Lie to me

14 Mordern love


Notas iniciais
Hey, pessoal! Como vocês estão? Enfim, postado mais um capítulo. Gostaria de agradecer todo o carinho, todos os comentários, as sugestões, as recomendações. Ler tudo isso, toda vez que penso em deixar essa história de lado, me dá vontade de continuar escrevendo, ainda que lentamente. Espero que vocês gostem.

“I know when to go out
And when to stay in
Get things done (…)”

– E aquele ali? Vai me dizer que ele não faz o seu tipo nem um pouco? – Sasuke diz, sorrindo.

– Você está brincando? Ele no mínimo deve ser um workaholic, e se não for, eu aposto em pervertido. – digo, simplesmente. – Você realmente não me conhece, né? Não faz a mínima idéia do meu tipo ideal.

– Isso porque eu sempre pensei que se eu tipo ideal fosse eu.

– Vai sonhando. – dou uma risada e encosto meu ombro no dele, num gesto de brincadeira.

– Certo, então qual é o seu tipo? – ele diz, agora me olhando sério.

Não é exatamente fácil descrever meu tipo. Não é exatamente que eu não tenha um tipo, mas existem qualidades e características que não servem a todos. Não é muito fácil responder a uma pergunta dessas. Dou de ombros e sorrio, enquanto meus olhos passeiam por todo o parque, depois volto meu olhar para Sasuke e por fim, respondo.

– É difícil descrever um tipo. Mas eu gosto de homens altos. – digo, por fim. – E... hum, deixa eu pensar. Não gosto de homens muito magros, gosto de homens com senso de humor, definitivamente passo longe de machistas, homens casados, workaholics, infantis... sabe, é mais fácil eu te dizer o que eu não gosto em um homem... – concluo.

– E a cor dos olhos? Do cabelo? Estilo? Você não se importa com isso?

– Mas por que eu preferiria um tipo de cor de olho? – dou risada. – Acho todas bonitas. Aliás, eu nunca vi muito sentido em preferir os olhos de uma cor só. Por exemplo, eu acho seus olhos muito bonitos, eles são únicos. – digo e nos entreolhamos. – Não é a cor dos olhos, Sasuke, é tudo sobre o olhar. É isso que eu me interesso, porque tem gente que simplesmente te olha e tem gente que te enxerga. – digo, e tomo mais um gole do meu milk-shake. – Mas de qualquer forma, — falo, após mais um gole do milk-shake. – gosto de homens que não se importam tanto com a aparência. Não desleixados, mas normais que não precisem parecer, sei lá, o Ricky Martin. – nós dois damos risada.

Passar o tempo com Sasuke tem se tornado algo simplesmente divertido. Eu sempre soube – bom, nem sempre, talvez depois dos nossos primeiros dois ou três encontros – que ele era um cara legal. E cada vez que o tempo passa, o namoro falso não tem sido exatamente uma pedra no meu sapato. Sasuke agora parece pensativo sobre o que eu acabei de falar e faz menção de dizer alguma coisa.

– Gosto das coisas que você diz. – ele sorri. – Mas você não ficaria com o Ricky Martin?

– Argh! Você não ouviu nada do que eu disse? – reviro os olhos. – Bem, ele é bonito, mas não faz meu tipo e eu, definitivamente, não faço o tipo dele.

– Por que não? – ele parece curioso.

– Porque ele é gay, Sasuke.

– Sério? Mas desde quando?

– Sério, isso? Eu não acredito que você não sabe que ele se assumiu gay! – sou surpreendida quando ele pega minha mão, mas nós fazemos isso muito, pois temos que mostrar ao país que somos um belo casal. – Todo mundo sabe disso. Faz alguns anos já, acho que uns três anos. Sinceramente, em que mundo você vive? – pergunto, indignada como se ele não soubesse qual é o endereço da própria casa.

Agora ele olha pra mim. Seu olhar denuncia seu divertimento, mas sua boca é apenas uma linha, e eu juro que posso ouvir seus pensamentos, indagando-se como isso é importante de se saber. Sasuke apenas dá de ombros no final e caminhamos para o carro enquanto o sol se põe.

