Life Is Worth Living
5 Eu estarei lá.
Notas iniciais
— Blaine?!
Kurt praticamente gritou assustado com a visão do moreno ali em sua frente. Ele havia se convencido de que aquele encontro com Blaine havia sido apenas um sonho bom, mas agora o garoto estava parado o encarando.
— Blaine, o que você está fazendo aqui?!
— Espera, como você sabe meu nome? Eu só fiquei preocupado quando ouvi seu choro, mas na verdade eu só vim molhar meu pulso que estava ardendo.
Blaine olhou os cortes ligeiramente profundos e ensanguentados espalhados pelos braços do castanho e aquilo fez seu estômago revirar.
Foi então que Kurt se deu conta e se levantou de forma brusca e sua visão escureceu. Ele pensou que iria desmaiar mais uma vez, mas apenas cambaleou e conseguiu se manter com o apoio de Blaine.
— Como você sabe meu nome?— Blaine perguntou encostando-se na pia ao lado de Kurt que tentava limpar o sangue dos seus cortes — Me deixa te ajudar…
Kurt estranhou aquilo, mas deixou o moreno ajudar. Os toques de Blaine eram tão delicados e ele limpava seus machucados com tanto zelo que o castanho teve vontade de chorar. Ninguém cuidava dele daquele jeito há muito tempo, aliás, desde que Elizabeth morreu que Kurt é sozinho, nem mesmo seu pai conseguia lhe dar uma devida atenção ou carinho que ele precisava.
— E-eu ouvi pelos corredores seu nome e como eu nunca te vi por aqui, imaginei ser você o famoso Blaine. Só isso.— Kurt pegou alguns papéis e saiu secando seus braços — Er, obrigado e me perdoe por ter visto essa cena deplorável...
Kurt saiu do banheiro em disparada abaixando as longas mangas da sua camisa escondendo suas cicatrizes. No caminho, ele se lembrou de que havia deixado suas lâminas caírem no chão com o susto, mas não voltaria no banheiro para buscá-las de forma alguma. Depois daria um jeito de conseguir novas em algum apontador qualquer.
Mas como conseguiria lâminas novas agora nem era o que mais tomava os pensamentos do castanho, na verdade era Blaine. O moreno que ele achava ser apenas fruto de sua imaginação realmente existia, porém diferente do suposto sonho, Blaine não o conhecia. O que dava alguma razão ao Anderson do sonho que disse que eles não se recordavam um do outro em vida, apenas suas almas.
Claro! Era por isso que Blaine ficou tão confuso quando Kurt disse seu nome. Mas, se Hummel lembrava-se do sonho nitidamente, porque o mesmo não acontecia com Blaine?
(…)
Mais tarde daquele dia, Kurt foi para cama mais cedo. Apesar de tudo, as palavras de Azimio ainda rondavam sua mente repetindo feito um gravador. Kurt pensava que talvez o jogador tivesse razão, nem pra se matar ele servia. O castanho com esses péssimos pensamentos, adormeceu. Mas de repente pareceu acordar em outro lugar. Era onde ele e Blaine conversaram da outra vez. Kurt olhou em volta e viu um pouco mais a frente o moreno sentado numa cadeira o esperando com um sorriso estampado no rosto.
— Eu queria mesmo falar com você!
— Aqui estou meu amor…
Kurt ainda não havia se acostumado com Blaine o chamando de amor e o tratando tão bem sem ao menos eles se conhecerem pessoalmente. Isso até mais cedo.
— Você não me avisou que ia me encontrar…
— Nem eu sabia. Eu soube depois que nos falamos. E eu nem fui especificamente para te encontrar, minha família dessa vida que precisou se mudar e eu fui. Talvez tenha sido o destino que nos colocou no caminho do outro…
— Mesmo eu descobrindo que você é real, toda essa história de destino, vida atual, ainda é tudo muito estranho…
— Eu sei meu amor, mas prometo que um dia você se recordará e tudo fará sentido outra vez.
