Lie to me

9 Honey bunny


Notas iniciais
DEMOROU MAIS CHEGOU! Gente, quero agradecer pelo carinho, pela compreensão e pelos comentários. Agora eu to estudando em parar e não to podendo mal e mal escrever quanto mais responder os comentários. Mas estou lendo e cada vez mais fico feliz que escrever para leitoras tão lindas quanto ceis são. Obrigada e assim que eu puder escrever de novo, postarei.
Espero que ceis gostem. Um beijo!

"I know you're somewhere /and nothing's ever gonna phase me /You'll look at me and know I'm the one /And you will love me /for all the reasons everyone hates me /and we can do whatever we want (always) "Girls – Honey Bunny

- Meus pais, eles não vêm. – ele passa as mãos pelos cabelos mostrando impaciência e logo ele suspira, resignado. – Acho que seremos só nós dois então...

- Hum... você não quer que eu... err ... vá embora?

Digo já olhando para minha bolsa jogada no sofá. Não que eu ache a companhia de Sasuke de todo desagradável, mas há algo nele que me deixa desconfortável. Talvez seja sua beleza, somada a sua completa imprevisibilidade e seu terrível humor. Se dependesse de mim, apenas ficaríamos juntos quando fosse estritamente necessário.

Ele me olha com uma sobrancelha arqueada.

- Coma alguma coisa. Não vou jogar toda aquela comida fora.

Ele diz e depois ruma até a cozinha, me chamando em seguida. Bufo, profundamente irritada com a atitude dele, mas desisto de protestar quando me lembro que qualquer reclamação seria mais que inútil. Contrariada, acabo o seguindo e não posso deixar de notar que toda a casa de Sasuke parece inacreditavelmente intima, aconchegante e o exato oposto do que eu tinha em mente. Suspiro, derrotada e decido ficar apenas para o jantar.

Posso notar que sobre a mesa, há peixe assado, legumes, arroz e um vinho que parece ser caro.

- Uau! – exclamo, encantada. – Você cozinhou tudo isso?

— Moro sozinho, cozinhar é uma necessidade. – ele diz, divertido. – Eu iria dizer aos meus pais que foi você quem fez...

- Por que não disse? Eu poderia cozinhar... – Sasuke me olha de maneira suspeita. – O que foi? Acha que não posso cozinhar?

- Eu ouvi dizer que escritoras geralmente são bagunceiras... – Sasuke enche minha taça de vinho. – E péssimas cozinheiras... Pude observar isso pelo seu café.

- Hey!

Minha cara se contorce em uma leve expressão de irritação e posso notar pela expressão dele que ele está se divertindo em me irritar.

- De qualquer forma... – começo, depois de engolir o delicioso peixe que Sasuke preparou. – Você... – como eu posso perguntar isso? – chegou a ler algo meu? – Sasuke me olha de maneira divertida e eu sinto minhas bochechas queimarem. – Quer dizer, você disse algo na sala que... hum... Sugeriu que você leu algo meu e eu só... – minha voz vai morrendo enquanto eu termino minha frase. – Fiquei curiosa.

De alguma forma, eu ainda fico extremamente tímida quando me elogiam ou citam algo que eu escrevi. Mas isso não me impediu de ficar morrendo de curiosidade sobre o fato de Sasuke ter lido, pelo que ele me disse, o meu livro.

- Depois que você invadiu minha suíte no Palace, eu fiquei curioso sobre quem você era e descobri que era escritora e procurei por seu livro. E, se você quer saber, você é uma ótima escritora, surpreendentemente. Seu livro me agradou bastante. – ele sorri de canto depois de tomar um gole de vinho. – Sinceramente, pensei que você era uma dessas escritoras de banca de jornal.

- Isso é um elogio?

- Lógico!

Olho para ele de forma suspeita e posso notar que a expressão de divertimento ainda não deixou sua face. Posso notar o como ele fica mais bonito e jovial quando está assim, com a expressão relaxada. Me perco na beleza dos traços de seu rosto por breves segundos, quando noto que ele também está olhando para mim. Limpo a garganta e viro uma golada de vinho de uma vez.

Em um silêncio levemente constrangedor, terminamos de jantar. Me ofereço para ajudar com a louça, mas ele garante que vai limpar a bagunça depois e dou de ombros. Novamente, o silêncio, mas Sasuke me surpreende quando pega a garrafa de vinho, e as taças e ruma até a sala.

