Lies
24 Doente de Amor
Notas iniciais

Jeongin observava Han com um olhar julgador, os braços cruzados e a expressão carregada de descrença.
Ao seu lado, Han apertava o volante com tanta força que parecia querer fundi-lo às próprias mãos. Seu olhar se movia inquieto pelos arredores, mas a verdade era que sua atenção estava completamente fixa em um único ponto.
Diante deles, a fachada iluminada de uma loja de vestidos de noiva destacava-se na rua movimentada.
E foi quando Dahyun entrou no estabelecimento que Han congelou, os músculos tensionados, a mandíbula travada. Seu olhar, antes apenas apreensivo, se inflamou em fúria pura.
Ele encarava a porta da loja como se pudesse incendiá-la apenas com a força do pensamento. E, pelo brilho ameaçador em seus olhos, Jeongin não duvidava que, se fosse possível, Han teria reduzido tudo ali a cinzas em segundos.
— Eles vão se casar! Casar! Não é só um namoro, é um casamento. Isso significa que ele estava me enganando o tempo todo — Han controlou sua vontade de socar o painel do carro.
— Han, você não sabe, ela pode estar aqui para acompanhar uma amiga. Não tô te reconhecendo, você sempre foi frio, nunca ficou de cabeça quente e agora está agindo impensadamente. Vamos voltar pra casa?
— Não. Se você quiser ir pode ir. Eu preciso comprovar minhas teorias.
Jeongin suspirou pesadamente, discutir com Han era perda de tempo naquele momento.
— Eu não vou deixar você. Seja lá o que for que esteja planejando eu vou junto. Pelo menos assim posso ficar de olho em você.
— Ótimo, porque nós vamos entrar lá.
— Em uma loja de noivas?
— Não vende só vestidos de noivas. Vem, vamos. Você e eu iremos nos casar em breve e precisamos de um terno decente. Não é mesmo, amor?
Jeongin balançou a cabeça negativamente.
— Você é doido. Eu já disse isso hoje?
Ignorando completamente os olhares julgadores de Jeongin, Han estacionou o carro sem hesitar. E, antes que o amigo pudesse protestar, agarrou sua mão com firmeza e o puxou para dentro da loja, como se fossem um jovem casal apaixonado prestes a escolher o terno de noivos perfeito.
Jeongin bufou, mas não conseguiu se desvencilhar, Han estava determinado a levar aquela farsa adiante. O pior é que ele era incrivelmente convincente. Cada "amor" sussurrado com doçura, cada toque carinhoso e cada olhar apaixonado que Han lançava em sua direção deixavam as atendentes completamente encantadas. Elas se derretiam diante daquelas demonstrações de afeto, soltando suspiros discretos e trocando olhares cúmplices entre si.
Foram conduzidos para uma sala espaçosa, onde fileiras de ternos elegantes pendiam dos cabides que preenchiam as paredes. Além da variedade de modelos prontos, a loja oferecia o serviço de um alfaiate, caso algum cliente desejasse algo personalizado ou sob medida.
Enquanto seguiam pelo corredor, Han congelou no meio do caminho. Através da porta entreaberta de uma sala ao lado, seus olhos pousaram em Dahyun, que estava sobre um pequeno palco, vestindo um deslumbrante vestido de noiva.
O ar pareceu pesar ao seu redor. Sentiu um misto amargo de tristeza e raiva, como se tivesse levado um soco no peito. Lee Know realmente ia se casar.
Tudo o que viveram não passou de uma ilusão, uma história vazia onde apenas ele sentiu algo verdadeiro. Lee Know brincou com seus sentimentos.
A costureira ao lado de Dahyun ajustava delicadamente o vestido, marcando detalhes com giz de alfaiate e fixando alguns alfinetes na barra. Han desviou o olhar, sufocado.
Para sua sorte — ou azar — Dahyun estava na sala ao lado, e ele poderia ouvir qualquer coisa que acontecesse ali.