— Blaine…?
— Sim?
— Er, não é por nada, mas… Pode parar de me chamar de meu amor?
Aquilo destruiu um pouco o moreno por dentro, mas mesmo assim ele engoliu a dor e aceitou o pedido do seu amor.
— T-tudo bem... Kurt.
— Obrigado. Eu só pedi porque se isso realmente for apenas um sonho, como eu ainda acho que é, não sentirei tanto o baque. Entende?
— Claro, perfeitamente.
— Okay. Apesar de tudo não custa nada perguntar. Quando ou como é que você vai supostamente se lembrar de mim?
— Bem, geralmente nós só nos encontramos a partir dos vinte e um anos. E nós conseguimos nos recordar um do outro quando percebemos que nos amamos.
— Depois do nosso "encontro" de hoje você provavelmente nunca mais vai querer chegar perto de mim…— Kurt disse mais como um sussurro, porém Blaine ouviu.
— Aí é que você se engana meu… Quer dizer, Kurt. Nossas almas sempre se atraem de alguma forma, e se lembra de que eu lhe disse que me tornei um tipo de anjo da guarda pra você?— Kurt assentiu — Então, eu sempre serei atraído até você e vice versa.
— Entendo…
— Hora de acordar, até mais ver… Kurt.
A imagem de Blaine se dissipou e Kurt despertou de seu sono.
(…)
Blaine chegou ao colégio de certa forma animado, pois era o dia de sua audição para entrar no clube do coral e ele estava ansioso por voltar a cantar e competir como fazia antes.
— B, bom dia!— Cumprimentou Tina — Está pronto para o seu teste?
— Bom dia! Estou pronto e ansioso também!
— Ótimo, eu estou curiosa pra te ouvir! Já sabe qual música vai cantar?
— Ainda estou indeciso, mas até o final das aulas eu decido!
Blaine abriu um sorriso para a asiática que correspondeu. Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Kurt passou de cabeça baixa agarrado aos livros para não ser percebido ali, mas foi em vão, pois atraiu o olhar de Blaine quase que automaticamente, porém Kurt resistiu e não retribuiu, porque ainda estava envergonhado pelo moreno ter visto ele se cortando.
— Tina?
— Sim?
— Quem é aquele garoto?
— Quem, o castanho que passou?
— Esse mesmo, vestido um casaco preto.
— Ah, aquele é Kurt. Kurt Hummel. Ele tem alguns problemas, a alguns dias atrás ele subiu no telhado e tentou suicídio se jogando lá de cima...
— O que?! Porque?
— Os populares vivem judiando dele seja jogando ele na lixeira ou o ofendendo dizendo coisas horríveis. Ele sempre está de casaco ou blusas de mangas compridas, mas há quem já viu seus braços e disse que são repletos de cicatrizes de cortes.
— Porque ninguém o ajuda? Ele não tem pais?
— Ninguém chega perto dele, pois os jogadores nos ameaçaram dizendo que se vissem alguém andando com ele jogariam todos os slushies na pessoa até ela congelar completamente. E ele só tem o pai, perdeu a mãe muito cedo. Mas o pai dele quase não tem tempo, então é como se ele não tivesse ninguém.
Blaine ficou penalizado com toda aquela situação do castanho. Ele tinha visto os braços de Kurt e de fato eram cheios de cicatrizes horríveis. Abaixo de seus olhos tinham olheiras provavelmente de noites mal dormidas e longos choros. E ele também era bastante magro.
O moreno ainda não havia entendido porque, mas sentiu uma enorme vontade de protegê-lo e cuida-lo. Só não sabia como fazer tal coisa, já que Kurt com certeza não aceitaria a pena de ninguém, muito menos de um desconhecido.
— Blaine? Vamos, estamos atrasados para a próxima aula...