Começo a me perguntar o porquê de ele fazer tanta questão pela minha companhia, ele nem gosta de mim para começo de conversa. Ou será que ele na verdade, se apaixonou por mim quando me viu na suíte do Palace e inventou toda essa história para me ter por perto? Dou uma risada involuntária com meu pensamento e rumo para sala. Sasuke está bebendo uma garrafa de vinho e, assim que me vê, enche uma outra taça, para mim.

- Eu preciso ir...

- Precisa mesmo. – Sasuke comenta. – Mas antes eu preciso lhe alertar, tome cuidado com o que diz para Gaara.

- Então vocês se conhecem mesmo da escola! Mas... – olho para Sasuke, pensativa. – Por que eu deveria ter cuidado?

- Apenas... não diga coisas sem pensar. Ele não é um idiota, e suspeitaria facilmente.

- Se vocês são amigos, não seria melhor apenas contar a verdade para ele?

Sasuke me olha com uma inesperada frieza.

- Não acha que já está na hora de você ir?

Reviro os olhos e me levanto com brusquidão, mas em um ato descuidado, todo o conteúdo caro da minha taça, cai diretamente em Sasuke e sua camisa branca. Ele me olha com o cenho franzido e murmura alguns palavrões enquanto olha alternamente para sua camisa e para mim.

- Merda! – digo automaticamente enquanto me sento novamente, tentando avaliar o estrago. – Onde tem um pano para ajudar a limpar? – Sasuke continua me dando olhares assassinos enquanto um desespero cresce dentro de mim.

- Esquece. – ele me olha irritado enquanto vai desabotoando os botões de sua camisa.

Assim que ele a tira, sinto meus pulmões esvaziarem e o oxigênio de todo o meu corpo fugir pelos meus poros. Não sei o que me surpreende mais, se são os músculos definidos, o peito másculo ou as coloridas tatuagens que Sasuke possui e cobrem seus braços como se fossem uma segunda blusa. Não posso desgrudar meus olhos, as tatuagens são bonitas e coloridas de forma que se destacam em sua pele inacreditavelmente branca, há caveiras, um barco, e até uma mulher desenhada em seu antebraço.

Rapidamente, Sasuke nota para onde eu estou olhando e dá um sorriso de canto, perante minha imensa surpresa.

- Eu fui um adolescente rebelde.

- Rebelde?

- Eu era punk, fiz vários piercings e as tatuagens²...

Murmuro um som qualquer, mas ainda continuo meio débil pela imagem que agora se afasta de meus olhos enquanto sobre as escadas. Puta que pariu, o que foi aquilo? Seu corpo, suas tatuagens, seu sorriso direcionado a mim... Posso notar que meu coração bate odiosamente acelerado em meu peito. Também pudera, Sasuke naquele momento parecia um modelo saído de alguma propaganda da Calvin Klein.

Suspiro fundo e olho para a mesa ao meu lado que ainda possui a garrafa de vinho e a taça de Sasuke, parcialmente cheia. Pego a taça e viro seu conteúdo de uma vez, a fim de me recompor. Assim que ouço um barulho do andar de cima indicando que Sasuke está descendo, rapidamente eu coloco meu casaco e pego minha bolsa.

- Se você quiser, eu posso pegar um táxi. – digo, gaguejando levemente.

- Eu te levo.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Sasuke se despede de mim dizendo que logo nos encontraremos com seus pais, eu apenas aceno, incapaz de dizer alguma coisa. Porque ainda coro só de me lembrar da visão dele sem camisa. Meio sem graça, entro em meu prédio correndo e fico aliviada a não ter mais Sasuke em meu campo de visão.

Assim que abro a porta de minha casa tomo um susto ao ver meu pai, sentado no sofá vendo o jornal e minha mãe grita da cozinha perguntando ao meu pai se eu já tinha chegado. Meu pai está muito estranho com um novo bigode que ele deixou crescer.

- Papai!

Um sorriso brota em seu rosto e ele me dá um apertado abraço.

- Papai, o que vocês estão fazendo aqui? Vocês dois odeiam sair de Konohagure. – comento enquanto, relutante, me separo de seus calorosos braços.

- Sua mãe, para variar, me obrigou a vir. – ele diz, sem muita paciência. – Mas por fim, concordei com ela, precisávamos vir e saber dessa história...

Meu pai é interrompido por minha mãe, que invade a sala feito um furacão e me dá um abraço rápido antes de começar a comentar que estou muito magra e começar a me bombardear de perguntas relacionadas à Sasuke.

