Notas iniciais
SURPRESA!!!! Gente, não me matem, eu desapareci. Desapareci porque tive outras prioridades na vida, acabei esquecendo até dessa conta. Aí ontem lembrei e resolvi reler a história e num surto louco quase excluí, mas né, prometi que não iria então passei a noite escrevendo esse capítulo com muito carinho pra tentar me redimir do meu sumiço. Queria agradecer a todos leitores (que ainda estão vivos) pelo carinho, pela paciência, pelos comentários, recomendações. Tentarei não sumir de novo, e creio que postarei o próximo capítulo em breve. Espero que gostem e não me matem.

"You lift my heart up
When the rest of me is down
You, you enchant me, even when you’re not around
If there are boundaries, I will try to knock them down
I’m latching on, babe, now I know what I have found
I feel we’re close enough, I want to lock in your love
I think we’re close enough. Could I lock in your love, baby?
(...)"

– Escuta só essa: “Empresário Uchiha Sasuke e namorada compram pão, nesta manhã de terça-feira, no centro de Tóquio”. – Sasuke diz, explodindo em uma gargalhada.

Eu rio em seguida, enquanto apenas por observo por alguns instantes. Estamos pelados em minha cama e Sasuke está com a cabeça apoiada em meu colo enquanto se diverte, lendo notícias dos tablóides sobre ele em meu notebook. A conversa toda começou porque realmente estávamos discutindo a dificuldade dos pappazzis. Eu disse que era uma profissão nojenta e ele discordou, claro, dizendo que haviam coisas piores e não sei como, acabamos achando graça nessas manchetes inúteis sobre pessoas famosas fazendo coisas do dia-a-dia.

– Eu acho que mudou totalmente a conjuntura da sociedade japonesa o fato de você ter comprado pão esta manhã.

– Se ao menos eu e você tivéssemos indo pra alguma espécie de orgia matinal... Imagina: “Empresário Uchiha Sasuke e sua namorada, tomam café após uma orgia, nesta manhã de terça-feira no centro de Tóquio”. – ele comenta, divertido.

– “Empresário Uchiha Sasuke e sua namorada fazem orgia com pão, nesta manhã de terça-feira, no centro de Tóquio. – digo, rindo muito.

Ficamos alguns segundos rindo, quando ele fecha o notebook e se levanta de modo que seu corpo fique na mesma posição que o meu, com a cabeça encostada na cabeceira da cama. Ele me olha intensamente, e não diz nada, apenas me puxa para um beijo intenso.

Fazem quatro dias que eu e Sasuke estamos nessa espécie de caso, affair, romance, lance, seja lá o que for. Desde aquele dia em sua casa, não nos desgrudamos. Eu dormi em sua casa, ele dormiu na minha. Transamos, conversamos sobre tudo, eu consegui escrever alguns capítulos de minha história, enquanto ele trabalhava, depois ele fazia alguma coisa deliciosa para comermos e depois voltávamos pra cama novamente. Ele falou sobre quase tudo de si, sua infância, a relação difícil com o irmão, como se tornou CEO do Grupo Sharingan. Quase tudo, menos o que de fato aconteceu entre ele e Itachi, mas também não perguntei, não queria forçá-lo a falar. Também me abri com ele, sobre tantas coisas que me sinto até exposta. Eu sempre adorei esse momento quando duas pessoas acabam de transar e elas ficam conversando na cama. Sempre achei que foram as conversas mais sinceras que tive com os homens. Como se ali, nu, após ter feito sexo, você pudesse ser totalmente você. Sem convenções, sem toda aquela besteira de parecer polido, certinho... E você e a pessoa se abrem sobre tudo. É talvez o momento em que vocês são as únicas pessoas do mundo e qualquer segredo é irrelevante. Como se os corpos tivessem acabado de transar e depois é a vez das almas.

Sei lá. Apenas me sinto muito mais próxima de Sasuke. Não sei o que somos mais, nem o que seremos daqui há alguns dias, quando essa farsa supostamente deveria acabar. Mas na verdade não me preocupei muito com isso. Eu decidi me jogar, e aproveitar a companhia, o sexo, as risadas porque esses dias não têm me feito nem um pouco mal, muito pelo contrário.

– Como você é linda. – Sasuke diz, me puxando pra cima dele. – E gostosa. – ele ri.

