Lies
19 Uma declaração de amor adorável

Com um longo suspiro, Han segurou com firmeza a cesta de frutas em suas mãos. Seu coração estava apertado, a inquietação crescendo a cada passo. Ele sabia que Lee Know não queria visitas. Mas como poderia respeitar esse pedido, quando tudo dentro dele gritava para ir até lá e cuidar dele?
Han não conseguia ficar parado, esperando que Lee Know simplesmente superasse sozinho seja lá o que estivesse acontecendo.
Se ao menos pudesse vê-lo, garantir que estava bem. Prometeu a si mesmo que não seria um incômodo. Só queria estar ali, como Lee Know sempre esteve para ele.
Antes de entrar, Han conferiu sua aparência no reflexo do vidro do prédio, ajeitou os cabelos, limpou a garganta e então apertou o interfone.
Suas mãos suavam, seu coração acelerado, como sempre acontecia quando ia ver Lee Know. Se perguntava se esse sintoma de paixão algum dia passaria.
Ao ouvir a resposta do porteiro, sentiu um pequeno alívio. Ao menos, Lee Know permitiu que ele subisse.
Entrou no elevador e apertou o botão do andar correto, tentando organizar os pensamentos.
"O que eu vou dizer?"
Elaborava milhões de frases na cabeça, mas toda vez que tentava ensaiar mentalmente, esquecia de todas. O nervosismo o impedia de pensar com clareza. Estar com Lee Know sempre o deixava fora de si.
Han aguardou na porta, seu coração batendo mais forte a cada segundo. Depois de apertar a campainha, ele prendeu a respiração. Quando a porta finalmente se abriu, ele ficou estático. Ali, bem na sua frente, estava Lee Know, mas não o Lee Know de sempre.
Seu rosto carregava uma melancolia pesada, os olhos fundos revelando o cansaço e a turbulência emocional que ele tentava esconder.
Han não pensou em mais nada. Apenas agiu. Deixou a cesta de frutas no chão e, sem dizer uma única palavra, o abraçou. Como se pudesse segurá-lo ali, evitar que ele se afundasse ainda mais no que quer que estivesse sentindo. Não se importava se Lee Know tentasse afastá-lo. Não se importava se ele recusasse seu carinho. Han não iria soltar.
Lee Know tentou se afastar, empurrando-o levemente.
— O que faz aqui, Han? — Sua voz saiu baixa e fria, algo incomum para ele.
Han sentiu um nó na garganta. Lee Know nunca o tratou assim. Ele sempre foi carinhoso, acolhedor, e até mesmo provocante. Mas agora, havia um vazio em suas palavras. Algo que Han não conseguia entender.
Ainda segurando-o, Han olhou em seus olhos, buscando alguma pista, alguma resposta.
— Eu só… vim te ver. — Ele apertou os lábios, tentando conter o aperto no peito — Estou preocupado com você.
Para Han, doía ver o homem que amava tão distante, tão frio, como se estivesse se forçando a se afastar. E Han não sabia como alcançá-lo.
— Estou bem. — Lee Know respondeu, sem emoção na voz. — E pedi pra você não vir.
Ele virou as costas, indo até a geladeira e pegando uma latinha de cerveja sem ao menos olhar para Han.
Han permaneceu na porta, observando tudo ao redor. A casa estava uma bagunça. A pia cheia de louça suja, o chão com roupas jogadas, as janelas e cortinas completamente fechadas, deixando o ambiente mal iluminado, abafado. O ar carregava um cheiro forte de comida estragada e cerveja quente.
Aquele não era o Lee Know que ele conhecia. Não era o Lee Know que o fazia sorrir, que o provocava, que o segurava com firmeza nos braços. Era um homem afundado em algo que ele não conseguia ver.
Han não podia ignorar aquilo.
— Você definitivamente não está bem.
— Olha, Han — Lee Know se virou para ele, seu tom de voz grave assustava um pouco, ele nunca falou assim, sempre usava uma voz doce e suave — Você quer saber mesmo? Eu não estou bem, ok? Não estou nada bem. Eu quero ficar sozinho, não estou no meu melhor momento. Será que dá pra você me deixar em paz? Volte quando eu estiver bem humorado novamente, não quero que você me veja assim.
A tristeza que Han sentia foi substituída por um sentimento avassalador de raiva e indignação. Seu olhar se estreitou, a mandíbula travou, e seus dentes rangiam com força. Ele não podia acreditar no que estava vendo.
Lee Know, seu namorado, estava se afundando na própria dor, se afastando dele, e ainda tinha a audácia de fingir que estava tudo bem. Ele realmente achava que Han só queria estar ao seu lado nos momentos bons.
