Notas iniciais
OLHA SÓ QUEM APARECEU! Gente, eu não morri, não perdi as senhas, nem nada, eu só estive um pouco mal, não estava em muitas condições de escrever, nem emocionais nem criativas. Por isso me perdoem! Mas eu disse, não disse? Não vou abandonar, eu vou terminar essa história, mesmo que isso leve uma década! Enfim... Gostaria de agradecer todos os comentários, todas as recomendações, vocês são maravilhosas e merecem mais dedicação minha, por isso, me desculpem. Espero que gostem do capítulo. (PS: tem uma surpresa que pessoas menores de 18 não podem ver, hein?)

“I've fallen out of favor and I've fallen from grace
Fallen out of trees and I've fallen on my face
Fallen out of taxis, out of windows too
Fell in your opinion when I fell in love with you (…)”

Acordo num pulo e olho ao meu lado, Sasuke ainda se encontra em sono profundo. Acabamos dormindo no sofá. Depois do tenso encontro com Itachi, e do nosso beijo, mudamos de assunto estranhamente e de alguma forma começamos a falar sobre vida fora da Terra e outras frivolidades, o que até foi engraçado e bom pra aliviar o clima da noite.

Me levanto devagar a fim de não acordá-lo. Me dirijo até cozinha, e resolvo fazer alguma coisa para o café. Eu sei, é clichê, mas eu não posso evitar, estou sendo movida por esse sentimento quente e reconfortante no peito e sei que estou feliz de alguma forma.

Não cozinho muito bem, isso é um fato, quase uma lei universal. Mas respiro fundo e começo a procurar utensílios no armário e bisbilhoto a geladeira, obstinada. Resolvo me ater ao simples já que tentar cozinhar algo sofisticado seria dar um passo maior que a perna e só resultaria em algo ruim e em uma cozinha bagunçada.

– Acho que posso fazer panquecas. – digo, pensativa.

Como se eu tivesse alguma outra escolha, é a única coisa que sei fazer direito. Começo a preparar a massa enquanto cantarolo uma linda música da Nina Simone¹.

Love me love me, say you do... – adiciono fermento e açúcar ao trigo – let me fly away with you – depois misturo os ovos ao leite e a manteiga derretida – for my love is like the wind. – misturo tudo e começo a me sentir uma espécie de super chefe de cozinha – Wild is the wind.

Rapidamente vou até a sala checar Sasuke e ele está exatamente onde eu deixei. Ai, estou tão empolgada. Isso é tão romântico. Começo a fritar a massa, esperando que um milagre não me deixe queimá-las. Ok, a primeira está boa! Coloco a segunda pra fritar e enquanto isso, vou fazer o café.

Give me more than one caress. – não espero que isso saia um café da manhã no Plaza, sendo comível já é um avanço. – Satisfy this hungriness. – ok, lá vai a terceira panqueca. – Eu deveria abrir um restaurante ou algo assim. – digo, empolgada. – Let the wind blow through your heart, for wild is the wind!

Depois da quarta e ultima panqueca, rodopio a cozinha procurando algo pra fazer algum suco.

– Laranja! Laranja é sempre uma boa idéia.

Enquanto o processador vai extraindo o caldo, eu vou preparando a mesa: coloco as panquecas em um prato, coloco na mesa também mel, manteiga, acho algumas torradas na geladeira e VOILÁ. Sinceramente, não sei por que raios as pessoas me acusam de não cozinhar bem. Agora caminho até a sala novamente, mas para minha surpresa, Sasuke não está mais lá. De repente uma música começa a ecoar pela casa. Caramba, isso é...

– Nina Simone pela manhã, Sakura?

Dou um pulo quando Sasuke aparece no topo da escada, ele veste uma regata e um moletom, e possui um certo olhar em seu rosto. Não está sério, nem provocador, não sei explicar, é um tipo de olhar que você espera ter sobre você sempre, algo intimo e ao mesmo tempo... acolhedor.

– Essa é uma canção muito bonita. – comento, um pouco sem graça.

– Não sabia que você gostava... – ele comenta enquanto desce a escada.

– Querido, — digo, imitando Ino e ele dá risada. – posso gostar de Lady Gaga até Jazz. – sorrio quando ele chega até mim, me beijando nos lábios e depois sussurrando bom dia. – Bom dia. – digo, ainda que um pouquinho trêmula.

