Lies
13 Procurando Nemo

Jeongin acordou com a cabeça latejando, um peso desagradável pressionando suas têmporas. Mal conseguia abrir os olhos direito, ainda imerso na ressaca da noite anterior.
Com a visão turva, tateou a cama ao lado e sentiu um vazio. Seu coração apertou.
Embora tivesse bebido muito, lembrava-se perfeitamente de cada detalhe do que tinha feito com Hyunjin. Lembrava-se do toque quente, dos beijos intensos, dos sussurros entre os lençóis. Sem dúvida nenhuma, tinha sido a melhor noite da sua vida.
Mas agora… estava sozinho.
— Hyun? — chamou baixinho, a voz rouca pela manhã, na esperança de que Hyunjin ainda estivesse por perto.
Segundos depois, a porta se abriu.
— Innie, — Hyunjin sorriu ao vê-lo acordado. Segurava uma xícara de café na mão. — Você acordou? Eu estava preparando o café.
Jeongin piscou algumas vezes, aliviado, mas sem querer demonstrar muito.
— Achei que tivesse ido embora.
Hyunjin se aproximou da cama, inclinando-se levemente.
— Por que eu iria? — sua voz era suave, mas firme. — Quero ficar mais com você.
Jeongin sentiu o coração disparar com aquelas palavras, um calor diferente crescendo dentro de si.
— Então fica. — Ele sorriu, puxando Hyunjin para mais perto.
Hyunjin riu baixinho, se acomodando ao lado dele.
— Achei que você nunca fosse pedir. Antes de tomar café você precisa de um banho. Seu cabelo está duro e eu nem preciso falar o porquê.
— Meu Deus, ontem você…
— Você que pediu. Seus gostos são um pouco peculiares.
Jeongin deu risada.
— E você fez todos os meus gostos, por mais estranhos que fossem. Gosto assim, obediente.
— Nunca imaginei que o doce Innie fosse tão… dominador.
— Gosto de me sentir no comando, ainda mais tendo um homem tão gostoso e gato aos meus pés.
— Eu fui rendido sem chance nenhuma de reação… a verdade é que você parecia inofensivo mas me dominou completamente.
— Não é bem assim, eu sou um neném, ok? — Jeongin se aninhou no colo de Hyunjin.
— Quando não está excitado sim.
— Bobo… mas de qualquer forma a noite foi gostosa.
— Podemos repetir mais vezes. Mas… mudando de assunto… é… você quer sair comigo no próximo fim de semana?
— Pra transar? Sim.
— Nossa, não é só isso que quero com você. Eu estava pensando na gente fazer algo legal, tipo… um cineminha.
— Que coisa de namorados — Jeongin deu risada.
— E se for? Isso seria ruim? Tipo, a gente namorar?
— Seria né. A gente se conhece a pouco tempo, mas… podemos ir nos conhecendo e se rolar… quem sabe pode surgir um namoro.
Hyunjin suspirou, era a primeira vez na vida que levava um fora, suave, mas um fora.
— Tem razão. Não pense que vou desistir, quero conhecer cada detalhe sobre você.
— Teremos muito tempo pra isso, mas primeiro preciso tomar um banho, to com o cabelo cheio de porra.
— Meu deus, isso não foi nada romântico — Hyunjin deu risada.
— Estou pegando leve pra não te assustar, com meu amigo eu falo baixaria muito pior. Com você, eu faço.
Um sorriso malicioso tomou os lábios de Hyunjin.
— É bom conhecer esse seu lado.
— Vai conhecer todos — Jeongin se levantou enrolado na coberta, deu um beijo na testa de Hyunjin e foi pro banheiro tomar seu tão precioso banho.
…..
Lee Know chegou meia hora mais cedo à casa de Han, incapaz de esperar a hora do tão aguardado encontro. Respirou fundo, tentando manter a compostura, mas a verdade era que seu coração martelava no peito com pura expectativa. Antes de tocar a campainha, fez uma rápida checagem.
“Peito estufado? Confere. Obrigado, Changbin, pelas dicas de postura de macho alfa e pela série que deu um bump no meu peitoral.”
“Figurino bem escolhido? Perfeito.”
“Perfume suave, mas marcante? Aplicado estrategicamente.”
“Cabelo hidratado por horas? Confere.”
“Sorriso? Enorme e convincente. Tudo impecável. Han não vai resistir a mim.”
Com tudo pronto, tocou a campainha e esperou. Segundos depois, a porta se abriu, e Han deu o ar da graça.
