Notas iniciais
Olá, pessoas, como vocês estão? Bom, como prometido, postei mais um capítulo, vou aproveitar antes que a faculdade e o trabalho consumam todo meu tempo. Gente, pela primeira vez em meses consegui responder os comentários. e gostaria de agradecer por todo o carinho. Venho aqui com uma ótima recomendação pra quem curte k-dramas, assistam Reply 1994, vocês vão amar. ♥ Bom, boa leitura. Espero que gostem do capítulo.

“Cause I don't need to satisfy tonight
It's like a cigarette in the mouth
Or a handshake in the doorway
I look at you and smile because I'm fine.”
On Top – The Killers

– Sasori? – um desespero imenso me invade quando vejo meu ex. – O que você está fazendo aqui?

Todos os xingamentos possíveis invadem minha mente.

– Sakura, eu... eu preciso conversar com você, porque eu... – nesse momento ele para e parece espantado com algo que ele viu atrás de mim. – Mas o que ele está fazendo aqui? – e sua voz parece carregada de raiva.

Quando olho para trás, vejo que é Sasuke. Por que, meu deus? Por que essas coisas sempre acontecem comigo? Fico sem ter o que dizer, mas a expressão de Sasuke denuncia que a visita de Sasori não o agrada nem um pouco. Vamos, Sakura, pense em algo para falar, vamos. Fico sem palavras quando Sasuke se aproxima e passa seu braço em volta da minha cintura em um gesto possessivo. Fico feito uma idiota olhando para Sasuke e para Sasori e vejo uma troca de xingamentos muda entre os dois.

– Eu estou aqui porque sou o namorado dela. – Sasuke diz, ácido. – Já você é o ex, logo conclui-se que é você que não deveria estar aqui, não é, Sakura?

– Sakura, eu preciso falar com você... – Sasori diz, e vejo que Sasuke franze o cenho, e posso notar que agora ele está verdadeiramente bravo. – a sós.

Cadê minha voz? Não consigo dizer nada, apenas fico olhando para os dois, esperando que o chão se abra em baixo dos meus pés e me engula. Faço um som qualquer e os dois olham para mim, esperando que eu tome alguma decisão. Sei que Sasuke quer que eu o mande embora, mas eu não sei se conseguirei. Sasori também quer que eu mande Sasuke embora, para conversarmos e tudo que eu consigo dizer é...

– Sasuke... – minha voz está baixa, porque algo em mim diz que eu estou tomando a decisão errada, mas ainda sim, é tudo que eu consigo fazer. – Sasuke... – eu o puxo de forma que nos afastamos de Sasori. – Acho melhor você ir embora, eu preciso conversar com ele. – Sasuke me olha, incrédulo. – Eu só preciso resolver essa situação, não me entenda mal.

Sasuke passa as mãos no cabelo, nervoso e faz um movimento negativo com a cabeça.

– Se você prefere ouvir as coisas que esse babaca tem a dizer, tudo bem. Não é como se nós tivéssemos uma relação de verdade de qualquer forma.

E ele se vai, lançando um ultimo olhar de raiva para Sasori, que o olha, vitorioso. As palavras de Sasuke ficam ecoando em minha mente e eu sinto uma pontada de dor como se tivesse feito algo errado. Por que eu me sinto assim? Ignoro essa sensação de mágoa quando digo para Sasori entrar e ele me lança um sorriso irritante. Respiro fundo e digo que irei ao banheiro. Mas assim que fico sozinha, sinto meus olhos marejarem. Eu sei que tomei a decisão errada, mas foi tudo que eu pude fazer.

Quando volto até a sala, Sasori está completamente confortável e parece satisfeito. Ver sua expressão de alegria, me faz ficar irritada, mas eu me recomponho e limpo a garganta, avisando-o da minha presença. Eu juro que poderia bater nele a qualquer momento, mas tento me acalmar e me sento na poltrona, ficando a sua frente.

– E então, sobre o que você quer conversar? – cruzo os braços e arqueio a sobrancelha enquanto ele continua sorrindo.

– Fico feliz que tenha mandado o seu... – ele faz aspas com as mãos. – “namorado” embora.