Por fim, ele diz:

– Não vejo como saber uma notícia dessas mudaria minha vida, mas aparentemente até esquimós em iglus na área mais remota da zona polar devem saber disso, menos eu. – ele ri e liga o carro, me levando para a minha casa.

No trajeto falamos pouco, mas não me incomodo com isso. Sei que ele aprecia o silêncio e às vezes quando não se tem nada pra dizer, apenas é melhor apreciar o silêncio juntos.

Assim que chegamos em frente ao meu prédio, noto que Sai está lá na frente, provavelmente me esperando. Isso é estranho, ele geralmente não aparece aqui, pra dizer a verdade, ele nunca mais apareceu aqui. Me despeço de Sasuke e uma brisa quente me atinge anunciando a primavera e eu sorrio, caminhando de encontro a Sai.

– Sai, uau, que surpresa. – digo, o abraçando.

– Faz tempo que você não aparece na livraria, quis vir te ver. – ele sorri.

Olho para trás e vejo que o carro de Sasuke ainda está lá e simplesmente penso: merda! Não me entenda mal, não estou preocupada com o que ele pode pensar de nós dois, mas eu me lembro daquele sermão que eu dei nele na festa quando ele flertava abertamente com aquela Reira e não pegaria muito bem se eu fizesse o mesmo, ou parecesse que eu estou fazendo o mesmo. Respiro fundo, de qualquer forma, não posso mudar o que acabou de acontecer. Apenas convido Sai para entrar, ele é um ótimo amigo é uma pena que tenhamos parado de nos ver. Sorrio para ele enquanto procuro as chaves do meu apartamento. Deus, por que minha bolsa tem tanta coisa?

– Você quer alguma coisa? Chá? Café? – digo, tentando ser simpática, mas eu mesma não recomendaria meu café.

– Eu estou bem, obrigado. – ele sorri. – E como anda o livro? Aqueles livros que eu te indiquei ajudaram?

Acabo passando a tarde com Sai, falando sobre meu livro e sobre o que tenho feito. O conheço há alguns meses e a verdade é que me sinto muito a vontade com ele, e ele me dá muito ajuda quando se trata do meu trabalho, ser uma autora não se trata sobre escrever, se trata também de muita pesquisa e ele me ajudou nesse quesito. Quando ele vai embora, já é noite e ele me promete trazer uma pintura que fez de mim.

oOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Quando entro na Gekkou Hayate, obviamente totalmente desanimada, sinto que estou lamentável vestindo a calça do meu pijama, uma blusa qualquer, tênis e meu costumeiro casaco preto, enquanto meu cabelo mais parece um ninho de pássaros. Acordei atrasadíssima essa manhã e mal tive tempo de escovar os dentes. Dou bom dia para meus colegas, que não vão com a minha cara desde que Genma começou a descontar em todos a raiva que sente por mim, e caminho diretamente para minha sala, rezando para que meu patrão tenha tido um infarto esta manhã.

Certo, meu humor não é um dos melhores hoje.

Bufo, irritada, com a pilha de manuscritos e arquivos que deixaram na minha mesa. Eu não sei ainda o motivo de eu não receber metade do salário de todos na editora já que eu provavelmente estou fazendo o trabalho da maioria. Merda.

Enquanto me organizo em minha sala, começo a fazer a contagem regressiva para o momento em que Genma vai estar na minha sala e encher mais uma vez meu saco e tornar meu dia ainda pior. Antes do 2, ele aparece.

– Sakura, — ele joga mais uma pilha de papeis em cima do meu teclado. – quero isso organizado até as duas. E não faça essa cara pra mim, eu ainda posso te chutar daqui quando eu quiser.

– Me pergunto quem é que vai fazer as coisas aqui quando eu for embora. – digo, com escárnio.

– O que você disse?