– Não me diga que você preparou o café. – ele comenta caminhando até a cozinha.

– Eu tentei.

Ele parece um pouco surpreso quando vê a mesa. Francamente, até eu estou surpresa. Não queimei uma única panqueca, eu sempre queimo pelo menos uma. Sasuke não diz nada, apenas se senta a mesa e eu me sento também, esperando que ele coma alguma coisa e diga o que achou. Ele enche uma xícara de café, e se serve de uma panqueca. Por deus! Ele está fazendo isso lentamente de propósito. Eu já estou quase sugerindo irmos comer em uma padaria ou algo assim.

Lentamente, ele passa um pouco de mel sobre a panqueca e come um pedaço, depois toma um gole do café. Por fim, ele parece um pouco pensativo...

– E então? – pergunto, ansiosa. – O que achou?

– Delicioso. – ele dá um meio sorriso. – Vamos, coma também.

Enquanto tomamos o café, apenas trocamos alguns olhares. Às vezes eu gosto desse silencio, não é constrangedor, eu acho que faz um tempo que não é mais constrangedor e sim íntimo. Não tem aquela frase daquele filme? “É assim que sabemos que achamos alguém especial. Quando calamos a porra da boca por alguns minutos e confortavelmente compartilhamos o silêncio.”² Ai, meus pensamentos parecem mais um romance melado, logo logo vai começar a tocar Céline Dion na minha mente. Logo Sasuke me desperta dos meus pensamentos:

– Sakura, vai comer mais alguma coisa? – ele parece querer arrumar a mesa e eu balanço a cabeça, negativamente.

– Aqui. – digo, entregando minha xícara em suas mãos enquanto mordo mais uma torrada e dou um ultimo gole no suco de laranja. – Eu posso ajudar com a louça. – Sasuke dá um sorriso e me olha intensamente. – O que foi?

– Eu realmente não estava afim de lavar louças agora. – ele se aproxima.

Sasuke coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, eu devo estar com o cabelo bagunçado, olheiras... não seria melhor ir dar uma olhada no espelho antes? No entanto, antes que eu possa agir, ele age primeiro e sela seus lábios nos meus. Nossas línguas se tocam, e aos poucos seu beijo calmo, se torna intenso. Ele me aperta ainda mais contra seu corpo, entrelaçando seus dois braços na minha cintura enquanto seguro firmemente sua nuca e minha outra mão acaricia levemente seu ombro.

Ele parece querer me direcionar a algum lugar e nesse ponto eu apenas deixo me levar. Esse não é mais o momento de pensar se é certo ou se é errado, eu apenas sinto vontade de me deixar levar, mesmo que isso me leve para sua cama ou mesmo que isso me leve... a estar apaixonada. Me surpreendo quando noto que já estamos ao lado da escada. Sério, como ele conseguiu nos trazer até aqui em enxergar nada?

Sasuke segura minha mão e subimos até o seu quarto, até voltarmos a nos beijar, antes do ultimo degrau. Ele nos guia mais alguns passos até que eu caia em algo macio: sua cama. Ele para pra me observar por alguns instantes, até se deitar sobre mim, agora beijando suavemente meu pescoço, enquanto suas mãos caminham por entre minhas pernas, levantando, levemente meu vestido. Eu o ajudo a tirar sua blusa e sentada na cama, beijo seu pescoço e seu ombro. Percorro meus dedos sobre suas tatuagens até que levanto os braços enquanto ele despe meu vestido e o joga no chão e logo meu sutiã vai para ao mesmo lugar. Ele acaricia meus seios enquanto os mordisca e eu apenas fecho meu olhos tentando absorver ao máximo cada sensação.

Sasuke parece estar concentrado ao máximo em me satisfazer porque agora, sua boca desce até o cós da minha calcinha, enquanto seus dedos acariciam gentilmente por cima dela e depois de alguns instantes ele a retira, lentamente. Sua boca então retorna a fazer o caminho que antes percorria, ele desliza sua língua por minha virilha, de forma torturante até ele penetrar um de seus dedos em minha vagina e com a língua, massageia meu clitóris, ora devagar, ora rápido, fazendo com que eu gema involuntariamente. Meu deus, ele é bom. Meus olhos se fecham e tudo que eu posso fazer é me focar nessas sensações, vou ao céu e retorno inúmeras vezes, num impulso entrelaço meus dedos em seus cabelos. Oh, ele é maravilhoso.

