Lies

15 Ciumento



Han não se sentia muito bem naquela manhã. Seu corpo estava mole, a sonolência pesando sobre ele como se estivesse carregando um fardo invisível. Tudo o que queria era ir para casa e dormir, se esconder de tudo.

Mas antes disso, queria ver Lee Know.

Desde o dia anterior, sentia sua falta. Uma falta que apertava o peito de um jeito que ele não queria admitir.

Caminhava pelos longos corredores da universidade, os olhos atentos, tentando encontrá-lo. Mas, junto com a saudade, vinha um turbilhão de vergonha. As cenas do beijo no carro não saíam de sua cabeça. A lembrança do toque, da intensidade, da forma como quase perdeu o controle. Tudo isso o fazia corar só de pensar.

“Como eu vou encará-lo agora?”

Suspirando, continuou andando, até chegar ao refeitório. Mas assim que entrou, seus passos pararam abruptamente.

Seus olhos encontraram Lee Know, sentado em uma das mesas, cercado por algumas garotas lindas, todas rindo e claramente flertando com ele.

Han sentiu um aperto no peito.

“Claro. O que eu tava pensando?”

Soltou um suspiro triste, caindo na real.

"Não tem por que ele gostar de mim."

O pensamento veio como um golpe direto em sua insegurança.

"Olha essas garotas lindas ao redor dele. Por que ele perderia tempo comigo?"

"Ele deve ter falado tudo aquilo por dó... deve ter percebido que eu gosto dele e ficou com pena. Afinal, eu sou só um nerdizinho sem graça, sem importância."

Seus olhos começaram a marejar, a visão ficando embaçada pela frustração e pela autossabotagem que consumia seu peito.

Virou-se rapidamente, querendo desaparecer antes que Lee Know o visse ali. Antes que qualquer um percebesse o quanto aquilo tinha doído.

Han correu para o banheiro sem nem olhar para os lados, esbarrando em Seungmin no caminho.

— Han? — Seungmin chamou, franzindo a testa, mas foi completamente ignorado.

Ele parou por um instante, sentindo um incômodo crescente. Han não era do tipo que simplesmente ignorava as pessoas assim, algo estava errado.

Mesmo preocupado, Seungmin suspirou e seguiu seu caminho até o refeitório, onde tinha marcado de se encontrar com Changbin e Lee Know.

Ao chegar na mesa, foi direto ao ponto:

— Você falou com o Han?

Lee Know ergueu o olhar do celular, confuso.

— Hoje ainda não. Mandei um bom dia pra ele, tô esperando ele chegar, mas ele ainda não me respondeu… — Ele franziu o cenho. — Por quê?

Seungmin hesitou por um segundo antes de dizer:

— Não sei, mas ele passou por mim agora há pouco e parecia que estava chorando.

Lee Know levantou-se abruptamente, fazendo a cadeira arrastar no chão com força.

— Pra onde ele foi?

— Eu vi ele entrando no banheiro.

Antes mesmo de Seungmin terminar a frase, Lee Know já tinha saído correndo na direção indicada. Ele atravessou o refeitório em disparada, a preocupação queimando em seu peito. No meio do caminho, esbarrou em Changbin, que o olhou confuso.

— O que foi?

Mas Lee Know sequer parou para responder. Sua mente estava totalmente focada em Han. Algo estava errado. E ele precisava descobrir o que era.

— O que houve com ele? — Perguntou Changbin sentando à mesa.

— Houve Jisung. Ele saiu correndo quando eu disse que o Han parecia estar chorando.

— Será que o Han está bem?

— Não sei, espero que esteja. Lee Know saiu daqui doido.

— Quando amamos alguém é assim mesmo. Eu não suportaria ver você chorando.

Seungmin engasgou com a bebida e Changbin riu e apertou sua bochecha.

— Você já me viu chorando várias vezes — Seungmin resmungou.

— E isso me quebrou. Por isso eu faço de tudo pra te ver feliz.

— B-binnie… — Seungmin estava visivelmente emocionado. Changbin fez carinho em seus cabelos, pegou em sua mão e o levou para sala, a aula logo começaria.

…

Lee Know entrou no banheiro, os olhos varrendo o ambiente à procura de Han.

Nada.

Um nó se formou em sua garganta. Saiu dali e rodou por todo o campus, perguntando para algumas pessoas se tinham visto Han. A resposta era sempre a mesma: ninguém sabia onde ele estava.

Ele já tinha perdido uma aula, mas não conseguia se importar. Seu foco estava inteiramente em Jisung. Han estava chorando, sozinho, por algum motivo, e Lee Know precisava achá-lo.

Foi até a sala de aula dele e encontrou Jeongin.

— Jeongin, você viu o Han?

— Vi sim. Ele não estava se sentindo bem e foi pra casa mais cedo.

Lee Know sentiu o coração apertar.

— Eu vou até lá.

Jeongin piscou, surpreso.

— Eu ia visitá-lo depois das aulas, mas...

