Lies
25 Ambiente de Trabalho

Jeongin não conseguia deixar de se preocupar com Han. O amigo estava calado, comendo pouco e dormindo mal. Seus olhos antes tão vivos agora pareciam sempre distantes, presos em pensamentos que ninguém conseguia alcançar.
Lee Know também percebeu que Han não estava bem. Tentou se aproximar, insistiu em conversar, mas sempre recebia o silêncio como resposta. Han simplesmente o ignorava ou virava as costas e ia embora, sem dar qualquer explicação.
Jeongin, vendo que aquilo só estava piorando a situação, pediu para que Lee Know desse um tempo. Han precisava de espaço, e insistir só o afastaria ainda mais. Apesar da dor de estar longe, Lee Know compreendeu e aceitou o pedido de Jeongin.
No fim de semana, Han ficou na casa de Jeongin. Sabendo que ele estava emocionalmente fragilizado, Jeongin não queria deixá-lo sozinho. Mesmo lidando com suas próprias ansiedades, fez questão de estar ali, ao lado do amigo, oferecendo o apoio silencioso que ele precisava.
O dia da apresentação se aproximava, e Jeongin sentia um frio na barriga só de imaginar o momento em que teria que defender seu projeto diante dos diretores da empresa, incluindo Felix e o CEO. A tensão era inevitável, mas não maior do que sua confiança.
Ele sabia que tinha se preparado bem. Pesquisou a fundo, dominava o assunto e, acima de tudo, tinha desenvolvido um projeto sólido e inovador. Mas o que realmente o fazia sentir-se pronto era o fato de ter tido ao seu lado alguém que, apesar de ser apenas um simples faxineiro aos olhos dos outros, possuía um conhecimento surpreendente sobre negócios, gestão, administração e marketing.
Hyunjin o ajudou a lapidar suas ideias, a enxergar detalhes que talvez tivessem passado despercebidos. Foi mais que um apoio, foi um mentor, um guia nos bastidores. E agora, Jeongin estava pronto para brilhar.
Quando saiu de casa naquela manhã, deixou café e pães fresquinhos na mesa para quando Han acordasse. Ao ligar a sua velha moto, o telefone tocou e ele sorriu ao ver que era Hyunjin que estava ligando.
— Bom dia namorado — Hyunjin não cansava de chamá-lo assim desde que Jeongin tinha aceitado o namoro — Eu sei que você está saindo e que não pode se atrasar. Hoje é o dia de apresentar o projeto e queria te desejar boa sorte. Vai dar tudo certo, confie em você mesmo. Seu projeto é incrível e sua ideia é inovadora. Tenho certeza que será a escolha do meu pa… — Hyunjin limpou a garganta — do CEO.
Jeongin suspirou de alívio, falar com Hyunjin o deixava mais calmo.
— Obrigado, Hyun. Vou dar o meu melhor. Se eu sobreviver a essa reunião quero sair com meu namorado. Preciso beber e beijar até cansar.
— Sair com seu namorado? Quem é seu namorado? — Hyunjin adorava ouvir isso.
— Ai céus. Você é meu namorado. Hyunjin é meu namorado. Satisfeito?
— Não. Quero ouvir isso pessoalmente. Não quero te atrasar, vou desligar mas vou estar lá perto, está bem? Beijos, te amo, Innie.
— Também te amo, Hyun — Jeongin encerrou a ligação com um sorriso bobo. Às vezes se sentia culpado por estar tão feliz enquanto seu amigo estava tão triste. Mas tinha o direito de curtir seu namoro.
Ao chegar na empresa, Jeongin seguiu direto para o banheiro, onde fez uma última checagem em sua aparência. Ajustou a gravata, certificando-se de que não estava torta, e passou os dedos pelos cabelos, ainda se acostumando com o penteado para trás. Não era como costumava usá-los, mas a ocasião exigia formalidade, e ele queria passar a imagem de profissionalismo impecável.
Na sala de reunião, alguns homens engravatados já estavam posicionados ao redor da imponente mesa de conferências, conversando em tons baixos enquanto aguardavam o início da apresentação. Felix e o CEO ainda não haviam chegado, o que trouxe um breve alívio para Jeongin. Ter aquele momento antes de tudo começar lhe permitiria organizar seus pensamentos.
Escolheu uma cadeira vazia, abriu seu notebook sobre a mesa e começou a reler sua proposta, revisando mentalmente os principais pontos. Estava determinado a apresentar um projeto impecável.