- Minha filha! – minha mãe começa, empolgada. – Você e Uchiha Sasuke! Como se conheceram? Como foi o primeiro encontro? Vocês já falaram em casamento? Estou tão contente! – ela exibe um sorriso de orelha a orelha. – Venha, filha, venha! Temos tanto a conversar... – ela sai andando pela sala. – Eu fiz o onigiri¹ de salmão que você tanto gosta.

Enquanto ela me arrasta pela casa, até a cozinha, olho para meu pai que encolhe os ombros e sorri levemente para mim.

Sento-me a mesa enquanto minha mãe começa a encher a mesa com vários onigiris, sopa de miso, e variadas porções de legumes. Ela fala tanta coisa e tão rápido que mal posso entender o que ela está dizendo.

Sei que estou de barriga cheia, mas não posso fazer essa desfeita com minha mãe. Logo, ela está sentada a minha frente e sua expressão é do mais pleno contentamento. Suspiro, resignada.

- Conheci Sasuke em seu hotel... hum... – posso notar que meu pai se encontra encostado no balcão, também curioso para ouvir a história. – Quando eu e Sasori nos separamos, fui me hospedar no Palace por uma noite e eu entrei na suíte dele por engano, logo começamos a conversar e em pouquíssimo tempo nos tornamos amigos íntimos, até que uma coisa levou a outra e acabamos juntos. Algo muito... err... natural.

Rapidamente, enfio um bolinho em minha boca enquanto minha mãe suspira sonhadora e meu pai me encara de forma suspeita.

- Sakura, eu sabia que seu destino era encontrar um homem desse nível. Rico, bonito, inteligente... – minha mãe diz, sonhadora.

- E eu voltei a escrever. – acrescento, mesmo sabendo que esse fato só interessará ao meu pai.

- De qualquer forma, vocês estão juntos pra valer?

- Sim, eu acabei de chegar da casa dele, jantamos juntos, inclusive. Eu estou sem fome.

- E por que ele não subiu?!

- Ah, você sabe. – minha mãe e meu pai estão me encarando agora. – Não estamos morando juntos, e... err... eu já passei muitas noites na casa dele essa semana. Achei melhor voltar pra cá apenas por hoje.

Logo, minha mãe começa a arrumar a cozinha e eu vou atrás de meu pai que agora está na sala costumeiramente fazendo caça-palavras.

- Senti sua falta. – ele comenta notando minha presença. – Sakura, você sempre foi uma das mulheres mais inteligentes que eu já conheci, e não digo isso porque é minha filha. – ele sorri e eu me sento ao seu lado. – Por outro lado, você sempre foi transparente feito água... – ele me olha e coloca uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha. – E eu sempre soube quando minha Sakura estava preocupada, triste, ou mentindo... – quando ele diz isso, nos olhamos e sua expressão se torna séria. – Seja lá o que for que você esteja escondendo de nós, Sakura, eu espero que você sempre saiba o que está fazendo e acima de tudo, siga verdadeira com você mesma.

Somos interrompidos pela minha mãe que aparece intimando meu pai a irem dormir e os dois me deixam na sala, pensativa.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

A mesa está cheia com panquecas, café, suco, frutas pães, queijos e minha mãe parece dar indícios que passará o dia cozinhando. Meu pai como sempre está na sala vendo alguma coisa na TV, apático a tudo. Logo que eu sento-me à mesa, a campainha toca. É Ino.

- Senhora Haruno! Quanto tempo!

Ino dá um abraço rápido em minha mãe e logo se senta a mesa.

- Estou faminta. – ela comenta enquanto começa a pegar panquecas.

- Ino, você sabia dessa história de Sakura com Uchiha Sasuke?

- Como não saber, não é Sra. Haruno? Foi uma história tão bonita e natural? – Ino comenta risonha, olhando para mim.

- Me pergunto se ele trata Sakura bem...

- E quais são as intenções dele. – meu pai diz, se sentando à mesa também.

- Por que vocês não almoçam juntos, os quatro, antes de vocês voltarem? – Ino sugere e eu tenho vontade de matá-la.

Dirijo um olhar assassino a Ino que me responde com um sorriso “inocente”.

- É uma idéia magnífica, querida.

- Como vocês têm passado? – Ino pergunta, terminando sua terceira panqueca.

Ino é uma aberração da natureza. Como pode ter um corpo tão bonito e comer tanto do jeito que ela come? Eu já desistir de tentar entender.

- Muito bem, querida, tão bem que Kanji resolveu estragar um pouco deixando crescer esse bigode estranho.