— Deixa que eu vou. — Lee Know insistiu, determinado.

Jeongin o olhou por alguns segundos e depois apenas assentiu.

No caminho para o apartamento de Han, Lee Know tentou ligar várias vezes. Só caía na caixa postal.

Mandou mensagens. Nenhuma resposta. Nem sequer visualização.

Isso só aumentou sua angústia.

Ao chegar ao prédio, estava apressado demais para esperar o elevador. Subiu as escadas correndo, os pulmões queimando, mas sem diminuir o ritmo.

Quando finalmente chegou na porta, apertou a campainha com a respiração ainda descompassada. Ouviu passos do outro lado. E então, a porta se abriu.

Han estava lá, embrulhado em uma coberta, os olhos inchados e o rosto abatido.

No instante em que o viu, o alívio tomou conta de Lee Know como uma onda avassaladora.

Ele não disse nada. Não perguntou nada. Só o abraçou apertado.

— Minho? — Han tentava o afastar, sem entender muito bem o que estava acontecendo — O que faz aqui?

— Eu estava preocupado. Queria te ver. O que houve? Seungmin me disse que te viu chorando. Você está bem? — Lee Know examinava seu rosto com cuidado.

Han arqueou as sobrancelhas. Estava feliz por Lee Know ter ido vê-lo, mas aquilo parecia bom demais para ser verdade.

— É só uma gripe, não é nada grave e você não deveria estar aqui, pode pegar de mim — Han afastou sua mão.

— Não ligo pra isso. Vim cuidar de você.

— Cuidar de mim? Por que?

— É isso o que os bons namorados fazem.

Han deu risada, ignorando as borboletas no seu estômago que pareciam dar piruetas ensandecidas.

— E desde quando você é meu namorado?

— Desde que nos apaixonamos.

— Eu? Apaixonado por você? Só nos seus sonhos.

— Eu devo estar sonhando agora — Lee Know sorriu e apertou o narizinho de Han.

Han revirou os olhos para mascarar a felicidade genuína que sentia ao ver Lee Know ali, mas, no fundo, não conseguia esconder completamente o quanto sua presença era reconfortante.

— Tá bom, já que você veio até aqui… entra logo. — murmurou, tentando manter a pose.

Lee Know sorriu, satisfeito, e entrou sem hesitar.

Depois de checar se Han precisava de algo, decidiu sair rapidamente até o mercado para comprar alguns ingredientes. Voltou com frutas, alguns remédios, caso fosse necessário, e tudo o que precisava para preparar uma boa sopa de legumes.

Era uma receita que ele só tinha feito para Seungmin quando o amigo esteve doente, mas agora, era ainda mais especial.

Enquanto cozinhava, Han observava de canto de olho, fingindo desinteresse, mas estava curioso. E quando finalmente provou a sopa, não conseguiu esconder sua reação.

— Espera… isso tá realmente bom.

— Ué, você achou que eu ia te dar qualquer coisa? — Lee Know arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.

Han sorriu de lado, segurando a tigela.

— Achei que ia ser comível… mas não achei que seria incrível.

Ele gostou tanto que até repetiu, algo que Lee Know sabia que era um verdadeiro feito vindo do exigente Han Jisung.

O tempo passou rápido, e quando a noite caiu, o clima no apartamento ficou mais silencioso.

Han mexia nas mãos, hesitante, antes de finalmente perguntar, tímido:

— Você… quer dormir aqui?

Lee Know sorriu, e sem perder a chance, respondeu com sua já clássica provocação:

— Ué, namorados não dormem juntos?

Han revirou os olhos novamente, mas Lee Know percebeu o leve rubor em seu rosto. E isso já era o suficiente para deixá-lo satisfeito.

Han pegou um colchão e o colocou ao lado de sua cama, acomodando Lee Know ali.

Lee Know não pareceu muito satisfeito. Na verdade, queria estar na cama com Han. Queria dormir ao lado dele, sentir seu cheiro de perto, se perder nos detalhes delicados de seu rosto enquanto ele dormia.

Mas se contentou com aquelas migalhas. Por enquanto.

— Boa noite, meu Hannie.

— Boa noite, meu Lino.

— Se precisar de alguma coisa, pode me chamar.

— Está bem… obrigado.

Lee Know não conseguia dormir. Ficou deitado no colchão, os olhos abertos, encarando o teto que era suavemente pincelado pela luz fraca da lua. O silêncio preenchia o quarto, e ele até achou que Han já tivesse dormido. Mas então, sua voz suave rompeu a escuridão:

— Lino? Tá dormindo?

Ele piscou lentamente antes de responder, sua voz baixa, mas cheia de ternura.

— Não. Está tudo bem?

— Sim… eu só… queria agradecer por você ter vindo me ver. — A voz de Han soava genuína, quase vulnerável. — Eu fiquei tão feliz.

