Lies

7 O Arcanjo do Amor


Changbin soltou um espirro forte assim que Lee Know borrifou mais perfume.

— Porra, Minho! — resmungou, abanando a mão na frente do rosto, tentando dissipar a nuvem perfumada ao seu redor. — Você quer me sufocar ou o quê?

Lee Know apenas deu de ombros, com um sorriso satisfeito.

— Eu preciso estar impecável — respondeu, aplicando mais uma borrifada para garantir.

Changbin revirou os olhos, já sentindo outro espirro vindo.

— Você quer matar o menino asfixiado?

— Não. Quero estar cheiroso pro meu Jisungie.

— Seu Jisungie? Isso ainda é uma brincadeira, né? — Changbin o olhou preocupado.

— Claro que é. Acha que eu me apaixonaria tão fácil assim? Ainda mais pelo Han, ele não faz meu tipo, apesar dele ser bem fofo de certa forma.

— Sei… Ele vai te ajudar com o curso hoje?

— Sim e tô pagando caro por isso, ele enfiou a faca no preço da aula, e acho que foi de propósito — Lee Know queria estar bravo mas deu risada como se sentisse orgulho da malandragem de Jisung.

— O mais engraçado é que seu inglês é fluente, não precisaria dessa aula — Changbin ajeitou a gola da blusa de Lee Know.

— Mas o Han não precisa saber desse detalhe. Bin, você tem noção que eu vou ficar sozinho com ele, no quarto dele, só eu e ele? Acho que tô me sentindo um pouco estranho.

— Mas você já não ficou a sós com ele quando tiveram que fazer aquele projeto juntos?

— Não né, ele vivia marcando reunião e eu vivia fugindo pra ir na sua casa jogar videogame. E a única vez que participei de uma reunião tinha um monte de gente e eu nem prestei atenção em nada. Então essa é a primeira vez que estarei sozinho com ele.

— Nervoso?

— Não sei — Lee Know colocou a mão no coração e respirou fundo — Eu tô me sentindo um pouco estranho, talvez nervoso realmente. Mas isso é normal, não significa nada, não é?

Changbin não respondeu nada, arqueou as sobrancelhas e balançou a cabeça negativamente.

…

Lee Know conferiu mais uma vez sua aparência pela câmera do celular, ajustando os fios do cabelo com precisão. Para garantir, verificou o hálito depois da vigésima bala que havia chupado naquela noite. Respirou fundo, tentando manter a compostura, e finalmente tocou a campainha do apartamento de Han.

A porta se abriu. E, naquele instante, Lee Know congelou.

O Han Jisung que apareceu diante dele era completamente diferente do que estava acostumado a ver todos os dias na universidade. Nada de uniforme impecável, nada de cabelo meticulosamente arrumado. Em vez disso, uma camiseta branca absurdamente larga, parecendo engoli-lo, calça de moletom igualmente folgada e pantufas de esquilo. Os cabelos estavam bagunçados, caindo sobre os olhos, parecia que Han tinha acabado de acordar.

Foi ali, exatamente ali, que Lee Know sentiu a flechada de Eros atingindo seu peito.

"Ele é muito fofo."

O pensamento veio tão naturalmente que nem tentou negá-lo. Um sorriso bobo surgiu em seus lábios antes que pudesse impedir.

— Vai entrar ou vai ficar parado igual um idiota olhando pra minha cara? — Han ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços.

Lee Know piscou, despertando de seu transe momentâneo.

“Ótimo começo, Minho. Perfeito”.

Limpou a garganta e entrou, tentando recuperar um pouco da dignidade que tinha acabado de perder.

Enquanto Han fechava a porta, Lee Know lançou olhares disfarçados ao redor, curioso para conhecer o espaço onde seu "arqui-inimigol" vivia. O apartamento era simples, mas extremamente organizado. Nada parecia fora do lugar, tudo harmonioso e aconchegante.

Mas o que mais chamou sua atenção foi o aroma doce no ar. Um cheiro quente e reconfortante de chocolate envolvia o ambiente, e então Lee Know percebeu o motivo: um bolo estava terminando de assar no forno.

