Life Hates Me.

33 a few weeks in a hospital


Notas iniciais
TA CHEGANDO AO FIM, LALALALA

- Tudo bem! — concordou.

— Bom, Lisa, você teve um tipo de anemia por causas ainda meio desconhecidas... – me olhou torto como se soubesse claramente a razão. – E como você sabe, anemia é causada por uma desordem no sangue, é a falta de células sanguíneas vermelhas devido a carência de ferro. Isso ocasiona a redução da habilidade do sangue de transferir oxigênio para os tecidos.

Não posso negar que fiquei assustada. Então quer dizer que eu estava com anemia, problema no sangue e por isso estou neste hospital há nem sei quantos dias? Isso já tá começando a dar um desespero, nunca tive problemas de saúde tão sérios.

— E é sério? – perguntei com medo da resposta.

— Felizmente não. A sua sorte é que não atingiu um nível muito sério, mas não estava muito longe... E por isso eu gostaria de conversar com a senhorita. A sós... – virou o olhar para a minha ‘mãe’. – Se não se importa.

— Imagina, vou até a lanchonete tomar um café...

Esperamos, por alguma razão, ela sair e fechar a porta para ele poder ter o “assunto” comigo.

— Lisa, esta anemia foi causada por grande perda de sangue e insuficiência de ferro...

— Sim... O senhor já disse isso...

— Acontece que todas as mulheres perdem sangue mensalmente devido à menstruação, isto é normal e pode ser controlado com refeições balanceadas. A questão está aí. Ou você está se alimentando muito mal ou a perda de sangue foi causada por outro motivo além da menstruação. Qual dos dois?

Gelei. Eu já sabia aonde ele queria chegar e não sei como iria sair disto, segurei meus pulsos e senti uma gosma. Me assustei e os virei para poder observar. Era só pomada, mas o médico percebeu o meu desespero em olhar os pulsos e pior... Viu os meus pulsos.

— Espera... Quem colocou... Essa... Pomada?

Consegui perceber um sorriso de lado, mas um sorriso nem tão feliz.

— Querida... – olha a intimidade. – Me perdoe, vou te chamar assim porque me importo com a sua saúde e você me lembra muito a minha filha, tudo bem?

Tive que rir da preocupação dele em me chamar de “querida” e assenti.

— Bom, querida... Não sou eu que vou te pressionar em relação à esses cortes... Só posso te dizer que isto tomou uma consequência maior. Afinal cortes não são algo que levam à perda de muito sangue... Porém você levou isto muito longe... E isto se chama automutilação.

Seu tom de compreensão ou somente o fato de estar se importando tanto com o meu problema me sensibilizaram e senti meus olhos e meu nariz arderem, como quem está a ponto de chorar. Incrível como até o médico se importa mais comigo do que meu próprio pai que não deu as caras até agora.

— Desculpa... É que... Eu...

— Não peça desculpas a mim, e sim para você mesma!

Assenti meio envergonhada.

— Mas tem outra coisa... Apesar dos cortes serem absurdamente grandes e frequentes na sua perna e braços, eles próprios não causariam uma anemia... Você está se alimentando corretamente?

Já fazia um tempo que eu não me alimentava muito bem, passava algumas horas enjoada e não me importava em comer algumas barrinhas ao invés de um almoço completo. Isso tinha me rendido como uma dieta, nesse tempo eu havia perdido mais de sete quilos e já conseguia ver meu corpo da maneira que eu queria.

Neguei com a cabeça. Admitir aquilo com palavras era doloroso. Desviei meu olhar para um pequeno quadro na enorme parede branca. Era lindo, várias andorinhas voando para longe e um céu radiante. Só fiquei admirando para tentar escapar do “questionário saúde”.

— Bom... – suspirou. – Lisa, já conseguimos tornar seu organismo estável novamente. Nessas semanas em que ficou aqui, já recuperou seus quilos saudáveis e tudo mais.

O que? “Nessas semanas”? Há quanto tempo estou presta neste lugar? Há quanto tempo eles têm me mantido presa a aquele terrível sonho que se repete todas as noites? Porque para eu ter dormido deste jeito, só através de calmantes, remédios, e outros. Além do mais... “Já recuperou seus quilos saudáveis”? Eles me engordaram? É isso mesmo?

Passei a mão por baixo das cobertas e agarrei a minha barriga. Ou melhor, agarrei aquelas malditas gordurinhas que estavam no lugar da minha barriga. Que ódio, quem eles pensam que são para me engordar sem o meu consentimento?

~ JUSTIN POV ON.

- Uma água sem gás?

— Isso.

— Fica... Um real e cinquenta!

Entreguei algumas moedas que se encontravam em meu bolso, peguei a garrafa e fui até uma mesa vazia. Levei a mão até a testa e apoiei. Sinto uma leve enxaqueca vindo. Essa situação é muito mais que torturante, a Lisa... Com anemia? Porque? O pior é pensar que alguns casos levam a morte, isso eu não quero nem pensar. Não pode existir nem esta possibilidade, simplesmente não pode.

— Querido...

Tirei a mão do rosto e levantei os olhos. Minha mãe.

— Mãe?

Ela deu aquele sorriso tranquilizador, se levantou e veio ao meu lado. Eu estava sentado e ela em pé, praticamente, ficamos do mesmo tamanho deste jeito. Me abraçou de lado, eu apoiei minha cabeça em seu ombro e passei os braços em sua cintura. Era bom ter alguém nessas horas, porque obviamente eu nunca deitaria no ombro do Chaz ou do Ryan e amigas mulheres eu não tenho, só um bando de puta amiguinha do Bryan.

— Como você tá filho? – acariciou meu cabelo e beijou minha cabeça.

— Como ela tá né? – continuei agarrado à ela.

— Querido, a Lisa é forte e tudo vai passar... Além do mais, a anemia pode ser controlada. Você disse que é anemia né?

— Foi o diagnóstico que o doutor passou para a Elizabeth.

— Quem?

— Olá! – a mesma chegou.

Eu me levantei para ver se ela tinha mais notícias da Lisa, se ela já tinha acordado e etc. Acabei me esquecendo de que minha mãe não conhece a mãe da Lisa. Teve toda aquela introdução formal, mas elas riam como velhas amigas e aquilo nem parecia mais um hospital. Só um clube, onde duas amigas se encontraram e eu fiquei ali esperando o papo longo terminar.

— Enfim... – cortei a conversa das duas. – E a Lisa?

— Ela acordou agora pouco e me viu... Mas reagiu normalmente, sem nenhum chilique. Até me chamou de ‘mãe’.

— Esses calmantes deixam ela mais...

— Calma? – minha mãe completou e riu.

— Não... – ri um pouco. — Mais domada... Se é que dá pra entender...

— É meio que isso mesmo, mas ele disse que amanhã à tarde ela já está livre de tudo isto!

— Graças a Deus! – minha mãe levantou os braços e eu sorri.

— Finalmente! – disse.

— Porém... O tratamento tem que ser feito em casa e eu estou em um hotel e o pior é que vou daqui a 3 dias para Nova York.

Notas finais
vou tentar fazer o melhor fim possivel, blz?