Lies

9 God's Menu



Lee Know despertou sobressaltado, seu coração disparando ao som de tiros ecoando pela casa.

Por alguns segundos, seu cérebro ainda grogue tentou processar a situação. Mas então, percebeu que os barulhos de metralhadora vinham... da TV.

Ainda assim, a adrenalina corria em suas veias. Ele se levantou com passos silenciosos, pegando um bastão de beisebol que mantinha estrategicamente ao lado da porta. Com a arma improvisada em mãos, caminhou sorrateiramente pelo corredor, pronto para atacar qualquer invasor que ousasse entrar em sua casa.

Ao chegar à sala, preparou-se para golpear, mas foi interrompido por um grito desesperado.

— QUE PORRA, LINO?! QUER ME MATAR?!

Changbin quase caiu para trás no sofá, uma mão no peito, visivelmente abalado ao ver o amigo prestes a desferir um golpe com o bastão.

Lee Know piscou, confuso.

— CARALHO BIN! O que você tá fazendo aqui, desgraça?!

— Jogando, porra! — Changbin apontou para a TV, onde o jogo de tiro continuava rodando. — E quase sendo assassinado pelo meu próprio amigo!

Lee Know suspirou, abaixando o bastão.

— Você precisa aprender a abaixar o volume... ou avisar quando invadir minha casa.

Changbin revirou os olhos, ainda tentando recuperar o fôlego. Lee Know se jogou no sofá e pegou o outro controle.

— Já que você tá aqui enchendo o saco logo cedo, você faz o café e faz o almoço.

— Sim senhor! — Changbin bateu continência — E aí? Como foi com o Han?

Lee Know sorriu involuntariamente.

— Foi normal.

— Que sorriso idiota é esse?

— Sabia que o Han gosta de comer amendoim? Sabia que ele fica com as bochechas infladas quando come e isso deixa ele super fofinho? Sabia que ele faz um biquinho adorável quando tá dormindo? Você já reparou no olhar meigo que ele faz quando está concentrado no que você tá falando? E a pintinha na bochecha dele? Você já viu? E quando ele tá com sono, que os olhinhos ficam bem pequenininhos e…

Lee Know parou de falar quando viu a expressão confusa de Changbin.

— É sério isso? — Perguntou Changbin.

— O que?

— Você tá falando como uma pessoa apaixonada.

— Eu? Não, claro que não — Lee Know refletiu naquilo e realmente era o que parecia — É exatamente esse o objetivo, parecer que estou apaixonado, não é? Eu pareci muito convincente, não pareci?

— Que susto. Achei realmente que você tinha se apaixonado por ele.

— Hipoteticamente falando, e se eu me apaixonasse por ele? Por que você se preocupa tanto com isso? Hipoteticamente falando, claro.

Changbin cruzou os braços, lançando um olhar afiado para Lee Know.

— Deixa eu ver... porque isso é uma aposta idiota. Porque você tá mentindo pra ele. Porque você não gosta dele de verdade. — Ele suspirou, irritado. — Digamos que, hipoteticamente, o Han se apaixone por você. Como você acha que ele vai se sentir quando descobrir a verdade?

Lee Know abriu a boca para rebater, mas as palavras morreram antes de saírem.

Por um instante, sua mente o traiu. Ele se imaginou diante de Jisung, vendo aquele olhar cheio de confiança e carinho se transformar em pura decepção. Imaginou Han se afastando, virando as costas para ele, sem nunca mais querer falar com ele de novo.

Uma inquietação estranha cresceu dentro de seu peito. Mas, em vez de encará-la, ele a empurrou para longe com um revirar de olhos.

— Deixa de bobagem — disse, forçando um sorriso despreocupado. — Isso nunca vai acontecer. Você tá sendo dramático. É só uma brincadeira, e você sabe disso.

Changbin apenas estreitou os olhos, claramente não convencido.

— Sim, mas eu não achei que você fosse levar isso tão a sério.

— Eu sou assim. Levo tudo a sério.

— A mesma pessoa que dava bolo no Han pra jogar videogame? Claro.

— Enfim, precisamos fazer algo para atrair o Han.

— Precisamos? Não, você precisa, eu não.

— Tá, mas você pode me ajudar pelo menos. Preciso achar uma forma de me aproximar dele.

— Do que ele gosta?

— Não sei, ele só lê e estuda.