Agora ele me beija intensamente e rolamos de forma que eu fique por cima. Me livro de sua calça e volto a beijá-lo, tudo parece tão urgente agora. Retiro também sua cueca e agora apenas me foco em dar o prazer que eu recebi. Com minhas mãos massageio seu pênis e o coloco em minha boca, e o chupo lentamente... até que finalmente ele me agarra e me deita, ficando novamente em cima de mim e me penetra... tão devagar, enquanto me beija como um louco. Aos poucos, o ritmo aumenta e eu já não consigo me conter, e emito sons desconexos. Ele agora me olha, enquanto minhas unhas estão em suas costas e minhas pernas ao redor de sua cintura.

Aos poucos diminuímos o ritmo e ele me puxa, fazendo com que eu fique por cima, e lentamente o ritmo aumenta, diminui, e aumenta novamente. Eu o abraço e ele também me abraça, nossas testas estão grudadas, como se estivéssemos totalmente perdidos em nós mesmos e eu sinto chegarmos ao clímax juntos.

oOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Entro em meu apartamento e me jogo no sofá, apenas relembrando os últimos acontecimentos. Eu transei com Sasuke. Não consigo acreditar, eu sei que estou empolgada até demais, mas eu não consigo evitar.

Depois de tomar uma ducha e vestir algo confortável, decido escrever, pois de alguma forma, estou me sentindo inspirada. Durante uma hora, minha escrita flui, sinto que hoje será um dia pra me focar no meu trabalho. Subitamente, sinto a mesa vibrar e o toque ecoar pelo recinto: é Ino. Rapidamente atendo, pois no fundo eu sei que não tenho outra alternativa, ela me ligaria sem parar até me encontrar.

– Alô

Sakura, querida. Onde você esteve? Eu passei ontem na sua casa pra gente ir em um bar ou algo assim. – ela parece falar com alguém ao fundo, mas logo sua atenção volta-se para mim novamente. – Seu sumiço por acaso tem um nome? – sua voz está insinuante. – Uchiha Sasuke, talvez?

Reviro os olhos. Eu sei que se eu não contar pra Ino, ela me mataria, mas não quero falar assim, por telefone.

– Vamos almoçar juntas? – ela afirma rapidamente. – Certo, por que não passa em algum restaurante e trás a comida pra cá?

Hmm – ela diz, pensativa. – suspense. Parece que vem bomba por aí. – Ino então dá uma risada. – Querida, o que acha de comida italiana? Estou morrendo de vontade. – eu confirmo e desligo.

Em uma velocidade superior a da luz, Ino toca a campainha e adentra o apartamento, jogando sua bolsa em um canto qualquer, indo até a cozinha e pegando pratos, colocando a nossa comida, mas ela não diz nada. Eu apenas a observo. Ela sabe que eu tenho algo pra contar, não sei como sabe, mas sabe e ela quer fazer questão de esperar eu tocar no assunto.

– Ok, OK! Eu conto. – digo, revirando os olhos.

– Ai que bom! – ela respira aliviada enquanto termina de despejar o vinho em nossas taças e se senta a mesa. – Sakura, conta logo! – Ino parece mais empolgada do que eu. – Eu estou morrendo de curiosidade. – ela diz, ao dar uma garfada no delicioso macarrão a bolonhesa do Larenzzo’s.

– Calma. – digo, não conseguindo mais conter o sorriso. – Eu... transei com o Sasuke.

– VOCÊ TRANSOU COM O SASUKE? – ela diz, alto o suficiente para que pessoas do outro lado do planeta, possam também receber a notícia. – Eu sabia! Querida, você precisava dar e se livrar de toda aquela tensão.

– Quer falar mais baixo? – digo, em tom de reprovação.

– Enfim, como foi?

Enquanto almoçamos, conto do sumiço dele, conto de como eu fiquei chateada e como me surpreendi com a visita de sua mãe em meu apartamento. Também comento do nosso reencontro e da noite tensa que tivemos. Até falar sobre o quão maravilhosa foi minha manhã.