– Você ouviu muito bem. Você é estúpido – enfim, eu acabo explodindo. – mas não é surdo. Eu não sei por que você me odeia tanta e quer saber? Eu não me importo, mas eu to farta dessa merda. Não contente em me entregar todo o trabalho da editora, você ainda tem a coragem de ser rude comigo, como se essa merda aqui – aponto para os dois monumentos de papeis em minha mesa – não fosse rude o suficiente. Já chega dessa porcaria. Você é um chefe de merda. Vá se foder! Você trabalha menos que qualquer um nessa editora e ta pouco se fodendo com ela, e ainda quer cobrar de mim mais eficiência? Faça você essa porra desse trabalho. Eu estou farta! – minha voz está beirando aos gritos, mas eu não me importo. – Eu me demito!

E de repente, 50 toneladas saem dos meus ombros e eu me sinto tranqüila. Certo, ficaria mais tranqüila se eu o esganasse agora mesmo, mas talvez a cadeia não seja o lugar mais legal para achar minha paz interior.

– Você... o que? – ele parece incrédulo.

– Isso mesmo, eu cansei. E me demito.

De repente, pego minha bolsa e saio bruscamente da sala enquanto todo mundo começa a me aplaudir. Na rua, começo a caminhar sem rumo. Ok, para onde eu vou agora? Subitamente, eu paro no meio da calçada e a ficha começa a cair aos poucos, certo, não tenho mais Genma na minha vida, isso é bom, mas eu também não tenho mais salário e isso é péssimo. Meu deus, eu sou uma desempregada! O que eu vou fazer agora? Merda, como eu pude ser tão impulsiva? Desde quando eu me tornei a Ino? Acho que eu vou ter um AVC ou algo assim, como eu vou sobreviver sem dinheiro algum? De repente, as lágrimas começam a cair e as pessoas começam a olhar pra mim como se eu fosse algum tipo de maluca. Estou chorando descontroladamente e não consigo nem esconder.

Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda.

Certo, eu preciso de alguém!

Ligo para Ino, mas seu celular está ocupado. Tento mais umas cinco vezes, mas sempre cai na caixa postal, sinto que poderia comer esse celular de tanta raiva. Não acredito que eu me coloquei na miséria. Por que eu não pude me controlar?! Me sento em frente a uma escadaria de um banco, mas não me importo, apenas estou focada em falar com a Ino. Deixo mensagens furiosas e desesperadas pra ela, mas sem resposta. Não acredito que isso está acontecendo. Penso em ligar para Sasuke, mas deixo esse pensamento pra lá, o que ele poderia fazer por mim, de qualquer forma? E eu não quero que ele pense que eu estou incomodando ou algo assim. Ligo por fim para a Hinata, a chamada internacional vai me custar caro, mas em alguns meses não terei dinheiro nem para a comida, quem dirá a conta de telefone.

Sakura-chan! – Hinata parece muito animada do outro lado do telefone.

Ao invés de dizer alguma coisa amigável como um alô, apenas começo a chorar feito um bebê do outro lado da linha e Hinata começa a ficar realmente preocupada.

Sakura-chan, o que houve? Você está bem?

– Eu... – digo, em meio a um soluço. – eu me demiti, Hinata. – começo a chorar de novo.

Sakura-chan, tente se acalmar. O que aconteceu?

– Eu... eu... eu... eu não consegui agüentar. Ele era horrível comigo, Genma estava me tratando cada vez pior e... – o choro vem, mas Hinata espera pacientemente para que eu me acalme. – ele me dava todo o trabalho, era insuportável. E eu me demiti... num impulso, eu me demiti, mas agora eu percebi que em um mês eu já não vou ter salário nenhum! O que eu vou fazer, Hinata?

Calma, Sakura-chan, tenta conseguir primeiro um copo de água. E você precisa se acalmar, não adianta se desesperar agora... – Hinata tem uma voz muito suave, e já me sinto um pouco mais calma só de ouvi-la. – Tente conversar com Ino, porque não posso nem te dar um abraço daqui, Sakura-chan. – sorrio.