– Eu mandei ele embora porque senão ele iria partir sua cara ao meio. – digo, irritada. – Vamos, Sasori, o que você quer falar?

Ele me olha, sério, e parece ponderar o que vai dizer. De alguma forma, eu quero ouvi-lo. Não porque eu o ame, talvez olhar para ele agora, já não faça meu coração bater da mesma forma que batia. Seus olhos já não me interessam mais, nem seu sorriso me provoca suspiros, seus trejeitos, sua personalidade... nada me faz sentir saudade de quando estávamos juntos. É então que eu percebo, ele finalmente é passado e essa conversa é uma forma de fechar e enterrar o que passou.

– Sakura, eu cometi um erro quando me separei de você. Não sei onde eu estava com a cabeça, nem quando eu resolvi me interessar e ficar com a Tayuya. É tão difícil ouvir do seu relacionamento com aquele homem o tempo inteiro: nos jornais, nas revistas, na televisão... E tudo o que eu posso pensar é que sinto sua falta, eu sinto falta de estar com você, de acordar ao seu lado... Nada é mais o mesmo desde que eu te perdi... – ele parece triste e eu faço menção de dizer algo, mas ele é mais rápido. – Eu sei que eu errei, e errei feio quando te trai, quando eu não te apoiei, mas eu queria que você me desse mais uma chance. Eu sei que você não ama esse Sasuke, eu sei que você só está com ele pra me esquecer eu...

– Sasori, você me traiu. – digo, o cortando. – Não só por ter transado com a Tayuya na nossa cama, mas antes disso, você manteve um caso com ela por dois meses antes de eu descobrir, você nunca me apoiou quando eu estava passando por aquela crise. Você me culpou por tudo que deu errado... Você me ama ou simplesmente está com o ego ferido porque eu segui em frente? – cruzo os braços, agora o olhando nos olhos. – Eu não quero voltar pra você. Não só por tudo o que houve, não só porque você está casado, nem porque eu tenho o Sasuke, mas porque eu simplesmente não quero. Eu não te amo mais e eu não gosto mais de você. Nossa relação morreu.

Sasori parece surpreso e magoado, mas eu não me importo. É a verdade. Ele se mexe no sofá, incomodo e o ar vitorioso que ele tinha há alguns momentos agora desapareceu e ele parece desconfortável, como se nunca esperasse ouvir isso.

– Como isso é possível? Sakura, eu te amo, de verdade. Nunca deveria ter ficado com Tayuya em primeiro lugar, ela não é a mulher certa para mim.

– Bom, se ela não é a mulher certa, isso é um problema seu e você tem duas escolhas, Sasori, ou faz com que sua relação com ela dê certo, ou caia fora. Eu não sou um prêmio de consolação, que você recebe quando sua primeira opção não dá certo. Aliás, me faça um favor... – agora eu estou praticamente cuspindo as coisas que eu sempre tive vontade de dizer. – Pare de tratar as mulheres como prêmios de consolação. Nós não vivemos ao seu dispor. Não estamos aqui, a postos para quando sua vida dá errado. Você sempre fez isso, isso aconteceu com aquela americana Anne, antes de mim, eu, e agora Tayuya... Apenas pare. Se as coisas não deram certo, apenas assuma a sua responsabilidade e reveja seus atos. Eu não me importo se sua relação com a Tayuya não deu certo, porque você e ela... são apenas passado pra mim. E pare de me procurar. Eu não preciso ou quero ter outra conversa de término. Porque o nós, o relacionamento, tudo isso já era, acabou.

– Você nunca vai achar um homem que goste tanto de você como eu, Sakura.

Sorrio, com escárnio.

– Acho que vou sim. Sasuke sempre me tratou melhor que você. Ele sempre me ajudou, me apoiou, sempre esteve ali quando eu precisei dele. Nós conversamos, nós nos divertimos e eu não preciso fingir ser ninguém, só eu mesma. Isso é muito mais do que você pôde fazer. E eu estou feliz sem você.