De repente Ino, para e me observa. Depois de ficar em silêncio por alguns instantes, ela se pronuncia:

– Você está apaixonada por ele, não está? – Ino estreita os olhos. – Isso não é sobre sexo apenas.

– Eu admito que sim, não sinto só atração por ele, mas apaixonada? Acho que não. – dou de ombros e tomo mais um gole de vinho. – Enfim, de qualquer forma, ele me pediu pra ficar, pra passarmos o dia juntos, mas achei melhor vir pra cá, trocar de roupa e escrever.

– Sakura, preste bem atenção. – Ino diz, agora séria. – Eu apoio o fato de você ter transado com ele. O Sasuke é um gato, gostoso e desejado em várias partes do mundo. Ele é rico, tem uma personalidade magnética, digamos e pelas coisas que você me conta, ele parece ser um cara muito legal, mas... – ela respira fundo. – não se iluda, tenha certeza de que ele está na mesma página que você, antes de você esperar por coisas.

– Eu sei, Ino, eu não espero me tornar sua namorada real, ou algo assim. – digo, mas me sinto estranhamente chateada pelas palavras que saem de minha boca.

– Não estou dizendo que é impossível, querida. Eu acho até que ele gosta de você, mas esse homem tem um passado que você mesma disse ser um mistério, e pode ser que ele não se deixe envolver assim tão facilmente. – eu assinto e ela aperta minha mão. – Olha, eu só não quero que você se machuque, está bem?

Depois de nos entreolharmos por alguns instantes, ela rapidamente torna-se aquela Ino empolgada de novo e começa a falar sobre algum homem que ela conheceu na noite passada. Acho incrível como ela parece tão absorta em si mesma, mas ela está prestando atenção e ela quer meu bem.

– Querida, seu telefone está tocando. – sua voz se torna insinuante. – Talvez seja o Uchiha gostoso?

Vou até meu celular, empolgada imaginando que seja Sasuke, mas para minha surpresa é Gaara. Mas que raios...?

– Gaara? Mas que surpresa. – Ino está ao meu lado, perguntando quem é. – Ino, um momento.

Eu estou aqui embaixo no seu portão. Você se importa de eu subir?

Mas que estranho, o que diabos ele está fazendo aqui? E como ele descobriu meu endereço? Mesmo sem entender o que está acontecendo, digo para ele subir e Ino começa a me bombardear com perguntas.

– Quem é, Sakura?

– É complicado.

– Você está saindo com outro cara e não me contou?!

– Não, nada disso. Eu era sua editora, e ele é algum amigo do passado de Sasuke, mas nunca tivemos muita intimidade.

Ino parece pensativa, e ainda mais curiosa. Eu adoraria matar sua curiosidade, mas eu mesma não sei o que raios aconteceu no passado dele e de Sasuke.

A campainha toca e eu peço encarecidamente para que Ino se comporte. Quando eu abro a porta, o convido para entrar e ofereço alguma bebida, mas ele recusa.

– Essa é Ino, minha amiga. Ino, esse é Gaara, ele era meu cliente...

– Prazer... – pelos olhos de Ino, eu posso dizer que ela está imaginando como ela vai fazer para finalmente dar o bote.

– Igualmente. – rapidamente a atenção dele se volta pra mim. – Sakura, eu apenas queria conversar com você, porque eu fui até a editora e tinham me dito que você se demitiu. Aquele seu chefe ofereceu outra pessoa para ser meu editor, mas eu queria conversar com você primeiro.

Ino está observando a conversa, posso ler seus olhos, ela já está até imaginando onde eles irão ter o encontro deles, se eles irão para a casa dele ou dela. Eu estou me segurando pra não fazer algum comentário maldoso.

– Gaara, eu sinto muito, eu esqueci completamente de te avisar. Os últimos dias foram muito agitados e eu não me lembrei. Me desculpa. – eu respiro fundo. – Meu chefe era um babaca e eu não aguentava mais, ele estava fazendo da minha vida um inferno.

– Eu entendo, mas é que eu ontem fui surpreendido, te procurei, mas não consegui te encontrar.