– Mas você tinha que acabar com o momento, não tinha? – digo entre risos, e beijos. – Sabe, por mais que eu adore ficar aqui, beijando e transando... Nem só de sexo vive o homem, sabia? – digo, procurando minha calcinha que deve ter sido jogada em algum lugar do quarto. – Estou morrendo de fome.

Acho minha calcinha e coloco uma camiseta qualquer enquanto Sasuke apenas me observa.

– Certo. Deve ser bem tarde já, não é? – ele pergunta enquanto veste apenas a calça e marcha até a cozinha disposto a preparar algo.

– Já é 8 da noite! – exclamo, espantada. – Meu deus, passamos a tarde no quarto. – digo, enquanto me sento no balcão.

Enquanto Sasuke se move pela minha cozinha como fosse dele, abrindo a geladeira, o armário, procurando utensílios, eu o observo. Ele está totalmente confortável aqui, comigo, em minha casa. É estranho, ótimo e bizarro. Como um sonho tão bom, que a gente aproveita, sabendo que vai acordar. Eu sei que isso eventualmente vai terminar. Teremos que anunciar o fim do relacionamento em breve e tudo isso é uma farsa e ele definitivamente, realmente não está a procura de um relacionamento, eu sei disso. O problema é que saber não significa que não irei me machucar. Eu sei o que é isso que eu estou sentindo, eu gosto do Sasuke, eu me apaixonei por ele. Mas eu nunca me atreveria a dizer pra ele... Por que eu diria? Apenas pra ser de fato rejeitada? Vou apenas aproveitar enquanto posso e esperar pelo inevitável.

Sou dispersa dos meus devaneios com Sasuke me perguntando se gosto de omelete e eu aceno que sim com a cabeça.

– Você parece pensativa... – ele comenta, enquanto bate a omelete.

– Eu apenas estava pensando no livro. Minha protagonista está divida e não decidi qual decisão ela deveria tomar. – minto e logo mudo de assunto. – Essa omelete vai ficar deliciosa. – comento, descontraída, mas Sasuke me corta.

– Eu sei por quê você tá apreensiva, pensativa.

Meu deus! Será que ele descobriu que eu gosto dele e estou com medo do que vai ser disso que estamos tendo nesses últimos dias? COMO?

– Eu não sei do que você está falando. – dou um risada apreensiva enquanto finjo mexer no meu celular.

Que diabos?

– Sakura, eu escutei hoje enquanto você dormia. Você poderia simplesmente falar pra mim. – nesse momento Sasuke para de focar na frigideira a sua frente e olha diretamente pra mim.

– Como você descobriu?

– Você estava dormindo e eu levantei pra tomar um copo d’água e o telefone tocou. – foi a Ino! – Deixei tocar porque não moro aqui e... – a Ino deixou alguma mensagem comprometedora na secretária eletrônica! – Sua mãe deixou uma mensagem na secretária eletrônica gritando e perguntando porque você não aceitava de uma vez o pedido pra passarmos um fim de semana em Konoha. – eu vou matar a Ino!

Espera.. o que?

– O que?

– Sua família não anda te infernizando pra você me levar até Konoha? Sua mãe deixou uma mensagem na secretária eletrônica gritando e exigindo que você atendesse o pedido. – ele dá uma risada. – Ela estava gritando tão alto que eu achei que ia te acordar.

Eu continuo olhando para ele espantada. Achei que de alguma forma ele tinha descoberto que eu gostava dele. Sinto um alivio percorrer meu corpo da cabeça aos pés. Claro que minha família me infernizava para que eu levasse Sasuke até Konoha, mas nunca nem pensei em falar para ele. Primeiro porque achei que ele nunca iria concordar e segundo porque minha família é louca. Meus vizinhos são loucos. Amigos, conhecidos... Todo mundo se mete na vida de todo mundo, e seria infernal demais se eu o levasse para minha cidade natal. Não desejo isso nem pro meu pior inimigo.

– Ah... – finjo normalidade. – Sim, eles tinham perguntado. Fervorosamente. – friso, divertida. – Mas minha família é muito diferente da sua. Eles são intrometidos, perguntam demais, são efusivos demais. E não é só a família, são os amigos da família, os vizinhos. Sempre tem alguém em casa e se você fosse lá – dou risada, imaginando a situação. – eles iam te levar a loucura. Sério.

