Lie to me
13 I'll be yours
Notas iniciais
“I was always searching for the last dismissing
Now that i found you wishes do come true
Butterflies inside me make us fly where we want
I'm holding on i'll be holding on”
I’ll Be Yours – Those Dancing Days
Faz uma eternidade de que me tranquei no banheiro da casa de Sasuke e simplesmente não tive coragem de dar as caras. Ele provavelmente deve achar que eu me afoguei na privada ou fugi pela pequena janela do recinto. De alguma forma inexplicável e idiota, meu coração está acelerado, parecendo uma turbina, batendo um milhão de vezes por minuto. Certo, Sakura, respira. Não seja ridícula, nem idiota, é só o Sasuke, vou abrir a porta e agir com superioridade, como toda essa situação fosse completamente banal pra mim. O que não é verdade.
Respiro bem fundo, antes de abrir a porta e encontrar Sasuke, vestindo uma regada velha e uma calça de moletom. Ele está descalço enquanto faz um café. Ele parece tranqüilo e concentrado. Ele parece tão bonito agora. Que merda você está pensando, Sakura? Balanço minha cabeça a fim de espantar meus pensamentos e faço um barulho qualquer para indicar a minha presença e logo ele olha pra mim.
– Resolveu dar as caras? – ele pergunta com muita naturalidade enquanto volta sua atenção para a cafeteira.
Rapidamente, Sasuke despeja café em duas xícaras muito bonitas e adoça apenas uma delas, ele realmente não deve ir muito com a cara de doces. Com a mão, ele faz um gesto, indicando para que eu me sente à mesa junto com ele e assim que eu me sento, tomo um gole de seu delicioso café e faço um barulho involuntário indicando a delicia que é seu café. Quem dera eu soubesse fazer um café tão bom assim, francamente o meu mais parece chorume misturado com açúcar.
– Seu café é uma delicia. – digo, com sinceridade.
– Depois que comecei a morar sozinho, não tive outra escolha a não ser aprender a cozinhar. – ele me lança um pequeno sorriso. — Uma mulher vem limpar as coisas para mim uma vez por semana e o resto eu mesmo faço.
– Seu café é melhor que o meu.
– Então eu realmente estava certo sobre você?
– Hum? — digo, sem saber exatamente do que ele está falando.
– Que você não sabe cozinhar. Escritores geralmente não sabem cozinhar.
– Isso é um estereótipo, você sabe. – arqueio uma sobrancelha. – Não é como se empresários ricos tivessem êxito na cozinha... – digo, resignada.
– É um estereótipo, mas aqui está você. – ele me lança um belo sorriso e me sinto perdida em sua suave expressão. – Sakura, eu queria falar com você...
Mas que merda eu estou fazendo? Minha vontade é socar minha própria cara, eu realmente estou atraída por Uchiha Sasuke? Não posso acreditar! Vou me certificar de me jogar nos trilhos do metrô. Argh!
Ainda sim, sorrio, como se não houvesse pessoa mais tranqüila que eu no recinto.
– Eu quero me desculpar pela forma que eu te tratei aquele dia. – ele agora está me olhando nos olhos de uma forma bem intensa. – Eu agi de forma idiota e perdi a cabeça e não deveria nunca ter descontado em você. Eu sei que te magoei.
Não consigo decifrar a expressão de Sasuke neste momento, mas ele parece tão sincero que é praticamente impossível guardar qualquer rancor sobre ele nesse momento. Involuntariamente, sorrio e digo que já passou. Meu deus, o que há comigo? Obviamente deve ter sido o Martini que eu tomei mais cedo ou devo estar ficando realmente louca.
– Eu me arrependo muito pelas coisas que te falei naquele dia. – ele continua. – Não quis dizer nada daquilo.
– Eu sei.