O olhar de Lee Know imediatamente percorreu o rosto dele, capturando cada detalhe, os cabelos perfeitamente arrumados, a roupa casual, mas pensada, e aquele brilho discreto nos olhos, que ele tentava esconder.
— Ah, é você. — Han disse, com a maior indiferença que conseguiu forçar.
Mas Lee Know não era burro. Han já estava pronto muito antes do horário combinado. E isso dizia tudo. Sorrindo ainda mais, Lee Know inclinou-se levemente, estudando-o de perto.
— Hm... você parece um pouquinho animado.
Han cruzou os braços, fingindo desinteresse.
— Impressão sua.
Lee Know riu baixinho.
— Então por que você já estava pronto antes de eu chegar? Levando em consideração que cheguei muito antes do horário.
Han abriu a boca para rebater, mas fechou logo em seguida.
— Você está lindo — Disse Minho com um sorriso bobo.
— Eu tô de blusa de flanela, calça, tênis e literalmente tem uns peixe pendurado em mim. É estranho mas foda-se, eu gosto, é meu jeito ninja de ser — Han deu de ombros — Ah é verdade, como você tá todo apaixonado por mim então deve me ver lindo mesmo quando eu estou feio. Coisa de gente apaixonada.
— Primeiro, você é lindo independentemente de eu estar louquinho por você e segundo… então você também me vê lindo o tempo todo?
— Que pergunta idiota. Eu não te vejo lindo, você é lindo, é bem diferente. Eu não precisaria estar apaixonado por você pra saber disso.
Lee Know arregalou os olhos e abriu um sorriso enorme.
— Você acabou de admitir que gosta de mim.
— Não viaja — Han deu um soquinho em seu braço — Você entendeu errado.
Lee Know sorriu satisfeito com a confissão indireta de Han.
— Vamos, meu Hannie? — Ele estendeu o braço para Han segurar sua mão, mas ele o ignorou.
— Vamos, meu Lino — Han deu risada enquanto trancava a porta.
— Você me chamou de seu?
— É você que gosta de mim, então tecnicamente você é meu. Você que está nas minhas mãos e não o contrário. Não sou eu que estou apaixonado por você, só gosto de você como colega.
— Nossa, não é nem como amigo, é como colega. Você é muito mau, Hannie.
— E você me ama mesmo assim — Han deu de ombros.
— Já falei que logo logo você também estará caidinho por mim, já planejei tudo.
— E você já está colocando o plano em prática? Porque eu não tô vendo. Não me sinto nem um pouquinho balançado. Seu cupido deve ter a mira ruim.
— Muito engraçado. Quero ver quando você estiver no meu colo todo dengoso querendo carinho.
Han deu uma gargalhada falsa.
— Isso nunca vai acontecer.
— Veremos.
…
A alegria de Han ao chegar no parque era contagiante. Ele caminhava à frente, os olhos brilhando, um sorriso enorme estampado no rosto enquanto observava cada detalhe ao redor.
Lee Know, por sua vez, não conseguia tirar os olhos dele. A forma como Han reagia a cada nova descoberta, apontando entusiasmado para diferentes atrações, fazia o coração de Lee Know acelerar a cada segundo.
O parque estava movimentado, famílias, crianças correndo, casais de namorados de mãos dadas trocando carinhos discretos. E Lee Know sentiu algo diferente. Por um momento, quase se permitiu acreditar que ele e Han também eram um casal.
O pensamento veio acompanhado de uma vontade imensa de segurar a mão dele, de tornar real aquela sensação de estar vivendo um encontro de verdade. Mas Han estava tão distraído, tão imerso em seu próprio entusiasmo, que parecia nem notar a presença dele.
Lee Know sabia que precisaria se esforçar mais para conquistar aquele coração distraído. Mas, então, algo inesperado aconteceu.
Han, ainda animado e explicando sobre diferentes espécies de peixes do aquário próximo, simplesmente pegou na mão de Lee Know sem perceber. Foi um ato natural, inconsciente. Seus dedos se entrelaçaram sem qualquer hesitação.
Lee Know congelou por um segundo, o coração batendo forte. E então, um sorriso vitorioso surgiu em seus lábios. Ele andava ao lado de Han com orgulho, a postura levemente ereta. Para qualquer um que olhasse de fora, eles realmente pareciam namorados. E, naquele momento, Lee Know se permitiu aproveitar essa ilusão um pouco mais.
Han, completamente imerso no clima do parque, comprou dois chapeuzinhos enfeitados com pequenos peixinhos balançando no topo.
— Aqui! — Ele sorriu, estendendo um para Lee Know. — Agora combinamos com o ambiente!