No instante seguinte, o som de um celular vibrando ecoou na sala. Dahyun atendeu, e Han prendeu a respiração, inclinando-se discretamente para escutar melhor. Jeongin, que até então mexia no próprio celular, pausou seus movimentos, levantando os olhos com interesse. Ambos estavam atentos. Se havia alguma verdade a ser descoberta, ela estava prestes a vir à tona.
— Lino! — Disse Dahyun com uma voz alegre — Que coincidência, estava pensando em você agora mesmo… — A tristeza e a raiva de Han crescia cada vez mais. Depois disso a conversa ficou picada, só podiam deduzir o que estava sendo falado — Ah sim sim… Ótima ideia!... Uhum… Já fiz isso… já falei com ela… tudo certo pro nosso jantar, já confirmei, será neste sábado às dezenove no Flavors... Ok ok… beijo, te amo.
Han não precisava ouvir mais nada, cada palavra daquela conversa apenas confirmava suas teorias. Seu peito pesava, a mente girava num turbilhão de emoções que ele não queria encarar agora.
Sem trocar uma única palavra com Jeongin, tirou o casaco que experimentava e entregou à atendente, seus movimentos automáticos e mecânicos, como se sua energia tivesse sido drenada. Então, simplesmente se virou e saiu da loja.
O ar fresco da rua não ajudou em nada a aliviar a opressão que sentia no peito. Ele caminhou em passos firmes, mas carregados de exaustão emocional, até o carro. Sem pensar duas vezes, abriu a porta do passageiro e se jogou no assento, recostando-se no banco e passando as mãos pelo rosto, como se tentasse afastar os pensamentos sufocantes que o dominavam. Não estava em condições para dirigir.
Poucos minutos depois, Jeongin chegou. Fechou a porta do carro sem pressa, observando de relance a fachada iluminada da loja de vestidos de noiva. Sem dizer nada, colocou a mão no volante, mas antes de dar a partida, olhou para Han ao seu lado.
Seu amigo estava estático, perdido em pensamentos e afundado na própria dor silenciosa. Jeongin não tentou dar discursos motivacionais ou palavras vazias de consolo, sabia que Han precisava apenas de um gesto simples, mas sincero.
Então, colocou sua mão sobre a dele, apertando-a com suavidade. Era um gesto pequeno, mas transmitia o que palavras não conseguiriam dizer.
Depois de um tempo, Jeongin quebrou o silêncio.
— Hannie. Vamos pra minha casa. Vou fazer seu prato favorito pro jantar de hoje e podemos assistir aquela série que você gosta.
— Innie… eu quero acabar logo com isso. Não aguento mais sofrer por ele. Eu acreditei que isso fosse real e era tudo uma grande mentira desde o começo. Estou cansado, mas quero ir até o fim com isso. Vou no jantar deles, quero esfregar na cara dele o ódio que eu tô sentindo. Eu sei que você vai dizer que eu devo esquecer isso, viver minha vida e me afastar dele, mas não consigo simplesmente deixar isso pra lá como se não fosse nada. Eu o amo demais e justamente por isso dói tanto — Jisung suspirou, tombou a cabeça no banco e olhou para o céu através da janela do carro.
— Tudo bem Hannie. Mas por hoje chega. Não se machuque assim. Vamos descansar e depois pensamos melhor sobre isso. — Jeongin colocou o cinto de segurança no amigo que parecia não se importar com nada. Seu olhar estava perdido em direção a loja de noivas.
…
Felix fez uma pausa, retirou os óculos e esfregou os olhos, sentindo a ardência causada pelo excesso de leitura. Suspirou pesadamente ao encarar a pilha de documentos que ainda precisava avaliar.
Apesar de admirar a dedicação dos novos funcionários e seu desejo de crescer na empresa, ler cada uma daquelas propostas em tempo recorde estava sendo exaustivo.
Se ao menos Hyunjin estivesse por perto para ajudar, o trabalho seria bem menos árduo. Mas, como sempre, ele desaparecia justamente quando Felix mais precisava dele.
Felix precisava de uma pausa. Seu corpo e sua mente pediam por um respiro, e uma xícara de café forte parecia ser a solução perfeita para recuperar as energias e encarar o restante do dia.