– Hina, obrigada. – seco minhas lágrimas. – Falar com você me acalmou um pouco. Me desculpa ligar assim, eu precisava de alguém agora. – nos despedimos e ela me promete que vai ligar a noite.

Ainda sentada como uma mendiga (o que eu me tornarei em algumas semanas) na escadaria do banco, tenho realmente vontade de ligar para Sasuke, de alguma forma sei que ele vai saber o que fazer ou talvez... o que dizer.

Com medo de abrir o berreiro de novo ao telefone, eu apenas lhe envio uma mensagem de texto: “Preciso da sua ajuda. Podemos nos encontrar hoje?”

Ele rapidamente responde: “Sakura, está tudo bem com você? Eu to no meio de uma reunião agora e acho que vou ficar disponível pelo fim da tarde. Passo na sua casa a noite?”

“Eu faço o jantar então. Obrigada.”

“Me agradeça não me fazendo ter uma intoxicação alimentar.”

“Ha ha. Idiota”

Dou um meio sorriso enquanto pego o ônibus, de volta para a minha casa. No caminho, me tranqüilizo um pouco. Vai ficar tudo bem, de alguma forma. É o que digo pra mim mesma enquanto me jogo no sofá e começo a absorver toda a catástrofe que aconteceu nessa manhã. Por um lado é bom, eu posso aproveitar isso pra achar uma editora que aceite publicar meu livro e focar no que eu quero realmente fazer ao invés de ser maltratada pra receber um salário miserável, mas por outro... e se eu não achar nada? E se eu realmente não conseguir pagar minhas contas e voltar miseravelmente para Konoha? E se eu realmente conseguir atingir o fundo do poço? Passo um tempo indagando meu futuro, mas me levanto disposta a fazer uma macarronada para Sasuke.

Coloco David Bowie para tocar bem alto enquanto o macarrão cozinha. Meu humor agora se encontra bem melhor e eu danço ao som de China Girls pela cozinha, realmente empolgada sobre esse jantar. Provo o molho e me sinto uma chefe italiana quando noto que nunca cozinhei tão bem assim. No momento em que desligo o fogo, a campainha toca. É Sasuke.

Droga, esqueci que eu realmente pareço um cachorro que foi abandonado na rua. Sinceramente nem banho eu tomei hoje. Que raios aconteceu?

Ele insiste novamente e resignada eu abro a porta. Sasuke me olha dos pés a cabeça e sua expressão fica ainda mais preocupada. Ele sabe que há algo de errado e quando fecho a porta ele me pergunta o que houve.

– Eu te conto enquanto comemos.

Conto tudo para Sasuke, desde quando eu entrei na Gekkou Hayate, de Genma dando em cima de mim, e Sasori me dando o intimado para que eu acabasse com as investidas do meu chefe, me culpando. Contei de como Genma começou a me tratar mal e do excesso de trabalho e por fim, contei da minha explosão hoje de manhã.

– Eu não sei se fico feliz por você ter enfrentado aquele asno ou se fico bravo por ele te tratar assim. Sakura, — ele me olha intensamente. – você sair de lá foi uma coisa boa, sem duvidas. Olha, você é uma das pessoas mais talentosas que eu conheço, tem chances de publicar um livro que vai fazer diferença na vida das pessoas e não pode perder seu tempo em lugares ou pessoas que não te valorizam. – ele diz de forma bem calma e depois sorri. – Eu não consigo imaginar uma garota como você em um lugar daqueles.

De repente, uma onda de calor toma conta do meu coração. Me sinto reconfortada, tranqüila, querida, com esperanças, todos esses sentimentos que Sasuke poderia me fazer sentir, ele tentou e conseguiu. Me levanto e dou a volta na mesa, ficando ao seu lado e logo lhe abraço. Ele é pego de surpresa, mas me abraça também, eu me sinto completamente segura com ele, é incrível. Ele hoje talvez seja um amigo extremamente importante pra mim e eu não sei exatamente quando isso aconteceu. Ali, em nosso abraço, vários momentos nossos se repetem em minha cabeça e eu simplesmente não consigo achar aquele momento onde ele se tornou alguém realmente querido pra mim. Mas isso não importa, ele é parte da minha vida agora. E realmente, é meu namorado de mentira, mas um amigo verdadeiro.