Nos entreolhamos, e há uma certa cumplicidade em nossa troca de olhares. De alguma forma, sinto vontade de sorrir, e eu o entendo. Suspiro fundo e ele rapidamente desvia seu olhar do meu, dizendo que irá buscar alguma roupa para eu dormir.
Rapidamente ele aparece com uma camisola. Certo, por que raios ele tem uma camisola?
– É o que você veste quando não tem ninguém olhando? – digo, divertida e ele dá uma breve risada.
– Alguém deve ter esquecido aqui. – ele diz, coçando a nuca.
– Isso está... limpo? É seguro eu usar? – ele estreita os olhos, mas tem uma expressão de divertimento em seu rosto. – Como vou saber se você não oferece essa camisola para todas as mulheres que vem aqui?
– Sakura, as outras mulheres que vêm aqui não precisam usar camisola.
É, faz todo o sentido. Não é como se eu fosse sua parceira sexual e nós temos um relacionamento diferente. Eu. Sou. Sua. Namora. De. Mentira. Aliás, eu tenho que ficar me lembrando disso o tempo todo esses dias, porque eu ando teimando em esquecer. Logo eu limpo a garganta e pego a camisola de sua mão. Vejo que Sasuke também trouxe uma toalha para que eu possa tomar um banho. Ele é realmente um cara bem atencioso quando ele quer. E é realmente por todas essas mudanças de humor, de atitude, essas milhares de expressões e olhares que estampam seu rosto que eu não sei lidar com ele muitas vezes ou saiba o que pensar sobre ele. Suspiro e caminho até o banheiro, a fim de tomar um banho e quem sabe fazer com que a água derreta esses pensamentos idiotas que eu venho tendo.
Tomo um banho rápido e visto a camisola branca de seda que Sasuke me emprestou. Ela é um pouco curta e justa, mas nada exagerado. Assim que saio do banheiro, ele está lendo algum documento que eu não consigo identificar, enquanto fuma um cigarro. Logo ele levanta seu olhar para mim e sorri, dizendo que eu estou bonita. Viu? Como eu posso lidar com coisas como essas. Limpo a garganta.
– Certo, onde eu vou dormir?
– Se quiser, pode dormir na minha cama e eu durmo aqui no sofá, mas nós não somos mais crianças. – ele arqueia uma sobrancelha. – Podemos perfeitamente dormir na mesma cama. Ela é grande o suficiente pra nós dois.
– Você não acha... hum, um pouco... Err... Estranho?
– Então eu durmo aqui em baixo.
– Não! Não! Quer dizer, não precisa dormir no sofá por minha causa, não vai matar dormirmos na mesma cama uma vez.
Meu coração se acelera ao ponto de explodir quando Sasuke se deita ao meu lado. Certo, eu vou ter um infarto agora, agorinha. E eu começo a me arrepender amargamente, profundamente de ter aceitado vir pra cá em primeiro lugar. Sasuke rapidamente pega no sono e sua expressão é completamente serena, enquanto eu estou aqui, a beira de um ataque de nervos. Continuo olhando para ele dormir como se fosse uma psicopata. Certo, eu deveria olhar para outra coisa. Vamos olhar para a bela lâmpada apagada bem a cima de nós. Que bela lâmpada, não é mesmo? Que coisa fascinante. Meu coração aos poucos se acalma e sinto que posso pegar no sono também, sorrio vitoriosa e fecha os olhos, quando sou surpreendida com Sasuke deitando sua cabeça em meu peito e me abraçando. Arregalo meus olhos, surpresa e olho para baixo, achando que ele está tentando me matar do coração deliberadamente, quando vejo que ele continua dormindo. Que filho da puta!
O relógio ao meu lado marca uma da manhã. Certo, eu preciso agüentar até as seis quando eu poderei ir embora. Tento respirar fundo, mas a cada movimento que meu tórax faz, eu sinto a cabeça de Sasuke contra meu peito e estremeço um pouco. Isso é ridículo, como se eu nunca tivesse dormido com um homem na minha vida. Bufo, irritada, quando escuto meu celular vibrar em cima da cabeceira. Vejo que é Ino e atendo.
