Lies

8 Procurando o Faxineiro



Han massageava os tornozelos de Jeongin com movimentos firmes e precisos, sentindo os músculos tensos sob seus dedos. O garoto, completamente exausto após seu primeiro dia de trabalho, estava esparramado no sofá, com as pernas apoiadas no colo do amigo.

— Eu vou morrer — Jeongin resmungou, jogando o braço sobre os olhos dramaticamente. — Nunca mais vou conseguir andar. Acabou pra mim.

Han revirou os olhos, mas continuou a massagem, segurando um sorriso.

— Para de drama. Você só trabalhou um dia.

— Um dia que valeu por um ano inteiro!

Han soltou um suspiro divertido, aumentando um pouco a pressão dos dedos.

— Quer que eu pare?

Jeongin tirou o braço dos olhos e olhou para ele com uma expressão ofendida.

— Nem pense nisso.

— Pelo jeito o primeiro dia foi uma loucura — Han fez movimentos circulares com cuidado. Os pés do amigo pareciam um pouco inchados.

— Eu fiquei o dia todo andando de um lado pro outro. Aquele prédio é enorme e eu ainda me perco. Minha sorte é que meu chefe é super compreensivo e paciente. Apesar da aparência angelical dele, à primeira vista ele parece ser frio e chato, parece que vai te dar uma bronca a qualquer momento, mas é só uma impressão errada. Felix é uma pessoa incrível, é como se ele fosse o sol que ilumina o ambiente.

— Nunca vi ninguém elogiando um chefe como você elogia ele — Han deu risada.

— Felix Hyung é o melhor chefe do mundo.

— Fico feliz que meu Innie esteja trabalhando em um bom lugar e que está sendo muito bem tratado. Mesmo com os pezinhos inchados.

— Ossos do ofício, mas estou amando trabalhar lá. Além do Felix Hyung tem outra pessoa que gostei de conhecer.

— Outra pessoa?

— Sim. Um rapaz gentil, atencioso e simpático.

— Hum, temos um crush já?

— Não sei ainda, eu não vi ele hoje e só falei com ele uma vez.

— Pelo jeito está ansioso para vê-lo novamente — Han o provocou.

— Um pouquinho só — Jeongin sorriu mostrando as covinhas.

— Me conta sobre ele, como ele é? Pelo jeito ele é gato.

— Gato? Gato é pouco. Ele é a essência da beleza. Eu nem preciso ver todos os homens do mundo pra saber que ele é o ser mais bonito que já pisou nessa terra.

— Porra! — Han arregalou os olhos — Mais bonito que o Lee Minho? Não que eu ache ele bonito, eu não acho, ok? Mas todo mundo fala que ele é o mais bonito da universidade, então imagino que ele seja um parâmetro.

— Daí é uma batalha difícil, Lino é bonito pra caralho. Mas aos meus olhos Hyunjin ganha.

— Isso é muito paradoxal. Existe alguém mais bonito que Lee Minho? — Han sussurrou para si mesmo, sem conseguir imaginar alguém superando a beleza de Lee Know — Não que eu ache ele bonito, que fique bem claro.

— Claro que você não acha ele bonito né, só vive secando o boy.

— Ele que fica me encarando.

— E como você sabe que ele fica te encarando?

— Estávamos falando do seu crush e não do meu, quer dizer, ESPERA! Estávamos falando do seu crush e não do Lee Minho. Você me confunde.

Jeongin deu risada.

— Você que começou a falar do amor da sua vida do nada — disse Jeongin.

— Ei! Ele não é o amor da minha vida, eu nem sequer gosto dele, seu… — Han puxou Jeongin para tentar fazer cócegas como castigo pelo que ele disse, mas Jeongin era mais alto e mais ágil, então ele o prendeu com as pernas e começou um massivo ataque de cosquinha em Han.

…

Jeongin olhava de um lado para o outro, procurando por Hyunjin, mas o faxineiro gato parecia ter evaporado.

Era apenas seu segundo dia de trabalho, e ele ainda estava se adaptando ao ambiente, tentando memorizar corredores, salas e processos. Felizmente, seus colegas eram pacientes e o ajudavam sempre que necessário. Mas, naquele momento, sua cabeça estava em outro lugar — ou melhor, em outra pessoa.

No horário do almoço, já tinha perdido as esperanças de encontrar Hyunjin. Com o olhar distraído, cutucava a comida no prato, sem o mínimo de ânimo. Será que Hyunjin tinha saído da empresa? Será que nunca mais o veria?

— Posso me sentar com você?

Jeongin reconheceu a voz e um sorriso enorme brotou em seu rosto.

— Hyunjin! Eu não te vi ontem. Achei que já nem estivesse mais aqui. Senta aí.

— Achou que eu tinha sido demitido? — Hyunjin se sentou e colocou a bandeja na mesa, tinha pego o mesmo cardápio que Jeongin — Não se preocupe, eu não posso ser mandado embora.

— Não?

— Claro que não, eu sou um funcionário muito bom, por isso — Hyunjin forçou um sorriso ao notar a gafe — Ontem eu estava de folga… mas, me conte, como foi seu primeiro dia?

