Lies

12 Cerveja barata e pés de galinha



Jeongin estava deitado de barriga para baixo, completamente imerso na leitura de seu livro. O silêncio do quarto e o leve farfalhar das páginas tornavam o momento perfeito para relaxar.

Ele estava tão concentrado que nem notou quando Han saiu do banho.

Foi pego completamente de surpresa quando, do nada, Han pulou em cima dele, derrubando o livro de suas mãos e quase tirando o ar de seus pulmões.

— HAN! — Jeongin gritou, tentando se virar, mas Han já estava rindo alto, se apoiando nele como se fosse um colchão.

— O que você tá lendo? — Han perguntou, espiando o livro caído ao lado.

— O livro se chama “Amigo sem noção” — Jeongin retrucou, tentando empurrá-lo para o lado.

— Achei que você ia gostar de um abraço surpresa. — Han respondeu, rindo, se recusando a sair de cima.

Jeongin suspirou dramaticamente.

— Você pesa mais do que parece.

— E você é mais macio do que parece. — Han retrucou, se aconchegando ainda mais, rindo da irritação crescente do amigo — Te amo, Innie — Han abraçou Jeongin que tentava a todo custo empurrá-lo.

— O que deu em você? Tá grudento demais.

— Não deu nada, não posso abraçar meu amigo lindo?

— Não, sai de cima de mim. Já até imagino que essa animação toda tem nome… Lee Know, acertei?

— Chato! Tá achando que eu só fico feliz por causa dele? Me poupe né.

— Hannie, sério, o que rolou?

— Tá, ele me chamou pra ir em um aquário, mas eu não tô feliz por causa disso. Tô feliz por estar com você, meu bebê pãozinho.

— Eu sei que sou um bebê mas não nasci ontem. Toda essa animação é pra ver peixe?

— Não é só pra ver peixe…

— Ah sim, é pra ver o Lino — Jeongin o interrompeu.

— Não idiota, é um evento que eu estava querendo muito ir e ele conseguiu os ingressos.

— Muita coincidência.

— Tanto faz, vou apenas para ver as belezas do fundo do mar.

— Do fundo do mar, sei.

— Olha quem fala, você vai sair com o faxineiro gostosão que eu sei.

— Mas não tô com esse fogo no cu que você tá.

— Não é pra tanto e no meu caso não é um encontro.

— Nem no meu, só vou mostrar algumas novidades da cidade pro Hyun.

— E eu só vou ver … peixes.

Em silêncio, os dois olharam um pro outro e então caíram na gargalhada, ambos sabiam que estavam mentindo um pro outro.

Hyunjin estava sentado no banco da praça, aguardando Jeongin com paciência. O dia estava agradável, o céu azul e sem nuvens, uma brisa fresca suavizando o calor do sol.

Ele aproveitava o momento tranquilo, perdido em seus próprios pensamentos, até que um barulho estrondoso, parecido com uma metralhadora enferrujada, rasgou o ar e o fez franzir a testa.

Hyunjin virou a cabeça e então, lá estava ele.

Jeongin se aproximava triunfante em cima de uma moto que parecia ter saído de um ferro-velho. O motor tossia como se estivesse prestes a dar seu último suspiro, cada peça rangia de um jeito que parecia um pedido desesperado por aposentadoria.

Quando Jeongin finalmente parou o veículo na frente dele, Hyunjin cruzou os braços, encarando aquele veículo pré histórico.

— Isso aí... anda mesmo? — perguntou, incrédulo.

Jeongin tirou o capacete e sorriu.

— Óbvio! Anda e ainda faz barulho. Bem estiloso, né? Gostou da sua carruagem real, Príncipe Hyunjin?

Hyunjin piscou devagar, tentando absorver a situação.

— Você tem certeza que essa coisa não vai explodir com a gente em cima?

Jeongin bateu no guidão da moto com confiança.

— Relaxa, é mais resistente do que parece.

Hyunjin não estava convencido.

— Essa é exatamente a frase que alguém diz antes de dar tudo errado. Mas, é melhor que uma abóbora — Hyunjin riu.