– Você não foi embora sozinha, não é, Sakura? – sua voz me soa maliciosa.
– Fui com o Sasuke. – sussurro.
– O que você está fazendo agora?
– Ok, Ino, não surte, e me ajude, pelo amor de deus. – respiro fundo. – Eu estou na cama, com Sasuke... – ela faz menção de dizer algo, mas eu a corto, rapidamente. – Não, não transamos, ele pediu para que eu viesse, assim a mídia veria que ainda estamos juntos, mas acabamos vindo dormir e... eu estou muito nervosa. Não que eu esteja atraída ou coisa assim. – digo, sussurrando. – Mas ele agora está praticamente deitado em cima de mim e... Eu não consigo dormir.
Ino explode em uma gargalhada tão alta que eu preciso afastar um pouco o celular da minha orelha. Ela não está sendo de ajuda alguma!
– Você está tão caída por ele, Sakura. – reviro os olhos. – Certo, não há muito o que fazer. Das duas ou uma. Ou você tenta tirar ele de cima de você, o que será difícil, pensando que ele é muito mais forte que você ou você relaxa e tenta aproveitar o contato daquele corpo gostoso no seu.
– Ino, você não está ajudando. – digo, entre os dentes.
– Querida, ainda falta um mês para que o acordo de vocês termine, se eu fosse você, aproveitaria e uniria o útil ao agradável. Eu acho que você só não quer admitir, e é ridículo isso, você é uma mulher crescida, Sakura. Não precisa ficar negando que você quer dar pra esse cara. – faço um barulho mostrando meu descontentamento e ela suspira resignada. – Bom, tente empurrar as mãos dele para longe e em seguira, empurre o tronco. Funcionou várias vezes comigo. Quem diria que Uchiha Sasuke era um homem tão pegajoso? Sorte que ele é gostoso. Aliás, ele está vestindo o que?
Reviro os olhos, mais uma vez.
– Uma regata e uma calça de moletom.
Ino da um gritinho.
– Então você viu as tatuagens. Sakura, mulheres matariam para estarem no seu lugar.
Enquanto Ino continua insistindo para que eu transe com Sasuke, eu empurro suas mãos e por fim, seu tronco e ele logo vira para o outro lado da cama. Sorrio vitoriosa e sussurro para Ino que terei que desligar.
– Ok, querida, mas lembre-se, não é todo dia que acabamos na cama de Uchiha Sasuke. Beijinhos.
Às vezes me pergunto por que ainda peço ajuda a Ino quando se trata de homens. Para ela a solução é transar com o cara. Suspiro e me levanto da cama e desço as escadas, a fim de um copo de água com açúcar. Isso vai me ajudar a dormir e esquecer esses pensamentos idiotas que eu tive hoje. Sento-me na cadeira enquanto tomo minha água. Lá em cima, Sasuke dorme profundamente, é óbvio que ele está tranqüilo. Toda essa situação, TODA ela, é favorável somente a ele. No final de tudo, eu ainda estarei solteira, enquanto toda a minha família e amigos, e minha cidade farão da minha vida um inferno querendo saber por quê terminamos e eu terei de lidar com todas essas coisas, sozinha.
Olho de relance para a sala e vejo um vulto caminhando em minha direção, solto um grito de susto e deixo o copo em minhas mãos cair sobre meu pé.
– Sakura! Sakura, se acalme, sou eu. – Sasuke liga a luz, rapidamente e eu posso ver sua expressão de preocupação.
– Por que você aparece assim tão silenciosamente? – digo, colocando a mão no meu peito, tentando me acalmar.
– Eu estava te procurando. – ele desce os olhos e seu olhar para no meu pé. – Você está sangrando.