- Eu acho que o senhor está muito charmoso. – Ino comenta brincalhona, meu pai sorri e ela se levanta, rapidamente. – Bom, eu tenho que ir, apenas passei para ver como Sakura estava, mas fico feliz de ter encontrado vocês dois.

Rapidamente como entrou, Ino vai embora, me deixando com um problemão nas mãos.

- E então, minha filha, quando iremos conhecer seu novo namorado?

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Merda, merda, merda!

Estou em uma cafeteria em frente ao Palace. Fazem vinte minutos que estou encarando o celular em minhas mãos. Quero ligar para Sasuke, mas não consigo! De qualquer forma, eu tenho que fazer com que ele se encontre com meus pais! Reviro os olhos e disco seu número.

- Sakura? O que foi?

- Preciso me encontrar com você...

- Hoje? – ele suspira. – Justo hoje? Eu estou muito ocupado.

- É rapidinho... – digo, quase que suplicante.

Sasuke suspira resignado do outro lado do telefone.

- Venha até meu escritório aqui mesmo no Palace, não posso sair daqui.

- Certo!

Antes que eu possa combinar alguma coisa, ele desliga, mas eu não me importo. Pago a conta e rumo até o enorme e bonito prédio do outro lado da rua. No saguão do hotel, todos olham para mim e parecem saber perfeitamente quem eu sou.

Em passos largos, eu vou até o balcão onde uma bonita recepcionista se encontra.

- Eu vim falar com Uchiha Sasuke.

Ela parece saber quem eu sou porque sem perguntar meu nome, ela rapidamente faz uma ligação e logo me diz que posso subir.

Trigésimo andar.

O elevador vai mais rápido do que eu gostaria, e logo eu estou num dos escritórios mais bonitos que eu já estive. Tudo é impecável e caro e há uma recepcionista linda a minha frente que, com um sorriso digno de um comercial de alguma pasta de dente, abre a porta que imagino ser de Sasuke, para mim.

Agradeço rapidamente e adentro a sala. Posso notar que ele está sentado em uma cadeira imensa e a sua frente há uma mesa de madeira maciça. O escritório é grande e os móveis são clássicos e muito bonitos.

Sasuke está logo a minha frente, com uma expressão séria e parece de certa forma, impaciente.

- Eu estou ocupado hoje, Sakura, o que houve?

- Sabe o que que é? – digo, me sentando em uma das cadeiras a frente da mesa de Sasuke. – Eu andei pensando sobre nosso acordo... Bem, naquele dia você disse que era uma troca de favores, certo? E eu precisava de um pequeno favor seu...

- Diga.

- Meus pais, eles estão na cidade e, bem, eles gostariam de te conhecer...

- Certo. – ele diz, arqueando a sobrancelha. – Não vejo por que eu não iria.

- Então amanhã poderíamos almoçar em algum restaurante e...

- Negativo. – ele me interrompe, tirando um cigarro de seu maço e colocando na boca de uma maneira muito sexy. – Uns alemães estão aqui para fechar alguns negócios e minha agenda vai ficar lotada pelos próximos dias.

Bufo, irritada. Mas que merda! Por que temos sempre que fazer a vontade dele, não importa o que e ele não pode ir em um misero almoço? Olho para Sasuke e dirijo um olhar assassino para ele, que parece não se incomodar nenhum pouco com o fato de eu estar com vontade de jogá-lo da imensa janela de seu escritório.

- É só um almoço!

- Eles não podem esperar?

- Meus pais odeiam Tóquio, querem ir embora o quanto antes.

- Estamos em um namoro falso, Sakura, há certas coisas que eu não sou obrigado a me sujeitar. Não posso fazer nada.

- Pode sim! – digo, com a voz um pouco mais alta do que eu gostaria. – É um almoço, não é um dia cheio de atividades. Não preciso que gaste mais que uma hora do seu tempinho precioso. Puta merda, como você é egoísta...

Antes que ele possa dizer algo, seu telefone toca e ele faz um sinal para que eu pare de falar.

- O que? – Sasuke franze o cenho. – Mas como eles negaram? O contrato não estava satisfatório? Mas que merda isso quer dizer? – Escuta! Eles ainda estão aí? Não quero saber, tente argumentar de novo...

Suspiro, irritada e saio da sala. Marcho até o elevador que rapidamente chega até o andar. Como eu pude pensar em pedir algo a aquele imbecil egoísta? Apenas nós, reles mortais temos que nos sujeitar as suas vontades! Ele mesmo disse há dois dias atrás que era um acordo e que nós dois nos beneficiaríamos. Argh! Só de pensar que eu acreditei nessa ladainha!