– Obrigada. – digo, simplesmente e deposito um beijo em seu rosto.

Quando nos separamos, ele se levanta, limpando a garganta, dizendo que vai levar os pratos sujos para a pia e eu permaneço sentada, pensativa.

– Certo, eu tenho uma proposta pra você. Tenho uma amiga que é dona de uma importante editora, e se você quiser, posso pedir pra ela dar uma olhada em seu manuscrito, o que você acha?

– Sério? – me levanto, completamente animada. – Sério? – enfatizo ainda mais, não conseguindo esconder meu sorriso.

Sasuke apenas assente. É claro que ele tem uma importante amiga dona de uma grande editora, por deus, ele deve ser amigo do Bill Gates até. Continuamos sentados na mesa, agora tomando o café que ele preparou, porque como toda Tóquio sabe, meu café é uma porcaria. De repente, ele fica sério e me pergunta quem era o cara em frente ao meu prédio ontem. Eu sabia que ele iria querer saber.

– O Sai? – dou uma risada nervosa, mas por que eu estou nervosa? – Ele é um amigo da livraria.

– Não foi ele que Ino mencionou aquele dia, dizendo que tinha uma queda por você ou algo assim? – ele é realmente algum prodígio ou algo assim, como uma pessoa normal iria lembrar de uma coisa dessas?

– Ah, ela estava brincando. Ele é um amigo. Ele é pintor e poeta, e criamos o habito de mostrar nossas coisas para o outro. Coisas, digo, ele a pintura e a poesia e eu minhas histórias. E ele também me indica livros para minhas pesquisas. Me ajudou muito. – sorrio.

Ele me olha de forma estranha, não sei o que, não é raiva é outra coisa que eu não consigo decifrar e em seguida, acende um cigarro parecendo pensativo. Talvez ele seja bipolar, como o olhar e a expressão de alguém podem mudar em questão de minutos? Pergunto para ele o que há de errado e ele apenas me lança esse olhar duro, de reprovação, sabe-se lá deus o que eu fiz nesses dois minutos em que estive sentada aqui, mas deve ter sido algo muito errado.

– Quando você for se encontrar com seu... amigo, se encontre em um lugar privado. Não quero que a mídia o transforme em seu amante. – ele diz de um jeito suave, mas amargurado de alguma forma e eu rio diante o comentário dele. – O que tem de tão engraçado?

Olhando para o nada e já com a xícara perto dos meus lábios eu digo, não muito alto, o que era para soar uma piada, mas...

– Só eu sei que existe um verdadeiro buraco negro nesse departamento na minha vida. – ele continua me olhando e depois esboça um sorriso de canto. – O que foi?

– Nada, Sakura, eu acho que é melhor eu ir indo.

Ele se levanta e eu o acompanho até a porta. Eu fiz bem em chamá-lo aqui, ele fez eu me sentir bem. Ele faz. Nos despedimos e Sasuke vai, me deixando com a promessa de que me ligará assim que conseguir um encontro com a amiga dele, Tsunade.

Dez minutos depois, a campainha dispara e vejo que é Ino. Ela invade meu apartamento e parece transtornada. Logo me olha dos pés a cabeça e me dá um abraço apertado. Provavelmente ouviu meus recados e sabe que eu não estou totalmente tranqüila pelo que fiz hoje de manhã.

– Sakura! – ela continua me abraçando. – Foi uma coisa boa, não se preocupe! Nós daremos um jeito, certo? – eu assinto. – Querida, me desculpe por não ter atendido eu estava no meio de uma prova de roupas e eu não pude atender, sinto muito. Você está bem? – ela se separa e me olha no rosto, procurando algum vestígio de tristeza ou algo assim.