Pegou o casaco e seguiu para o elevador, descendo até o térreo. A cafeteria, localizada alguns quarteirões à frente, era um ritual matinal que ele jamais abandonava. O aroma do café recém-passado e o ambiente aconchegante sempre lhe traziam um mínimo de conforto em meio ao caos da rotina.
Mas, por mais que apreciasse aquele lugar, não conseguia evitar as lembranças, que eram tão lindas quanto dolorosas, porque Bang Chan fazia parte delas.
Felix aproveitava cada gole de seu expresso, desfrutando de um raro momento de paz. Mas essa tranquilidade foi abruptamente interrompida quando Bang Chan entrou na cafeteria, carregando um bebê no colo.
Felix arqueou uma sobrancelha, observando a cena. Chan tentava, de maneira desajeitada, equilibrar a criança enquanto fazia um verdadeiro malabarismo para ajustar a alça de uma bolsa enorme que pendia de seu ombro.
A cena era cômica, apesar de toda dor que sentia. Felix não conteve o riso. Chan nunca foi um exemplo de equilíbrio, e agora, tentando lidar com uma criança e uma bolsa pesada ao mesmo tempo, parecia prestes a derrubar tudo ao seu redor.
Com um suspiro e um sorriso involuntário, Felix se levantou para ajudá-lo.
— Deixa que eu te ajudo — Disse Felix pegando a bolsa de Bang Chan que por sinal estava pesada, talvez pelas mamadeiras cheias de leite e todo o kit de sobrevivência para um bebê.
— O-obrigado — Bang Chan sentiu um frio na barriga com aquela surpresa, seus olhos marejaram ao ver seu amor parado diante dele o ajudando.
— Prazer, me chamo Felix — Felix sorriu e Bang Chan retribuiu o sorriso — Posso acompanhar esses dois cavalheiros para um café?
— Claro que pode — Bang Chan queria chorar, queria abraçar Felix, sentia sua falta — Me chamo Christopher, mas pode me chamar apenas de Chan. Esse garotão aqui é o meu filho Ryan. Diz oi pra ele Ryan — Bang Chan mostrou o filho que apenas dormia tranquilamente em seu colo, Felix sorriu e fez um carinho suave em seu bracinho.
— Prazer em conhecê-lo, Ryan. Você deve ter um papai muito babão — Felix olhou para Bang Chan — Sua esposa é sortuda por ter uma família tão linda assim.
— Sou pai solteiro — Bang Chan sorriu, Felix parecia ser frio e indiferente para quem não o conhecia muito bem, mas na verdade ele era o contrário disso — Quer dizer, Ryan tem a mãe também, mas não estamos juntos. Ela tem o amor dela e eu tenho o meu.
Felix desviou o olhar, tentando conter o sorriso que insistia em se formar em seus lábios. Mas era inútil. Sentia falta de Chan.
Durante as semanas em que estiveram separados, teve tempo para refletir, para organizar seus pensamentos e compreender melhor seus sentimentos. A verdade era que o problema nunca foi o fato de Chan ter um filho. Sim, não era algo simples, mas uma criança sempre era uma dádiva.
O que realmente o magoou foi a mentira, a omissão de algo tão importante, o medo de Chan em confiar nele completamente. Mas agora, olhando para Chan segurando o pequeno Ryan com tanto carinho, Felix sabia que aquele homem era a pessoa certa para ele.
E se havia algo que aquela separação lhe ensinou, era que esse amor valia a pena.
Felix não sabia exatamente como as coisas seriam dali para frente, não tinha todas as respostas, mas queria tentar. Porque Ryan era adorável, e Chan… bem, Chan era o amor da sua vida.
— Então Sr. Christopher, me conte, Ryan é um garotinho bonzinho ou ele é muito atentado igual ao pai?
Bang Chan sorriu largamente, seus olhos brilhando de felicidade. Se havia algo que adorava, era falar sobre Ryan, ainda mais com o amor de sua vida.
E agora, Felix estava ali, diante dele, lhe dando uma segunda chance.
O peso da incerteza que carregou durante as últimas semanas se dissipava como névoa ao sol. Com Ryan em seus braços e Felix ao seu lado, Chan se sentia completamente feliz.
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