– Eu toparia ir se você quisesse. – Sasuke diz com naturalidade enquanto termina a primeira omelete. – Sério, eu toparia, é natural o namorado conhecer a família da namorada, não é? – ele diz, após ver minha cara de espanto.

Não acredito! Nunca pensei que ele sequer cogitaria essa ideia.

– Você... topa mesmo? – pergunto, incrédula. – Ok, to chocada, mas a gente pode ir sim. – digo, após ele acenar positivamente para minha pergunta.

É claro que não esperava. Estamos quase acabando esse relacionamento de mentira, nunca pensei que a essa altura ele toparia ir para uma cidade do interior, no fim do mundo, conhecer minha família maluca. Sasuke nunca foi uma pessoa incompreensível, mas no começo ele era um pouco inflexível principalmente quando meus pais vieram me visitar da ultima vez, além disso imagino que ele seja uma pessoa ocupada, que não possa interromper sua agente assim, do nada. Talvez ele esteja fazendo isso pra me agradar como um ultimo presente antes do fora com cara de “foi uma decisão mútua”, ou talvez ele realmente esteja curioso como seja minha família. Eu sei que pelo menos como amiga, ele se importa comigo. Nos tornamos amigos, agora somos amigos que transam, mas somos amigos e talvez ele apenas esteja curioso pra conhecer da onde eu venho.

Seja qual for o motivo, ele me diz que iremos então nesse final de semana, em seguida, vem até o balcão e me beija forte e sensualmente, deslizando as mãos por minhas costas, logo em seguida ele sussurra que o jantar está pronto.

– Eu não sei o que você está querendo, mas no momento estou com tanta fome que você é obsoleto perto daquela omelete, querido. – dou risada enquanto me sento a mesa e ele também.

Durante o jantar começo a contar para Sasuke como foi crescer em Konoha. Não que minha infância tenha sido terrível, longe disso, mas eu sempre me senti deslocada em minha cidade natal. Isso não significa que eu me achava ou me acho melhor que as pessoas que sempre moraram lá, também não é isso. Eu simplesmente queria algo diferente do que a vida em Konoha tinha a oferecer.

– Konoha é uma cidade pequena, bem pequena. Lá as pessoas sabem da vida de todo mundo, a maioria são famílias de agricultores, cujos filhos geralmente passam a tomar conta quando crescem. Além disso, a cidade fica um pouco isolada, todo mundo se conhece, e tem um circulo de amigos bem restrito à cidade. É realmente cansativo viver lá e eu simplesmente não achava que era lá que eu deveria estar para escrever, pra viver experiências novas ou conhecer gente nova ou lugares novos. Eu queria novos ares e vir pra Tóquio foi justamente isso que eu ganhei. – conto para Sasuke que escuta tudo bem interessado. – Mas eu amo minha família, não é muito grande, afinal sou filha única, tenho algumas primas e primos e tios. Mas todos muito barulhentos, intrometidos... Aos poucos eu te falo de cada uma deles.

Depois de eu lavar a louça, decidimos ir pro quarto. Confesso que a viagem me empolgou. De alguma forma pareceu que Sasuke está interessado em mim e em minha história e isso me alegrou e me encheu um pouco de esperança.

– Vem cá.

Ele diz, tirando minha camiseta e me pegando no colo de modo que minhas pernas se enroscam em sua cintura e meus braços, em seu pescoço. Ele me encosta contra uma parede e me beija desesperadamente. Fico arrepiada apenas com seu toque. Esse homem vai me deixar louca.

oOoOoOoOoOoOoOoOOOoOo

Acordo enquanto Sasuke dorme profundamente ao meu lado. Fico o observando alguns instantes, ele parece tão diferente agora que dorme. Parece em paz e contente de alguma forma. Resolvo levantar, já é de manhã e eu e ele precisamos trabalhar, além de arrumar as malas pra ir pra Konohagure. É estranho, quando me separei de Sasori, jurei que não levaria mais nenhum homem lá, a menos que fosse o homem que eu iria me casar. Acho que eu não queria mais falhar na vida amorosa em frente a minha família, amigos... Agora eu fico empolgada em levar Sasuke lá, não dá pra entender. Ás vezes sinto que tenho o prazer de contrariar a mim mesma.

Caminho até a sala e procuro na secretaria eletrônica o recado da minha mãe. Me arrependo amargamente de colocar no viva-voz.