— Primeiro você precisa saber do que ele gosta. Ele participa de algum clube? Trabalha em algum lugar? Procura saber isso.

Lee Know ficou pensativo, precisava fazer uma extensa pesquisa sobre Han Jisung. De certa forma estava animado e curioso, queria realmente saber mais sobre ele.

…

Lee Know estava parado atrás de um poste, observando atentamente o restaurante do outro lado da rua. Sentia-se um verdadeiro stalker fazendo aquilo, mas a curiosidade falava mais alto, ele precisava descobrir onde Jisung trabalhava.

"Segundo o Min, Hannie trabalha nesse restaurante... Espero que as informações dele estejam certas. Preciso me aproximar mais pra ver melhor."

Com essa decisão tomada, Lee Know se misturou a uma multidão que atravessava a rua, garantindo que seu "disfarce" fosse eficaz.

Enquanto caminhava, em sua mente tocava a clássica trilha sonora de 007, adicionando um toque dramático à sua missão secreta.

Ao chegar à porta do restaurante, parou estrategicamente no batente, inclinando-se levemente para espiar o interior do estabelecimento. Seus olhos percorreram o ambiente até que, de repente, lá estava ele.

Han circulava pela recepção, concentrado em seu trabalho.

O reflexo foi instantâneo. Lee Know se escondeu na hora, prensando-se contra a parede como se sua vida dependesse disso.

"Ok, ok... Agora eu só preciso de um plano."

O problema era que ele não fazia ideia de qual seria.

Lee Know seguiu até a lateral do restaurante, onde um beco mal iluminado se estendia em meio ao cheiro forte de lixo e caixas empilhadas.

“Se há uma entrada para funcionários, é aqui” — pensou, satisfeito ao encontrar exatamente o que procurava, uma porta discreta, provavelmente usada apenas pelos trabalhadores do local.

Seu plano? Simples. Entrar sorrateiramente e observar Han mais de perto. Nada suspeito. Nada invasivo. Completamente normal.

Mas no momento em que sua mão tocou a maçaneta, ouviu vozes se aproximando. Seu coração disparou.

Han estava vindo, conversando com alguém.

O desespero bateu instantaneamente. Lee Know olhou para os lados, procurando um lugar para se esconder, mas o beco não lhe oferecia muitas opções. Jisung já estava girando a maçaneta, a porta estava prestes a abrir, e foi então que Lee Know tomou a única decisão possível.

Sem pensar duas vezes, se jogou dentro da caçamba de lixo.

O impacto foi imediato. Sacos de lixo se romperam sob seu peso, liberando um cheiro podre que atingiu suas narinas como um soco no estômago.

Antes que pudesse processar seu arrependimento, algo ainda pior aconteceu.

Han, completamente alheio à sua presença, despejou um balde inteiro de restos de comida estragada diretamente sobre ele.

O cheiro azedo e podre subiu tão rápido que Lee Know não conseguiu se segurar. Tossiu, engasgando, lutando contra a vontade desesperadora de vomitar.

— LI-LI-LINOO?

Jisung cambaleou para trás, os olhos arregalados, a expressão um misto de choque e nojo ao ver Lee Know emergindo do lixo, coberto de restos de comida e com um olhar que misturava humilhação e puro desespero.

— O q-que você tá fazendo aí?!

Lee Know, tentando ao máximo não respirar fundo, não conseguia pensar em nenhuma resposta convincente. Precisava ganhar tempo.

— É uma longa história… eu vou te explicar tudo, só preciso sair daqui antes que eu vomite.

Mesmo sem entender nada do que estava acontecendo, Jisung, ainda meio hesitante, segurou os braços de Lee Know e o ajudou a sair da caçamba. O outro tropeçou ao descer, ainda atordoado pelo cheiro insuportável que impregnava seu corpo.

Quando finalmente se colocou de pé, abriu a boca para tentar se explicar — ou pelo menos inventar uma desculpa decente — mas Han ergueu a mão no mesmo instante, interrompendo qualquer tentativa.

— Espera! — Han fez uma careta exagerada e se afastou um passo. — Eu não tô aguentando seu cheiro.

Lee Know piscou, ofendido.

— Ei!

— Sem discussão! — Han o cortou de novo. — Vem, eu tenho uma toalha e uma roupa reserva. Primeiro, você toma um banho. Depois, a gente conversa.

