Lies

14 Beijo Técnico



— Agora me conta tudo! — Ordenou Han ao sentar no sofá, animado com sua bacia de pipoca.

— Contar o que? — Jeongin pausou o filme — Não tenho nada pra contar.

— Como assim nada? Você saiu com o cara gatíssimo do seu trampo e não rolou nada?

— Não rolou nada demais, só o habitual. Mas e você? Viu muito peixe?

— Innie… A GENTE SE BEIJOU! — Han falou tão animado que sua voz até desafinou — E nem foi acidente dessa vez. Acho que ele gosta de mim.

Jeongin sorriu ao ver o amigo tão animado e sorridente.

— Olha só, seu crush de anos está caidinho por você.

— Mas… não sei… será que isso vai dar certo?

— Amigo, vai sem medo. Não vai saber se não tentar.

— Tem razão. Estou tão feliz… quero ver ele de novo. Já to morrendo de saudades… ele é tão lindo — Han suspirou com um sorriso enorme — Tá, mas e você? Não fuja do assunto, vocês também se beijaram?

Jeongin deu uma gargalhada.

— Se a gente se beijou?

— É, tipo beijar, na boca e tals…

— Amigo, posso dizer que ele beijou todas as partes do meu corpo… tipo, todas.

— Ave Misericórdia! Assim? Já no primeiro encontro?

— Claro, não me chamo Han Jisung pra ficar perdendo tempo. Ontem eu tava o próprio pecado e carreguei Hyunjin pro inferno comigo.

Han balançou a cabeça negativamente.

— Deus amado, cadê o meu bebê e o que fizeram com ele? Alguém roubou a inocência do meu Innie.

— Nunca tive pra ser roubada — Jeongin deu risada — Brincadeira amigo, eu sou fofo e inocente até Hyunjin estar a um quilômetro de mim.

— Meu deus… eu tô me achando quase uma beata querendo levar as coisas com o Lino devagar. Nem consigo imaginar a gente fazendo certas coisas… — Han deu um gritinho e escondeu o rosto, Jeongin revirou os olhos querendo socar a cara do amigo.

— Pelo amor de deus, você já é um universitário.

— Mas me sinto como um adolescente apaixonado quando estou perto do meu Lino.

Jeongin revirou os olhos.

— Deus tenha piedade da sua alma.

…

Seungmin andava de um lado para o outro em sua sala, completamente inquieto. Seu coração estava um caos, sua mente dividida entre o desejo e o pânico absoluto. Ele torcia, com todas as forças, para que Changbin não aparecesse.

“O que diabos eu estava pensando quando concordei com isso?”

A ideia parecia tão simples na teoria — um beijo técnico, nada demais. Mas agora que o momento estava se aproximando, Seungmin percebia o quão impossível seria fingir que era só uma cena qualquer.

“Como vou beijar o amor da minha vida e fingir que não significa nada?”

Esse pensamento ecoava em sua mente como um alarme. A ansiedade subiu ainda mais quando ouviu a porta se abrir. Seu coração deu um salto tão forte que parecia que ia sair pela boca. Cada célula do seu corpo gritava para que ele corresse dali imediatamente.

“Se eu pular pela janela agora, será que dá tempo de escapar antes dele me ver?”

Mas antes que pudesse tomar uma decisão, Changbin entrou, cheio de confiança, e Seungmin congelou no lugar.

— Min Min! — Changbin entrou na sala trazendo algumas sacolas que as deixou na bancada e foi até Seungmin para lhe dar um beijinho na testa como era de costume. Seungmin retraiu com o beijo, estava tenso e sensível a qualquer toque do amigo.

— Bom dia Binnie — Disse timidamente.

— Passei no mercado e comprei umas coisinhas pra fazer um super café da manhã. Tenho certeza que você não comeu nada ainda né?

— Estava sem fome quando acordei e fiquei sem vontade de sair pra comprar algo.

Changbin se aproximou sorridente.

— Tá vendo? Como eu não me preocupo com você? — Changbin afastou uma mecha de cabelo que tampava os olhos de Seungmin.

— Você me deixa muito mal acostumado — Seungmin se afastou devagar.

— Esse é o objetivo. Gosto de mimar você.

— E isso não é nada bom. E se eu arrumar um namorado e ele não for assim?

— Pode deixar, eu me responsabilizo. Já combinamos que iremos nos casar.

— Deixa sua namorada saber disso.

— Já falei pra ela que você é meu bebê e o número Um no meu coração. Ela pareceu estranhamente feliz com isso… deve ser fujoshi — Changbin riu e Seungmin fez bico.

Como prometido, Changbin preparou um café da manhã variado e caprichado. Depois, como já era de costume, se encarregou da louça — uma tarefa que, de alguma forma, sempre sobrava para ele quando estava com os amigos.

Seungmin observava tudo em silêncio, o estômago revirando não pela comida, mas pela ansiedade crescente.

Quando Changbin terminou e secou as mãos, virou-se para ele com um sorriso animado.

— Prontinho! Agora podemos ensaiar.

Seungmin engoliu em seco.

— E-e-ensaiar?

O desvio de olhar e o gaguejo foram óbvios, mas Changbin não pareceu perceber.

— Sim, Minnie. Foi pra isso que eu vim, lembra? — Ele abriu a mochila e pegou o roteiro, folheando as páginas. — Eu li o seu roteiro… é um pouco meloso demais, mas é muito bom.

Seungmin sentiu as bochechas esquentarem.

— Meloso?

— Sim! — Changbin riu. — Mas tenho certeza de que vai ficar excelente depois que filmar e editar.