Logo eu olho para baixo, o copo se quebrou sobre meu pé e abriu um belo corte. O sangue não para de escorrer e agora eu começo sentir a dor.
Sasuke logo caminha até mim e me pega no colo, me levando para o sofá, rapidamente, ele some da minha vista e logo aparece com uma caixa de primeiros socorros. Seu cenho está franzido e ele parece preocupado. Logo ele se ajoelha em minha frente e começa a limpar meu machucado, para depois aplicar um anti séptico. Ele parece tão compenetrado e eu involuntariamente, sorrio.
– Se doer, você me avisa.
Sasuke agora está terminando o curativo. Assim que ele termina, ele acaricia meu pé e me olha, sério. Logo ele se levanta um pouco ficando da minha altura. Sou pega de surpresa quando ele me dá um selinho e coloca suas mãos na minha nuca, me segurando firmemente. Nós dois fechamos os olhos e nossas línguas se entrelaçam. O beijo é rápido, mas intenso, de forma que eu fico desnorteada quando nossos lábios se separam.
– Pra sarar o machucado. – ele diz e sorri em seguida.
oOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo
Acordo deitada no colo de Sasuke enquanto ele dorme sentado no sofá. Acabamos conversando a noite toda sobre tanta coisa que fomos dormir quando os primeiros raios de Sol entravam pela janela. Ele me contou sobre sua infância, sobre a relação com o irmão e eu contei sobre minha vida em Konoha, tudo sobre Sasori e minha amizade com Ino. Não falamos sobre nosso beijo ou sobre qualquer coisa relacionada a isso. Eu fiz questão de não tocar nesse assunto, ainda me sinto estranha.
Assim que me levanto, Sasuke também acorda, perguntando se eu quero tomar café, antes de ir para casa, acho melhor não. Ele prontamente diz que me levará pra casa, afinal de contas é sábado e nenhum dos dois precisa ir trabalhar.
Assim que chego em minha casa, sou pega de surpresa ao ver minha mãe lavando minha louça.
– Sakura! – ela me abraça. – Onde você se meteu? Querida, eu fiquei preocupada, toda aquela gente falando sobre como você e Sasuke se separaram. Vocês não se separaram, não é? Sakura, minha filha, quando você vai começar a valorizar os homens que passam por sua vida? Eu entendo que você goste de experimentar, mas na sua idade já está na hora de se aquietar e ficar com um homem só, você não acha? – faço menção de dizer algo, mas ela é mais rápida. – É ridículo você desperdiçar tantos bons partidos. Você não sabe a sorte que tem.
– Mãe, eu e Sasuke não terminamos, inclusive, eu estava na casa dele até agora. – bufo irritada.
Ela sorri e sua expressão é totalmente de alívio. Mal sabe ela que essa relação está com os dias contados.
– Oh, querida. – ela me abraça. – Que bom! Você sabe que não se acha homens como aquele hoje em dia. E ele? Como vai?
– Vai bem, e eu estou bem também, obrigada por perguntar. – ela não está nem aí pra mim desde que eu não esteja solteira.
Logo minha mãe dá de ombros e retorna a pia, dessa vez cantarolando alguma música, alegre. Realmente, eu mereço? Não contente com todas as coisas que eu tenho que lidar, ainda tenho que lidar com a minha mãe que é quase uma casamenteira psicótica quando se trata de se assegurar que eu não termine com meus namorados. A única coisa que eu quero é paz, será que é pedir muito? Respiro fundo enquanto vou até meu quarto e coloco uma roupa qualquer. A lembrança do beijo que Sasuke me deu me bate forte e eu sinto alguma coisa no meu estômago, espero que seja uma azia e não malditas borboletas.
Sento-me no computador e grito para minha mãe não me incomodar, afinal eu tenho uma história para escrever e eu preciso de total paz, coisa que é quase impossível de se obter com alguém tão barulhento como minha mãe. Obviamente eu não esperava que o maior incomodo viria das minhas memórias, é quase impossível escrever quando sua mente está a milhão e nenhum dos pensamentos é relacionado ao que você está fazendo.