Haruno Sakura! – minha mãe diz aos berros. – Aqui quem fala é Haruno Aki, você se lembra? Sua mãe? – ela grita, tentando enfatizar.Espero que sim, aliás espero que esteja bem, vivendo sua vida bem e confortavelmente já que agora você é boa demais pra lembrar da sua própria família. – falei com ela na semana passada. – Pois fazem séculos! Séculos! Que não tenho notícias de você, sua menina ingrata! Não foi assim que eu te criei, Sakura. Agora que você tem um namorado rico e famoso, você não quer saber de nós. – ela faz uma breve pausa, está pensando em como vai chegar no assunto em questão que é: – Aliás querida, quando você vai dar a ele o prazer de conhecer sua família e conhecidos em Konoha? – agora a voz da minha mãe está suave e meiga. – Bem que você poderia trazê-lo esse fim de semana, não é? Que tipo de namorado não se preocupa em conhecer, propriamente a familia da noiv... namorada. – pronto, ela deu o bote. Não acredito que Sasuke ouviu isso. – Todos em Konoha estão mortos de curiosidade para conhecê-lo, e eu já pedi pra você tantas vezes, Sakura. Não dê esse desgosto a sua mãe. – dramaticamente, ela desliga.

Respiro fundo. Tipico da minha mãe. O tipo de telefonema que só ela daria. Dou uma leve risada enquanto vou colocando o café pra fazer e saio pra comprar alguns croissants pro café da manhã.

Esse dia vai ser longo.

No caminho, meu celular vibra e atendo a ligação. É Ino.

– Alô. – atendo enquanto, na padaria, peço três croissants e alguns pães.

Até seu alô tá animado né? – Ino, diz, parecendo ter o divertimento da vida dela às minhas custas. – Como vai a mulher mais bem comida desse Japão? – ela diz em gargalhadas e após um som de desaprovação do comentário dela, ela muda o tom de voz. – Brincadeirinha... Mas então, como vão as coisas?

– Se você quer saber... ótimas. Só um minuto. – paro de falar com Ino pra pagar a atendente do caixa. – Então, ele está em casa nesse momento, eu sai pra comprar o café da manhã. – digo, tentando conter minha voz de empolgação. – Tá sendo loucamente bom.

Loucamente bom. – Ino repete e dá risada. – Se a escritora da conversa está mudando a gramática pra expressar sua alegria, é porque o negócio tá bom mesmo. Querida, fico feliz. É isso mesmo, transe, se diverta, viva la vida louca. – eu rio enquanto caminho pelas ruas totalmente vazias. – Eu estou ligando pra saber como você e avisar que peguei aquele ruivo mara que foi na sua casa há alguns dias atrás.

– O que? Gaara? Como assim? – pergunto, parada, na frente do meu prédio.

Ino então me conta que eles almoçaram juntos naquele dia, e ela deu o telefone dela pra ele, mas ele não ligou. Há alguns dias atrás, eles se encontraram por acaso numa festa na casa de um cantor japonês famoso no qual ela se negou a dar o nome. Enquanto escuto a história absurda, adentro meu apartamento.

– E então ele não ligou porque perdeu seu número? Que desculpa mais esfarrapada!

Pois é! Mas não importa, pois eu seduzi ele depois, e ele veio parar aqui em casa.

– Ino, você vai comer ele vivo! – digo numa gargalhada enquanto me apoio no balcão.

Bom querida, tenho que ir. – ela diz, ainda divertida.

– Ah, Ino, vou viajar pra Konoha neste final de semana.

Não me diga que com…

– Exato.

Querida você vai me contar tu-di-nho quando voltar. – ela diz, empolgada e aparentemente falando com alguém e dizendo que já ia desligar. – Sakura tenho que ir. Beijinhos e me conte tudo, viu?

– Eu conto sim. Beijos.

Ino tem um vida agitada. Diferente da minha profissão que necessito de tranquilidade pra exercitar, ela vive em meio a um caos glamouroso e ela adora. Apesar de querer me arrastar pra toda essa badalação desde que me conhece, eu nunca estive exatamente interessada nessas festas com atores famosos e luxo e glamour. Simplesmente não me sinto confortável, mas ela adora e faz parte de seu mundo. Acho isso interessante, engraçado como pessoas tão diferentes como eu e ela acabamos melhores amigas. Talvez uma traga o que há de melhor na outra. Dou um sorriso quando esse pensamento passa na minha cabeça, mas sou surpreendida por Sasuke, vestindo apenas sua cueca, me abraçando e me dando bom dia.