— Você fez bolo? — perguntou, incapaz de esconder o interesse.

— Não, apareceu sozinho no forno — Han respondeu com sarcasmo, revirando os olhos.

Lee Know riu baixinho. De alguma forma, o jeito rabugento de Han só o deixava ainda mais interessante. Sem querer pudesse evitar, olhou para Han novamente, sem conseguir desviar seu olhar. Han estava absurdamente lindo.

— Perdeu alguma coisa na minha cara?

— Ah, desculpe. É que você está tão diferente.

— Olha, não faço questão de me arrumar pra você, ok? Se quiser rir, pode rir. Tô feio e esquisito mas foda-se, estou confortável.

— Você não está esquisito e muito menos feio — Lee Know odiou como pareceu um idiota falando aquela frase, soou como um adolescente apaixonado e timido.

— Claro que não, eu estou muito lindo, posso até tirar uma foto assim e mandar pra alguma agência de modelos.

— Se quiser eu posso tirar essa foto com meu celular, a câmera é boa — Lee Know realmente queria ter essa foto no seu celular.

— Besta. Enfim, você está cinco minutos atrasado.

— Você me desculparia se eu dissesse que ajudei uma velhinha a atravessar a rua?

— Você fez isso?

— Não. Eu só acordei atrasado mesmo.

— Imagino que nem tenha tomado café. Que bom que fiz um bolo. Vamos tomar café e depois começamos a aula.

Lee Know observava Han enquanto ele comia, os olhos fixos na forma como suas bochechas inflavam a cada mastigada. O jeito que ele fazia um biquinho involuntário era ridiculamente adorável.

"Eu nunca imaginei que Han Jisung fosse tão fofo comendo... Parece um esquilinho. Que coisa mais adorável, dá vontade de apertar as bochechas dele."

Lee Know inclinou levemente a cabeça, completamente imerso nesse pensamento. "Será que seria socialmente estranho se eu apertasse a bochecha dele? Provavelmente sim. E ele me daria um soco na cara."

Ele estava tão distraído que nem percebeu que Han tinha parado de mastigar e o encarava com uma expressão desconfiada.

— Sabia que é estranho comer com alguém te olhando assim? — disse Han, estreitando os olhos. — Minha cara tá suja?

Lee Know sorriu, como se a pergunta fosse um convite. Sem pensar muito, estendeu a mão e passou o dedão suavemente pelos lábios de Han, retirando um farelo de bolo.

Han congelou. Seus olhos se arregalaram por um instante, e um rubor intenso tomou conta de seu rosto.

— O-o que você tá fazendo?! — gaguejou, afastando-se ligeiramente, mas sem conseguir esconder o impacto do gesto inesperado.

Lee Know apenas sorriu, satisfeito.

— Relaxa, só estava te ajudando.

Han desviou o olhar, claramente tentando disfarçar o quanto seu coração estava disparado.

— Prontinho, não tem mais nada no seu rosto, Haniel.

— Haniel?

— É. Haniel. Me lembra seu nome.

— E de onde você tirou isso?

— Pesquisa no Google — Lee Know piscou pra ele.

— Até parece que vou pesquisar isso. Não tô interessado — Han limpou a garganta e corrigiu a postura — Vamos começar logo? Não tenho o dia todo.

…

Han falava com fluidez, explicando cada detalhe do vídeo como se fosse um professor experiente. A aula era em inglês, e embora Lee Know fosse perfeitamente fluente, fingia não entender nada — não que estivesse prestando atenção no conteúdo de qualquer maneira. Seu foco estava totalmente em Han.

Observava cada movimento dele, o jeito natural com que articulava as palavras, sua expressão concentrada enquanto traduzia tudo com precisão. O inglês de Han era impecável, e Lee Know, ao invés de absorver a matéria, se pegava apenas ouvindo o som da sua voz, como se aquilo fosse muito mais interessante do que qualquer coisa dita no vídeo.

— Não vai anotar? — Han perguntou, arqueando uma sobrancelha.

— Já estou anotando aqui — Lee Know apontou para a própria cabeça.

