Life Is Worth Living
6 Eu irei te ajudar.
Notas iniciais
Algumas semanas se passaram depois do dia do teste que Blaine fez para os New Directions. Naquele mesmo dia, Kurt e Blaine estenderam a conversa até o caminho para casa, já que ambos moravam para o mesmo lado.
Desde então, os dois passavam o tempo livre entre as aulas conversando e se sentavam juntos no refeitório todos os dias.
Kurt, particularmente, adorava a companhia de Blaine. Ele estava sempre bem humorado e alegre e aquilo acabava contagiando o castanho, mesmo ele tendo tantas amarguras em sua cabeça.
— Kurt? Kurt!
— Oi, desculpe…
— Está se sentindo bem? Você parece um pouco aéreo.
— Estou sim, não se preocupe.
Blaine continuou falando sobre algum assunto e Kurt continuou com seus pensamentos e ficou nervoso depois de ver o que ele mais temia. Os jogadores estavam de longe observando os dois enquanto se falavam entre si. De repente, Azímio percebeu o olhar nervoso de Kurt sobre si e sorriu esfregando as mãos.
— B-blaine, vamos sair daqui…
— O que, por quê? O sinal não bateu ainda.
— Depois eu te explico, só vamos embora daqui.
Kurt, por impulso, pegou a mão de Blaine e saiu apressado do refeitório para debaixo da arquibancada do campo de futebol. Sim, ele havia ido direto para o território do inimigo, mas ali debaixo era o único lugar que Kurt achava seguro.
— Kurt, o que está acontecendo?
— Azímio e os outros jogadores... Eles me perturbam desde o meu primeiro dia de aula aqui, me falam coisas horríveis, me chamam de nomes ruins, me jogam na lixeira, eles fazem de tudo para me deixar o pior possível.
— É por isso que você…— Blaine deixou a frase no ar.
— É… Minha vida é um verdadeiro inferno e não quero que eles façam o mesmo com você. Por isso eu corri de lá, eles nos viram e estavam falando entre si. Azímio ameaçou todos que se visse alguém comigo, iria sofrer o mesmo que eu, desde então ninguém jamais chegou perto de mim.— Kurt a essa hora já chorava — Blaine, eu preciso que você se afaste de mim, por mais que me doa. Eu só não quero que você passe pelo mesmo que eu. Você está sempre tão feliz, sorrindo e não quero que tirem isso de você…
Kurt continuou a chorar e colocou a cabeça entre as mãos na esperança de não ver Blaine partir, porém ele sentiu os braços do moreno o envolvendo.
— Ei, eu não vou embora, muito menos te abandonar, nem pensar! Vou ficar aqui e que se danem aqueles idiotas!
— Mas Blaine…
Kurt nem conseguiu terminar de falar, pois Azímio junto com outros três jogadores os acharam e logo o castanho se afastou do moreno.
— Interrompi algo?
— Interrompeu, eu e Kurt estávamos conversando. Precisam de alguma coisa?
— Só viemos perguntar uma coisinha pra você novato. Que pelo jeito ainda não sabe como as coisas funcionam por aqui. Poxa, porcelana, não contou nada para o seu amiguinho?
Kurt se encolheu ainda mais no banco chorando baixo e Blaine ficou irado ao ver tratarem o castanho daquela maneira.
— Qual é o problema de vocês?
Blaine se levantou para o desespero de Kurt. Aquilo não acabaria bem e o castanho estava prevendo isso.
— Como é que é?— Azímio perguntou incrédulo.
— Eu estou perguntando qual o problema de vocês. Já vi que surdez é um deles...
— Fadinha, você realmente deveria ter dito as regras daqui para o seu namoradinho...
— Azímio, não! Por favor...— Disse Kurt baixo e nervoso por algo acontecer com Blaine – Desconte sua raiva em mim, eu já estou acostumado, mas deixe Blaine em paz... Por favor.
— Ah que gracinha, aí pessoal, agora um protege o outro. Seria lindo se não fosse tão nojento!
— Deixem Kurt em paz!— Blaine deu um passo a frente – Ou vocês saem agora daqui, ou eu chamo o diretor!
Os garotos caíram na gargalhada e Blaine ficou confuso. Qual era a piada afinal?
— Eu só não te arrebento porque não bato em crianças, nem em anões feito você. Vamos embora rapazes. Ah, não pensem que não vai ter volta.
Os jogadores foram embora deixando Kurt e Blaine sozinhos outra vez.
— Tá tudo bem Kurt, eles já foram.
— Não está tudo bem Blaine, você não ouviu? Eles vão voltar! Eu disse pra você ir embora!
— Mas Kurt, eu já disse que não vou, eles são covardes! É só você enfrentá-los e eles vão embora!
— Não é tão simples assim...
— Tudo bem, vou parar de falar disso. Vamos, precisamos ir pra próxima aula...
Kurt e Blaine voltaram ao prédio do colégio para ir até a sala da próxima aula, mas antes precisaram passar no armário para trocarem o material.
