Lies

23 Namorado



Quando Jeongin abriu a porta após ouvir o som estridente da campainha, deu de cara com Hyunjin ofegante.

— Meu Deus, o que houve? Você realmente veio correndo? — Jeongin deu espaço para ele entrar.

— Você disse que precisava da minha ajuda e eu vim o mais rápido que pude — Hyunjin tirou o casaco e pendurou. Saiu numa correria tão apressada que sentiu calor mesmo num dia frio.

— Eu disse que não era nada tão urgente, nem precisava você vir com tanta pressa — Jeongin sorriu e ajeitou uma mecha de cabelo que caía na testa suada de Hyunjin — Venha, descanse um pouco, vou preparar uma bebida refrescante.

— Nada muito forte, raposinha. Precisamos trabalhar! Já baixei meu espírito de CEO e vamos fazer o melhor projeto que esse mundo já viu.

— As vezes você parece um CEO realmente, ou talvez um filho de CEO riquíssimo — Jeongin foi até a pequena cozinha compartilhada com a sala, Hyunjin forçou um sorriso.

— Você acha?

— Acho, se vivêssemos numa monarquia eu até diria que você é um príncipe.

— Eu sei que eu tenho a beleza de uma realeza mas não é pra tanto — Hyunjin colocou as mãos na cintura e fixou o olhar em Jeongin que sorria enquanto cortava uns morangos.

— Mas, falando sério Hyun… — Jeongin olhou para ele — Obrigado por ter vindo.

— Sabe que estou disponível pra você a qualquer hora.

— Falando assim até parece que é meu namorado — Jeongin corou ao perceber o que tinha dito e desviou o olhar.

— Isso só depende de você — Hyunjin olhou os arredores como se estivesse disfarçando. Jeongin sorriu e balançou a cabeça negativamente.

Jeongin preparou um drink suave, com pouco álcool, já que realmente precisava se concentrar, havia muito trabalho pela frente, e ambos precisavam estar sóbrios.

Depois de organizar todo o material junto ao notebook na mesinha de centro, ele se acomodou no sofá e começou a explicar o briefing para Hyunjin.

Tratava-se de um concurso interno na empresa para criar uma campanha de marketing para um novo produto. Os participantes deveriam desenvolver uma estratégia inovadora, e o melhor projeto ganharia não apenas um prêmio, mas também uma promoção.

Hyunjin poderia facilmente garantir que Jeongin vencesse, afinal, foi ele quem deu a ideia do concurso para Felix. Mas, de certa forma, não queria interferir diretamente no resultado. O objetivo não era facilitar as coisas para Jeongin, mas ajudá-lo a lapidar suas ideias, a pensar de forma mais estratégica. Porque Hyunjin queria que ele crescesse profissionalmente por mérito próprio. E Jeongin tinha talento de sobra para isso.

Jeongin apresentou três ideias iniciais, cada uma carregada de sua criatividade única. As duas primeiras fizeram Hyunjin segurar o riso, eram fantasiosas demais, quase impossíveis de executar na prática. Mas, ao invés de zombar, ele se pegou admirando a determinação de Jeongin ao defendê-las. O brilho nos olhos dele, a paixão com que justificava cada detalhe, era a prova de seu potencial gigantesco.

A última ideia foi a que realmente chamou sua atenção. Os olhos de Hyunjin se arregalaram. Aquela, sim, tinha potencial de verdade. Só precisava ser trabalhada, refinada, lapidada como uma joia bruta. E foi exatamente o que fizeram durante toda a noite.

Trocaram os drinks por café, acompanhado de petiscos, e quando a fome bateu, pediram uma pizza gigante, que devoraram enquanto discutiam cada detalhe da campanha.

Jeongin ficava cada vez mais impressionado com o quanto Hyunjin sabia sobre o mundo dos negócios. Não era um conhecimento acadêmico qualquer, algo aprendido em livros ou numa sala de Harvard. A forma como Hyunjin falava, a segurança em sua voz, a precisão de suas análises, dava a impressão de alguém que já havia vivido aquilo na pele.