Por fim eu me levanto e caminho até a porta. Um alivio me invade e eu por fim sorrio porque sei que estou acabando esse capítulo da minha vida. Antes que Sasori possa falar mais alguma coisa, abro a porta.

– Agora queira fazer o favor de se retirar, acho que já terminamos.

Sasori continua me olhando, transtornado. Eu sei que não era isso que ele esperava, mas é o que eu sinto. Insisto novamente para que ele vá embora e ele se levanta. Sua expressão é uma mistura de raiva e despeito, e eu simplesmente não me importo. Assim que ele passa pela porta, faz menção de dizer alguma coisa, mas eu bato a porta antes e dou uma leve risada. Eu sempre quis fazer isso e foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Quando deito minha cabeça no travesseiro, um filme com todos os acontecimentos da noite passa na minha cabeça. Começo a lembrar dos momentos com Sasuke, da nossa conversa no restaurante e da volta pra casa. De como eu simplesmente não me importei em contar acontecimentos embaraçosos e humilhantes da minha vida. Como se eu não me importasse de mostrar o que eu sou. De como ele fez o mesmo, e como ele tem sido desde que eu o conheci. Lembrei do nosso beijo, e sinto meu coração acelerar, depois me lembro de como eu mandei ele ir embora e eu sei que ele ficou magoado. E eu sinto muito por isso, mas agora não posso simplesmente ligar pra ele no meio da noite, e se ele estiver ok com tudo isso?

Balanço minha cabeça na tentativa de dispersar meus pensamentos. Não adianta pensar nisso, nem na sensação incomoda que me atinge quando penso no que Sasuke me disse quando foi embora.

oOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Fazem dois dias desde que não tenho noticias de Sasuke. Liguei algumas vezes e deixei várias mensagens, mas nada. Fico com um aperto no peito como se soubesse o motivo de seu sumiço, mas me recuso a admitir.

Olho o celular novamente, nada de Sasuke.

Enquanto fico na frente do meu computador, tentando escrever mais um capítulo da minha história, noto que simplesmente não tenho cabeça para isso. Merda. Acho que vou comer mais um pedaço de chocolate.

Mais uma vez checo meu celular a procura de ligações perdidas ou alguma mensagem.

Nada do Sasuke.

Acho que vou abrir aquele pote de sorvete.

Vou mandar mais uma mensagem: “A fim de um jantar sem riscos de intoxicação alimentar? haha Por minha conta.”

Nada do Sasuke.

O dia passou e ainda não tenho noticias dele, não consigo tirar essa sensação estranha no meu estômago. Por que eu estou me sentindo tão culpada? Me levanto da cadeira pela milésima vez e vou a caça de mais alguma coisa doce na minha geladeira. Nada. O pote de sorvete já acabou há muito tempo, no meu armário, nem vestígios das barras de chocolate. Saio correndo pela casa quando escuto meu celular tocar, anunciando que recebi mais uma mensagem. Meu sorriso morre quando leio: “Fale o quanto quiser com quem você gosta e ainda economize! Com o nosso plano, você só paga 0,25 por chamada pra falar com qualquer número. Aproveite.”

Bufo, irritada, quando ligo a TV e vejo Sasuke dando uma entrevista para a CNN. É ao vivo e ele está muito bonito, vestindo seu costumeiro terno, enquanto seus cabelos se encontram perfeitamente bagunçados. Ele parece confortável falando alguma coisa sobre a economia que não entendo muito bem. Agora a repórter muda de assunto, perguntando se ela poderia fazer algumas perguntas pessoais e ele concorda de forma inteligente. Vê-lo assim, na TV, me faz sentir mais saudades ainda. Por que diabos ele simplesmente não mandou nenhuma mensagem?

A repórter pergunta se ele está solteiro, ele diz que não. Sorrio, involuntariamente e agora vejo ela confirmar se sou eu sua namorada e ele confirma novamente. Não sei por que, mas internamente eu estou feliz pelo fato de ele estar falando de mim, em cadeia internacional. Antes que a repórter possa fazer qualquer outra pergunta, Sasuke diz que o tempo deles acabou e os dois se despedem. Rapidamente, mando outra mensagem: “CNN praticamente se transformando em um tablóide quando se trata de saber quem Uchiha Sasuke está namorando. ;P ”

Nada do Sasuke.