Saio do elevador e me dirijo ao saguão do hotel. Antes que eu saia, porém, meu celular começa a tocar, é Sasuke.

- Sakura, não desliga!

- Me dá um bom motivo pra eu não fazer isso.

- Olhe em volta, há algum grupo de alemães? De homens loiros, meio altos ao seu redor?

Olho em volta do saguão e posso notar um grupo de homens ocidentais, loiros e muito brancos.

- Sim.

- Porra! – ele fala mais alguns palavrões e consigo claramente ouvir passos ao longe. Parece que ele está correndo escada abaixo. – Só me diz se eles estão indo embora...

- Os alemães? – semicerro os olhos para ver melhor o grupo. – Talvez. Não tenho certeza.

- Tem um cara baixinho com eles? Acima do peso? De cabelo volumoso?

- Está falando do cara de terno azul? Sim, ele está bem na minha frente. Parece irritado. Agora está vestindo a capa de chuva.

O alemão baixinho pegou um casaco Burberry da mão de um colega. Está com um olhar de raiva enquanto se veste, e um fluxo constante de palavras furiosas em alemão sai da boca dele, e todos os seus amigos assentem com nervosismo.

- Não! – a exclamação de Sasuke ao telefone me pega de surpresa. – Ele não pode ir embora.

- Pois é, desculpa, mas ele está indo.

- Você tem que impedir. Vai lá e não deixa ele sair do hotel. Corre lá agora. Faz qualquer coisa para não deixar.

- O quê? – eu olho para o celular. – Olha Sasuke, você acaba de me dizer na sua sala que não é obrigado a se sujeitar a certas coisas uma vez que nosso namoro é falso!

- Eu sei, eu sinto muito. — responde ele. — Eu sei que não estou em posição de te pedir isso, mas Sakura, isso é muito, muito importante!

A-rá! Agora ele precisa de mim, né? Pois que fique aí, desesperado, eu não vou mover um dedo para ajudar esse idiota egoísta.

- De qualquer jeito, não importa. – ele mesmo interrompe o que estava dizendo. – A questão é que estou na escadaria, no nono andar e o elevador quebrou. Chego aí embaixo em menos de três minutos, e você precisa segurar Schimidt Heins até eu chegar.

- Senão o quê? – pergunto.

- Senão um ano de uma cuidadosa negociação vai por água abaixo por causa de uma confusão ridícula. O maior negócio do ano vai desmoronar. Uma equipe de sessenta e sete pessoas vai perder o emprego. – a voz dele é incansável. – Gerentes seniores, secretárias, todos. Só porque não consigo chegar aí embaixo rápido o suficiente e a única pessoa que poderia ajudar não quer ajudar.

Ah, droga.

- Tudo bem! – digo, irritada. – Vou fazer o melhor que puder. Como é o nome dele mesmo?

- Heins.

- Espera! – aumento o tom de voz enquanto corro pelo saguão. – Por favor! Sr. Heins? O senhor poderia esperar um minuto?

O Sr. Heins se vira, duvidoso, e alguns funcionários puxa-sacos dão um passo à frente e ficam dos dois lados dele, para protegê-lo. Ele tem o rosto largo, ainda enrugado de raiva, e um pescoço grosso ao redor do qual está enrolando um cachecol de seda. Tenho a sensação de que ele não quer bater papo. Não tenho ideia do que dizer depois. Não falo alemão, não sei nada sobre negócios alemães nem sobre cultura alemã. Além de nazismo, Hitler e Volkswagen. Mas não posso exatamente ir até ele e dizer “Hitler” do nada. Seria como chegar perto de um executivo iraquiano bam bam bã e dizer “Osama Bin Laden”.

- Sou... uma grande fã! – falei de improviso. – Do seu trabalho. O senhor pode me dar um autógrafo?

Ele parece perplexo, e um dos colegas sussurra a tradução no ouvido dele. Imediatamente sua testa se desfranze e ele faz uma reverência para mim.

Eu retribuo a reverência com cuidado, e ele estala os dedos e dá alguma instrução. Um momento depois, uma bela pasta de couro está aberta em frente a ele e o Sr. Heins escreve alguma coisa elaborada em alemão.

- Ele ainda está aí? – a voz de Sasuke emana de repente em meu celular.

- Está. – murmuro. – Por pouco. Onde você está? – Dou um sorriso largo para o Sr. Heins.