A raiva explodiu dentro de Han.
Sem pensar duas vezes, abriu a palma da mão e deu um tapa forte no rosto de Lee Know. O som ecoou pelo cômodo, cortando o silêncio sufocante como uma lâmina. Lee Know se virou abruptamente, a mão instintivamente indo até a bochecha dolorida. Seus olhos estavam arregalados, confusos, como se tivesse acabado de despertar de um transe. Ele piscou algumas vezes, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.
Han nunca foi agressivo. Nunca perdia a paciência. Mas o Han que estava parado diante dele agora, estava fervendo de raiva. Seus punhos cerrados, seu peito subindo e descendo rapidamente, seus olhos queimando de mágoa, frustração e dor.
— Hannie…
— HANNIE É O CARALHO, SEU BABACA! — Han gritou, com raiva — EU TE AMO PRA CARALHO. QUE PORRA. VOCÊ É MEU TUDO, MEU MUNDO. EU NÃO CONSIGO FICAR BEM SEM VOCÊ, SEU DESGRAÇADO. Você tá mesmo achando que eu quero ficar com você só nos momentos bons? Acha que eu sou tão fútil assim? Duvida tanto assim do meu amor por você? Que parte do EU TE AMO, EU TE ADORO você não entendeu Lee Minho… TA DIFICIL ENTENDER ESSA PORRA? TÁ DIFÍCIL VER QUE VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM? QUE EU SOU LOUCO POR VOCÊ? Que eu tô desesperadamente apaixonado e viciado em você? — Han começou a chorar — Tá difícil ver que eu me importo com você? Que merda, Lee Minho. Voce é um grande idiota do caralho. Eu te amo tanto que quero ficar com você sempre, mesmo quando não estiver bem… INFERNO — Ele tentava controlar seus soluços ao mesmo tempo que limpava suas lágrimas.
— Uau… — Lee Know o olhava, perplexo — Nunca tive uma declaração de amor tão… fofa assim.
— Seu idiota — Han deu um soquinho em seu braço — Isso não foi uma declaração de amor. Eu to com raiva, eu to te odiando, apesar de eu te amar pra caralho. Eu quero socar a sua cara, apesar de estar louco pra te beijar.
— Então… me beija — Lee Know abriu os braços e Han correu para abraçá-lo — Hannie, me perdoe por eu ter sido um escroto com você. Eu sou um idiota mesmo — Lee Know mergulhou os dedos nos fios macios dos cabelos de Han e acaciou sua cabeça.
— Me desculpe também por ter gritado com você e te xingado… aliás, não me desculpe não. Eu não retiro o que disse, você é um idiota mesmo. Eu fico magoado quando você acha que eu só to aqui pros momentos bons. Que droga, eu já falei que te amo.
— Eu sei disso, amor… prometo não te afastar mais — Lee Know olhou nos olhos de Han — Hannie, eu preciso conversar com você, preciso te contar algo que vai ser desagradável.
— Você me traiu? — Han fechou o cenho.
— Não, claro que não, jamais.
— Amor, deixa isso pra depois, a gente passou por tanta coisa hoje. Eu só quero curtir um bom momento com você.
— Mas é importante, amor…
Han tocou os lábios de Lee Know com o indicador, silenciando qualquer palavra antes que pudesse ser dita.
Então, aproximou-se lentamente e selou seus lábios em um beijo suave, delicado, como se quisesse transmitir todo o carinho que sentia por ele. Aos poucos, o beijo ganhou mais intensidade, suas respirações se misturando, o calor entre eles crescendo no ritmo de seus corpos se aproximando.
Antes de se afastar, Han deixou uma leve mordida no lábio inferior de Lee Know, um sorriso malicioso brincando em seus lábios. Seu olhar, porém, estava carregado de ternura.
— Amor… eu quero curtir você um pouco. — Sua voz saiu baixa, envolvente.
Ele deslizou os dedos pelo rosto de Lee Know, admirando cada detalhe.
— A gente podia beber algo, dar uns beijos… o que acha?
Lee Know sorriu imediatamente, os olhos brilhando.
— É uma ótima ideia. — Ele segurou a cintura de Han e o puxou para mais perto. — Tô morrendo de saudades de você, meu Hannie.
Han sorriu, um sorriso pequeno, mas repleto de amor.
— Então, vem cá… — murmurou, segurando o rosto de Lee Know antes de mergulhar em mais um beijo.