Resolvo ir até o mercado, comprar algum doce, porque toda essa ansiedade está me matando lentamente. Acabo comprando quase 50 dólares em chocolates, sorvetes, marshmallows.

A atendente do caixa apenas me dá um sorriso.

– Crianças, hum? Parecem formigas quando se trata de doces.

Ela provavelmente assumiu que eu tenho cinco filhos que não vêem doces há um ano. Também pudera, nenhum adulto normal iria consumir tanto doce assim, mas de alguma forma, eu estou tão ansiosa que ou é me entupir de kit kats ou é ir até a casa de Sasuke para perguntar onde raios ele se meteu. Obviamente ninguém quer essa segunda opção.

Só pra confirmar, checo mais uma vez meu celular: nada do Sasuke

Quando chego em minha casa, e como todos os doces ao ponto de ter diabetes pelas próximas 20 encarnações e então começo a chorar, totalmente frustrada. Eu não sei o que me deixa mais incomodada. Talvez seja o fato de eu saber que ele está me ignorando de propósito. Talvez seja o fato de imaginar que eu tenha magoado ele de alguma forma. Ou talvez seja por que eu tenha medo de saber o motivo de ele estar magoado. Ou pior, talvez, só talvez eu tenha medo de admitir que eu sinta sua falta.

Acordo num pulo, com a campainha. Acabei adormecendo no sofá, em meio as mil embalagens de doce enquanto escutava Billie Holiday. A pessoa é insistente e eu imagino que seja Ino, afinal de contas ela sempre vem sem avisar, ainda mais de manhã. Sou pega de surpresa quando vejo, pelo olho mágico, Mikoto, a mãe de Sasuke, do outro lado da porta.

– Mas o que...? – fico alguns segundos tentando processar aquilo, quando começo a correr pelo apartamento, tentando arrumar a bagunça. – Merda, merda, merda!

Pego uma sacola e começo a enfiar todas as embalagens do sofá nela enquanto tento dar uma arrumada no lugar. Depois, saio correndo até meu quarto e acabo escorregando e caindo no chão. Porra! Levanto e me olho no espelho. Eu pareço uma mendiga: minha boca está suja de chocolate, estou fedendo e visto uma camisa toda rasgada do nirvana. Não tenho condições de atender minha sogra nessas condições.

Saio correndo até o banheiro e escovo meus dentes com uma mão, enquanto que com a outra vou tentando dar uma arrumada no ninho de pássaros que se encontra meu cabelo. Corro até meu quarto novamente e visto um vestidinho qualquer. Olho no relógio: tudo isso em três minutos. Viva!

Ensaio meu melhor sorriso e abro a porta.

– Mikoto! Mas que surpresa. – digo, recebendo seu abraço.

– Sakura, querida, desculpe aparecer assim, sem avisar.

– Oh, não! Não há problemas, eu já acordei faz um tempo. – minto, descaradamente. – Entre.

Mikoto adentra meu apartamento e parece fazer uma breve avaliação do local. Fico apreensiva, até que ela se volta para mim, sorrindo e elogiando meu apartamento. De alguma coisa meu horrível ex-chefe, serviu. Como eu sempre chegava atrasada ele sempre fazia da minha vida um inferno, eu aprendi a me arrumar com extrema rapidez como se estivesse em um quartel general. Peço para Mikoto se sentar e ofereço um chá, mas ela educadamente recusa.

– Querida, antes que eu pudesse voltar para Paris com meu marido, gostaria de ter uma ultima conversa com você. – ela cruza as pernas como uma lady. – Afinal de contas, você foi a única namorada de Sasuke que ele trouxe pra casa. Bem, a primeira depois daquele ocorrido horrível onde ele perdeu a Inoue... – fico surpresa e curiosa, mas não digo nada. – E creio que você deve ser muito importante para ele. – ela sorri e eu acabo sorrindo de volta. – É claro que deveríamos nos conhecer melhor, mas teremos tempo, afinal farei questão que vocês dois nos visitem em Paris no verão, Sakura, é lindo. Mas até lá, não sei se nos veremos então gostaria de pedir uma coisa...