Jeongin entregou o capacete reserva para Hyunjin, que o pegou com certa hesitação antes de finalmente sentar na garupa da moto.

No momento em que seus braços envolveram a cintura de Jeongin, ele soltou um suspiro discreto.

“Ok... talvez valha a pena correr o risco de pegar tétano nessa moto velha”.

Hyunjin aproveitou cada segundo daquele trajeto, sentindo o calor do corpo de Jeongin e aproveitando o perfume suave que ele exalava.

Quando finalmente pararam, Hyunjin ergueu o olhar e analisou o local. Um quiosque simples, coberto por lonas verdes, onde um senhor servia alguns clientes sentados em mesinhas de plástico desgastadas pelo tempo.

Definitivamente, ele nunca tinha frequentado um lugar assim antes.

Ainda um pouco desconfiado, desceu da moto, tirou o capacete e o entregou para Jeongin.

— Então... — começou, olhando ao redor. — Isso é o que chamam de “experiência cultural”?

Jeongin sorriu, divertido.

— Isso é o que chamam de “a melhor comida que você já comeu na vida”. O melhor restaurante cinco estrelas Michelin.

Hyunjin ergueu uma sobrancelha, mas seguiu Jeongin mesmo assim.

“Bom... pelo menos o guia turístico é lindo”.

Quando Jeongin tirou o capacete, para Hyunjin o mundo congelou.

Ele assistiu em câmera lenta os fios sedosos de Jeongin deslizando suavemente para fora do capacete, bagunçando-se no ar como em uma cena perfeitamente coreografada.

Por um instante, Hyunjin se sentiu um mero espectador diante de uma obra de arte, um admirador fascinado por cada detalhe da beleza diante dele. Respirou fundo, tentando recuperar a compostura, e seguiu Jeongin até uma mesa vazia.

Conforme se sentavam, percebeu algo curioso. Fora do ambiente de trabalho, Jeongin parecia outra pessoa. Estava mais relaxado, mais sorridente, e de alguma forma… ainda mais bonito. O jeito que as roupas casuais se ajustavam a ele, o brilho nos olhos ao estar em um lugar que claramente gostava, tudo o tornava ainda mais hipnotizante.

Jeongin levantou a mão, chamando uma atendente que veio rapidamente até a mesa.

— Uma porção de pé de galinha e algumas garrafas de soju, por favor.

Hyunjin piscou, sentindo um leve arrepio percorrer sua espinha.

“Pé de galinha? É possível comer isso?”

O pedido chegou rapidamente, e Jeongin, animado, serviu uma dose de soju para ele com um sorriso divertido.

Hyunjin olhou para o copo e depois para Jeongin. Percebeu que, naquele momento, não se importava tanto com o que estava bebendo… mas com quem estava ali com ele.

— Faz tempo que não bebo isso — Hyunjin sentiu de longe o cheiro forte do álcool.

— Vira, vira, vira — Jeongin brincou — Num gole só, vamos, vamos.

Hyunjin respirou fundo e num gole só engoliu a dose da bebida que desceu rasgando na sua garganta, foi inevitável não fazer careta, Jeongin deu uma gargalhada.

— Nossa, como você bebe fofo.

— Isso foi um elogio? — Hyunjin sorriu sem entender o sentido da frase.

— Não, isso foi uma crítica, precisa aprender a beber e vou te ensinar, vem com o pai.

Ele estendeu o copinho e Hyunjin lhe serviu uma dose. Jeongin virou a bebida de uma vez só e sorriu como se estivesse bebendo suco de morango.

— Fraquinha, mas dá pro gasto.

— Meu deus, o que é forte pra você? Gasolina?

— Olha, você me deu uma boa ideia de drink, gasolina com Gin… Aqui é Alcohol Free — Jeongin deu risada.

Quando a porção de pés de galinha chegou à mesa, Hyunjin precisou se controlar muito para não fazer uma careta.

O prato definitivamente não era algo que ele pediria por conta própria, mas Jeongin comia com tanto gosto que despertou uma certa curiosidade nele.

Respirou fundo e pegou um dos pés, analisando a aparência estranha do alimento com uma expressão hesitante.