– Quem Ino vai comer vivo? – Sasuke pergunta curioso, eu tento cortá-lo, mas é em vão.

– Gaara.

– Que Gaara? – ele pergunta, surpreso. — O que eu conheço? – aceno com a cabeça.

Ele não diz mais nada, apenas da um sorriso divertido e se coloca a tomar o café da manhã. Depois nos despedimos, já que cada um precisa trabalhar. Combinamos de nos encontrar no final do dia para viajarmos até Konoha.

O resto dia passa normalmente. Ligo pra minha mãe avisando que finalmente levarei o genro dela até lá e depois de ficar surda com seus gritos de felicidade, desligo, passando o resto do dia escrevendo. Ao final da tarde, arrumo uma mala para passar o dois dias em Konoha. Meu telefone logo toca, é Sasuke:

Pronta?

oOoOoOoOoOoOoOoOOOoOo

Ao desembarcar do trem e sentir a brisa gelada de Konoha, respiro fundo. Um misto de emoções me atingem. Sinto saudades daqui, mas ao mesmo tempo carrego algumas lembranças amarguradas. É difícil estar de volta, segurar essa expectativa de tudo de bom e ruim que pode acontecer. Pois é... me pergunto se estou pronta.

Olho para Sasuke e ele está tranquilo, parece observar tudo ao seu redor, de forma curiosa.

Konoha é uma cidade bonita. Cheia de verde, por onde quer que a gente olhe. As pessoas aqui são agricultoras, há uma horta no final de cada casa, mas todos possuem plantações nos arredores ou têm algum trabalho relacionado a agricultura. As ruas são coloridas, cheias de flores e enfeites. A paisagem é linda, há algumas montanhas nos arredores, além de um pequeno bosque bem do lado da cidade. Um rio corta a cidade ao meio e o ponte o cruza. Konoha tem um aspecto pacifico sobre si, isso é algo que ninguém pode tirar deste lugar.

Enquanto eu e Sasuke caminhamos pelas ruas, todos nos olham. Eles sabem quem somos e estão mortos de curiosidade como vai o relacionamento. É claro que todos saberão dos detalhes porque minha mãe vai fazer questão de arrancar da gente e espalhar aos quatro ventos. Estranho o fato da minha família não ir nos recepcionar na estação. Afinal, minha mãe faltava parir uma criança se eu não trouxesse Sasuke aqui.

Não caminhamos nem dez minutos até estarmos perto de casa. Minha casa é grande pra nossa familia: eu, minha mãe e meu pai. A casa é amarela, com uma grande varanda na frente e nosso quinta segue igual ao que era quando fui embora para Tóquio: florido. Meu pai ama cuidar desse jardim, ama essas flores. Dou um sorriso enquanto caminho até a porta e toco a campainha.

Logo minha mãe atende com um sorriso tão grande que chega a ser assustador:

– Querida! – ela dá uma breve abraço em mim. – Sasuke, querido, finalmente. – ela o abraça forte e calorosamente.

– Senhora Haruno. – ele retribui educadamente. – Como vai?

– Ótima, Sasuke. Ótima! — ela diz enquanto nos puxa pra dentro de casa. – Vamos, entre.

Para minha surpresa, há uma grande festa acontecendo! Todos, repito, todos que já conheci em Konoha estão aqui. Vizinhos, amigos, primos, primas, tios, tias. Meu deus, meu ex namorado está aqui. Porra! O que diabos o Nagato está fazendo aqui? Enquanto caminho pelo corredor da entrada até a sala, onde todos estão, começo a suar frio. É muita pressão! Agarro a mão de Sasuke e ele me olha, tentando decifrar o que está acontecendo, mas ele parece sentir que estou apavorada, porque ele passa seus braços ao redor da minha cintura e aproxima seu corpo do meu e fala bem baixo, apenas para que eu possa escutar:

– Vai ficar tudo bem.

Quando finalmente chegamos até a sala, onde rola alguma música dos Bee Gees, todos gritam um SURPRESA em uníssono, e eu forço um sorriso, tentando parecer calma, relaxa a feliz; quando eu estou o oposto.

– Sakura, não vai nos apresentar o bofe? – meu tio Orochimaru diz, me abraçando e depois abraçando Sasuke. – Querida, estamos muito felizes por você. Tirou a sorte grande, hein? Quem dera eu, com um desses eu ia até a lua, querida. – ele diz, virando provavelmente seu décimo copo de marquerita do dia.