– Claro, Mikoto, qualquer coisa. – afirmo, incerta.

– Querida, tenha paciência com Sasuke. Ele pode ser marrento às vezes, bravo, fechado, mas infelizmente o destino se encarregou de machucar o meu Sasuke de tantas formas e ele tem um passado doloroso, por isso ele pode ser como um urso às vezes... – ela diz, e sua expressão se torna um pouco melancólica. – Se faz feroz porque tem um enorme espinho nas suas patas, querida, e ele acaba magoando as pessoas por isso. No fundo, Sasuke é um garoto maravilhoso. E eu peço que você seja paciente, pode demorar, mas ele sempre acaba derretendo sua muralha de gelo e se mostra uma pessoa gentil, cuidadosa e... machucada. – sua expressão transforma-se, de repente. – Mas ele parece gostar de você. Eu vejo as fotos nas revistas e vocês parecem íntimos e gostam um do outro. Eu posso dizer que meu filho tem um zelo enorme por você...

Nesse momento limpo a garganta. Estou de alguma forma incomodada, mas respiro fundo e disperso meus pensamentos quando pergunto como ela sabe disso.

– Outro dia estávamos juntos e ele saiu correndo quando você ligou, precisando de ajuda. – meu deus, será que ela é a mulher que eu ouvi com Sasuke quando eu estava bêbada? – Sei que você é uma pessoa importante pra ele, por isso eu lhe aviso, Sakura, tenha paciência porque eu gosto de você e eu tenho a sensação que você ficará permanentemente na nossa família. – ela sorri.

Mikoto não poderia estar mais enganada. Nossa relação tem os dias contados e cada vez mais, ficar ciente disso, me trás uma estranha tristeza.

– Bom... – nem sei o que dizer. – Mikoto, uau, eu prometo que eu serei tão boa com seu filho como ele sempre foi para mim. – sorrio, por fim.

Mikoto se levanta e diz que tem que ir embora, afinal, ela e Fugaku irão embora. Quando nos despedimos, ela me faz prometer que os visitarei em Paris, no verão, mas já não sei se posso cumprir essa promessa. Aliás, tenho certeza que não.

Assim que fecho a porta, uma tristeza me invade e faço o que tenho feito milhares de vezes nos últimos dias: checo meu celular novamente. Sasuke não deu noticias, não ligou, não mandou mensagens. Nada.

Droga, por que ele sumiu desse jeito?

Respiro fundo e decido dar um passeio, acabo pegando meu casaco e saio de casa, rumo ao Parque Ueno, nessa época do ano, perto da primavera, suas cerejeiras já floresceram e eu preciso de algum lugar pra encontrar paz... ou algo assim.

Adentro o enorme parque, quando vejo várias crianças correndo, algumas famílias em barquinhos no lago e procuro o banco que dividi com Sasuke da ultima vez que estivemos aqui. Me sento e coloco meus fones de ouvido e fecho meus olhos, tentando me tranqüilizar dos pensamentos que eu tenho tido ultimamente. É muito difícil admitir as coisas pra si mesmo. Admitir a falta que Sasuke tem me feito, ou o motivo de eu sentir sua falta. É ridículo como alguém pode simplesmente invadir seu coração em tão pouco tempo e se tornar especial pra você de uma forma especial... Tudo é especial demais, e muito doloroso. Admitir que eu tenho o magoado é enlouquecedor. Ele simplesmente desapareceu e não deu nenhum sinal, nada. Nenhuma mensagem, nenhuma resposta. É como se ele estivesse bravo... bravo por eu ter “escolhido” Sasori.

Acabo adormecendo e acordo meio desorientada, quanto tempo eu fiquei dormindo aqui? Olho para minha direita, as pessoas continuam se divertindo e quase tenho um infarto quando olho para minha esquerda e vejo Sasuke, sentado ao meu lado, totalmente calmo. Sério isso? Eu agora estou tendo alucinações de Sasuke?

