Life Is Worth Living
2 Hospital.
Notas iniciais
Kurt desceu da ponta do prédio e foi andando em direção a figura do moreno que antes o chamava.
– Quem é você?
– Eu sou... – o moreno começou a desaparecer literalmente em frente a Kurt que agora dava um passo para trás assustado – Droga, eu devo estar acordando! Meu nome é Blaine, um dia eu lhe explico melhor. Agora por favor, não pule! Apenas isso.
Blaine sumiu por completa da vista do castanho que ficou paralisado com o que acabara de acontecer ali. De repente ele começou a ficar tonto, sua visão escureceu e caiu. Kurt havia desmaiado.
(...)
– Kurt, meu filho! Graças a Deus você acordou!
Kurt ainda estava atordoado com seu pai o abraçando. O adolescente piscou algumas vezes até sua visão limpar e ele perceber onde estava.
– Pai, o que aconteceu? Porque eu estou no hospital?
– Acharam você desmaiado no terraço do colégio, Kiddo. Então te trouxeram pra cá e me ligaram na oficina e eu larguei tudo lá para vir até aqui correndo. O que você estava fazendo no terraço do McKinley, Kurt?
– Eu não lembro muito bem o que aconteceu pai... – mentiu Kurt.
– Senhor Hummel? – o médico chamou da porta.
– Sou eu.
– Ótimo, podemos conversar por um instante?
– Claro! – Burt deu um último beijo na testa de Kurt – Já volto, Kiddo.
Kurt assentiu e Burt saiu do quarto junto com o médico.
– E então doutor? Não me diga que ele tem algo grave...
– Não, seu filho tem uma alimentação regular?
– Isso é uma vergonha, mas eu realmente não sei. Eu passo o Dia todo trabalhando e como ele sabe cozinhar, não fico preocupado com isso.
– Entendo perfeitamente. Bem, parece que Kurt não tem se alimentado corretamente, pois ele está com carência de algumas vitaminas em seu corpo, por isso o desmaio repentino. – Burt esfregou a cabeça preocupado e olhou em direção ao quarto onde estava seu filho – Mas não se preocupe, passarei algumas vitaminas que rapidamente iram recuperar essas necessidades.
– Obrigado doutor...
– Disponha Senhor Hummel. Mas tem mais um problema, este sim pode ser um pouco grave. – Burt voltou a ficar nervoso – Enquanto fazíamos os exames nós reparamos algumas marcas em seus pulsos.
– Você não está querendo dizer que...
– Sim, seu filho provavelmente está apresentando um quadro depressivo, isso poderia justificar também sua má alimentação. Recomendo que o senhor o encaminhe para um psicólogo o mais rápido possível ou converse com seu filho para saber se ele está passando por algum trauma.
– Ele ficou estranho desde a morte da mãe. Kurt tinha apenas cinco anos quando Elizabeth se foi... No início eu até tentava animá-lo, afinal era apenas um criança que havia acabado de passar pela dor da perda, mas depois quando ele atingiu certa idade, simplesmente pareceu conformado. Parecia não sentir mais nada, então o deixei em paz. Jamais imaginaria que Kurt estivesse tão mal. – Burt começou a chorar – Meu filho, tentando tirar sua própria vida...
– Eu sinto muito senhor Hummel. Logo Kurt estará liberado para ir para casa e então o senhor conversa com ele. Sei que é complicada toda essa situação, mas tente não brigar com ele, seria pior. Apenas tente entender o que ele está passando e o ajude de alguma forma.
– Tudo bem, obrigado doutor.
– De nada, qualquer coisa estou por aqui. Quando precisar do psicólogo, temos um aqui no hospital de prontidão. Agora com licença que vou assinar a alta do paciente Kurt. Passar bem.
O Doutor apertou a mão de Burt num cumprimento e deixou o homem sozinho no corredor. Burt secou mais algumas lágrimas, respirou fundo e voltou para o quarto do filho.
– Pai, está tudo bem? O senhor estava chorando?
– Não Kiddo, eu apenas enfiei o dedo no olho e meus dedos estão sujos de graxa, então irritou.– Burt riu nervoso — O Doutor disse que você já está de alta.
– Ótimo, não aguentava mais ficar aqui.
Kurt sorriu para o pai e o mais velho se segurou para não chorar outra vez. Seu filho tão bonito, tão novo tentando contra sua própria vida. Em um momento de distração de Kurt, Burt olhou rapidamente para os pulsos do filho e como o médico havia dito, ali havia algumas cicatrizes. Umas pareciam ser mais antigas e outras mais recentes. Kurt já deveria se cortar a algum tempo, concluiu o pai.
– Kurt, você está liberado.
Anunciou a enfermeira agora retirando alguns eletrodos conectados ao castanho para monitorar seus batimentos. O jovem agradeceu a mulher e foi trocar de roupa. Depois de alguns instantes, ele já estava pronto e foi embora com seu pai.
(…)
– Filho, hora de acordar!
– Bom dia mãe!
– Bom dia meu amor, o café já está na mesa.
Blaine Anderson era um adolescente de 15 anos que vivia na Inglaterra desde que nasceu junto com seus pais e irmão mais velho. Ele estava no início do seu último ano no colegial e amava seu colégio e seus amigos. Sua vida também era muito boa.
– Bom dia pai, bom dia Coop! – Blaine cumprimentou pegando seu lugar na mesa do café da manhã.
– Bom dia maninho!
– Bom dia filho, pronto para mais um dia de escola?
– Claro pai, sempre!
– Então agora deixem de conversa e vamos tomar café.
A família Anderson tomou seu café da manhã tranquilamente em meio de uma conversa agradável. Quando terminaram cada um se levantou e recolheu sua própria louça suja para levar até a cozinha.
– Aqui está mãe, seu bolo estava delicioso como sempre!
– Obrigado meu filho, apenas fiz com amor.
Blaine sorriu pra sua mãe e de repente tudo ficou em câmera lenta, o moreno só conseguiu ver a expressão desesperada da mãe que parecia gritar, mas o jovem Anderson não ouvia mais nada. Sua visão por fim escureceu por completo e ele apagou.
– Charlie! Cooper! Me ajudem, Blaine desmaiou!
Os dois homens saíram correndo até a cozinha e encontraram o caçula desacordado no chão e Pam aos prantos.
– Blaine, acorda!– Charlie deu pequenos tapas no rosto do filho, mas nada adiantou.
– Pai, vamos levar ele até o hospital!
Charlie pegou o filho nos braços e correu até seu carro seguido por Cooper e Pam. Chegando lá, eles logo foram atendidos e Blaine já tinha seu leito.
Enquanto os médicos faziam alguns procedimentos para despertar Blaine, o moreno parecia em um sonho real. Ele se encontrava em algum lugar ao ar livre. Um terraço. Quando olhou para frente enxergou um garoto na ponta do prédio prestes a cair. Blaine prendeu a respiração, se aproximou devagar e logo chamou o garoto que por acaso ele sabia o nome. O menino voltou e o encarou assustado e confuso. O outro garoto foi se aproximando e Blaine logo soube de quem se tratava. Quando Kurt perguntou quem ele era, Blaine começou a desaparecer deixando o garoto em sua frente mais assustado ainda.
Blaine então só disse seu nome e tudo apagou outra vez até ele enxergar só algumas luzes do quarto do hospital onde ele estava. O moreno piscou algumas vezes e se lembrou do "sonho" aparecendo várias perguntas em sua cabeça.
Porque aquele sonho?
Como ele sabia o nome daquele garoto e principalmente…
Quem era Kurt?
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