– Olá, tio. Como vai? Esse é o Sasuke.

– Claro que é. – meu tio fala, insinuante.

Meu tio Orochimaru é a versão masculina e gay da Ino. O jeito pervertido dos dois é bizarramente idêntico! Tento dar um oi geral, mas todos insistem em abraçar, beijar, perguntar do relacionamento.

– Sua família é muito engraçada.

Sasuke diz bem baixo, aos risos enquanto minha tia Momo pergunta a ele sem parar sobre o terno Armani que ele está usando.

– Você acha isso porque chegou agora. – digo, balançando a cabeça negativamente.

Olho no outro lado da sala e lá está meu pai, lançando um olhar de quem tentou, mas não pôde evitar essa recepção efusiva. Eu lanço um olhar de quem está morrendo, pra ele, mas ele não pode fazer nada. Minha mãe é invencível quando põe algo na cabeça.

– Sakura-chan! – Rock Lee me abraça tão rápido que mal o vi se aproximando. – Que saudades.

Ele me solta depois de um bom tempo e dá um mal humorado oi para Sasuke. Rock Lee tinha uma queda por mim no ensino médio, mas nunca passamos de bons amigos. Ele tem um jeitão um pouco mega energético, mas é um cara legal que eu sinto saudades.

– Lee, quanto tempo. Como você tá? – digo, animada. – Esse aqui é o Sasuke, meu namorado.

– Qual é, irmão? – ele diz, tentando ser marrento. – Sakura-chan me formei em educação física mês passado.

– Parabéns! – eu o abraço mais um vez.

Faço menção de dizer mais alguma coisa, mas eu e Sasuke somos arrastados pela minha mãe até a cozinha. Lá, ela nos oferece um copo d’água, dizendo que precisamos descansar “dessa gente”, nas palavras dela. Ás vezes minha mãe tem esses surtos de bom senso, mas logo passa e ela volta e ser a mesma maluca de sempre.

– Uau, é muita gente. – Sasuke comenta.

– Certamente é... – eu tomo um gole de água enquanto eu e ele trocamos olhares. – Desculpa por esse caos todo.

– Não, eu estou me divertindo. – ele sorri e me dá um selinho.

Depois de mil perguntas, algumas muito invasivas: sobre minha fertilidade e se eu e Sasuke queremos ter filhos. Sobre o casamento. Sobre separação de bens. Sobre meu livro. Sobre a empresa dele. Sobre o terno dele. Sobre as ex-namoradas dele. Sobre Sasori. Sobre ir morar em Konoha. Sobre Sasuke abrir uma filial da empresa em Konoha. Sobre a contagem de espermas do Sasuke. Sobre ele ter irmãos. Eu estou exausta. Eu e ele deitamos na cama e respiramos fundo. O dia simplesmente parecia que não ia acabar. Revi tanta gente, que acho que fiquei um pouco desorientada.

– Sua família é definitivamente interessante. – Sasuke diz, deitando a cabeça no meu colo.

– É insana. – eu digo, rindo.

– Eles só estão curiosos.

– É, mas existe a linha do bom senso. – ele sorri pra mim e continuo. – Amanhã minha mãe planeja nos levar pra almoçar.

– Sua mãe é sempre assim tão… receptiva? — ele diz, brincando

– Eu disse que você ia se arrepender.

– Eu consigo lidar. – ele diz, enquanto se levanta e começa a tirar a roupa.

– Pelo menos eu ganhei um strip-tease, não?

– Eu preciso de um banho, você vem?

– Não... – rio e me deito na cama. – se eu for não vai ser só um banho.

Quando acordamos pela manhã, a vontade é de ficar na cama pra sempre, mas me lembro que estou na casa de meus pais e um frio na barriga me atinge.

Sasuke logo desperta e adentra o chuveiro. Ele teve que lidar com muito desde ontem. Minha mãe doida para agradar, meu tio atirado, minha tia interesseira querendo saber de roupas de marca. Meus primos perguntando sobre um possível patrocínio e meus amigos. Admito que se alguém me dissesse quando o conheci, que chegaríamos ao ponto de ele vir na minha cidade natal, conhecer e lidar com minha família, eu não acreditaria. Rio comigo mesma, mas sou desperta dos meus devaneios quando minha mãe bate a porta.