Ele ergueu os olhos do roteiro e sorriu.

— Bom… vamos ensaiar?

Seungmin respirou fundo, suas mãos suando.

— V-vamos — Seus joelhos já estavam trêmulos. Ele não sabia como iria sobreviver àquilo.

…

Seungmin tentava, com todas as forças, controlar a tremedeira enquanto ensaiava os diálogos com Changbin. Mas era simplesmente impossível manter a calma.

Cada palavra que saía de sua boca parecia engasgada, sua mente dividida entre as falas do roteiro e o fato de que, a qualquer momento, teria que beijar o amor da sua vida.

Changbin o observou com um olhar intrigado.

— Está tudo bem?

Seungmin engoliu em seco.

— Só um pouco nervoso.

Changbin sorriu, um sorriso suave e confiante.

— Vou fazer algo que vai ajudar.

Antes que Seungmin pudesse perguntar o quê, Changbin deu um passo à frente. Instintivamente, Seungmin recuou. Com paciência e um olhar tranquilizador, Changbin se aproximou novamente, desta vez levando as mãos ao rosto de Seungmin. O toque foi leve, mas firme o suficiente para impedi-lo de escapar.

Seungmin sentiu a respiração falhar no instante em que Changbin começou a acariciar suavemente seu rosto. E então, sem desviar o olhar, ele deslizou os dedos até os lóbulos de suas orelhas, massageando-os com ternura. Seungmin soltou um suspiro involuntário, sentindo todo o seu corpo relaxar sob aquele gesto inesperado.

Seus olhos se fecharam por instinto. Por um momento, esqueceu completamente que estavam ensaiando. Que era apenas um teste de cena. Porque, naquele instante, tudo parecia tão real.

— Por incrível que pareça isso me relaxou bastante — Disse Seungmin com os olhos ainda fechados.

— Por que "por incrível que pareça"? — Changbin arqueou as sobrancelhas sem entender o comentário.

— Porque quando você me toca eu fico ainda mais tenso — Seungmin respondeu sem pensar.

— Que? Como assim? — Changbin riu um pouco confuso.

Seungmin se afastou, assustado.

— Eu… é… tô entrando no meu personagem… ele fica nervoso perto do cara que ele gosta.

— Ah sim. Você é um ótimo ator, passa exatamente essa sensação. Já que você já entrou no personagem então…

Seungmin sentiu seu coração disparar ao perceber a mudança súbita na expressão de Changbin. O sorriso gentil que ele sempre carregava desapareceu, dando lugar a um olhar intenso, lascivo, que fez as pernas de Seungmin enfraquecerem no mesmo instante.

Ele não teve tempo de reagir quando Changbin começou a guiá-lo lentamente para trás, seus corpos perigosamente próximos. A tensão era palpável. Quando Seungmin sentiu suas costas tocarem a parede fria, soube que estava completamente encurralado. E ele amou isso. O silêncio ao redor só fez com que a respiração ofegante de ambos se tornasse ainda mais evidente.

Changbin continuou se aproximando, até que seus narizes roçassem um no outro. Seungmin sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele estava nervoso. Suas mãos agarraram os braços de Changbin com força, como se aquilo pudesse impedi-lo de perder o controle. Mas, ao mesmo tempo, o desejo que ele reprimiu por tanto tempo crescia dentro dele, consumindo qualquer resquício de racionalidade.

— Senhor Kim, eu acho que estou apaixonado por você — Changbin disse suas falas de acordo com o script.

— Você acha? — Seungmin falou as suas, mas deixou escapar uma mordidinha nos próprios lábios que não estava no roteiro.

— Só vou ter certeza se te beijar.

Changbin segurou o queixo de Seungmin com firmeza, seus corpos colados de um jeito que tornava impossível ignorar a temperatura quente da pele um do outro.

Era para Seungmin dizer suas falas, mas ele não conseguia. Estava hipnotizado pelo olhar intenso de Changbin, completamente absorvido pelo momento. Sua mente esvaziou, o roteiro desapareceu, e tudo o que restava era ele e Changbin, ali, tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro se misturar.

Sem pensar, Seungmin se inclinou e roçou os lábios nos de Changbin em um selinho leve. Mas não foi o suficiente. Seu coração pediu mais. Deu outro selinho. E mais um. E depois outro, o desejo crescendo a cada toque. O calor queimava em seu peito, impulsionando seus movimentos quando, instintivamente, passou a língua devagar pelos lábios de Changbin, saboreando.

Changbin mordeu o lábio. Antes que Seungmin pudesse reagir, Changbin segurou seus pulsos contra a parede, o prendendo de vez. Seungmin mal teve tempo de processar a situação antes de sentir os dentes de Changbin cravando levemente em seu pescoço, arrancando dele um suspiro entrecortado.

O queixo de Seungmin caiu levemente para o lado, os olhos se fechando enquanto seu corpo reagia por puro instinto. O roteiro já havia sido jogado para escanteio há muito tempo.

Eles se olharam por um instante, absorvendo o que estava acontecendo, e foi ali que a última barreira entre eles ruiu.

Sedentos um pelo outro, finalmente se agarraram, selando os lábios em um beijo ávido, intenso e faminto. Seungmin não sabia mais se aquilo era um beijo técnico. E, sinceramente, não se importava nem um pouco. Naquele momento, tudo o que queria era sentir. Aproveitar o gosto, o toque, o calor de Changbin. Afinal, era isso que desejava há tanto tempo. E agora, finalmente, era real.

Notas finais
Dá licença que eu to muito boiola com meu casal BinMin :3