Han revirou os olhos.

— Você vai se ferrar na prova deste curso.

Lee Know apenas deu de ombros, sorrindo. Se fosse para se ferrar, pelo menos estava se divertindo no processo.

— Você quem sabe. Entendeu até aqui? Tem alguma dúvida?

— Não. Pode continuar. — Lee Know apoiou o queixo nas mãos, os cotovelos na mesa, e ficou observando Han com toda a atenção do mundo.

Depois que a vídeo-aula terminou, Han passou alguns exercícios para testar se Lee Know realmente tinha entendido o conteúdo.

Por quase meia hora, Lee Know se manteve concentrado fazendo os exercícios, algo raro para ele. O quarto de Han estava em completo silêncio, interrompido apenas pelo suave som das folhas do caderno sendo viradas.

— Hannie, eu não entendi essa par... — Lee Know começou a falar, mas parou no meio da frase ao notar que Han tinha adormecido.

O garoto estava apoiado na mesa, a cabeça descansando sobre o braço, respirando suavemente. Um sorriso involuntário surgiu nos lábios de Lee Know.

“Que fofo”.

Sem resistir, pegou o celular e tirou uma foto. Não podia perder essa oportunidade. Han dormindo era uma visão rara demais para não ser registrada.

Depois, sem fazer barulho, tirou a jaqueta e a colocou sobre ele, garantindo que não sentisse frio. Por fim, acomodou-se na mesma posição, apoiando a cabeça nos braços, e ficou apenas observando Han dormir.

O ritmo tranquilo da respiração do outro o envolveu, e, sem perceber, Lee Know acabou pegando no sono também.

…

Han abriu os olhos devagar, piscando algumas vezes para se ajustar à luz fraca do quarto.

E então, deu de cara com Lee Know.

O garoto estava absurdamente perto, dormindo tranquilamente com a boca ligeiramente entreaberta, os dentinhos evidentes de um jeito quase cômico. Han franziu a testa por um segundo, e então soltou uma risada baixa.

“Ele fica muito engraçado dormindo. Talvez até um pouco fofo, só um pouco”.

Foi impossível resistir. Pegou o celular, ajustou o ângulo e tirou uma foto.

Ele olhou para a imagem na tela e sorriu satisfeito.

“Isso vai ser útil para chantageá-lo depois”.

— Ei, Lino? — Han tentou acordá-lo delicadamente.

— Hum? — Lee Know resmungou, despertando aos poucos — Meu Deus, que horas são? Eu acabei pegando no sono.

— Sim. Você precisa ir embora, eu tenho um monte de coisas pra fazer.

— Me expulsando depois de dormirmos juntos? Me sinto usado — Lee Know fingiu uma voz chorosa.

— Não tô te expulsando, quer dizer, eu to sim. Já terminamos a sua aula.

Lee Know suspirou e se levantou.

— Foi uma ótima aula… e… Hannie… Podemos almoçar juntos amanhã?

— Por que?

— Ah, porque sim — Lee Know coçou a cabeça, embaraçado.

— Mas eu já te ajudei com o curso e você já me pagou. Não temos mais nada um com o outro.

— Mas podemos almoçar como amigos. Hum?

— Se eu tiver tempo. Eu te aviso — Han o olhou desconfiado, com os braços cruzados e se perguntando o que mais Lee Know queria com ele.

— Então vou indo lá, Haniel. Até amanhã — Lee Know sorriu e foi até a porta.

— Até amanhã, Lee Minho — Han sentiu seu rosto corar. Abriu a porta e quando Lee Know foi embora sentiu que conseguia respirar novamente.

Pegou o celular e abriu na aba do Google.

— Só estou um pouco curioso — Disse pra si mesmo então digitou "O que significa Haniel" e sorriu ao ler o significado daquele nome.

Notas finais
Off: Ainda estou em surtos com Case 143. Não paro de escutar a playlist de Maxident, amei todas as musicas, minha fav é Chill :) Esses meninos como sempre não decepciona... amo demais :3 E vocês? Qual musica mais gostaram desse comeback?