Lee Know estreitou os olhos para o acessório colorido, claramente relutante.
— Você quer mesmo que eu use isso?
— Óbvio! — Han cruzou os braços, já pronto para discutir se fosse preciso.
Lee Know suspirou. Ele não usaria aquilo em circunstâncias normais. Mas era Han que estava pedindo. E a verdade era que Lee Know simplesmente não conseguia dizer não para aquele sorriso empolgado. Então, com um suspiro resignado, pegou o chapeuzinho e colocou na cabeça.
— Feliz agora?
Han deu um passo para trás, analisando-o com um olhar satisfeito.
— Muito.
Mais tarde, pararam para almoçar e repor as energias. Lee Know observava Han, que ainda parecia ter energia infinita, falando animadamente sobre os planos para o resto do dia. Lee Know, por outro lado, se sentia um idoso com dor no joelho.
— De onde você tira tanta energia? — resmungou, jogando-se na cadeira.
Han riu, pegando mais um pouco de macarrão.
— Você que é preguiçoso!
Lee Know balançou a cabeça, mas no fundo, nada conseguia apagar sua alegria. Ele finalmente sentia que tinha acertado em alguma coisa. Que, de alguma forma, estava conseguindo se aproximar mais de Han. E, talvez, só talvez, Han estivesse começando a gostar um pouquinho mais dele também.
De tardezinha, Han comprou um sorvete exclusivamente por causa do formato de peixe.
— Quer provar? Tá uma delícia!
— To vendo — Lee Know deu risada ao ver a meleira que Han estava fazendo. Pegou um guardanapo e limpou sua bochecha onde escorria sorvete. Han ficou paralisado — O que foi Hannie? Queria que eu limpasse com a língua, né? Bom, se quiser eu posso…
— Não, seu idiota. Tá louco?
— Só tô esperando sua permissão.
— Vai ficar esperando.
Lee Know apenas riu e balançou a cabeça, aproveitando cada momento ao lado de Han.
No final da tarde, quando o céu já começava a escurecer e a brisa fria tomava conta do parque, Lee Know percebeu que Han estava encolhido, apertando o próprio moletom para tentar se aquecer. Sem pensar duas vezes, tirou a própria jaqueta e a colocou nos ombros dele. Han olhou para ele, surpreso com o gesto.
— Você vai sentir frio. — murmurou, hesitante.
— E você já está sentindo. — Lee Know rebateu com um olhar firme.
Han, por fim, aceitou a gentileza, puxando a jaqueta.
— Obrigado. — disse baixinho.
Com um sorriso satisfeito, Lee Know o guiou até o carro.
A viagem de volta foi tranquila e confortável. Conversaram sobre coisas aleatórias, relembraram as partes mais divertidas do passeio, até que, em determinado momento, Lee Know fez uma pergunta e recebeu silêncio.
Virou o rosto apenas para encontrar Han completamente apagado no banco do passageiro. Lee Know riu baixinho. Ele era fofo até dormindo.
Por um breve segundo, sentiu vontade de parar o carro só para poder ficar olhando o jeito que Han dormia com o rosto relaxado, o pequeno biquinho que se formava em seus lábios, o ritmo tranquilo da respiração.
Mas se conteve.
Ao chegar em frente à casa de Han, estacionou o carro e ficou observando-o por mais alguns instantes. Seu coração deu um salto ao notar um detalhe novo, Han tinha um leve fio de baba escorrendo pelo canto da boca.
“Por que até isso é fofo nele?”
Quando Han despertou, piscando lentamente para se situar, percebeu o olhar de Lee Know sobre ele.
— Hmm… já chegamos? — murmurou, sonolento — E então, sentindo algo úmido no rosto, passou a mão rapidamente — Droga, babei?
Lee Know soltou uma risada genuína.
— Um pouquinho… mas não se preocupa, ficou charmoso.
Han revirou os olhos, emburrado, enquanto Lee Know apenas continuava sorrindo feito um idiota apaixonado.
— Por que não me acordou?
— Você estava dormindo belamente.
— Você é doido.
— Por você sim.
— Bobo. Eu estava babando que nem um esquilo raivoso.
— Você estava lindo. Nunca vi ninguém dormir de um jeito tão fofo.
— Isso está me dando náuseas. Muito meloso.
— E você não gosta?
O sorriso de Lee Know era tão bonito que deixava Han sem rumo, até esquecendo de formular uma frase.
— Claro que não. É você que está apaixonado por mim e não eu por você. Me deixe fora disso que não vou agir que nem um idiota apaixonado, é vergonhoso.