Mal eles sabiam que quando chegassem no armário de Kurt, os mesmo jogadores estariam os esperando com um copo de slushie de uva em cada mão.
— Seja bem vinda, fadinha anã.
Todos os jogadores jogaram seus slushies em Blaine o fazendo escorregar e cair no chão mergulhado no líquido gelado. Depois, os brutamontes apenas foram embora gargalhando pelos corredores.
Kurt viu aquela cena de Blaine todo manchado no chão e entrou em desespero, ele se sentia extremamente culpado por acontecer aquilo. O castanho puxou o moreno pelo braço, que agora já estava de pé e o levou para o banheiro mais próximo, trancando os dois em seguida.
— M-me deixa te limpar...— Kurt disse com a voz embargada – Me perdoe, me perdoe por isso tudo, por favor, me perdoe...
Hummel começou a se desculpar compulsivamente enquanto tentava sem sucesso limpar o moreno de tanto que suas mãos tremiam. Então o moreno ficou assustado com o choro pesado de Kurt e segurou suas mãos.
— Kurt, calma! Não foi nada, eu estou bem!
— Eu quero ficar sozinho...
— Eu não vou te deixar sozinho!
— Por favor...
— Sai daqui!
Kurt gritou e Blaine ficou um pouco magoado com aquilo. Ele só queria ajudar o castanho e sabia que deixá-lo sozinho agora seria uma péssima escolha, mas mesmo assim saiu do banheiro fazendo a vontade de Kurt.
Blaine, já sabendo que poderia ser encharcado de slushie, como Tina já havia o contado semanas atrás, o moreno se trocou em outro banheiro e foi pra aula que seria com Kurt.
A aula já estava na metade e o castanho nada de aparecer deixando o Anderson cada vez mais preocupado, ele não deveria ter deixado o amigo sozinho, não naquele estado.
O medo de Blaine só aumentou quando seus pulsos começaram a arder o lembrando do que aconteceu da última vez em que ele havia sentido aquilo. Foi então que ele sentiu que precisava correr. Sem nem mesmo pedir permissão, Blaine saiu correndo no meio da aula até o banheiro. No caminho, ele sentiu umas vertigens que quase o derrubou, mas o moreno conseguiu se recuperar e continuou correndo.
Quando finalmente chegou no banheiro, ele não encontrou ninguém e tudo estava em um completo silêncio. O moreno, temendo o pior, olhou cada cabine e na última encontrou a cena que ele não queria ver. Kurt estava com os pulsos sangrando outra vez, porém agora estava quase desmaiando murmurando coisas horríveis para magoá-lo a si próprio ainda mais. Blaine não pensou duas vezes e puxou Kurt, que estava desnorteado, o envolvendo em seus braços e desabou a chorar também.
— Kurt, senta aqui... Eu vou à enfermaria e já volto. Calma.
Blaine correu até a enfermaria e disse a enfermeira de plantão que estavam a chamando na diretoria. Ela agradeceu e saiu da enfermaria e o moreno aproveitou para pegar todos os curativos necessários para o castanho e voltou rapidamente para o banheiro e acha Kurt no mesmo estado em que ele deixou antes.
— Eu trouxe alguns curativos, amor...
Blaine deixou escapar e agradeceu aos céus por Kurt estar grogue e nem ter prestado atenção. Mas, de onde havia vindo aquele “amor”? O moreno apenas sacudiu a cabeça tentando afastar o pensamento e focou nos machucados de Kurt, limpando-os e os tampando com ataduras para estancar o sangue.
Quando o castanho se recuperou melhor, Blaine perguntou onde era sua casa e o levou até lá. Em casa, não havia ninguém, já que Burt estava na oficina.
— Kurt, deita aqui, eu vou fazer uma comida pra você...
— Blaine, não precisa se incomodar com isso...
— Você perdeu sangue Kurt, precisa sim!
Blaine vai até a cozinha e prepara uma rápida sopa de galinha e dá na boca de Kurt, que depois de muito protestar, acabou aceitando.
— Comeu tudo, estava tão bom assim?
— Estava, obrigado...— Kurt abaixou a cabeça e Blaine reparou que o castanho estava chorando baixinho.
— Kurt, porque está chorando?
— Me perdoe por tudo aquilo. Pelos slushies e por me ver daquele jeito outra vez...
Blaine não diz nada e puxa Kurt para um abraço apertado e acolhedor.
— Apenas me prometa uma coisa...— Kurt faz que sim com a cabeça – Me prometa que você nunca mais vai se cortar. Por favor. É estranho dizer isso, mas você se machucando desse jeito, é como se estivesse me ferindo junto. Então por favor, tenta parar, se algo te acontecer e você sentir vontade de se machucar outra vez, me chame e eu lhe darei meus pulsos...
— Blaine, você enlouqueceu?
— Eu nunca estive com a mente tão plena. Nem que seja a última coisa que eu faça, mas eu vou te ajudar a se livrar disso.
Eu serei o seu anjo da guarda.
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