Jeongin se animou imediatamente e começou a contar todos os detalhes do seu primeiro dia. Falou sobre os colegas que conheceu, sobre as tarefas que aprendeu e, principalmente, sobre seu chefe, Felix.

— Ele tem uma aparência muito fofa, mas, na verdade, é bem sério e metódico — comentou, fazendo uma careta.

Hyunjin soltou uma risada, balançando a cabeça. Até ele tinha medo do Felix.

Depois do almoço, Jeongin voltou ao trabalho com determinação. Ainda era apenas seu segundo dia, mas queria aprender tudo o mais rápido possível para se sentir mais à vontade na empresa.

Enquanto isso, Hyunjin seguiu para a sala de Felix. Assim que entrou, sem a menor cerimônia, jogou-se no sofá de forma relaxada, esticando as pernas e colocando os pés na mesinha de centro.

Felix ergueu os olhos do computador e lançou um olhar severo.

— Tire os pés da minha mesa.

Hyunjin revirou os olhos, mas obedeceu, deixando escapar um longo suspiro dramático.

— Você precisa relaxar mais, Lix. Vai acabar tendo rugas antes do tempo.

Felix cruzou os braços, impassível.

— E você precisa lembrar que esse ainda é um escritório, não a sua sala de estar.

Hyunjin sorriu de canto.

— Detalhes…

— Tá fazendo o que aqui? Está no seu horário de trabalho. Vá trabalhar. Mova-se.

— Bokkie, eu tô cansado — Hyunjin choramingou.

— Hyunjin, até agora você só almoçou. Tá cansado de que?

— Esse carrinho de limpeza é pesado.

— Sério? Você escolheu isso. Vai abandonar seu projeto estranho?

— Claro que não, estou muito empenhado.

— Sei — Felix cerrou os olhos e voltou sua atenção para os slides da apresentação que estava preparando.

Ouviram duas batidas na porta, e Felix, sem nem precisar olhar, autorizou a entrada. Ele já sabia quem era.

Hyunjin, por outro lado, não sabia.

No instante em que Jeongin entrou na sala, ele congelou. O susto foi tão grande que praticamente saltou do sofá, ficando de pé num movimento brusco demais para parecer natural.

Jeongin, por sua vez, arqueou as sobrancelhas ao ver o faxineiro do prédio jogado tão confortavelmente no sofá da diretoria.

— Nossa, esse sofá está muito sujo — Hyunjin comentou, soltando uma risadinha sem graça, tentando mascarar seu nervosismo.

Felix, sem desviar os olhos do que estava fazendo, respondeu de imediato:

— Então limpe.

O sorriso de Hyunjin sumiu na hora.

— Mas… — Hyunjin ia argumentar, mas olhou para Jeongin que estava com uma expressão confusa — Vou deixar brilhando, chefe.

Hyunjin foi até seu carrinho, enquanto estudava qual material e produto usar para limpar o sofá. Jeongin voltou o foco para o próprio serviço, entregando a Felix as cópias que ele havia pedido.

— Obrigado, Sr. Yang. Agora preciso que você pegue a assinatura com o departamento de Marketing para esses documentos — Felix entregou uma pasta para ele.

— Sim, Sr. Lee. Precisa de algo mais?

Felix observou Hyunjin, que continuava parado, de boca aberta, encarando Jeongin. Algo ali não parecia certo. Sua mente analítica captou a tensão no ar, e um sorrisinho discreto surgiu em seus lábios.

“Interessante”.

— Preciso de um café — declarou calmamente.

Jeongin piscou, confuso, e seu olhar caiu sobre a xícara de café cheia, que ainda soltava uma leve fumaça, claramente recém-preparada. Mas ele tinha juízo suficiente para não questionar as vontades do chefe.

Felix pegou a xícara, levando-a até os lábios. E então fingiu um pequeno susto e derramou tudo no carpete. O líquido escuro se espalhou rapidamente pelo tecido, e Felix suspirou dramaticamente, fingindo frustração.

— Ops, como estou desastrado hoje — disse, erguendo os olhos para Hyunjin com um sorriso quase inocente.

E então, sem um pingo de hesitação, decretou:

— Sr. Hwang, limpe isso antes que manche o carpete.

Hyunjin estreitou os olhos, cruzando os braços devagar. Felix apenas sustentou o olhar, desafiador. Afinal, se Hyunjin queria brincar de ser faxineiro, ele iria brincar direito.

"Víbora, serpente, caninana" — Hyunjin xingou Felix em pensamento e forçou um sorriso.

— Sim Senhor, vou deixar impecavelmente limpo — Disse Hyunjin cerrando os dentes.

— Com licença, Senhor Lee — Disse Jeongin um pouco desconcertado com a situação, não entendeu ao certo porque seu chefe estava humilhando Hyunjin. Felix não era esse tipo de pessoa, ele parecia ser alguém bondoso e gentil — Irei providenciar o que me pediu.

Jeongin fez uma reverência e saiu.