Tina puxou Blaine pelo braço e o mesmo continuou encarando Kurt que mexia em silêncio em seu armário e que no último instante olhou para o moreno, desviando o olhar logo em seguida.
(...)
As aulas passaram normalmente, mas Blaine não prestou atenção em nenhuma delas. Kurt, inexplicavelmente, ainda tomava conta de sua mente. Ele queria ajudar o castanho de alguma forma, mas ainda não havia pensado em nada.
Ele saiu da sua última aula, colocou algumas coisas no seu armário e foi em direção ao auditório onde seria seu teste para o New Directions. Tina já o esperava na porta.
— Blaine! Chegou bem na hora, eu já falei com o Mr. Schue e estão todos à sua espera! Espero que já tenha decidido sua música.
— Quer saber, acabei de decidir...
— Ótimo, então vamos...
Tina mais uma vez o puxou animadamente pela mão e o arrastou pra dentro do auditório. Colocou Blaine nos bastidores do palco, o desejou sorte e correu até o professor no meio dos assentos para avisar que Blaine já estava pronto. Schuester agradeceu a aluna e ela se juntou aos outros para prestar atenção no teste do amigo.
— Blaine Anderson, pode entrar!
O professor chamou no microfone e o moreno apareceu no palco um pouco tímido parando atrás do pedestal do seu microfone.
— Quando quiser, Blaine...
Anderson foi até o piano, tirou de sua bolsa a partitura da música que iria cantar e se posicionou para começar.
— Bom dia a todos, irei cantar uma versão acústica de I’ll be there, do Justin Bieber.
As primeiras notas foram tocadas e logo Blaine deu início a música.
Crying up above, I'm just here to take you away (Chorando lá em cima, estou aqui para te tirar daqui)
Don't worry 'bout a thing, I'm just focused on you today (Não se preocupe com nada, vou focar em você hoje)
You're laid out (Você foi despejada)
You were raised up in a poor town (Você foi criada em uma cidade pobre)
Roll up, baby roll up (Arregace as mangas, querida, arregace)
So hard to leave, but I know I gotta go now (Tão difícil de deixar, mas eu preciso ir agora)
Paris and London (Paris e Londres)
Baby we're so down (Querida, eu topo)
Something I wanna say (Há algo que quero dizer)
Yeah, you know I'll be there (Sim, você sabe que estarei lá)
I'll be there for you, even though I'm gone (Eu vou estar lá para você, mesmo que eu vá embora)
Holding you close babe, close to my heart (Segurando você perto querida, perto do meu coração)
I'll be there for you, even though I'm gone (Eu vou estar lá para você, mesmo que eu vá embora)
Holding you close babe, close to my heart (Segurando você perto querida, perto do meu coração)
Mr. Schue, Tina e os outros estavam bem satisfeitos e encantados com a voz e a habilidade do moreno com o piano. Ele provavelmente seria de grande ajuda e um bom reforço para os próximos campeonatos que estavam por vir.
I see my phone ring, hope it's you babe (Eu vejo meu telephone tocando, esperando que seja você querida)
You sent me a picture, well I sent one too (Você me enviou uma foto, bem eu enviei uma também)
I'm just tryna keep this love on track (Eu só tento manter esse amor nos trilhos)
Oh babe, I got your heart and I won't give it back (Oh querida, eu tenho seu coração e não vou devolvê-lo)
You're laid out (Você foi despejada)
You were raised up in a poor town (Você foi criada em uma cidade pobre)
Roll up, baby roll up (Arregace as mangas, querida, arregace)
So hard to leave, but I know I gotta go now (Tão difícil de deixar, mas eu sei que preciso ir agora)
Paris and London (Paris e Londres)
Baby we're so down (Amor, eu topo)
Something I wanna say (Há algo eu quero dizer)
Yeah, you know I'll be there (Sim, você sabe que estarei lá)
I'll be there for you, even though I'm gone (Eu estarei lá para você, mesmo que eu vá embora)
Holding you close babe, close to my heart (Segurando você perto querida, perto do meu coração)
I'll be there for you, even though I'm gone (Eu estarei lá para você, mesmo que eu vá embora)
Holding you close babe, close to my heart (Segurando você perto querida, perto do meu coração)
Enquanto cantava aquela música, Blaine outra vez se lembrava do castanho que ele pouco conhecia, mas sentia uma estranha afeição.