Lee Know cruzou os braços, fingindo indignação, mas a verdade era que não ia recusar essa oferta. Seu nariz já não conseguia mais suportar o próprio odor.

— ... Tá bom. — Resmungou, derrotado.

Han apenas balançou a cabeça, ainda incrédulo, e começou a guiá-lo para dentro do restaurante.

Um senhor de feição simpática surgiu no caminho dos dois, parando-os antes que pudessem seguir para o vestiário.

Han, ainda apreensivo, se apressou em explicar:

— Senhor, houve um pequeno… acidente. Eu, sem querer, derramei todo o lixo nele, e agora ele precisa desesperadamente de um banho.

O chefe arqueou uma sobrancelha, analisando Lee Know de cima a baixo, ou melhor, analisando o estado deplorável em que ele se encontrava.

— Ele é seu parente? Amigo? Namorado?

— Namorado! — Lee Know respondeu sem hesitar, antes que Han tivesse qualquer chance de intervir.

Han arregalou os olhos e virou a cabeça tão rápido que quase deu torcicolo, fuzilando Lee Know com um olhar assassino.

— O quê?! — ele praticamente chiou, mas foi ignorado pelo chefe, que abriu um largo sorriso.

— Ah, então ele é da família! — disse, satisfeito. — Sinta-se à vontade, jovem… como é seu nome?

Lee Know sorriu, limpando a garganta e se esforçando para parecer o mais apresentável possível, apesar do cheiro de lixo que exalava.

— Lee Minho, prazer em conhecê-lo, senhor. Meu Hannie fala muito bem do senhor.

Han forçou um sorriso enquanto o chefe ria, claramente adorando a interação.

“Meu Hannie?”

Ele não podia acreditar que Lee Know estava contando essa mentira descarada para o chefe dele, e o pior… de alguma forma, agora teria que consentir nisso.

Soltando um suspiro derrotado, Han apenas cruzou os braços e murmurou:

— É… pois é.

— Certo. Senhor Lee, se estiver com fome peça para seu namorado fazer a especialidade dele. Não sei se já provou, mas Han é um dos nossos melhores cozinheiros.

— Não, ainda não provei — Lee Know olhou para Han e riu com malícia. Han revirou os olhos — Quero muito provar, tenho certeza que vou amar.

— Estou indo, Han. Quando terminarem, fechem a loja. Até amanhã — O homem pegou o casaco e foi embora.

— Agora somos só nós dois — Disse Lee Know se aproximando de Han.

— Credo, que nojo! Você tá fedendo a vômito e esgoto — Han o afastou.

— É, esse detalhe acaba com a minha arte de sedução.

— Sério, vai tomar um banho. — Han suspirou, revirando os olhos antes de ir até seu armário. Pegou uma toalha, uma calça e um moletom branco, entregando tudo para Lee Know. — Eu usei uma vez, mas estão limpas.

Lee Know sorriu ao pegar as roupas, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Han o empurrou em direção ao banheiro e fechou a porta sem cerimônia.

Finalmente sozinho, Lee Know respirou fundo. O banho quente foi um alívio absoluto, lavando não apenas o cheiro horrível de lixo, mas também parte do constrangimento daquele dia.

Ao terminar de se secar, pegou o moletom branco que Han lhe emprestou e sorriu ao notar a estampa de um esquilinho. Óbvio. Aquilo combinava perfeitamente com Han.

Antes de vesti-lo, levou o tecido ao nariz, inalando o cheiro suave que vinha dele. Seu coração acelerou.

“Droga”.

Ele estava começando a gostar demais daquele cheiro. Começando a gostar demais de Han Jisung. Estava ficando viciado nele.

Sacudindo a cabeça para afastar esse pensamento, vestiu-se e saiu do banheiro.

Han o esperava sentado à mesa da cozinha, braços cruzados e expressão séria.

— Agora podemos conversar. — Ele inclinou a cabeça, estreitando os olhos. — Me diga, Lee Minho… por que você estava me espionando?

Notas finais
Eita Lino, qual mentira vai inventar agora? ------------ Momento surto na vida real: GENTEEEEE O QUE FOI ESSE BEIJINHO QUE O HAN DEU NO CANGOTE DO LINO???? Surtei horrores kkkkk mano, os batimentos cardíacos do Lino foi de 80bpm pra 100bpm com esse beijinho.... SOCORRO BRASIL!!!! MinSung alimentando a gente :3