– Por que você está olhando pra mim como se eu fosse um fantasma? – ele diz, divertido.

– Você está me seguindo?

– Não seja idiota. Mas li em alguma manchete pela internet que Haruno Sakura, escritora e namorada de Uchiha Sasuke foi vista aqui. Resolvi vir te ver. – ele dá de ombros.

– Isso é seguir alguém. – comento, ainda exaltada, mas feliz por ele estar aqui de verdade. – Qual é o seu problema? Por que você sumiu? – digo, brava.

– Eu não sumi, Sakura, eu estive ocupado. – ele diz, me olhando. – Você sentiu minha falta? – ele dá uma risada.

– Não!

– Por que você está brava? – ele diz, ainda rindo, depois de fazer uma espécie de carinho no meu cabelo. – Eu estou aqui agora, não? E não seja mentirosa, e essas dez mensagens no meu celular? Elas dizem o contrário.

Estreito meus olhos quando volto minha atenção pra ele. Isso é tão típico. Ele faz o que quer, aparece, desaparece. Simplesmente não se importa com a nossa opinião. Ele não estava magoado, ele apenas estava ocupado. É claro, eu fiquei preocupada, eu senti sua falta, mas ele estava bem. É tão típico.

– Sasuke... – olho para ele, dessa vez séria. – Eu acabei com o Sasori. Eu não pedi pra você ir embora porque eu queria ficar com ele. Eu pedi pra você ir embora porque eu precisava colocar um pouco final. Aquela conversa foi muito importante pra mim, porque eu segui em frente eu não quero mais ele atrás de mim. – Sasuke me olha, agora surpreso. – Eu sei que... hum, foi meio estranho depois do... err... do nosso beijo, mas eu não queria te ofender, ser rude.

Sasuke apenas sorri, não dizendo nada. E eu sei que ele entendeu.

– Sakura, eu sei que você não me expulsou de lá porque você queria transar com aquele asno. – ele sorri, dando a primeira tragada no seu cigarro. – Eu fiquei irritado porque foi isso que ele pensou. – ele se levanta, por fim. – Bom, o que você acha de dar um passeio?

– Você não tem medo de andar na rua assim? – pergunto.

– Assim como? Bonito? Charmoso? – ele pergunta, convencido.

– Não, eu digo, você é um milionário, e se um dia alguém te seqüestrar, pedindo um bilhão de dólares?

– Eu não tenho um bilhão de dólares. – ele dá risada, dessa vez não segurando minha mão, mas passando seu braço pela minha cintura. – Mas se você quer saber eu sei me defender e odeio ficar andando com guarda costas por ai, é ridículo.

– Mas você admite que corre perigo?

– Sim, eu corro, mas não me importo. – ele dá de ombros. – Você está preocupada comigo, Sakura? – ele sorri diante da minha carranca. – Nunca aconteceu algo assim de qualquer forma, as coisas não funcionam desse jeito, eu ando sempre com um localizador no meu celular, assim, se algo acontecer comigo, poderão me achar.

Seguimos conversando até a saída do Parque, onde eu comento que vou pra casa, mas ele me convence a ir jantar. Entramos em um bonito e modesto restaurante de comida árabe e enquanto o garçom anota nossos pedidos, somos surpreendidos por Itachi.

– Sasuke, Sakura... Que surpresa. – ele diz, parecendo sincero.

Olho para Sasuke e posso ver como a expressão dele se transformou completamente. Seu cenho está franzido e seu olhar está mais furioso enquanto sua boca está meio contorcida. Sinto que a vontade de Sasuke é espancar o próprio irmão aqui mesmo. Por que Sasuke culpa o irmão por algo que não é nem um pouco a culpa dele? Não consigo entender o motivo de tanto ódio.

– Olá, Itachi, como vai? – digo, tentando ser simpática.

– Estou ótimo, Sakura. – ele dá um sorriso. – Posso me juntar a vocês? – antes que possamos falar qualquer coisa, Itachi puxa uma cadeira e senta. – Meu irmãozinho é mesmo bem previsível, sempre adorou esse restaurante.

