Life Hates Me.
34 rehab?
Notas iniciais
– Quanto tempo ela deve ser tratada em casa? – minha mãe perguntou.
– O médico disse que aproximadamente uns 3 meses para normalizar a situação dela...
– 3 meses? – arregalei os olhos.
– É, e o Mark não cuida da Lisa. Muito menos essa Rachel!
– E não dá para pagar enfermeiras?
– Até dá Pattie, mas a Lisa odeia ser controlada. Ainda mais por estranhos. Mas esse é o problema... Temos que ficar de olho para que ela... – parou de falar.
Foi como se ela não quisesse continuar a frase e revelar alguma coisa. Eu e minha mãe nos entreolhamos. Óbvio que tinha muito mais coisa do que uma anemia comum e isso se torna um pesadelo maior cada vez mais.
– Para que ela...? – perguntei.
Depois de um tempo, disse:
– Para que ela... Coma direito! — e deu um sorriso meio “pronto”.
~ LISA POV ON.
Aquela conversa com o médico sobre meus hábitos alimentares e outros problemas pessoais já tinha ficado um tanto quanto desconfortável. Passei a responder de uma maneira meio fria, tudo o que eu mais queria é que ele me deixasse quieta na minha. Eu sei que ele se importa e que todo esse tempo ele foi muito gentil e carinhoso... Mas acho que o que eu faço de mim ou do meu corpo é um assunto bem próprio.
A conversa continuou seguindo, mas a minha arrogância ficou muito à mostra e ele só disse:
– Lisa, só tenho uma coisa a dizer... Tem muita coisa acontecendo no mundo... Ele não parou não! Você que esqueceu de viver e se trancou em uma bolha de problemas — levantou-se e saiu.
Mesmo mantendo a pose de ignorante para fazer aquela conversa não se tornar mais intima, eu ouvia cada palavra e as absorvia com muito carinho. Ele era o único que poderia não me criticar ou repreender pelas minhas escolhas. E esta ultima frase ficou ecoando em minha mente, porém tive problema em "absorve-la", talvez porque ela não passou da pura e cruel verdade.
Eu que tornei a minha vida este lixo e fiz isto sem precisar da ajuda de ninguém. Enquanto todos os que me feriram durante esse tempo estão seguindo em frente felizes, eu estou numa cama de hospital com anemia. Entendeu? Eu fui o meu grande problema.
A única coisa que realmente me anima neste exato segundo é pensar na Lindsey, minha fadinha perfeita. Eu não sou nada sem ela, me sinto incompleta estando longe dela. Esse tempo todo internada aqui só contribuiu para que essa saudade aumentasse cada vez mais e passasse a me sufocar. A maior questão aqui é o paradeiro dela, porque não a vejo fazem dias... Ela deve estar com o sumido do meu pai e da minha madrasta. Pois é, tem isso ainda, tenho que me lembrar de forçar o Bieber a me falar o que ele falou naquela ligação. Mas isso nem vai ser possível, porque felizmente eu não o vi mais nesse hospital, tudo bem que ultimamente eu só tenho dormido, mas eu me lembraria de ter visto ele em um dos raros momentos em que me mantive acordada. Isso é bom, pretendo não ter que o ver nunca mais, nem pintado de ouro.
– Com licença senhorita, você tem uma visita. Mando entrar?
Surpreendente a enfermeira perguntar isso. Quando foi o Bieber ou “a mulher que insiste em se chamar de minha mãe”, eu não tive escolha.
Percebi que seu olhar pesava em mim à espera de uma resposta e sem demorar mais mandei entrar.
– Hey yo! – era o Josh e a Claire. Eu reconheceria aquele sotaque australiano de qualquer lugar.
– Meu deus Lisa! Nem para avisar! – reclamou Claire.
– Ah desculpa senhorita Claire! Esqueci de te ligar avisando que fui internada em um dos poucos momentos em que me deixam acordada!
Ela me olhou confusa. Talvez muita informação para ela absorver. O Josh com aquela cara linda só me observando, sinceramente, não sei como consegui ser só amiga desse deus grego e não sentir nem um tipo de atração forte. Ele é doce, educado, engraçado, inteligente e lindo! Por favor! Ele é a perfeição em pessoa!
Parece que a merda do meu coração escolhe os piores seres para eu amar, tipo o Bieber.
– Como assim? – Josh se sentou na minha cama e segurou minha mão gelada.
– Eu desmaiei um dia desses e me levaram para o hospital... Mas caralho! Foi um simples desmaio... – revirei os olhos.
– E...? – disse Claire indicando para que continuasse.
– E desde então não me deixaram mais sair! E eu estou vivendo a base de calmantes ou sei lá o que que me faz dormir o tempo inteiro! Nem sei há quanto tempo estou aqui nessa droga de hospital... Já perdi a noção do tempo também!