Ok, eu admito, talvez eu esteja realmente atraída pelo Sasuke. Numa escala de 0 a 10, estamos falando de 4, talvez 5, mas eu realmente queria que fosse -1000!
O relógio marca seis da tarde, anunciando quase o fim do dia e toda a sua inutilidade já que eu não fiz nada, apenas escrevi meia página e passei a maior parte do tempo batendo minha cabeça contra a minha escrivaninha tentando entender o que há de errado comigo. Decido por fim, sair e espairecer minha cabeça. Acabo colocando um jeans claro rasgado, botas de cano curto marrom, uma blusinha cinza e uma jaqueta verde musgo do tipo militar.
Às vezes é bom beber sozinho. É o que eu digo a mim mesma, quando entro no badalado bar no centro da cidade. O dono dele é meu amigo e eu sempre acabo tomando uns martinis de graça. O lugar está bem lotado, cheio de gente descolada e rica, rapidamente eu me sento em uma pequena mesa e o garçom logo vem anotar meu pedido.
– Um martini, por favor.
Neji logo aparece em minha frente. Ele hoje está mais bonito do que eu lembrava. Seu cabelo está preso em um coque mal feito e ele veste roupas chiques, mas tem um ar de bad boy, como sempre. E pensar que poderíamos ter namorado...
– Sakura! – ele me dá um beijo no rosto e me abraça. – Uau, que surpresa. Você está linda.
– Eu, com certeza, posso dizer o mesmo de você, Neji.
Ele dá um sorriso de canto e pede para o garçom uma dose de uísque. Neji é dono de uma rede de bares e baladas famosas em toda a Ásia. Ele é inteligente e muito atencioso, começo a lembrar de suas qualidades enquanto ele se sente ao meu lado.
– Ouvi dizer que você está escrevendo um livro novo. – confirmo, balançando a cabeça. – E que está de namorado novo também. – também confirmo. – Você nunca mais apareceu por aqui, seu ex era bem ciumento... Não foi por isso que paramos de se falar?
– Nós paramos de se falar porque Sasori viu nosso beijo no fundo desse bar e quase terminamos por causa disso. – estralo a língua. – De qualquer forma, vamos deixar esse assunto pra lá. Eu ouvi dizer que você foi para a França com Hinata, por que voltou?
– Eu fui apenas de passagem, e a situação toda estava esquisita, porque ela conheceu um veterinário na viagem. E eu não nasci para ser vela de casal nenhum. – ele sorri. – Eu tive que voltar e cuidar dos negócios, esse lugar aqui não funciona sem mim, modéstia parte.
Dou uma risada e beberico meu Martini que acabou de chegar. Eu e ele nos entreolhamos, mas logo eu desvio o olhar. Conheci Neji através de Hinata, já que são primos, e tivemos quase um caso antes de eu oficializar meu namoro com Sasori, eu sinceramente não sei até hoje o porquê de eu ter terminado, ele com certeza teria sido um namorado melhor que Sasori, muito mais atencioso, melhor de cama e nunca me trairia, pelo menos não na nossa própria casa. De qualquer forma, os sentimentos daquela época acabaram e nos tornamos amigos, ainda que não tenhamos mantido muito contato durante esse tempo todo.
– Você está com Uchiha Sasuke, não é verdade? – digo que sim. – Eu li sobre isso em algum lugar. – nesse momento, somos interrompidos por alguém que chama Neji. – Sakura, preciso ir, e resolver alguns problemas.
Ele me abraça e deposita um beijo na minha bochecha. Neji logo sai do bar e desaparece da minha vista. O garçom aparece novamente, me informando que as bebidas serão por conta da casa. Nostálgica, peço outro martini.
WOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOW, eu estou bêbada. Rio, comigo mesma.
Certo, eu estou no meu oitavo ou novo martini? Não tenho certeza, sinto minha cabeça rodar quando me levanto para ir embora. Meio cambaleando, consigo chegar até a calçada e me encostar em um poste. Eu acho que tomei uma péssima decisão de vir beber sozinha. Eu realmente não tenho dinheiro para o táxi e duvido que a essa hora algum ônibus irá passar e me levar pra casa.
Tudo está rodando!
Vou ligar para alguém.
Ino não atende o celular, posso apostar como ela está com algum cara, ligar para minha mãe está fora de cogitação, Hinata não vai poder fazer nada por mim de lá da França. Merda. Merda. MERDA!
– MERDA! – grito bem alto e acabo chamando a atenção de algumas pessoas da rua.
Acabo achando o telefone de Sasuke na minha agenda telefônica. Depois de três tentativas falhas para conseguir acertar o botão de realizar a chamada, eu consigo falar com ele. Ignoro a pontada de um sentimento estranho quando ele atende e eu escuto uma voz feminina ao fundo.
– Sakura?
– Sasuke. Err... Oi, tudo bem? – por deus, o que eu estou fazendo? – Eu liguei assim sem motivo, só pra... hum... saber se tá tudo bem. – até eu consigo notar que minha voz é completamente a voz de um bêbado nesse momento. – Eu li numa revista que há uma suspeita de você estar doente, e ter... hum... hemorróidas.
– Você está bêbada? – ele respira fundo. – Sakura, você não está em casa, está?
– Não...
– Onde você está? – digo o nome do bar e o nome da rua para Sasuke. – Certo, não saia daí, estarei aí em 15 minutos.
Ai meu deus, será que eu vou vomitar? Cambaleio novamente e caio no chão. Logo começo a chorar notando como eu sou uma perdedora. É, eu sou uma perdedora. Enquanto eu passei o dia pensando em como eu estava atraída por Sasuke e mexida com o nosso beijo, ele estava lá, com uma mulher. Eu espero que o pênis dele não suba e ele broxe pelos próximos cem anos! Eu espero que ele tenha um pênis pequeno. Eu sou uma imbecil de ter ficado um pouquinho, um pouquinho de nada balançada com a noite de ontem.
Ainda sentada no chão, fecho os olhos.
Acordo e olho para a minha direita. Eu estou em movimento? Posso notar que eu estou em um carro e Sasuke está dirigindo. Ele parece nervoso, pois seu cenho está franzido e ele parece estar fazendo força em seu maxilar.
– Sasuke?
– Você está bem? – seu olhar é cheio de preocupação.
– Uhum... – digo, meio confusa. – Para onde estamos indo?
– Para a minha casa. Estamos chegando.
Sinto o carro diminuindo a velocidade e logo paramos. Sasuke sai do carro e me ajuda a sair também.
– Eu te interrompi, não é? – ele parece confuso. – Você não estava sozinho quando eu te liguei. Não que eu me importe, porque é óbvio que eu não me importo, só estou curiosa, afinal de contas, eu não quero atrapalhar ninguém. – sinto meus olhos marejarem, qual é o meu problema? – Eu te atrapalhei, né? – Sasuke está me olhando como se eu fosse um ET transexual – Me desculpa, Sasuke, eu estou tão triste por ter te atrapalhado.
– Sakura, para de chorar, por deus. – ele passa as mãos no cabelo, indicando que está nervoso.
– Não grita comigo. – choro mais ainda. – Por que você está gritando comigo?
Logo ele sorri, como se ele não se importasse nem um pouco de ser interrompido e ter que buscar uma bêbada chorona e ainda ter que agüentar ouvir tudo isso. Ele me abraça e começa a caminhar rumo a porta de sua casa.