– Entre na lista, Sakura ontem estava bem ocupada. – Ino diz, maliciosa.

Rapidamente olho para ela, com reprovação.

– De qualquer forma, eu não pretendo mais continuar com aquela editora, sinceramente, eu ainda estava lá por sua causa. Afinal, você é escritora e estava fazendo um ótimo trabalho com seus conselhos. – ele respira fundo. – Agora eu não sei muito bem o que farei em seguida, porque eu já estava gostando da idéia do livro.

– Bom... eu posso tentar falar com uma conhecida da Editora Hokage. Eu tenho uma reunião com ela em alguns dias, posso pedir pra ela dar uma olhada no seu manuscrito também. É o mínimo que posso fazer pra reparar essa bagunça.

Conversamos por mais alguns minutos, mas Gaara anuncia que já vai indo.

– Bom, eu estou indo almoçar, será que vocês não gostariam de se juntarem a mim?

– Nós já almoç...

– Ah, eu aceito o convite, não comi na-da o dia inteiro. – Ino diz, na maior cara de pau.

Então os dois se vão e eu resolvo voltar para a minha escrita. Ou melhor, tentar, porque a conversa com Ino não sai da minha cabeça. Ela nunca esteve tão certa, eu sei. Eu preciso tomar cuidado para não me magoar. Eu me conheço eu não conseguiria sair dessa história sem saber onde ela pode levar, mas eu não posso esperar muito coisa de Sasuke. Afinal de contas, temos, juntos, pouco mais de duas semanas, e eu sinto que o tempo vai passando cada vez mais depressa. Ainda sentindo um certo sentimento de desconforto, eu ignoro e me ponho a escrever, estou quase na metade do livro e eu finalmente sinto que estou fazendo um bom trabalho. Mesmo que essa relação com Sasuke acabe, eu não posso deixar refletir na minha escrita, porque ela é o que me deixa satisfeita no final das contas e eu não posso perder isso novamente.

Na manhã seguinte eu recebo uma ligação de Tsunade, e aparentemente ela está com muita pressa em me ver. Ela faz questão que eu vá imediatamente até seu escritório e eu vou, sem pestanejar. Rapidamente visto uma calça jeans, uma sandália preta de salto alto, uma camisa branca e uma jaqueta de couro e passo um batom vermelho. Correndo, pego um táxi e logo estou em frente ao bonito prédio da Editora Hokage.

Ao anunciar que Tsunade está me esperando, rapidamente sou orientada a pegar o elevador e logo estou em frente a mesa da simpática secretária Shizune. Que pede para que eu entre.

– Haruno! – Tsunade se levanta quando eu entre e me cumprimenta com um breve abraço.

Ela está maravilhosa com uma saia de cintura alta que vai até um pouco abaixo dos joelhos, seus sapatos extremamente altos, são vermelhos e, sua camisa branca. Ela está com os cabelos presos em um coque meticulosamente desgrenhado. Tsunade não usa aliança, o que quer dizer que é solteira e deve ser muito cobiçada porque, olha: que mulher.

– Tsunade, como vai?

– Vou bem, maravilhosamente bem. – ela parece de bom humor. – Principalmente porque adorei o que li de seu manuscrito. Você é muito, muito talentosa, Sakura.

– Sério? – pergunto, extremamente empolgada.

– Eu definitivamente quero que você o publique pela nossa editora. – ela comenta enquanto acende um cigarro. – Você se importa? – balanço a cabeça, negativamente. – Haruno, eu terei que fazer uma reunião com o meu sócio, os editores e então, faremos uma reunião com você.

– Isso... isso seria maravilhoso!

– Ótimo, eu gosto de como você dispensa o clichê, desde seu primeiro livro, suas personagens femininas são fortes, independentes, determinadas. O mercado precisa urgentemente de ficções com mulheres assim.

– Concordo, somos tão bombardeadas desde crianças a sermos dependentes, passiva aos homens, a tudo que acontece ao nosso redor. As mulheres precisam de modelos na TV, livros, filmes, de mulheres que são donas dos próprios destinos.

– Exato. – ela me observa por alguns instantes. – Agora eu sei o que o Uchiha viu em você. – ela dá uma risada – Sakura, eu estava me perguntando se você não quer almoçar? Assim podemos conversar melhor sobre suas idéias, sobre suas expectativas. Além do mais, tenho a sensação de que vou gostar muito de você.