– Queridos, logo logo iremos sair, ok? Não demorem muito. Deixem as sem sem-vergonhices pra depois, ok? – minha mãe grita do corredos.

Eu cubro meu rosto com minhas mãos. Por deus, mãe.

Após tomarmos café, eu, Sasuke, meu pai e minha mãe vamos até um restaurante no centro da cidade. É um lugar agradável, um pouco grande. As paredes, assim como as toalhas da mesa, são brancas. Há vários quadros na parede, de pintores renascentistas, o que deixa o ambiente com um aspecto fino e sofisticado. No teto, bem no meio do lugar, há um lustre dourado de cristal. Tudo é muito elegante e enquanto o garçom nos leva até nossa mesa, eu estranho o fato da minha mãe e meu pai nos trazerem em um lugar desses. Não se engane, não é um lugar caro, é apenas um lugar mais “requintado” que um restaurante normal, os preços não são absurdos, todos em Konoha vêm aqui pra uma ocasião especial.

– Seu pai resmungou ontem o dia todo sobre vir aqui, Sakura, mas não é ótimo um pouco de classe de vez em quando, Kanji? – meu pai resignado, acena com a cabeça. – Sasuke, é claro que você está acostumado com mais luxo, mas aqui em Konoha somos um povo simples... – minha mãe comenta, enquanto seus olhos passeiam pelo menu. – mas limpinho. – ela dá risada, por deus, onde ela quer chegar? – Eu creio que pedirei o Boeuf Bourguignon e vocês?

– Bom eu vou pedir o mesmo, Aki. – meu pai diz, sem olhar o menu por muito tempo.

– Vou pedir... – digo pensativa enquanto meus olhos passeiam pelo menu. – Hãm... – minha mãe exclama par que eu possa pedir rapidamente. – A massa com salmão defumado, abobrinhas e queijo de cabra.

– Sakura, querida, você deveria maneirar na massa. – minha mãe se inclina de modo que sua boca fica perto do meu ouvido. – Ninguém vai gostar de uma noiva gorda, querida. – eu apenas dirijo um olhar de reprovação a minha mãe.

Sasuke rapidamente pede o Confit de Pato e assim que o garçom se retira, minha mãe resolve brindar ao casal…

– Sasuke, você não sabe como estamos felizes por ter você na família. – ela sorri e meu pai também. – Eu sei que você tem sido bom para a minha filha e no fim das contas é isso que importa. – minha mãe está me matando.

Me matando, não porque ela está me fazendo passar vergonha, na verdade não. É que a situação toda é maluca, entende? Em poucos dias eu e Sasuke iremos anunciar o término do namoro e todo mundo no continente vai saber, principalmente minha família. E depois disso, eu e ele seguimos em caminhos separados. Tudo bem, eu já imaginava, não é como se estivesse desiludida, mas eles vão ficar. E ter que lidar de novo com a humilhação de mais um relacionamento fracassado, com todos da família querendo saber o que houve, quem deu o fora em quem – embora todos vão assumir que foi Sasuke quem me chutou, é difícil aproveitar esses momentos quando eu sei o que vem a seguir.

– Senhora Haruno, – minha mãe agora o interrompe para que ele a chame de Aki. – Aki, eu que fico mais que feliz por namorar a Sakura. Ela é maravilhosa. – ele lança um olhar carinhoso em minha direção.

A conversa muda de rumo e logo começamos conversar sobre meu livro, e sobre os planos de publicá-lo na editora Hokage. Meu pai e minha mãe parecem interessados e Sasuke se mostra orgulhoso de mim. A conversa é agradável, divertida e leve, parece que Sasuke está gostando de conhecer meus pais o que me alivia. Eu temia que ele fosse ficar sufocado e assustado com o quão minha família e os meus conterrâneos poderiam ser.

Logo os pedidos chegam e estão deliciosos. Até que eu estou me divertindo, enquanto observo meu pai e Sasuke comentarem sobre a atual fase da economia, eu poderia me acostumar a isso. O resto da tarde é ótima, minha mãe até que conteve seus comentários desagradáveis, meu pai foi simpático com Sasuke e ele se portou maravilhosamente bem. Tomávamos o café e estávamos prestes a ir embora, quando minha mãe me joga a bomba.