Hyunjin sempre teve uma presença magnética, quase como a de um modelo ou ator de cinema. Mas, quando falava de negócios, sua postura mudava completamente. Ali, sentado no sofá de sua sala, vestindo roupas casuais e falando com a naturalidade de quem respirava o mercado corporativo, Hyunjin não parecia um funcionário comum. Na verdade, ele parecia o dono de uma grande empresa.

Quando terminaram e o projeto finalmente estava pronto, suspiraram aliviados. O trabalho tinha ficado perfeito. Hyunjin precisou ajustar poucos detalhes, apenas refinamentos estratégicos, mas no geral, a ideia de Jeongin era forte, inovadora e bem fundamentada. Ele tinha feito um ótimo trabalho. E Hyunjin tinha plena certeza de que Felix escolheria aquele projeto. Não apenas porque a campanha estava excelente, mas porque Felix andava sobrecarregado, atolado em trabalho como forma de esquecer o término com Bang Chan.

Se havia um momento para se destacar na empresa, era aquele. E Jeongin estava prestes a brilhar.

— Hyun, obrigado de verdade — Jeongin sorriu agradecido — Posso te dar um abraço de agradecimento?

Hyunjin tentou não sorrir feito um idiota apaixonado, mas a verdade era que estava em puro extase por dentro. Simplesmente não resistia quando Jeongin ficava grato por algo que ele tinha feito. Sentia-se útil para pessoa amada e esse era um dos melhores sentimentos que tinha experimentado.

— Meu abraço é só seu, Innie — Hyunjin o puxou e o abraçou tão apertado que Jeongin sentiu seu estresse ser dissolvido naqueles braços, parecia que Hyunjin conseguia renovar suas forças.

— Você não imagina como eu adoro esse abraço — disse Jeongin com a voz abafada em meio ao abraço — Você continua me fazendo querer ficar com você o tempo todo.

Hyunjin o afastou minimamente, segurou seus ombros e olhou em seus olhos.

— Então deixa eu cuidar de você. Me deixa ser seu namorado.

— Eu tenho medo.

— Do que você tem medo?

— De não dar certo, de você enjoar de mim.

— Enjoar de você seria impossível. Quanto a dar certo, podemos tentar isso juntos. Eu sei que relacionamentos são difíceis, mas não podemos pensar que falhamos sem nem ao menos tentar… E então… você aceita namorar comigo? — Hyunjin estava um pouco receoso, já tinha sido rejeitado uma vez.

— Não — respondeu Jeongin. Curto e grosso.

— Não? — Sua voz falhou.

— Não está certo isso — Jeongin se ajoelhou na sua frente e pegou sua mão, deu um beijo no dorso e sorriu — É a minha vez de pedir. Hyunjin, você aceita namorar comigo?

Jeongin foi atacado por uma tonelada de beijos eufóricos que não conseguiu se esquivar. Hyunjin o beijava e o abraçava, dizendo vários “Aceito” entre cada beijo.

— Agora somos oficialmente um casal! — Hyunjin estava tão animado que seu rosto estava rosado.

— Vamos com calma. Isso pode não dar certo.

— E também pode dar certo. Vou fazer de tudo pra fazer dar certo. Você vai ver, terá o melhor namorado do mundo.

— Quero só ver.

— Vou te mimar muito.

— Mais ainda?

— Eu nem comecei.

Jeongin sentou-se no colo de Hyunjin, seus braços repousando suavemente sobre os ombros dele. Gostava de olhar fixamente em seus olhos, mergulhar naquele brilho intenso que sempre carregava um misto de desejo e ternura.

Com um sorriso discreto, aproximou-se lentamente, seus lábios encontrando os de Hyunjin em um beijo lento e profundo. Era gostoso, mais do que qualquer outro beijo que já haviam compartilhado.

Quando se separaram, Jeongin manteve o olhar fixo, sorrindo de leve. A sensação de finalmente estar em algo sério com Hyunjin aquecia seu peito. Ele se sentia amado, protegido. E, acima de tudo, amava a sensação de estar apaixonado.

— Então, namorado. Dorme comigo hoje?

— Já trouxe até minha escova de dente.

Jeongin riu e lhe deu um soquinho de leve, um gesto que mesclava brincadeira e carinho.