– Sim, eu estou. Além do mais... – digo, olhando para o nada com cara de paisagem. – Eu acho que o Sasuke vai me ajudar. – Ino arqueia uma sobrancelha. – Nem começa, Ino. Ele tem uma amiga dona de uma editora e ele prometeu conseguir uma reunião para ela dar uma olhada no meu manuscrito dos primeiros capítulos. – sorrio. – Ele veio aqui e me ouviu e disse que está disposto a me ajudar. – já posso imaginar o que Ino vai dizer, por isso limpo a garganta e coço a nuca, meio sem graça.

– Sakura, marque minhas palavras: eu ainda serei a madrinha do casamento de vocês. – ela dá uma risada. – Mas Sakura, eu achei corajoso da sua parte. Você foi incrível.

Ino decide por fim dormir em minha casa e passamos a noite conversando. Hoje eu estive mal, mas meus amigos se preocuparam em me fazer sentir bem e de repente, as preocupações sobre o futuro, sobre minhas finanças, se esvaíram e eu só conseguia sentir um estranho conforto, como essa certeza de que de alguma forma, tudo vai dar certo.

Quando acordo, no outro dia, vejo que Ino preparou um belo café da manhã: croissants, bolo, suco, café, frutas... E panquecas. Desde quando a Ino faz panquecas?

– Bom dia, querida. Sente-se, tome seu café e depois nós vamos ao salão beleza. – ela diz, empolgada. – Afinal de contas o que a People de Tóquio vai dizer quando ver o estado que se encontra a namorada de Uchiha Sasuke? – reviro os olhos e me sento à mesa. – Querida, coma os croissants, não os fiz, mas os comprei com muito carinho.

Tomamos o café da manhã e depois fomos ao salão de beleza. Passar o dia com Ino falando futilidades era tudo que eu precisava.

oOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Quando entro no enorme edifício, fico boquiaberta com a diferença entre essa editora e a espelunca na qual eu trabalhava. Finalmente, Sasuke me ligou dizendo que hoje sua amiga me esperava em uma reunião e eu não pude me conter de felicidade. Enfim, consegui fazer um manuscrito dos primeiros capítulos do meu livro e coloquei minha melhor roupa, na esperança de que essa seja talvez a melhor oportunidade que já apareceu na minha vida. Estou vestindo um vestido preto, de algodão, que vai um pouco acima do meu joelho, visto um casaco gabardine bege claro e um sapato meia pata também bege. Confiante eu entro no elevador e subo rumo o andar na presidência.

A adorável secretária, Shizune, diz que Tsunade irá me encontrar em alguns poucos minutos e enquanto isso, tomo um café. Sou pega de surpresa quando ela anuncia que já posso entrar e assim que adentro a sala da presidente, me surpreendo com a simplicidade de seu escritório.

– Olá, Haruno.

Uma mulher muito elegante e muito bonita me cumprimenta. Essa deve ser Tsunade. Ela veste uma blusinha de seda branca e uma calça pantalona, preta. Seus traços são fortes, mas muito bonitos. Sorrio, por fim e a cumprimento também.

– Olá, você deve ser a Tsunade, prazer.

Tsunade por fim me pede para contar sobre meu livro e se diz muito interessada pela história.

– Eu li o seu primeiro livro e devo dizer que me interessei muito quando o Uchiha me procurou e me pediu para que eu lesse os primeiros capítulos do seu segundo livro. Eu devo alguns favores a ele... – ela sorri. – mas acredite em mim, Haruno, seria um prazer publicar um livro aqui na Hokage.

– Obrigada, Tsunade-sama. – sorrio.

– Apenas Tsunade, por favor. Sama me faz eu me sentir uma senhora de 100 anos. – ela sorri. – Você trouxe seu manuscrito? – entrego-o a ela. – Então faremos o seguinte, eu terei que lê-lo, e se eu gostar, o que eu acho que eu vou, ai sim, marcaremos uma reunião com o resto da equipe para discutir os próximos passos.