– Claro, eu adoraria.

No caminho vamos conversando. Tsunade me conta muito de sua vida, de como apanhou de seu marido por muito tempo, até ter coragem de denunciar. De como começou do nada sua própria editora. Sua vida é realmente impressionante, ela é uma mulher muito forte e também muito inteligente.

Ela nos leva a um restaurante francês, que aparenta ser bem caro. Eu apenas olho tudo, bem impressionada. Eu espero que ela não ache que eu tenha dinheiro porque eu apenas tenho grana para o táxi.

– Haruno, o que deseja?

Começo a olhar o cardápio, tudo é muito caro e eu não quero abusar, afinal, ela é minha futura chefe. Tsunade respira fundo e apenas pede duas lagostas para o garçom e para a entrada ele pede uma salada Caesar.

– Não se incomode com o preço. É por minha conta. — eu agradeço . – Haruno, por que não me conta um pouco da sua vida? Eu gosto muito de sabe sobre os autores da minha editora.

– Eu nasci e cresci em Konoha, que fica no interior, vim pra cá porque imaginava que seria aqui que eu conseguiria ter algum sucesso ou alguma realização como escritora. – somos interrompidas com a chegada das saladas e do vinho. – Trabalhei um tempo como garçonete enquanto escrevia até conseguir um contrato com a editora que publicou meu primeiro livro.

– Sim, e foi um tremendo sucesso, lembro que na época fiquei muito interessada. Inclusive tentei te contactar... – nossa, essa é nova pra mim, eu não sabia. – Mas seu namorado ou algo assim atendeu e disse que você já tinha uma editora e que você não estava interessada. Foi muito petulante, inclusive.

– O Sasori falou isso pra você?

– Sim. Você não sabia? – balanço a cabeça, negativamente. – Mas que filho da puta esse seu namorado, hm? – eu concordo e rio também. – Enfim, por que você demorou tanto pra voltar a escrever?

– Eu tive problemas. A pressão era enorme, eu não conseguia escrever uma linha sequer... Então arranjei um emprego numa pequena editora, até voltar a escrever, há dois meses atrás.

– Eu entendo. – ela diz, tomando um gole de vinho. Ela é extremamente elegante. – Escritores, a grande maioria passa por isso, principalmente quando há uma expectativa que seu segundo trabalho seja ainda melhor que o primeiro. Não só quanto a escritores, mas creio que artistas em geral. Muitos não conseguem lidar com a pressão. – ela limpa a garganta. – Mas então, sua vida parece bem agora, eu adorei seu livro, adorei a idéia, a personagem principal, o modo como a história tem um tom melancólico. Você parece que têm pesquisado bastante. – ela sorri e eu concordo com ela. – Mudando de assunto... Como vão as coisas com o Uchiha?

– Vão muito bem. Ele tem sido maravilhoso, difícil, mas maravilhoso. – dou risada e ela também ri.

– Sabe? Quando eu conheci Sasuke eu não gostei dele. Ele era arrogante, marrento, irresponsável. Minha vontade era lhe dar as surras que os pais dele não deram quando ele era criança. – nossa lagosta chega a mesa e ela agradece ao garçom. – Isso o que? Há cinco anos atrás e Sasuke já era uma pessoa de negócios, ainda que um muleque. Minha editora estava prestes a falir, novamente. Eu o conhecia há duas semanas e ele investiu milhões em meu projeto e sabe qual a justificativa dele? “Eu gosto de ler” – ela riu. – Você acredita? Quem diabos investe milhões em uma pessoa que mal conhece porque gosta de ler? Pois é... Desde então nos tornamos grandes amigos. Ele aos poucos se revelou um ótimo garoto.

– Uau... que história. – não consigo dizer nada, além de continuar comendo minha lagosta e lembrar de refletir muito sobre o que eu acabei de ouvir.

– Mas é claro que o bastardo estava mentindo. Um dia tivemos uma conversa muito franca. Ele tirou a idiota máscara de inatingível e eu pude conversar de forma bem sincera com ele. Ele tinha esse grande amigo... Como era mesmo o nome? Nabuzo? Natuzo? – ela parece tentar se lembrar.