Foi então que Will entrou na sala. Com sua postura arrogante e um sorriso presunçoso, ele se acomodou ao lado de Jeongin, como se fizesse questão de lembrar sua presença. Jeongin não precisou desviar os olhos da tela para sentir a energia provocativa do colega.
— Boa sorte, Jeongin — disse Will com um sorriso nada amigável. Jeongin sentia de longe o seu sarcasmo.
— Não preciso de sorte. Eu trabalhei e me esforcei muito nesse projeto.
— Está tão confiante assim?
— Sim, estou. Posso não ganhar hoje, mas sei que fiz um bom trabalho.
Will soltou uma risada baixa e presunçosa, o que fez Jeongin se sentir incomodado. A atitude do colega tinha um quê de provocação, algo que ele já conhecia bem. Desde que começaram a trabalhar na empresa, a rivalidade entre os dois era evidente, mas agora, com a promoção em jogo, a competição tomava proporções ainda maiores.
Jeongin respirou fundo e tentou esvaziar a mente. Não deixaria que Will o desestabilizasse. Independentemente do que o outro tivesse preparado, ele sabia que havia feito um excelente trabalho. Cada detalhe do seu projeto tinha sido pensado e refinado com dedicação. Tinha dado tudo de si.
E se no fim Will apresentasse uma ideia melhor, o importante era que Jeongin se orgulhava do próprio esforço.
Quando o CEO entrou acompanhado de Felix, todos se levantaram e fizeram uma reverência respeitosa. Jeongin sentiu a palma das mãos suar instantaneamente. Seu coração acelerou ao perceber que o momento tão esperado estava cada vez mais próximo.
Após as apresentações formais, as apresentações dos projetos começaram. Um rapaz novato do setor de Planejamento foi o primeiro a expor suas ideias. Felix fazia anotações rápidas, enquanto o CEO o observava com o olhar atento de um julgador experiente, sem demonstrar nenhuma emoção.
Em seguida, uma moça do setor de Marketing Estratégico apresentou uma proposta bem estruturada, trazendo insights inteligentes que captaram a atenção da sala. Jeongin tentava manter a compostura, mas a cada apresentação bem-sucedida, sua ansiedade crescia.
Então, chegou a vez de Will. Jeongin apertou os punhos discretamente sob a mesa. Depois dele, seria sua vez.
Quando Will começou a apresentação, Jeongin sentiu seu corpo enrijecer em um misto de incredulidade e raiva. Cada palavra que saía da boca de Will era sua, cada gráfico, cada argumento, cada estratégia. Ele havia roubado seu projeto e sequer teve a decência de alterar o título.
A indignação queimava dentro de Jeongin como um incêndio prestes a sair de controle. Ele apertava a caneta com tanta força que temia quebrá-la. Seu instinto gritava para que se levantasse e expusesse a verdade ali mesmo, mas sabia que precisava manter a calma. Agir impulsivamente diante da diretoria poderia custar não apenas sua credibilidade, mas também sua chance de reverter aquela situação da maneira certa.
Quando Will concluiu sua apresentação, a sala foi tomada por um breve silêncio, logo quebrado pelo CEO, que esboçou um raro sorriso de satisfação. Pela primeira vez, ele demonstrava real interesse em uma das propostas apresentadas. Felix também elogiou a criatividade e inovação do projeto, enquanto os demais avaliadores trocavam olhares de aprovação.
Jeongin sentiu um nó se formar em sua garganta. Eles estavam todos impressionados. Satisfeitos. Admirados. E não faziam ideia de que a proposta que aplaudiam havia sido roubada.
— Agora ouviremos a apresentação de Yang Jeongin. Por favor, Sr. Yang — Felix deu a vez de Jeongin falar.
Jeongin se levantou com dificuldade, sentindo as pernas pesadas, como se estivessem presas ao chão. Era como se todo o esforço que dedicou àquele projeto tivesse sido arrancado de si, deixando apenas um vazio esmagador. Respirou fundo, tentando ignorar a sensação de impotência, e caminhou até o projetor.
Todos o observavam com expectativa, esperando que apresentasse algo tão bom quanto o projeto anterior. Mas como poderia, se aquele projeto já havia sido roubado? Seu olhar percorreu a sala e encontrou Will, sentado confortavelmente, com um sorrisinho satisfeito nos lábios.