Tudo que eu faço durante nosso encontro é agradecê-la. Preciso lembrar de achar algum jeito de agradecer Sasuke, de alguma forma. Agora eu e Tsunade estamos conversando coisas triviais e a cada momento que fico aqui gosto muito mais dela. Eu achei que essa reunião seria tensa e constrangedora, mas acabei ficando muito a vontade. Sorrio, mas fico constrangida quando ela pergunta sobre eu e Sasuke.

– Ele é um pouco marrento no começo, mas o Uchiha um bom garoto. – ela sorri. – Já me ajudou muito e fico feliz que ele tenha deixado aquelas cabeças de vento e se interessado por uma menina como você. – sorrio, ainda sem graça. – Não fique tímida, Haruno, mas eu queria saber como você conseguiu que o Uchiha perdesse essa fobia que ele tem por compromissos.

– Nem eu sei, Tsunade-sama. – digo mentalmente: com um namoro que tem um prazo de validade.

– Bom, alguma coisa me diz que você é uma menina especial, Haruno. – ela por fim se levanta. – Eu te ligarei assim que tiver uma decisão.

Despedimos-nos e eu saio leve como uma pena do enorme edifício na editora Hokage. Quando piso meus pés na calçada a primeira coisa que penso é ligar para Sasuke e agradecê-lo por ser tão bom comigo.

Foi tudo bem na reunião? – ele pergunta.

– Tudo foi sensacional! Tsunade é uma mulher incrível, me tratou tão bem e disse que é bem provável que o resto da equipe queira fazer um contrato comigo. Sasuke, como eu posso te agradecer?

Já está me agradecendo. – seu tom é de divertimento. – Cuidado com o vento porque estou tendo uma bela visão da sua calcinha de algodão branca.

O QUE?!

– Mas o que...? – coloco minha mão sobre meu vestido e olho ao redor de mim, procurando Sasuke, quando me viro ele está atrás de mim.

– Achei que deveríamos comemorar seu novo emprego.

Não digo nada além de abraçar ele, bem forte. Não posso descrever o que ele tem feito por mim ou o que ele se tornou nesse meio tempo. Talvez eu esteja ficando repetitiva, mas eu sinto Sasuke tomando um lugar na minha vida e no meu coração. Ignoro a certa angustia que me acerta quando lembro que apenas temos mais três semanas juntos, e me foco na minha felicidade do agora.

Ele me leva num caro restaurante de comida francesa, o lugar é todo chique e extremamente caro.

– Sasuke, existem pratos nesse menu que pagariam meu salário da Gekkou Hayate. – digo, baixinho.

Sasuke apenas sorri e arqueia uma sobrancelha. Ele parece bem despreocupado, não duvido, não é como se dinheiro fosse exatamente um problema para ele.

– E tem mais, não tem nada para celebrar, afinal de contas ela ainda vai ler meu manuscrito. Sério, vamos comer em outro lugar. – eu digo, ainda quase que sussurrando.

– Sakura, seu namorado é milionário. – ela dá uma risada. – A comida daqui é deliciosa, e se eu posso gastar, por que eu não o faria? – ele dá de ombros e se debruça um pouco sobre a mesa. – E eu acho que você vai conseguir o contrato. Você precisa começar a confiar mais em si mesma. – ele parece despreocupado.

O jantar foi delicioso, e caro. Depois de uma garrafa inteira de vinho que poderia pagar o aluguel do meu apartamento, eu já estou um pouco tonta. E agora caminhamos para o carro de Sasuke. As pessoas realmente devem pensar que somos um casal apaixonado, acho que o motivo é sermos tão a vontade um com o outro. Eu digo coisas pra ele que nunca contei pra nenhum dos caras que eu fiquei em toda a minha vida.

– É sério! – digo tentando conter o riso. – Minha primeira vez foi no vestiário da escola, aliás eu nem sei como eu consegui ter uma primeira vez tão lamentável. E quando enfim terminamos, ou melhor, ele terminou, a professora de educação física entrou lá e quase nos pegou... transando. – Sasuke arqueia a sobrancelha e dá uma risada gostosa de ouvir. – Fui suspensa por três dias.