Sasuke não diz nada, mas ele parece bem inquieto. Respiro fundo, eu não posso permitir que esses dois tenham uma briga aqui. Francamente, Itachi poderia pelo menos não provocar Sasuke, ele já está uma fera só por ter visto o irmão.

– Ah é? – dou uma risada um pouco histérica. – Então vocês vinham aqui quando pequenos? Que legal, não é mesmo? – digo, ainda risonha. – É importante apreciar várias culinárias diferentes... – não sei mais do que eu estou falando. – A propósito, Itachi, você pretende estender sua estadia aqui no Japão?

– Bom, antes eu pretendia ficar por aqui alguns dias... – ele diz indiferente. – Mas eu resolvi ficar por tempo indeterminado.

Olho para Sasuke disfarçadamente e posso notar que a cara dele fechou de vez ao ouvir que o irmão ficará aqui por muito tempo. Eu preciso dar um jeito de tirar ele daqui antes que o pior aconteça. Nesse momento o garçom chega com nossos pedidos e anota o pedido de Itachi. Sem olhar para nós dois, Itachi continua a falar...

– Eu e meu irmãozinho sempre dividimos os mesmos gostos, não é mesmo? – ele diz e Sasuke parece que vai explodir enquanto come sua comida sem olhar nem para mim, nem Itachi. – Não só na culinária.

– Ah é mesmo? Vocês parecem tão diferentes... – comento, tomando mais um gole da minha taça de vinho. – Que interessante. – digo, bebendo mais vinho. – Err... e como vai a sua profissão de fotojornalista?

– Muito bem, estou fazendo os preparativos para uma possível viagem a Palestina, ano que vem. – ele sorri.

– Ah! Mas que interessante, mas por mais que se denuncie o verdadeiro Apartheid que os Palestinos estão sofrendo, ninguém vai intervir... – isso, vamos falar de política, antes que Sasuke enfie o garfo na garganta de Itachi pelas provocações desnecessárias. – Israel simplesmente não vai recuar, ela tem proteção dos EUA e da Europa.

– Concordo, mas é importante que as pessoas tenham noção do que está acontecendo. – Itachi diz, simplesmente.

Durante o jantar, Sasuke não disse uma só palavra. Eu fiz manobras e me desdobrei para evitar que Itachi se esquecesse de Sasuke e parece que conversar sobre política, ajudou. Ao voltar do banheiro, vi os dois conversando, Itachi possuía um sorriso no rosto, enquanto Sasuke era pura raiva e eu me apressei e agarrei as mãos de Sasuke.

– Querido, você não acha que é hora de ir pra casa? – digo amorosa. – Itachi, foi bom te ver.

– Igualmente, Sakura. – não consigo identificar o motivo desse sorriso no rosto de Itachi. – Igualmente.

E então vejo Itachi ir embora, como se estivesse vitorioso. Volto minha atenção para Sasuke e ele parece perturbado, magoado, bravo. Posso ver seu transtorno em seu olhar e tudo que faço e puxá-lo pela mão até seu carro. Ao entrarmos, ele ainda não diz nada.

– Você está bem? – pergunto.

– Não, mas vou ficar. – ele diz, ligando o carro. – Estou avisando, Sakura, tome cuidado com Itachi.

– Por que? – pergunto, sinceramente curiosa.

Ele não diz nada, apenas dirige, perguntando se me leva para casa e eu nego, dizendo que não vou deixá-lo até ter certeza de que ele está bem. Eu simplesmente não faço idéia sobre o que foi que Itachi fez com Sasuke, mas começo a me perguntar se tudo isso se trata apenas de Naruto.

Sasuke não discute, apenas dirige, nos levando para sua casa. Eu sei que ele não quer ficar sozinho, mesmo que ele não diga nada. Agora consigo lembrar das palavras de Mikoto, e sei que ela tem razão. Alguma coisa no passado de Sasuke o machucou muito, algo que envolve Itachi, apenas gostaria saber o que é.