Jeongin cerrou os punhos discretamente, segurando o ímpeto de avançar sobre ele. A raiva queimava em seu peito, mas não deixaria que isso o derrubasse. Não ali, não na frente de todos. Precisava ao menos manter a calma.
— Boa tarde a todos… me Chamo Yang Jeongin e… — Jeongin fez uma pausa, não sabia o que dizer, queria sair dali correndo. Não tinha mais o que fazer, então decidiu jogar a merda no ventilador. De qualquer forma, tudo já estava perdido — bem, eu tinha um projeto incrível que trabalhei por semanas para apresentar hoje, mas infelizmente meu caro colega, O Sr. Will, roubou meu projeto.
Will se levantou abruptamente.
— Como ousa me acusar?
— Will, esse é o meu projeto. Eu não sei como você teve acesso a ele mas… — Jeongin se lembrou de quando deixou o projeto na mesa de Felix e imaginou que talvez tenha sido naquele momento — Enfim, não sei como você conseguiu, mas isso é crime.
— Crime é você me acusar sem provas, Sr. Yang.
— Acalmem-se, senhores — Felix interveio antes que a situação escalasse para algo pior. Sua voz soou firme, mas sem perder a compostura. Ele ajustou os óculos e lançou um olhar analítico para Jeongin. — Sr. Yang, o senhor possui alguma prova concreta de que esse projeto é de sua autoria?
Jeongin sentiu um nó se formar em sua garganta. Mil respostas lhe passaram pela mente, mas nenhuma que realmente pudesse mudar aquela situação. Seu coração acelerou, e um peso esmagador tomou conta de seu peito.
— Não, senhor. — Sua voz saiu mais baixa do que gostaria. Ele abaixou a cabeça, sentindo o olhar dos presentes sobre si como uma lâmina afiada. Era um profissional competente, havia se dedicado e trabalhado duro. Mas ali, diante da falta de provas, sentia-se impotente, pequeno e irrelevante.
Não era apenas uma derrota. Era a sensação amarga de ver todo seu esforço ser roubado e não ter como se defender e expor a verdade.
A porta se abriu com um estrondo, fazendo todos os olhares se voltarem, curiosos e surpresos. Hyunjin entrou com passos firmes, e embora vestisse seu uniforme de faxineiro, sua presença exalava uma imponência digna de alguém trajando o terno mais caro do mundo.
— Boa noite, coleguinhas — Ele sorriu. O tom de voz carregado de prepotência. — Tenho provas incontestáveis de que este projeto pertence a Jeongin.
O silêncio tomou conta da sala. Jeongin franziu o cenho, sentindo o estômago revirar. Fez um gesto discreto para que Hyunjin recuasse, negando com a cabeça. Aquele não era o momento para fazer uma cena.
Mas Hyunjin não parecia se importar. Seu olhar confiante e a postura ereta deixavam claro que ele não sairia dali sem provar seu ponto.
— Você tem provas? Um faxineiro? — Will deu risada.
— O faxineiro que vai te demitir hoje — Hyunjin tinha sua típica expressão snobe.
— Alguém tira esse lunático daqui, por favor. Estamos em uma reunião com pessoas importantes… quer dizer, nem todas. — Will lançou um olhar venenoso para Jeongin, um sorriso presunçoso nos lábios.
Antes que alguém pudesse reagir, Hyunjin caminhou até a ponta da mesa e, com toda a naturalidade do mundo, sentou-se ali, em cima da mesa, suas pernas balançando no ar. O gesto foi ousado, desrespeitoso para com a hierarquia da empresa, mas ele parecia completamente à vontade.
— Ah, desculpem. Esqueci de me apresentar. — Seu sorriso carregava uma confiança quase insolente. — Meu nome é Hwang Hyunjin, herdeiro desta empresa e também Diretor Executivo.
Um silêncio pesado tomou conta da sala. Todos os olhares estavam sobre ele, uma mistura de choque e incredulidade refletida nos rostos dos presentes.
— E lamento informar, senhor Will, mas você está demitido por justa causa devido à fraude.
Jeongin sentiu o ar faltar por um instante. Olhou para Hyunjin como se estivesse vendo um estranho.
"Herdeiro? Diretor?" — O pensamento ecoou em sua mente. Sua visão ficou turva por um instante, a realidade lhe atingindo como um soco.
Nada fazia sentido. Seu namorado, o homem que ele acreditava ser um simples faxineiro, agora se revelava como uma peça-chave daquela empresa.
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