Era estranho conversar no escuro, sem enxergar o rosto um do outro, mas ao mesmo tempo, era confortável. Como se a ausência de luz tornasse tudo mais sincero.

Lee Know sorriu levemente.

— E eu fico feliz por você estar feliz. — Ele respirou fundo. — Fico mais aliviado de estar perto de você. Eu estava muito preocupado… — Ele hesitou por um instante — Hannie, meu amor, o que aconteceu hoje? Por que estava chorando? Quer me contar?

O silêncio pairou entre eles por alguns segundos. Han virou-se na cama. Então, veio a resposta. Baixa e vazia.

— Não era nada.

Mas Lee Know sabia que era mentira.

— Certeza? Sabe que pode me contar tudo. Antes de ser seu namorado quero ser seu amigo também.

— Você vai rir de mim.

— Juro que não vou rir.

— É que… eu vi uma coisa que me deixou triste, mas é uma grande bobagem.

— Se te deixou triste não é bobagem. Me conta quem te deixou triste e eu vou lá agora tomar satisfação.

— Então… é que meio que foi você.

— Eu? — Lee Know sentou-se abruptamente — O que eu fiz?

— Você não fez nada. — Han suspirou, ainda com a voz baixa. — Eu que sou um idiota e nem sei por que me senti assim… — Ele fez uma pausa antes de continuar, a frustração evidente em seu tom — É que eu vi você com umas garotas no refeitório. Elas estavam claramente dando em cima de você, jogando charme, fazendo beicinho… praticamente esfregando os peitos na sua cara.

Lee Know arregalou os olhos, surpreso com a descrição repentina e detalhada.

— E o pior de tudo isso, — Han continuou, resmungando — é que elas eram lindas.

O silêncio pairou no quarto. Lee Know ficou por alguns segundos sem palavras. E então, um sorriso enorme se formou em seu rosto.

— Hannie… — Ele se inclinou ligeiramente. — Você sentiu ciúmes de mim?

Han congelou.

— E-eu…

— Então você gosta de mim? — Lee Know continuou, agora já vibrando de felicidade.

Sem conseguir se conter, ele pulou em cima da cama de Han, cobrindo seu rosto com uma chuva de beijinhos animados.

— Lino! Para! — Han tentou se esquivar, mas estava rindo e claramente falhando em sua tentativa de parecer sério.

— Ahhh, meu Hannie gosta de mim, sim! — Lee Know provocou, apertando suas bochechas. — E ficou com ciúmes!

— Eu não tô com ciúmes! — Han retrucou, tentando empurrá-lo para longe enquanto se debatia, mas sua risada o traía.

— Tá sim!

— Não tô!

— Tá sim, e agora você é oficialmente meu namorado.

Han parou, o rosto queimando.

— QUÊ?

— Ué, se você sente ciúmes, significa que gosta de mim. E se gosta de mim, isso significa que namoramos. Matemática básica. E além do mais, você até chorou de ciúmes. Ou seja, você me ama muito.

Han revirou os olhos, cruzando os braços e tentando recuperar sua pose indiferente.

— Eu chorei por outros motivos. — Disse, ainda ofegante da brincadeira. — Foi por causa de uma história triste que lembrei na hora.

Lee Know arqueou uma sobrancelha, claramente não comprando essa desculpa.

— Que história?

Han abriu a boca… mas nada saiu. Lee Know sorriu vitorioso.

— Exatamente. Agora aceita logo que você gosta de mim, Hannie.

Han bufou, virando-se de lado. Mas o rubor em seu rosto dizia tudo.

— Seu bobo — Lee Know o virou para si novamente e deu um beijinho em sua testa — Eu só tenho olhos pra você, só quero saber de você, só você me atrai. Pra que eu vou querer outra pessoa se eu tenho o homem mais lindo e incrível do mundo?

— Você tem é? Desde quando?

— Eu tô literalmente te abraçando, deitado na mesma cama que você e te dando vários beijinhos… então já era, eu já roubei seu coração.

— Não roubou não, está bem guardadinho aqui…

Antes que pudesse dizer mais coisa, Lee Know sorriu maleficamente, o agarrou e iniciou um novo ataque letal de beijinhos.

— Lino! PARA! — Han ria, tentando se esquivar, mas já era tarde demais.

Ele se debatia, mas a verdade era que adorava aquilo. Então, do nada, Lee Know parou abruptamente e soltou um espirro estrondoso.

Han explodiu em risadas.

— Além do meu coração, você pegou minha gripe também.

Lee Know fungou, piscando para ele com uma expressão dramática.

— Sacrifícios do amor, eu suponho.

Han rolou os olhos, ainda rindo, mas então Lee Know inclinou a cabeça e perguntou, com um sorriso travesso:

— Então, eu… peguei mesmo seu coração?

Han bufou, cruzando os braços.

— Eu ainda preciso admitir?

Notas finais
Lino e Han já são um casalzinho cute :3 Bin sempre tão fofo com o Min... aff, que inveja, tem nem como não se apaixonar assim.