Quando chegamos em sua casa, ele não diz nada, apenas vai direto até o bar e pega uma garrafa de uísque, e prepara um drink. Após o primeiro gole, ele também acende um cigarro, enquanto tem seu olhar perdido em algum ponto que eu não posso identificar. Não digo nada, apenas espero que ele se sinta tranqüilo para falar alguma coisa. Não quero forçar a barra com Sasuke, pois me lembro que a ultima vez que brigamos, foi por causa de Itachi.

Agora, lentamente, ele caminha até o sofá, onde eu estou sentada e se senta ao meu lado. Em silêncio, eu o abraço, e ele retribui, me abraçando forte. Ficamos apenas assim por um tempo, sem dizer nada.

– Posso te fazer uma pergunta? – digo, baixinho, de forma cuidadosa. – O que há entre você e Itachi?

Sasuke agora afasta sua cabeça um pouco, de forma que nossos rostos ficam há alguns centímetros de distância. Ele está me olhando e parece ponderar sua resposta. Ele não quer me falar.

– Sakura, não me leve a mal... – sua voz está rouca. – Eu simplesmente não quero falar sobre isso. Itachi foi causador de muitas coisas no meu passado e nenhuma delas são boas lembranças. – ele fica me olhando por um momento e me dá um selinho. – Obrigado por tentar fazer ele se esquecer de mim, naquele jantar... – ele sorri. – Mas eu não iria matá-lo, ali, em publico.

– Mas foi o que pareceu... – sorrio, aliviada, pois seu humor costumeiro retornou.

Nós ainda estamos abraçados, e eu já não sei mais por quê, apenas sei que já não é mais por causa de Itachi, mas sim porque queremos. Eu posso estar fantasiando tudo, posso estar delirando ou muito louca, mas eu apenas sinto que ele também quer ficar assim, abraçado comigo. Eu sorrio pra ele enquanto nossas bocas se roçam, é como se estivéssemos aproveitando o momento, aproveitando o outro. Agora eu o beijo e ele me retribui intensamente, como um louco e me puxa de forma que me sento em seu colo, virada pra ele. Meus braços então entrelaçados em sua nuca, suas mãos serpenteiam minhas costas em um carinho calmo, sem pressa. O beijo é longo e nos separamos em busca de ar, agora Sasuke tem suas duas mãos pousadas em meu rosto e ele me dá um selinho, finalizando o beijo. Deus, como ele beija bem e é tão bonito assim, de perto.

Ainda estamos nos beijando, de forma calma. É claro que não vamos transar hoje, ele até dez minutos atrás estava transtornado por causa do irmão. E saber disso é muito bom, sempre me irritou essa pressa que os homens tem de querer sexo, independente do momento, como se sua vagina fosse mais importante que você. Gosto de saber que Sasuke não pensa assim, pelo menos não hoje.

Eu admito, eu gosto dele. Poderia beijá-lo a noite toda, e eu não me importaria. Gosto dele, gosto da sua companhia, gosto do seu sorriso, do seu olhar, do jeito que me sinto perto dele, como se ser eu mesma fosse a melhor coisa do mundo. Saber disso me deixa feliz e aterrorizada ao mesmo tempo...

Eu gosto do Sasuke.

Notas finais
E então, gente, gostaram? Bom, enfim, a Sakura admitiu, ela gosta do Sasuke, e agora? Será que eles vão ficar juntos? Será que o Sasori vai aceitar a derrota? Como será que a Ino vai reagir quando saber dos dois? Gente, o que vocês acham que o Itachi fez pro Sasuke? Será que o Sasuke só o culpa pelo Naruto ou tem algo a mais? Bom, como vocês viram, esse capítulo teve como propósito: instigar mais sobre o passado do Sasuke, acho que apesar de ser a narração da Sakura, ele foi o protagonista do capítulo. Vocês acham que o Itachi é bonzinho ou não? Esse capítulo, ao meu ver, foi muito importante, ele é o começo de um envolvimento real da Sakura e do Sasuke, dos sentimentos da Sakura e dos acontecimentos que começaram a fechar as lacunas da história. Então é isso, gente, postarei o próximo semana que vem, espero que vocês continuem mandando críticas, elogios, sugestões. Até a próxima, beijos.