Holding you close to my heart (Segurando você perto do meu coração)
Uh, yeah, so I'm laid back in the Maybach (Então eu estou relaxado no Maybach)
Damn these seats go way back (Caramba, esses assentos deitam bastante)
I was thinking about way back (Eu estava pensando sobre o passado)
When we used to say that (Quando nós costumávamos dizer que)
I was yours, you were mine (Eu era seu, você era minha)
And we fought to pass the time (E nós brigávamos para passer o tempo)
And I realized, I realized, that we (E eu percebo, eu percebo, que nós)
Babe no matter what (Querida não importa o que)
Babe no matter what (Querida não importa o que)
Babe no matter what (Querida não importa o que)
Babe, babe, babe, yeah, yeah
I'll be there for you, even though I'm gone (Eu estarei lá para você, mesmo que eu vá embora)
Holding you close babe, close to my heart (Segurando você perto querida, perto do meu coração)
I'll be there for you, even though I'm gone (Eu estarei lá para você, mesmo que eu vá embora)
Holding you close babe, close to my heart (Segurando você perto querida, perto do meu coração)
I'll be there for you, even though I'm gone (Eu estarei lá para você, mesmo que eu vá embora)
Holding you close babe, close to my heart (Segurando você perto querida, perto do meu coração)
I'll be there for you, even though I'm gone (Eu estarei lá para você, mesmo que eu vá embora)
Holding you close babe, close to my heart (Segurando você perto querida, perto do meu coração)
Blaine terminou a canção agradecendo em seguida as palmas que havia recebido.
— Blaine, bem vindo ao New Directions! Você será um ótimo reforço! Tina lhe passará todos os horários dos nossos ensaios depois. Obrigado.
O moreno assentiu com a cabeça e começou a recolher suas coisas para sair do palco enquanto os outros se despediram e também deixavam o local.
Logo o auditório ficou vazio ficando apenas Blaine arrumando suas partituras sobre o piano, porém quando ele estava quase acabando, sua pasta caiu no chão espalhando algumas folhas.
— Droga! Vou ter que arrumar tudo outra vez...
— E-eu posso te ajudar?
Uma voz veio lá de cima dos assentos e Blaine pôs a mão na frente do rosto para tentar enxergar quem era, mas não conseguiu graças ao holofote aceso apontado para o palco.
— Quem está aí?— Logo Kurt pôde ser visto saindo do meio das várias fileiras de cadeiras vazias – Oh, é você! O menino do banheiro, do outro dia!
— Por favor, queria que você esquecesse dia...— o castanho disse sem jeito subindo no palco e se sentando perto de Blaine – Meu nome é Kurt. Kurt Hummel.
— Prazer Kurt, gostei do seu nome. É muito bonito.— o castanho ficou envergonhado – Está ali há muito tempo?
— Só o suficiente para ouvir metade da canção que você estava cantando. Aliás, muito bonita sua voz também...— agora foi a vez de Blaine ficar envergonhado.
— O-obrigado.
— Deixe-me te ajudar com esses papéis...
— Não precisa se incomodar Kurt, você deve estar ocupado.
— Acredite, não estou. Além de que estarei apenas retribuindo a ajuda que você me deu naquele dia...
Blaine apenas deu um meio sorriso e começou a arrumar os papéis espalhados com Kurt o ajudando em silêncio.
Mesmo sem dizerem nada, a companhia um do outro era um tanto prazerosa para ambos. Mas o que eles ainda se perguntavam era:
Por quê?
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