Lies
33 Cadê os nossos "Felizes para sempre"?

Jeongin já não suportava mais aquele ambiente carregado de conversas superficiais e pessoas vazias, imersas em um mundo de futilidades. Questionava-se como Hyunjin conseguia conviver com tudo aquilo sem enlouquecer. Seus olhos buscaram o namorado, que socializava com um sorriso impecável no rosto, mantendo uma postura perfeita. Mas Jeongin o conhecia bem o suficiente para perceber a verdade por trás daquela fachada. Hyunjin odiava estar ali tanto quanto ele, mas era profissional e um excelente ator quando necessário. Manter boas relações com aquelas pessoas fazia parte do jogo, um sacrifício essencial para os negócios.
Um aperto tomou conta do peito de Jeongin. Ele sentiu pena do namorado, da pressão que ele carregava por trás daquele sorriso ensaiado. Queria segurá-lo pela mão e fugir dali, levá-lo para um lugar onde tudo fosse mais simples, longe das formalidades sufocantes. Uma praia tranquila, um refúgio só deles, onde pudessem ser apenas Hyunjin e Jeongin, sem máscaras, sem obrigações. Apenas os dois, vivendo e respirando liberdade.
— Amor, preciso discutir algo com aquele homem esquisito ali, já volto. Te amo muito — Hyunjin deu um beijinho em sua testa e saiu.
Jeongin ficou desconfortável sozinho no meio daqueles jovens ricos. Aquela era a festa mais chata que já tinha ido na sua vida. Preferia um churrasco com cerveja, amigos e música animada. Mas queria ser um bom namorado e apoiar Hyunjin.
— Oi, você é o Jeongin? — perguntou uma moça alta segurando uma taça de champanhe.
— Sim… — respondeu desconfiado, nunca tinha visto aquela mulher — Sou eu mesmo.
— Ah sim, prazer em conhecê-lo. Sou uma grande amiga do Hyunjin e estava ansiosa para ver de perto o namorado dele — ela o olhou dos pés a cabeça. Jeongin sentiu agressividade em seu olhar apesar dela tentar disfarçar com um sorriso doce.
— Prazer em conhecê-la. E sim, sou o namorado do Hyunjin.
— Hum… seu sobrenome é Yang correto? — perguntou com um tom de voz debochado —, não conheço os Yang’s. Quem são seus pais? Eles trabalham com o quê?
— Meu pai é porteiro e minha mãe é dona de casa.
A moça deixou escapar uma risadinha desdenhosa.
— Porteiro e dona de casa?
— Sim. Algum problema?
— Problema nenhum. Vejo que Hyunjin está namorando alguém muito… interessante. Acha que isso vai dar certo? Não te conheço muito bem, mas de longe posso ver o quanto você está odiando esse lugar. Não acha que Hyunjin merece alguém como ele ao seu lado?
— Acho que Hyunjin merece estar com alguém que ele ama. Licença, preciso ir ao banheiro. Sua presença me dá vontade de vomitar.
Saiu antes que a mulher pudesse dizer mais alguma asneira, seu limite de paciência para aquele tipo de ambiente já havia se esgotado. Precisava de um momento sozinho, longe daqueles olhares julgadores que pareciam pesar sobre ele a cada segundo. No banheiro, abriu a torneira e jogou água no rosto, sentindo o líquido frio escorrer pela pele. Olhou-se no espelho e suspirou. Mesmo com a maquiagem cuidadosamente aplicada, suas olheiras eram visíveis, denunciando o cansaço que sentia. Não era apenas físico, mas mental. Estava exausto de acompanhar Hyunjin nesses eventos, tentando se encaixar em um mundo que não era o seu.
Enquanto observava seu reflexo, uma decisão começou a tomar forma em sua mente. Precisava mudar algo em sua vida. Trabalhar para Hyunjin parecia conveniente no início, mas agora percebia o quanto aquilo o estagnava. O namorado, mesmo sem perceber, era condescendente demais com ele, o poupava de tarefas difíceis e o favorecia sempre que podia. Isso não era bom para seu crescimento profissional. Jeongin não queria ser visto como alguém que apenas usufruía da influência de Hyunjin. Precisava traçar seu próprio caminho, construir sua carreira com méritos próprios.