– Naruto?

– Exato! Naruto. E aparentemente ele gostava de ler um mangá que era publicado pela minha editora. Mangá que nunca fez sucesso até hoje, mas aparentemente o amigo gostava. Amava. Tem gente louca pra tudo, não? Sasuke, disse que após o amigo morrer, ele passou a lê-lo e essa era uma das formas de se lembrar dele, e ele não queria que mais uma lembrança fosse embora. Os dois cresceram juntos, ele me contou que Naruto era como um irmão mais novo. Eu imaginei é claro que ele nutrisse um amor além da amizade pelo menino, mas Sasuke realmente o tinha como melhor amigo, família... um laço muito forte, entende?

Eu apenas estou encarando Tsunade, encarando feito uma idiota. Sasuke está tornando muito difícil isso de eu não nutrir sentimentos por ele. Eu me sinto como se eu sempre pudesse encontrar algo melhor nele.

– Eu acho que você deu sorte Haruno.

Acabamos mudando de assunto, agora voltando sobre nossas expectativas sobre o livro e a conversa continua assim até o final do almoço, até que nos despedimos e ela promete que ligará até semana que vem, para darmos os próximos passos. Eu não acredito que vou assinar com a maior editora do país! É um sonho se realizando. É o que eu vou pensando, enquanto volto para minha casa.

Quando adentro meu apartamento, algo está diferente. Ouço um barulho e me apresso para pegar meu guarda-chuva, meu deus, será que tem alguém aqui? Eu não vou gritar perguntando quem está aqui porque é o que as pessoas falam antes de serem atingidas por uma serra elétrica! Vou adentrando meu apartamento, silenciosa como uma ninja. Ao entrar na cozinha, noto que está vazia e pego uma panela. Droga, eu sabia que deveria ter comprado aquele rolo de macarrão. Acho que o invasor está no quarto. Eu deveria chamar a polícia, mas eu continuo, quando adentro meu quarto, vejo uma sombra e a acerto com a frigideira.

– Mas que porra, Sakura?

– Sasuke? – ele começa a gargalhar enquanto acende a luz do quarto. – Como você entrou aqui?

– Bom, vim te ver e a porta da sua casa estava aberta, e eu acabei de entrar na verdade. – ele dá uma risada. – Você pretendia lutar com um possível invasor com uma panela?

– Por que você estava aqui no escuro?

– Eu vim deixar meu paletó e iria voltar pra sala. – ele retira a panela de minhas mãos. – Vamos, antes que você machuque alguém. – agora ele me beija e eu o retribuo. – Tsunade falou que vocês almoçaram juntas, foi tudo bem? – eu assinto. – Então.. ótimo.

Ele me pega facilmente no colo, me joga na minha cama e dou uma gargalhada.

– Ótimo. – eu repito.

“(…) Sometimes I wish for falling, wish for the release
Wish for falling through the air to give me some relief
Because falling's not the problem, when I'm falling I'm at peace
It's only when I hit the ground it causes all the grief.”
Florence and the Machine — Falling

Notas finais
¹: Nina Simone - Wild Is The Wind (essa é a música mais bonita que eu já ouvi.) ²: A frase é do filme Pulp Fiction do Tarantino E então, geint, gostaram? Primeiramente, a cena de sexo. Foi dificil, mas eu estava planejando em escrevê-la nesse capítulo de qualquer forma. Eu gostei, embora seja complicado escrever isso em primeira pessoa. Gente, é que na histórica é ruim ficar colocando tanto detalhes, mas usem camisinha, tá? Não façam como Sasuke e Sakura. haha Como vocês puderam perceber, talvez Ino tenha achado um par pra ela, o que acharam? Espero conseguir administrar a história pra que eu foque um pouquinho mais nela, também. Gente e essa história do Sasuke, eu sei lá, eu escrevendo fiquei emocionada, sério. Enfim, será que a Sakura vai se iludir, vai ficar magoada? Será que eles vão durar? Ou ela ainda vai se surpreender mais com o passado do Sasuke? Eu prometo tentar escrever um capítulo semana que vem pra compensar essa demora. Espero que tenham gostado e que comentem, critiquem, elogiem. Beijos e até a próxima.