isso conseguimos nos comunicar através de sonhos.

– Então estamos em um sonho e na verdade eu e você agora somos apenas almas?

– Sim. Nós dois estamos dormindo agora. E como moramos distantes, nos comunicamos assim.

– E porque eu não me lembro de você?

– Você passou pelo trauma de perder sua mãe muito cedo nessa vida e isso acabou marcando sua alma a alterando e fazendo você esquecer-se de mim.– Blaine disse um pouco triste — Como você tentou suicídio por esses dias, isso acabou me atraindo até onde estava para lhe impedir.

– Então nós temos uma conexão, é isso?

– Exatamente. Quando você estava prestes a pular daquele prédio, meu corpo desmaiou de onde eu estava e assim eu pude te salvar.

– Então quer dizer que se você entrar em uma situação de perigo, eu também vou desmaiar e te encontrar?

– Normalmente seria assim, mas como você alterou sua alma, eu não tenho tanta certeza.

– Você então se tornou meu anjo da guarda, mesmo vivo.– Blaine assentiu sorrindo — Você disse que somos almas gêmeas, isso quer dizer que… Você me ama?

– Incondicionalmente, nosso amor atravessa vidas. Você também me ama.

– Blaine... Eu não acredito em alma gêmea.

– Mas nós somos…

– Me desculpe, mas como vou acreditar em um sonho? Isso tudo aqui, você, podem ser frutos da minha imaginação! Olhe, eu sou sozinho, é normal imaginar coisas desse tipo.

– Eu entendo…– Blaine disse decepcionado – Mais ainda espero que um dia você se lembre de mim.

Um silêncio se fez, Kurt por algum motivo se sentiu mal por ver Blaine daquele jeito triste, mas como ele explicou, era muito difícil acreditar em um sonho como aquele depois de tudo que ele passou.

Em meio ao silêncio, uma voz ecoou de repente chamando o nome de Kurt. Na terceira chamada, o castanho reconheceu a voz do pai, já devia estar de manhã.

– Hora de acordar, adeus Blaine.

– Até breve Kurt.

Aos poucos a imagem do rosto de Blaine foi se esvaindo até sumir e o rosto de Burt aparecer mostrando que ele já havia acordado.

(...)

O final de semana chegou ao fim, a semana seguinte correu para Blaine que fez de tudo para se despedir dos seus amigos, pois já se mudaria para Ohio no sábado.

A mudança dos Anderson foi normal, sem grandes acontecimentos e domingo eles já estavam bem instalados.

– Bom dia família! – anunciou Pam ao encontrar todos à mesa no café da manhã – Blaine, animado para seu primeiro dia de aula?

– Sim mãe! Pai tem coral no McKinley?

– Acho que sim meu filho.

– Bom, acho que já estou atrasado então. Coop, me dá uma carona?

– Claro maninho!

– Obrigado. Tchau pai, tchau mãe! Amo vocês! McKinley, aí vou eu!

Notas finais
Obaaa, agora sim Blaine está perto de Kurt! o/ Gente, vamos lá, eu não fiquei muito segura com esse capítulo por conta da explicação do Blaine para o Kurt em sonho. Eu sabia desde o início o que eles seriam, mas não soube muito bem como passar para o texto. =/ Então se vocês não entenderam alguma coisa, por favor me pergunte no comentário que terei prazer em explicar! Okay? Beijos e até o próximo!