Hyunjin se jogou novamente no sofá, relaxando.

— Lix, devo admitir, você atuou muito bem.

— Quem disse que eu atuei? — Felix o olhou, sério.

— Que?

— Anda, levante daí e vá lavar esse tapete. Você é o faxineiro, não é? Então vá. Limpe a sala.

— Você não tá falando sério, né?

— Estou comprando sua ideia. Agora volte pro seu serviço. Vamos. Cadê todo aquele seu empenho?

— Mas eu não sei como se lava um tapete — Hyunjin fez drama com sua típica voz chorosa.

— Aprenda. Pesquise. Pergunte pra alguém. Vamos, você é esperto, sei que consegue dar conta do serviço.

— Se eu não te amasse eu te empurraria pela janela — Hyunjin resmungou.

— Eu ouvi isso.

— Mas, Felix, é que...

Hyunjin abriu a boca para argumentar, mas desistiu no mesmo instante em que recebeu um olhar fuzilante de seu secretário.

E assim, passou o resto do dia esfregando a maldita mancha de café do carpete.

Seu drama? Sua carinha de choro? Seu suspiro exausto a cada cinco minutos? Nada disso comoveu Felix. Pelo contrário, parecia que quanto mais Hyunjin reclamava, mais tarefas ele ganhava.

Quando finalmente chegou o fim do expediente, ele estava moído de cansaço. Nunca tinha trabalhado daquele jeito na vida. Seus músculos doíam, suas mãos estavam vermelhas de tanto esfregar, e ele jurava que podia sentir o cheiro de café e água sanitária impregnado nele.

No vestiário, trocando de roupa, soltou um suspiro longo, sentindo o peso do dia em seus ombros. Foi então que a porta se abriu.

Jeongin entrou, e, por um momento, Hyunjin esqueceu completamente o inferno que tinha sido seu dia.

A presença daquele homem lindo fazia tudo valer a pena.

— O Sr. Felix pegou no seu pé hoje — Disse Jeongin.

— Demais, eu estou exausto. Minhas costas estão me matando.

— Vem cá, senta aqui. Sou bom com massagem, vou fazer em você. Não pense besteira, é porque tenho um amigo que vive reclamando de dor e eu acabei aprendendo a fazer massagem de tanto fazer nele e ele em mim.

Hyunjin sentou no banco do vestiário e tentou esconder o sorriso de satisfação.

— Me fala do seu amigo. Ele é da sua faculdade? — Hyunjin fechou os olhos quando sentiu as mãos de Jeongin tocarem seus ombros.

— O Han? Sim sim, nós somos do mesmo campus, mas não nos conhecemos lá, na verdade somos amigos de infância e combinamos desde novos a entrar na mesma faculdade.

— Que legal. Saudades da época da facul. Eu estudei em Harvard e…

Hyunjin parou de falar e Jeongin parou de fazer massagem.

— Harvard? Você estudou em Harvard?

— Sim eu… ganhei uma bolsa… um benfeitor pagou meus estudos — Hyunjin sorriu sem graça.

— Isso é incrível! Um dia eu quero ao menos conhecer Harvard. Você se formou em que?

— Em gestão e administração… você deve estar se perguntando porque sou faxineiro.

— Não, não tô não. É uma profissão digna como qualquer outra.

— Essa doeu — Hyunjin fez cara de dor mas depois sorriu — Eu necessitava do emprego porque moro aqui na Coreia a pouco tempo e precisava me bancar de alguma forma então aceitei o primeiro que me chamaram.

— Você morou muito tempo no exterior?

— Sim. Muitos anos… fui lá para estudar, morei de favor na casa de uns amigos e concluí meus estudos a pouco tempo. Então resolvi voltar pra cá — Em algumas partes Hyunjin dizia a verdade.

— Posso te mostrar as novidades aqui de Seul. Os lugares novos que abriu, restaurantes, parques, shoppings, lojas… tem muito lugar legal.

— Perfeito! Podemos tirar um final de semana para visitar esses lugares.

— Vou te mostrar os melhores lugares. Tem um barzinho com Soju barato e os mais saborosos pés de galinha apimentados.

Hyunjin piscou, processando aquela informação.

— Soju e pé de galinha? — repetiu, tentando não parecer horrorizado.

Ele jamais beberia algo como Soju, muito menos comeria pés de galinha. Mas então olhou para Jeongin, seu entusiasmo, o brilho nos olhos ao falar sobre o lugar, o jeito despreocupado e convidativo.

Hyunjin suspirou, apaixonado por aquele jeito simples do garoto.

Talvez sua alma refinada tivesse que se sacrificar um pouco. Porque estar com Jeongin tornava tudo mais bonito, mais interessante. E, se para conhecê-lo melhor precisasse experimentar pés de galinha, talvez não fosse o pior dos destinos.

Notas finais
Felix não pega leve com o Hyun e olha que ele é só o herdeiro da porra toda kkkkkkkk Han, eu te entendo, tbm sou cadelinha do Lino, o homi é lindo demais (✿◡‿◡)