Lies

1 Visita inconveniente


Notas iniciais
Olá, meu amor :3 Olha eu aqui com uma nova fic, e dessa vez, trazendo SKZ como protagonistas pela primeira vez! Já coloquei eles como coadjuvantes em várias histórias, mas agora chegou a hora de brilharem no centro da trama, e eu estou muito animada para isso. Essa fic vai mostrar que começar um relacionamento baseado em mentiras nunca é uma boa ideia (o que, convenhamos, é bem óbvio, né?). Mas os personagens, com todas as suas falhas, inseguranças e medos, acabam caindo nessa armadilha, e as coisas não saem nem de longe como imaginavam. Enfim, sem mais enrolação! Espero que gostem, porque escrevi essa história com muito carinho. Amo vocês e... bora pra leitura!

Já passava das dez da manhã quando Lee Know foi arrancado do sono pelo som insistente da campainha. Com um suspiro preguiçoso, ele se levantou a contragosto, era domingo, e tudo o que queria era ficar na cama até o meio-dia. Mas, pelo jeito, seus planos estavam sendo arruinados, e ele já tinha um palpite de quem era o culpado.

Ao abrir a porta, foi recebido pelo sorriso radiante de Seo Changbin, que usava óculos escuros e uma babylook preta tão apertada que parecia prestes a rasgar a qualquer momento.

— Pegou a blusa da sua irmã de novo? — Perguntou Lee Know, sonolento.

— Idiota — Changbin deu um empurrãozinho nele e entrou no apartamento.

— Sério isso? Tá fazendo o que aqui? Eu quero dormir. Vai embora.

— Meus pais foram viajar, minha irmã está fazendo um workshop na Alemanha e o meu Minnie está na aula de fotografia. Só sobrou você e eu não quero ficar sozinho em casa.

— O problema é só seu, amigo — Lee Know ia empurrando ele para fora do apartamento, então Changbin fez sua última tentativa.

— Eu peço o almoço, tudo por minha conta, o que você quiser comer.

— Isso é golpe baixo. Pessoas do seu nível só jogam assim? — Lee Know deu risada enquanto media a altura do amigo.

— Você não cansa dessa piada, né?

— Perco o amigo mas não perco a piada, pequeno Bin.

Changbin apertou os olhos com uma expressão aborrecida.

— Bom, é o que tem pra hoje — Disse Changbin se referindo ao amigo — Fazer o que né. Pelo menos tem cerveja aqui?

— Cerveja? Bin, não são nem onze da manhã!

— Não é pra agora, é pra de tardezinha.

— Peraí, você pretende ficar aqui o dia todo?

— Claro, já falei que não quero ficar em casa sozinho.

— Mas eu quero.

— Ah, pelo amor de Deus, você vai fazer o que o dia todo além de filmar seus gatos “amassando pãozinho”?

— Agora você entrou em um tópico sensível. Não fale dos meus filhos.

— Lino, eles são gatos.

— Não, eles são meus nenéns — Lee Know pegou o gatinho alaranjado no colo, fez bico e começou a falar com uma voz fininha — Soonie não liga pra ele, o cérebro dele só tem WheyProtein e Creatina.

Changbin lançou um olhar para o gato vestido com roupinhas infantis no colo de Lee Know e suspirou, balançando a cabeça em desaprovação.

— Tá, vai tomar um banho e lavar essa cara, seus olhos tão cheios de remela. Vou preparar alguma coisa pra comer. Ou você só tem Whiskas aqui?

— Muito engraçado vindo de alguém que só come Batata Doce.

Lee Know encheu os potinhos de ração, garantindo que cada um estivesse no lugar certo, com o nome do respectivo dono gravado na tigela. Depois, trocou a água e passou mais alguns minutos conversando com seus “filhos” felinos, como sempre fazia. Só então foi tomar banho, já que seus planos de dormir até tarde haviam sido completamente arruinados.

O resto do dia passou entre partidas de videogame, conversas aleatórias, maratonas de séries e muita comida nada saudável. Lee Know jamais admitiria em voz alta, mas gostava da companhia de Changbin em sua casa.