Dentro dele, algo havia mudado. Hyunjin não era apenas uma transa, alguém com quem compartilhava noites intensas. Ele era mais que isso. Era seu companheiro. Seu amigo. Seu porto seguro nos dias difíceis. Alguém especial, que estaria ao seu lado nos altos e baixos da vida.

Jeongin sentia que aquele namoro iria lhe fazer muito bem. E, mais do que isso, tinha certeza de que Hyunjin era a pessoa certa.

…

Na manhã seguinte, numa segunda-feira tediosa e preguiçosa, Jeongin levantou animado, algo raro para o início da semana. Mas ele tinha dois grandes motivos para isso.

O primeiro era o café na cama, preparado por seu adorável namorado, que parecia adorar mimá-lo sempre que podia.

O segundo, e mais importante, era que aquele era o dia de entregar seu projeto, um trabalho que poderia mudar completamente sua trajetória profissional. Era a oportunidade perfeita para mostrar o quanto havia evoluído durante os meses trabalhando ao lado de Felix.

Tinha dado o seu melhor, revisado cada detalhe com Hyunjin, aprimorado cada ponto fraco. Agora, o destino do seu futuro profissional não estava mais em suas mãos.

Já era fim de tarde quando Jeongin finalizou seu expediente e seguiu para a sala de Felix, segurando com firmeza o impresso de seu projeto.

Ao chegar lá, Felix saiu apressado, mencionando que precisava resolver uma emergência urgente.

— Me desculpe, Jeongin. Pode deixar o projeto na minha mesa? Vou revisar todos amanhã pela manhã.

Jeongin assentiu, deixando o documento cuidadosamente sobre a mesa de Felix antes de sair. Mal sabia ele que, poucos minutos depois, seu trabalho correria um sério risco.

Will, o arrogante riquinho do escritório — por quem Jeongin mantinha uma antipatia crescente — entrou na sala logo depois. Trazia seu próprio projeto para entregar, mas, ao notar a capa do trabalho de Jeongin, seus olhos brilharam com uma ideia oportunista.

Curioso, folheou algumas páginas, e o que encontrou o fez arregalar os olhos. O projeto de Jeongin era brilhante. Bom até demais, o suficiente para ser um problema para ele.

Will hesitou por um segundo, mas a ambição venceu qualquer resquício de ética. Olhou ao redor para garantir que ninguém o via, então pegou o impresso de Jeongin, dobrou discretamente e enfiou por baixo da própria camisa.

Com um sorriso sorrateiro, saiu da sala como se nada tivesse acontecido.

…

Jeongin estava aliviado com o término daquele projeto, sentiu que tinha feito um bom trabalho, claro que seu namorado tinha lhe ajudado muito. Não teria conseguido concluir sem a ajuda de Hyunjin. Quando pensou em ligar para ele, o celular tocou, Han estava ligando.

— Oi Hannie.

— Innie, preciso da sua ajuda.

— O que houve?

— Se arruma, nós temos uma missão.

Jeongin sabia que tinha algo a ver com Lee Know. Han não estava nada bem nos últimos dias e ele não sabia como ajudar o amigo.

— Missão? Como assim?

— Nós vamos espionar a namorada nova do Lee Know. Quero confirmar que eles tão saindo mesmo e que ele estava me traindo esse tempo todo.

Jeongin revirou os olhos, questionando se a paixão realmente deixava as pessoas cegas e idiotas.

Era incrível como algo que poderia ser resolvido com um simples diálogo acabava se tornando um drama sem necessidade.

Han nunca foi assim. Sempre foi alguém racional, ponderado, que não se deixava levar por coisas bobas e sem importância. Pelo menos até se apaixonar por Lee Know. Agora, qualquer coisa parecia um motivo para crise, e Jeongin não conseguia entender como Han tinha se transformado tanto.

Suspirou profundamente. Se havia algo que ele odiaria fazer, era passar por esse mesmo vexame ciumento. Não queria agir de forma irracional com Hyunjin.

— Ok ok, estou indo praí agora.

Notas finais
Han... sério.... que vergonha alheia... Hyun, vai contar quando pro Innie que tu é uma CEO poderosa? E o projeto do Innie? Será que vão roubar? O Hyun fará alguma coisa? 🤔