Era hora de tomar uma decisão. E quanto mais rápido, melhor.
…
Jeongin ajeitou a almoçada no colo de Jisung e deitou.
— Pleno sábado e você está aqui? Não ia sair com Hyunjin?
— Ele foi pra um evento importante na inglaterra, me pediu pra ir, mas eu precisava terminar algumas coisas da faculdade e fazer uma apresentação do projeto… mas pra ser bem sincero eu não estava com vontade de ir.
— Sério? Por que não? Parece ser tão divertido viajar e conhecer outros países — Han fez carinho em seus cabelos.
— De certa forma é, mas eu sempre fico sozinho quando acompanho ele nesses lugares. Me sinto deslocado, juro que estou tentando me acostumar a tudo isso mas não to conseguindo. Queria que tudo fosse como antes.
— Innie, tem noção que é como se você fosse a primeira dama ou coisa do tipo? Hyunjin é o herdeiro de um conglomerado e todos os olhos estão voltados pra você.
— Isso é demais pra mim. Não queria ficar em evidência, só queria me formar, arrumar um emprego, comprar um carrinho legal, viver com o Hyunjin, no nosso cantinho, transar muito e encher a cara no fim de semana. Só quero uma vida simples.
— Sendo bem sincero, eu não sei se isso é possível. Todo esse destaque é a bagagem que veio junto com ele, está disposto a isso?
— Não sei, Hannie.
— Mais do que tudo, você precisa se priorizar. É legal você tentar entrar no mundo dele e o acompanhar na jornada, mas não pode deixar de viver sua própria vida.
— Sei disso, tenho planos individuais que são diferentes dos dele. Não sei o que fazer, estou confuso, tá uma bagunça aqui dentro.
— Amigo, eu to aqui pra você, de verdade, mas quero que tome decisões que o fará feliz.
— Não quero pensar nisso agora, só quero me distrair um pouco e saber como você está. Como estão as coisas com o Lino?
— Estão indo…
— Isso não me pareceu muito bom.
— É que eu não consigo controlar meu ciúmes, e às vezes me odeio por isso. Lino não me dá motivos pra ter ciúmes, mas eu simplesmente não me sinto bom o suficiente pra ele. Tem tantas pessoas a fim dele que são melhores que eu.
— Mas ele escolheu você. Pare de se sentir assim. Você é perfeito, é inteligente pra caralho, nunca tirou uma única nota baixa, sempre foi muito esforçado, além de ser lindo e fofo né. Odeio quando você não se acha bom o suficiente e não vê o quanto é incrível — Jeongin odiava ver que o amigo estava com aqueles sentimentos sobre si mesmo porque ele entendia exatamente o que Han estava sentindo, pois também se sentia pequeno e insuficiente para o status de namorado de Hyunjin.
— Falar é fácil, amigo. Se eu fosse tão incrível assim não pensaria em tais coisas. Esses dias eu fiquei com as mãos coçando pra ver o celular do Lino, ele estava tomando banho e chegou uma mensagem, fiquei curioso, mas sei que isso é errado. Preciso respeitar o espaço e a privacidade dele, até porque eu ia odiar se ele fizesse isso comigo.
— Ao menos você tem consciência disso, já é um bom começo — disse Jeongin.
— Amigo, cadê o nosso felizes para sempre? Começamos a namorar com as pessoas que amamos e mesmo assim a vida não está sendo um mar de rosas — disse Han.
— Porque essa é a vida real e por mais que estejamos com as pessoas que amamos ainda assim vamos passar por desafios e desentendimentos. Isso é normal e ninguém é perfeito. Hannie, não faz nem quatro meses que estamos namorando com eles, só vamos construir uma relação sólida com o tempo, precisamos ter paciência com eles e com nossas próprias falhas.
— Sábias palavras, amigo.
— Na teoria isso é lindo. Mas na prática é bem diferente.
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