Quando o sol começou a se pôr, a campainha tocou novamente. Antes mesmo que Lee Know pudesse reagir, Changbin saltou do sofá, empolgado, já se preparando para ir embora.

— Eita, pra que esse fogo todo? Quem é que tá chamando?

— Minnie. A gente vai ao cinema, tem um filme muito bom passando. Quer ir com a gente?

— E segurar vela pro casal? Nem fodendo.

— Seungmin e eu somos só amigos.

— Amigos é?

— É. Você sabe muito bem que estou conhecendo uma garota e ela é especial pra mim. Deixe de besteira e pare de shippar a gente.

— Sei… aquela garota que você fica horas batendo papo com ela no celular e nunca sequer a viu pessoalmente. Estranho isso. Maaaas voltando ao que interessa, eu não levantei pra te atender nessa animação toda que nem você pra atender ele. Por mim até deixaria você plantado na porta morrendo de chamar.

— Lino, você tem o coração mais peludo que seus três gatos juntos. E eu to indo, tchau, até amanhã.

Lee Know deu de ombros, pegou sua coberta, seus gatos e sentou no sofá pra assistir.

…

Na manhã seguinte, no campus da universidade, Lee Know se espreguiçou preguiçosamente enquanto esperava Changbin voltar com seu cappuccino. Seu olhar vagou até Seungmin, que parecia exausto, quase afundando na própria cadeira. Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios, Lee Know nunca perdia a oportunidade de provocar os amigos.

— Hum, o que vocês fizeram até tarde? Parece que você nem dormiu. Safados.

— Antes fosse o que você está pensando — Seungmin massageou os próprios braços doloridos — Bin dormiu em casa porque não queria ficar sozinho, ele passou a noite toda conversando, estava elétrico, você não devia ter dado açúcar pra ele. E ainda por cima fui obrigado a fazer séries pra treinar o bíceps, pois segundo ele eu to muito fraquinho.

Lee Know deu risada.

— Tão rindo do que? — Changbin chegou com uma bandeja com três xícaras e algumas bolachinhas.

— O assunto chegou — Lee Know pegou uma xícara.

Seungmin lançou um olhar rápido para Changbin. Inevitavelmente, seus olhos deslizaram para os braços bem definidos que seguravam a bandeja com facilidade. Ele suspirou discretamente, tentando ignorar o calor repentino em seu rosto, e desviou o olhar antes que alguém notasse.

— Eu sei que me amam, pois não me tiram da boca de vocês — Changbin percebeu tarde demais o que tinha acabado de dizer. Um perfeito combustível para o malicioso Lee Know — Não, espera… isso soou estranho.

— Porra Bin, adorei essa ideia de não tirar você da boca. Que tal irmos ali no banheiro, você, Min e eu? — Lee Know passou a mão na coxa de Changbin — Tenho um fraco por garotos com músculos definidos.

Changbin tirou a mão maliciosa de Lee Know de sua coxa, olhou feio para ele e depois olhou choroso para Seungmin.

— Minnie, olha ele! Você não vai me proteger?

— Não me meta nisso que nem de trisal eu gosto — Disse Seungmin dando um gole em seu café.

— Então bora só você e eu, Min. Quem precisa de trisal? A gente exclui o Bin — Lee Know mandou um beijinho para Seungmin.

— Pelo amor de Deus, Lino. Tô fora, você não faz meu tipo. Você só vê bundas e eu sou um cara romântico.

— Eu posso ser romanticamente apaixonado pela sua bunda.

— E como minha bunda virou assunto?

— Sua bunda sempre é um tópico palpável, digo, pautavel para se discutir.

— Deus amado, como eu fui arrumar amigos assim? — Seungmin balançou a cabeça negativamente.

— Cada um tem o amigo que merece — Lee know deu de ombros.

…

No fim da tarde, os três amigos estavam no vestiário, terminando de se arrumar após uma exaustiva partida de basquete contra a atlética de seus cursos. Seungmin, como sempre, era o último a sair do banho, ignorando as reclamações impacientes de Lee Know, que já ameaçava invadir o box para beijá-lo.