— Então eu ajo como um idiota apaixonado por nós dois. Você só precisa me dar uma chance para se apaixonar por mim. Sabe aquela música? Só preciso de um beijo.
Han deu risada.
— Acha mesmo que eu me apaixonaria por você só com um beijo?
— Se um não der certo podemos tentar vários.
— Até porque ninguém se apaixona só com um beijo.
— Não sei. Será? Podemos confirmar sua ideia, o que acha?
Han deu de ombros na tentativa de parecer indiferente.
— Por mim tudo bem, é só um beijo.
Lee Know se aproximou, e Han sentiu o coração disparar de forma descontrolada.
O sorriso de Lee Know, a forma como seus fios de cabelo roçavam suavemente contra sua testa, o toque firme de sua mão segurando seu rosto, era a mistura perfeita para fazer Han perder completamente a compostura.
Ele tentou, em vão, se controlar. Mas o cheiro dele, a proximidade, o jeito como Lee Know parecia tão entregue naquele momento, tudo isso derretia suas barreiras.
Sempre teve uma paixão secreta por Lee Know, mas nunca se permitiu demonstrar. Sentia que não valia a pena se iludir. Afinal, achava que nunca seria correspondido.
Mas agora, com Lee Know tão perto, seus olhos brilhando em expectativa, sua mente não tinha espaço para dúvidas ou inseguranças.
“Ele quer isso tanto quanto eu.”
E então, Han seguiu o desejo que crescia dentro de si. Aproximou-se lentamente, sentindo a respiração quente contra seus lábios antes de finalmente tocá-los no beijo que tanto desejava.
No início, foi tímido. Os estalos suaves e as respirações pesadas eram os únicos sons dentro do carro, preenchendo o ambiente com uma tensão quase palpável. Mas logo, a intensidade cresceu. A temperatura dentro do veículo parecia subir a cada segundo. As mãos de Lee Know deslizaram por suas coxas, traçando um caminho quente e provocador, enquanto seus lábios abandonaram a boca de Han para beijar seu pescoço com uma devoção perigosa.
Han sentiu seu corpo amolecer sob o toque, completamente inerte naquele prazer que tomava conta dele.
Mas então, Lee Know mordeu seu pescoço, uma mordidinha leve, mas o suficiente para trazê-lo de volta à realidade.
Com um movimento rápido, Han afastou Lee Know, sua respiração ainda ofegante, mas seus olhos agora carregando algo a mais.
Lee Know o encarou, confuso, buscando entender.
Han, por outro lado, sentia o peito apertado. Ele queria aquilo. Queria muito. Mas algo dentro dele ainda o impedia de se entregar completamente.
— E-eu p-preciso ir… — Falou ofegante e rapidamente desafivelou o cinto de segurança.
— Hannie, está tudo bem?
— Sim, eu s-só p-preciso de um banho g-gelado… Enfim, é… só pra deixar claro, um beijo não fez eu me apaixonar por você, ok? — Han saiu do carro tão rápido que Lee Know mal teve tempo de reagir.
Mas, ao invés de se frustrar, Lee Know apenas sorriu, não um sorriso qualquer, um sorriso de orelha a orelha. Ele sabia o que aquilo significava.
Do outro lado, Han entrou em casa e, sem hesitar, trancou a porta atrás de si, como se estivesse fugindo de um perigo iminente. E de certa forma, estava. O perigo? Ele mesmo.
Se tivesse ficado naquele carro por mais alguns minutos, teria cedido a tudo o que Lee Know quisesse fazer com ele. Sem dúvida nenhuma.
Encostou-se na porta, respirando fundo, tentando recuperar o fôlego. Seu corpo ainda estava quente, o coração batendo tão forte que parecia querer escapar do peito.
Foi direto para a cozinha e pegou um copo d’água, virando grandes goles de uma vez só. Mas nem a água gelada parecia suficiente para aliviar o fogo que queimava dentro dele.
— Droga… — murmurou para si mesmo, apoiando as mãos no balcão. — Eu achava que era só um crushzinho bobo…
Ele respirou fundo, apertando o copo com mais força.
— Mas a verdade é que eu tô muito apaixonado por esse idiota…
Fechou os olhos, jogando a cabeça para trás em frustração.
— Aaaaaahhh, ele tá me deixando louco!
E tomou mais um gole de água, desesperado para baixar sua temperatura corporal e, quem sabe, acalmar o turbilhão de sentimentos que Lee Know tinha acabado de despertar dentro dele.
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