– Sabe, o ex namorado da Sakura, Nagato, é chefe de cozinha neste restaurante. – ela comenta, tranquilamente. — Inclusive pedi pessoalmente pra ele cozinhar nosso almoço hoje, já que geralmente ele trabalha aqui de noite.

– O Nagato? – pergunto incrédula. – Como assim? Por que não falou antes?

Antes de eu sair de Konoha, eu namorava Nagato, ou Pein, para os mais íntimos. Pein era um cara totalmente contrário ao que meus pais sonhavam pra mim. Ele era preguiçoso, tinha piercings em vários lugares do rosto, era barman de um bar horrível e tinha uma banda. Ele não tinha muitos planos pro futuro, era um cara sério, tranquilo e gostava muito de mim. Minha mãe o odiava, mas eu o adorava. Enquanto ele era rude e frio com os outros, ele era carinhoso comigo, nunca me tratava mal e eu adorava o fato de apenas eu conhecer esse seu lado…. Nossa relação era ótima, não tinha complicações, ele tocava guitarra, eu escrevia minhas histórias. Fazíamos trilhas pelos arredores de Konoha e jurávamos que iriamos sair daqui e viajar pelo mundo e fazer arte. Engraçado que ele me amava muito, talvez tenha sido a única relação que tive onde eu não fui quem gostou mais. Ele me amava. A gente tinha química, cumplicidade, era algo inexplicável, mesmo ontem a noite, quando eu o vi rapidamente, estremeci um pouco. É uma pessoa do meu passado que eu não pude ter um encerramento e eu não sei como me sentiria se nos falássemos de novo.

– Pois é, ele virou chefe! Aparentemente ele começou a estudar quando você foi embora, se não me engano. Estudou fora e tudo mais... – minha mãe da de ombros. – Bom, pra quem era um largado, eu suponho que ser chefe seja incrível mesmo. Ouvi dizer da minha vizinha que tem uma amiga que faz limpeza aqui que tem restaurantes da França fazendo ofertas pra ele trabalhar lá fora.

Eu escuto tudo atônita nem sei o que dizer. Eu olho pra Sasuke e ele estreita os olhos, tentando entender o que está se passando pela minha cabeça. Ele sabe que estou um pouquinho abalada.

– Querida, vamos cumprimentar o chefe? – minha mãe diz em tom de brincadeira, e eu feito uma idiota, aceno que sim com a cabeça. – Chame o chefe, por favor? – ela diz ao garçom que se aproxima da nossa mesa.

Merda. Merda. Merda!

"(...)
Now I’ve got you in my space, I won’t let go of you
Got you shackled in my embrace, I’m latching onto you
I’m so encaptured, got me wrapped up in your touch
Feel so enamored, hold me tight within your clutch
How do you do it? You got me losing every breath
What did you give me, to make my heart beat out my chest?"
Disclosure — Latch

Notas finais
E então gente, o que acharam? Bom, primeiramente, eu gostaria de falar um pouco de como veja a relação do Sasuke e da Sakura. Como vocês viram, ela está apaixonada, ela já admitiu, mas não vai falar pra ele, entretanto eles estão tendo um caso, porque mesmo quando ninguém está vendo, eles se beijam, e parecem bem íntimos um do outro. A questão é, será que ele também pensa o mesmo que ela? Será que ele também está com medo do fim da relação dos dois ou ele vai terminar tudo quando a hora chegar? Mas gostei de escrever esses momentos dos dois, porque é aí que a gente vê o quão próximos os dois são. Agora, a viagem para Konoha, pensei que o Sasuke pudesse conhecer mais do passado da Sakura, a família, amigos, ex-namorados. Além do mais, é uma oportunidade de eu criar situações engraçadas, embaraçosas, o aparecimento de um ex que Sakura ainda fica abalada... Tudo isso vai ficar esclarecido no próximo capítulo. Ah, outra coisa, infelizmente não posso fazer um capítulo com o pov do Sasuke. Gente a história é a gente saber o que a Sakura sabe, esses mistérios do que ele acha dela, as neuroses dela, tudo isso acabaria se a gente descobrisse o que ele tá pensando. Então eu não o farei. De qualquer forma, aos poucos todos os mistérios vão ser resolvidos, é só ter um pouco de paciência. Prometi que iria terminar essa história e eu vou... um dia. Bom, gente, espero que tenham gostado, que deem sugestões, criticas e que comentem, participem. Até breve, pessoas. Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.