Enquanto isso, Changbin, entediado, encarava o nada. Seu celular estava descarregado, o que significava que não podia atualizar suas redes sociais nem postar sua mais recente selfie no espelho, ostentando as veias saltadas de seu antebraço, um detalhe que, para ele, merecia ser devidamente apreciado.

— Ei, Lino… que tal fazermos uma aposta?

— Uma aposta? Que tipo de aposta? — Lee Know se sentou no banco ao lado do amigo, interessado no assunto — Não vou fazer mil flexões e nem carregar pneu de trator nas costas. Tô exausto e com preguiça.

— Não é nada disso, idiota.

— O que é, então?

— Você deve conseguir um encontro com a primeira pessoa que entrar nesse banheiro. E aí? Topa ou vai amarelar?

Lee Know revirou os olhos, achando aquilo uma completa idiotice. No entanto, bastou Changbin começar a imitá-lo como uma galinha — com direito a asas batendo e cacarejos exagerados — para que ele cedesse.

— Você sabe que sou cobiçado na universidade, não sabe? — Lee Know arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços. — Só não fico com ninguém porque realmente não tenho interesse. Está mesmo disposto a perder uma aposta tão fácil?

— Quanta confiança. Então vamos ver quem vai entrar.

Eles olharam para a porta do vestiário com expectativa, quase prendendo a respiração. Alguns minutos depois, a primeira pessoa a entrar fez Lee Know se arrepender instantaneamente da aposta. Seu rosto murchou, e ele lançou um olhar desanimado para Changbin, que lutava para conter o riso.

Quem entrou foi Han Jisung, o monitor dos alunos, o garoto mais perfeitinho do campus. Tão impecável que até seu cabelo parecia milimetricamente alinhado. E, o pior de tudo, Han detestava Lee Know. O achava desleixado, irresponsável e incapaz de levar qualquer coisa a sério. Sempre se esbarravam pelos corredores, e quando foram obrigados a fazer um projeto juntos, foi um verdadeiro desastre. Discussões, reviradas de olhos e uma guerra fria que até os professores perceberam.

Changbin mordeu o lábio para não cair na gargalhada. Entre todas as pessoas da universidade, justo a única que não suportava Lee Know tinha que ser a primeira a entrar no banheiro. Era o tipo de coincidência que fazia qualquer um acreditar no destino.

Enquanto isso, Lee Know nem percebeu que estava completamente paralisado, encarando Jisung como se o universo tivesse acabado de lhe pregar a pior peça possível.

— Eu to cagado, Sr. Lee Minho? — Perguntou Jisung, encarando Lee Know com um olhar mortal.

— Hã?

— Eu to cagado?

— Não — Lee Know respondeu um pouco confuso.

— Ah, você não para de olhar pra minha cara.

— Hã?

— Você não para de olhar pra minha cara, eu achei que eu tava cagado. Mas não to não né?

Lee Know apenas balançou a cabeça em negação, intimidado, e desviou o olhar, decidido a fingir que Jisung nem existia. Melhor assim. Quanto menos contato, menor a chance de sua vida virar um inferno por causa daquela aposta idiota.

Jisung revirou os olhos, como se já estivesse acostumado a ignorar a presença de Lee Know. Sem dizer uma palavra, usou o mictório, lavou as mãos e saiu do banheiro com a expressão de puro desdém. O jeito que ergueu o nariz e caminhou, impecável e cheio de confiança, fazia parecer que desfilava divamente em cima de um salto alto invisível.

— Binnie, pelo amor de Deus, vamos cancelar essa aposta — Lee Know implorou choroso com as mãos juntas como se fizesse uma oração.

— Cancelar? — Changbin deu risada — Não senhor. Isso vai ser muito interessante. Melhor do que eu esperava!

— Ele me odeia e é recíproco. Como eu vou conseguir algo com ele?

— Não sei. Essa é a Question. Dê seus pulos, coelhinho.

Notas finais
A merda que isso vai dar... ಠ_ಠ