– E seus pais descobriram por quê?

– É claro que não, do jeito que meu pai é, ele teria me mandado pra um convento. E minha mãe me faria casar com o menino. – balanço minha cabeça negativamente. – Me dá arrepios só de pensar.

Quando enfim chegamos a frente do meu prédio, Sasuke diz que vai me fazer um café, para a minha surpresa e subimos até meu apartamento. Enquanto espero sentada no balcão, ele age como se estivesse confortável, em sua própria casa. Pegando colheres e procurando os utensílios, sem me perguntar nada.

– Eu realmente fiquei conta com aquele vinho. – dou risada.

– Você é tão fraca pra bebida... – ele comenta enquanto adoça minha xícara e me entrega.

Sasuke me olha de forma tão intensa que sinto um arrepio na espinha e meu coração acelerar de forma idiota. Quando pego a xícara, nossos dedos se encostam e posso jurar que uma corrente elétrica passou por nós dois. Eu tomo um gole, mas ele ainda permanece parado em minha frente e seu olhar ainda está sobre mim. Pensa em alguma coisa para dizer, Sakura, qualquer coisa. Vamos, diga alguma coisa.

– Se eu pudesse... – dou uma risada e coço minha nuca. – Me casaria com o seu café.

Ele dá um sorriso e volta sua atenção a xícara de café em suas próprias mãos. A tensão entre nós dois é palpável e meu coração cada vez mais está acelerado, se é que isso é possível. De alguma forma, não consigo desviar meu olhos dos dele e de alguma forma, sinto que ele também não consegue desviar os olhos dos meus. Lentamente, ele coloca sua xícara no balcão e tira a minha das minhas mãos, fazendo o mesmo com ela. Uma de suas mãos acaricia lentamente meu rosto enquanto a outra pousa sobre minha cintura. E eu já não posso negar que eu quero beijá-lo. Nossos lábios se roçam e ele me dá um selinho, depois um beijo carinhoso, mas intenso. Eu o beijo novamente e ficamos assim por algum tempo. É como se meus lábios estivessem formigando e ansiando pelos lábios dele, e eu não consigo parar de beijá-lo. Sasuke me aperta ainda mais contra seu corpo. Agora o beijo que antes começou mais carinhoso, se torna mais intenso e sensual. Meu corpo, minha mente... Meu todo está totalmente entregue a esse momento. E é justamente quando decido que não pensarei no amanhã, a magia toda se rompe ao som da campainha.

Não sei se amaldiçôo quem quer que seja ou se o agradeço.

Bruscamente, eu e Sasuke nos separamos e, de alguma forma, eu consigo dizer que irei ver quem é. Tentando me recompor e rezando para que não seja Ino, eu abro a porta e me surpreendo:

– Sasori?

“(…) There's no sign of life
It's just the power to charm
I'm lying in the rain
But I never wave bye-bye
But I try, I try
Never gonna fall for
Modern love”
Modern Love – David Bowie

Notas finais
E então gente, o que acharam? Eu particularmente gostei do capitulo. Como eu tinha dito, essa história eu dividi em três partes, digamos assim, em três momentos e esse capítulo foi fundamental pra colocar em andamento a conclusão desse segundo momento, e por mais que tenha acontecido muitas coisas, achei que todas elas seriam importantes, porque senão essa história nunca irá pra frente, certo? Bom, nesse capítulos vimos o avanço da relação dos dois, inclusive o beijo, que marca talvez um novo estágio da relação deles. O Sai, que agora apareceu pouquíssimas vezes, começará a ganhar certo destaque na história e enfim a carreira da Sakura começará a dar certo. E o Sasori, hein? como será esse encontro dele com o Sasuke? Bom, só no próximo capitulo de Lie To Me, que, eu espero, será postado semana que vem. Espero que vocês tenham gostado e já sabem, né? Qualquer dúvida, crítica, elogio... mande um comentário. Beijos e até mais, meninas.