…
Lee Know pegou o celular eencomendou algumas garrafas de vinho. Enquanto aguardavam a entrega, ele e Han se ocuparam em deixar a casa mais habitável. Lavaram a louça, recolheram roupas jogadas e abriram as janelas para deixar o ambiente arejado. A brisa fresca da noite entrou suavemente, levando embora o ar pesado que havia se acumulado ali.
Depois de tudo, Lee Know foi para a cozinha preparar alguns petiscos saborosos para acompanhar a bebida. Quando o vinho finalmente chegou, ele serviu as taças, sentindo o aroma adocicado da bebida. Com um sorriso satisfeito, pegou ambas as taças e caminhou até a sala, onde Han o aguardava no sofá.
Seus olhos brilhavam e seu sorriso era tão grande e sincero que Lee Know sentiu o peito aquecer. Por um momento, esqueceu todos os pensamentos ruins. Ali, naquela sala, sob a luz suave, com Han esperando por ele, sentiu que tudo ficaria bem.
— Pro meu namorado perfeito que sabe como fazer declarações de amor fofa — Lee Know ergueu a taça para brindar.
— Pro meu namorado perfeito que sabe como me tirar do sério, tanto me deixando com raiva quanto me deixando… louco e apaixonado — Han brindou e o tilintar das taças fez um barulho suave.
Quanto mais bebiam mais a conversa ficava intima, as risadas entre os beijos, os toques involuntários, as carícias procurando sentir a pele um do outro, ambos querendo mais e mais contato físico como se seus corpos pedissem por isso naturalmente.
O ambiente estava perfeito, as luzes baixas, uma música suave tocando ao fundo e o aroma sutil do vinho.
Sentados no tapete da sala, entre almofadas espalhadas, eles estavam completamente à vontade.
A bebida já fazia efeito, deixando ambos inebriados, os toques mais demorados, os olhares mais intensos.
Mas Han, apesar de também estar embriagado, estava mais sóbrio que Lee Know. Naquele momento, Han sabia exatamente o que queria.
Ele se moveu lentamente, subindo para o colo de Lee Know, de frente para ele, os joelhos afundando no tapete enquanto suas mãos encontravam apoio nos ombros fortes do namorado.
Lee Know sorriu bobo, encantado com a beleza de Han tão perto, tão entregue, tão quente sobre ele. Mas o que realmente o prendeu foi o olhar de Han. Sério. Intenso. Determinado.
O tempo pareceu desacelerar quando Han deslizou a mão entre seus corpos. Lee Know mordeu os lábios, sentindo o coração acelerar antes mesmo do primeiro toque.
E então, Han abriu o zíper da calça dele, devagar, torturantemente devagar. Quando seus dedos finalmente encontraram o que procuravam, um suspiro trêmulo escapou dos lábios de Lee Know.
— H-Han… — Sua voz falhou, os olhos semicerrados pelo prazer repentino.
Han não disse nada, apenas sorriu, satisfeito, enquanto começava a mover a mão, provocando um arrepio que percorreu cada fibra do corpo de Lee Know. E quando ele gemeu ofegante, perdido na sensação do toque, Han se inclinou mais perto, a respiração quente contra sua pele, e sussurrou contra seus lábios:
— Shhh… apenas aproveite, amor. Você… tá gostando? — Han sussurrou no seu ouvido. O corpo de Lee Know tremeu de prazer, seu coração pulsando forte contra o peito. A mão de Han deslizou sobre ele com precisão, cada movimento arrancando suspiros roucos e gemidos baixos.
— Hannie… isso é… perfeito… — murmurou, a voz embriagada pelo desejo, as palavras embaralhadas pelo efeito do álcool e do momento. Ele sorriu entre arfares, sua mente flutuando de prazer — Nunca imaginei que estaria assim com você… — confessou, sua mão deslizando até a nuca de Han, sentindo os fios macios entre os dedos.
E então, sem perceber o peso do que dizia, deixou escapar:
— E pensar que tudo isso começou com uma aposta…
Foi como um choque. Han congelou no mesmo instante. Os movimentos pararam. O calor que preenchia o ambiente se dissipou em segundos. Seus olhos se arregalaram, como se seu cérebro estivesse tentando processar aquela palavra.
Aposta.
O estômago de Han afundou, um frio cortante percorrendo sua espinha. Era como se, de repente, toda a embriaguez tivesse evaporado, e a realidade o atingisse como um soco.
Ele se afastou abruptamente, levantando-se como se tivesse acabado de levar um golpe. O olhar que lançou para Lee Know não era mais apaixonado, nem sedento, nem entregue. Era ferido, cheio de desconfiança.
— Aposta? — Han repetiu.
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