Fechou os olhos e levou à boca, esperando pelo pior. Mas, para sua surpresa, o sabor era bom. Na verdade, era muito bom. O tempero era rico, picante na medida certa, e a textura era curiosamente agradável.

Sem pensar muito, pegou outro. Depois mais um. Em questão de minutos, estava comendo como se fosse ostras na concha ou caviar em um restaurante de luxo.

Jeongin, que observava tudo com um sorriso vitorioso, bateu levemente o copo de soju contra o dele.

— Viu? Eu te disse.

Hyunjin apenas riu, levantando o copo para brindar novamente.

— Ok, você ganhou essa.

— Agora precisamos fazer o ritual da Tequila — Informou Jeongin.

— Que ritual?

Jeongin pediu uma garrafa de Tequila, alguns limões cortados e sal. Organizou tudo na mesa e olhou para Hyunjin com um sorrisinho.

— É simples, você coloca um pouco de sal no dorso da mão e lambe, toma um shot de Tequila e chupa o limão.

— Isso parece fácil — Hyunjin pegou a garrafa da bebida e serviu os dois.

— Pra deixar isso mais interessante, vamos fazer de outro jeito... — Jeongin disse, pegando uma pitada de sal e espalhando lentamente pelo próprio pescoço.

Hyunjin arqueou uma sobrancelha, surpreso e intrigado ao mesmo tempo. Mas o sorriso provocativo de Jeongin deixava claro que ele sabia exatamente o que estava fazendo.

Hyunjin mordeu os lábios, sentindo a excitação daquela brincadeira gostosa. Com um olhar intenso, se aproximou lentamente, segurando o braço de Jeongin com firmeza enquanto sua outra mão pousava suavemente na nuca dele.

O momento se arrastou em segundos carregados de tensão antes que Hyunjin inclinasse a cabeça e passasse a língua no pescoço de Jeongin, lambendo o sal com movimentos lentos.

O gosto salgado se misturou ao calor da pele, e o arrepio que percorreu o corpo de Jeongin foi imediato. Ele deixou escapar um gemido involuntário, a respiração falhando levemente.

Hyunjin se afastou apenas o suficiente para pegar a dose de tequila e virá-la de uma vez, sentindo o líquido quente queimar sua garganta. Por fim, lambeu o limão. Ele riu entre soluços, passando a língua pelos lábios ainda úmidos.

— Esse ritual é bem gostoso, — murmurou com um sorriso bobo.

Jeongin piscou algumas vezes, ainda sentindo os efeitos do toque de Hyunjin.

— É... — Sua voz saiu um pouco mais rouca do que pretendia. — Definitivamente gostoso. Agora é a minha vez.

Jeongin mordeu os lábios, pegando uma pitada de sal e espalhando devagar no pescoço de Hyunjin. Mas quando se inclinou para lamber o sal, não teve a menor pressa.

Seu toque foi lento, provocador, a língua passeando pela pele quente de Hyunjin antes de se transformar em beijos suaves e mordidinhas sutis. Cada movimento fazia Hyunjin perder um pouco mais da razão.

Seu corpo reagiu no mesmo instante. Ele agarrou Jeongin com força, puxando-o diretamente para seu colo.

A ação foi instintiva, faminta. Hyunjin enterrou o rosto no pescoço dele, retribuindo cada provocação com beijos quentes e mordidas que fizeram Jeongin arfar.

— Doido... — Jeongin murmurou, tentando recuperar o fôlego, as mãos apertando os ombros de Hyunjin. — A gente ainda está em público...

Hyunjin sorriu contra sua pele, os olhos brilhando com desejo.

— E daí?

Jeongin riu, deslizando os dedos pelo cabelo dele antes de sussurrar:

— Quer ir pra minha casa? Podemos terminar o tour pela cidade lá... — sua voz carregava uma malícia evidente — Posso te mostrar vários lugares memoráveis. A vista vai ser maravilhosa.

Hyunjin mordeu o lábio inferior, o coração martelando no peito.

— Quero explorar cada parte.

Notas finais
Eita HyunIN? Que ousadia é essa de vocês heim? Enquanto isso, Hannie todo bobinho com o encontro que não é encontro com o Lino... ai ai...