– Vamos, você precisa deitar. – ele diz, depois de depositar um beijo na minha cabeça.
oOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo
Acordo num pulo, sem saber direito onde eu estou. Vejo que visto uma camiseta enorme de alguma banda de punk underground. Me levanto e noto que Sasuke não está no quarto. Me lembro perfeitamente bem da noite passada e eu daria até minha alma pra esquecer. Desço as escadas, mas não há ninguém. Na mesa da cozinha, há um tremendo café da manhã e um bilhete de Sasuke.
“ Sakura,
Tome seu café e depois tome bastante água. Eu tive que sair para resolver um problema e volto logo.
PS: nem pense em ir embora.
Sasuke.”
Eu pensei em ir embora no segundo em que abri os olhos, mas por tudo que eu fiz ontem a noite, prefiro respeitar e ficar. Lembro de ter vomitado nos sapatos dele, meu deus, que vergonha. Respiro fundo enquanto me sento no sofá e ligo a TV. Depois de passar por vários canais, acabo deixando em um filme de suspense qualquer.
Não escuto quando Sasuke chega e adentra a sala, me fazendo pular de susto.
– Bom dia. – ele diz, sorrindo, e eu sei ele está se divertindo as minhas custas.
Murmuro um bom dia qualquer, enquanto não consigo olhar no rosto dele direito.
– Sua mãe ligou, eu disse a ela que passamos a noite juntos e a convidei para nós três jantarmos em um restaurante hoje a noite, se não se importa. – ele disse, enquanto guardava alguns livros na estante.
– Certo...
– Você está melhor hoje? – afirmo com a cabeça. – Eu mandei suas roupas e meu sapato pra lavanderia e queria perguntar se você não quer passar o dia aqui...
Sou pega de surpresa com seu pedido.
– Hum... ok.
– Eu passei na sua casa e peguei o seu notebook, caso você queira escrever. – ele sorriu.
– Ontem eu te fiz prometer passar o dia comigo?
– Não.
Ele não diz mais nada, apenas sobe as escadas e desaparece das minhas vistas. Ok, tem algo muito estranho aí. De repente, ele gosta da minha companhia? Vejo que ele deixou meu notebook no sofá, logo ao meu lado. Dou de ombros e sorrio, a vontade de comparar é inevitável, afinal de contas já fiz coisas parecidas com Sasori, mas ele apenas esbravejou comigo como é feio mulher bêbada, Sasori além de tudo era um machista babaca. Suspiro fundo e pego meu notebook.
Estranhamente, me sinto tranqüila e inspirada para escrever e logo, meus dedos começam a se mover sobre as teclas e cada página flui, rapidamente.
No final do dia, estou completamente confortável. Acabamos passando o dia todo assim como se aquilo fosse perfeitamente normal. Eu acabei ficando no sofá, vestindo sua camiseta que mais parecia o vestido, enquanto ele ficou na poltrona analisando e lendo alguns documentos. De vez em quando, Sasuke parava pra fumar um cigarro e fazer algum comentário engraçado e eu acabei descobrindo que ele possui um enorme senso de humor. Almoçamos comida coreana que Sasuke pediu e depois eu o ajudei a arrumar a casa. Tomamos café na varanda enquanto o Sol se punha.
No caminho de volta, conversamos como se fossemos amigos desde sempre, e eu senti alguma coisa no meu estômago.
E eu soube que não era azia.
– Então mais tarde eu vou passar e pegar você e sua mãe. – ele diz, caminhando comigo até a entrada do meu prédio.
– Certo. Eu gostei bastante de hoje. – digo, sorrindo.
– Eu também. – ele dá um sorriso minúsculo. – A gente deveria fazer isso mais vezes.
– Sim. – ele dá as costas para mim, mas eu o chamo. – Sasuke. Me desculpe por ontem, acabei bebendo demais e eu não pude chamar mais ninguém.
– Foi um prazer.
Dou risada e ele sorri também. Quem diria que hoje seria tão bom.
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