– Ér...Lisa... – Josh se ‘engasgou’ com as palavras.
– Hum? – virei meu olhar para ele.
– Você sabe que não está em um hospital, certo?
Ri irônica.
– Ahn? Como não?
– Lisa... – Claire se aproximou. — Você estava em um hospital. Algumas semanas atrás. Então te transferiram para cá...
Comecei a suar frio e a olhar de um lado para o outro. Como assim? Não pode ser! Ou este quarto é exatamente igual ao do hospital ou eu estou enlouquecendo... A não ser... O quadro.
É, que idiota, aquele pequeno quadro das andorinhas em que admirei durante a conversa com o doutor, não estava pendurado na parede. E ela não é branca. É verde. Como não percebi que a parede é verde?!
– Que lugar é esse?
Josh entrelaçou nossas mãos.
– Lisa, isso aqui é... É uma...
– Clínica de reabilitação! – Claire completou.
– O que? – gritei. – Eu não... Não pode ser... Não... Eu não sou drogada ou alcoólatra!
– Lisa... – acariciou minha mão. – Esse tipo de clínica não é só para isto...
Virei meu rosto para ele e sinto que ele percebeu o meu medo porque logo sua expressão se tornou em uma de pura compaixão.
Continuei sem entender e ele em um movimento ágil e delicado, girou nossas mãos entrelaçadas, deixando meu pulso para cima. Olhei para eles com completo desgosto e olhei de volta para ele. Não consegui conter as lágrimas. Sinto que quanto mais eu chorava, mais ele ficava com dó e isso não. A última coisa que quero é que sintam dó de mim. Soltei nossas mãos e enxuguei meu rosto, numa tentativa frustrada de secá-lo de todas as lágrimas, o que não dava já que cada vez mais delas escorriam pelo meu rosto.
– Eu vou pegar um chá para você... – Claire saiu sem nem olhar para trás.
Vi que ele continuava a me olhar e a acariciar a minha perna tentando me acalmar. Sem sucesso. Eu me odeio! Odeio essa vida! Porque estão fazendo isto? Primeiro aquele doutor disse que tinham me engordado já que tinha perdido meus “quilos saudáveis”, depois eles me mantem desacordada por meio de soníferos e agora eu fui transferida para um rehab como uma doente ou dependente? Quem eles pensam que são para controlar a minha vida? Quero dizer, eles não né. Ela. Só pode ser ela, a minha detestável responsável ou como eu odeio ter que chamar... “mãe”.
– Lisa... – se aproximou de mim.
Eu precisava de um ombro amigo ou um colo. Me remexi na cama e ajeitei-me em seu peito. Ele me envolveu em seus braços fortes e apoiou o queixo sobre minha cabeça. Eu poderia ficar assim para sempre e eu até aguentaria ficar nessa prisão, se eu tivesse o Josh ali e o seu “colo” comigo.
Passado um tempo, me soltei de seus braços e percebi que tinha encharcado sua blusa e sua jaqueta.
– Desculpa... – sussurrei. – Não queria te molhar ou... – passei a mão em sua blusa para secá-la.
Segurou minha mão e impediu que eu continuasse.
– Ei! Pode encharcar minha blusa... Eu sei que você paga uma nova depois... – sorriu.
Soltei um riso anasalado.
- Promete que vem me ver?
Ele só sorriu e assentiu.
- Sempre?
- Sempre! — firmou nossas mãos e eu o abracei mais forte.
~ JUSTIN POV ON.
Joguei meu corpo ou o trapo que restou dele no sofá da recepção. As mulheres que trabalhavam aqui já tinham se acostumado. Era uma rotina, todo dia depois do almoço eu me jogava aqui para esperar alguma coisa... A Lisa talvez. Eu esperava que ela saísse daquele quarto a qualquer momento como qualquer outro paciente da clínica. Alguns são drogados ou coisas assim e geralmente não passam a tarde toda no quarto. Ou saem para andar no campo da clínica ou vão para a sala de artes que montaram aqui...
Em uma das mil conversas que eu tive com a faxineira, ela disse que pintar ajudava os pacientes a ocupar a mente e se recuperar. Algo assim.
E era essa a minha rotina de depois da faculdade. Já que ninguém libera a entrada de visitas no quarto da Lisa, eu espero aqui. Todos os dias...
– Justin... As visitas estão liberadas. Quer tentar?
Era a Elizabeth. Estranho ela estar aqui... Pensei que já estava em Nova York.
– Oi?
" hey colega, se vc é daquelas que não lê notas iniciais ou finais.... bom, as minhas sempre são importantes, pelo menos hoje ela tá essencial.....e se vc lê essa fic, TEM QUE LER A NOTA INICIAL DESTE CAP! obrigada,
dreamr"
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