- No quinto andar. Segura o alemão aí. Independente do que tenha que fazer.

O Sr. Heins me entrega o pedaço de papel, coloca a tampa da caneta, faz outra reverência e se prepara para sair andando.

- Espera! – falo, desesperada. – Será que eu posso... mostrar uma coisa pra você?

- O Sr. Heins está muito ocupado. – um dos colegas dele, usando óculos de aço e a camisa mais branca que já vi, se vira para mim. – Faça a gentileza de entrar em contato com nosso escritório.

Estão se afastando de novo. O que faço agora? Não posso pedir outro autógrafo. Não posso derrubá-lo como num jogo de rúgbi. Preciso chamar a atenção dele de alguma maneira...

- Tenho um comunicado especial a fazer! – exclamo, correndo atrás deles. – Sou um telegrama cantado! Trago um recado dos muitos fãs do Sr. Heins. Seria muito deselegante da parte dele com os fãs se não quiser me ouvir.

A palavra “deselegância” parece fazê-l os parar de repente. Estão franzindo a testa e trocando olhares confusos.

- Um telegrama cantado? – pergunta com desconfiança o homem de óculos de aço.

- Tipo um Gorillagram³. – continuo. – Só que cantado.

Não sei se ajudou em alguma coisa associar esses serviços de recado, com alguém fantasiado de gorila, ao que estou querendo fazer.

O intérprete murmura freneticamente no ouvido do Sr. Heins, e depois de alguns minutos ele diz para mim:

- Pode se apresentar.

O Sr. Heins se vira e todos os colegas dele também, cruzando os braços, em expectativa, e formando uma fileira, lado a lado. Ao redor do saguão posso ver alguns olhares interessados partindo de outros grupos de executivos.

- Onde você está? – murmuro desesperadamente ao telefone.

- No terceiro andar. – diz Sasuke após um momento. – Meio minuto. Não deixa ele fugir!

- Comece. – diz o homem de óculos de aço de maneira incisiva.

Alguns outros hóspedes do hotel que estão no saguão pararam para olhar. Ai, Deus. Como eu fui me meter nisso? Primeiro, não sei cantar. Segundo, o que canto para um executivo alemão que nunca vi antes? Terceiro, por que falei telegrama cantado? Mas se eu não fizer alguma coisa logo, mais de sessenta pessoas podem perder o emprego.

Faço uma reverência exagerada só para ganhar mais tempo e todos os alemães fazem uma reverência em resposta.

- Comece. – repete o homem de óculos de aço, com os olhos brilhando ameaçadoramente.

Eu respiro fundo. Vamos lá. Não importa o que eu fizer. Só precisa durar meio minuto. Depois posso sair correndo e eles nunca vão me ver de novo.

- Sr. Heins... – começo com hesitação no ritmo de “Single Ladies”. – Sr. Heins, Sr. Heins, Sr. Heins. – balanço os quadris e os ombros para ele exatamente como a Beyoncé. – Sr. Heins, Sr. Heins.

Na verdade, isso é bem fácil. Não preciso de letra, posso ficar cantando “Sr. Heins” sem parar. Depois de um tempinho, alguns dos alemães até começam a cantar junto e a dar tapinhas nas costas do Sr. Heins.

- Sr. Heins, Sr. Heins. Sr. Heins, Sr. Heins. – levanto o dedo e fico balançando para ele com uma piscadela. – Ooh -ooh –ooh... ooh-ooh -ooh ...

A música é ridiculamente contagiante. Todos os alemães estão cantando agora, menos o Sr. Heins, que está ali de pé com cara de satisfação. Um pessoal da conferência que estava por perto se juntou à cantoria e consigo ouvir um deles dizendo:

- Isso é um daqueles flash mobs³?

- Sr. Heins, Sr. Heins, Sr. Heins... Onde você está? – murmuro ao telefone, ainda sorrindo com alegria.

- Assistindo.

- O quê? – eu levanto a cabeça e percorro o saguão com o olhar.

De repente, meu olhar se fixa em Sasuke de pé sozinho, a uns 30 metros de distância. Seu cabelo preto e cheio está todo bagunçado, além de estar com um telefone no ouvido. Mesmo de longe consigo perceber que está rindo.

- Há quanto tempo está aí? – pergunto, furiosa.

- Acabei de chegar. Não quis interromper. Ótimo trabalho, aliás. – acrescenta ele. – Acho que você convenceu Heins a nosso favor nesse momento.

- Obrigada. – digo com sarcasmo. – Fico feliz em poder ajudar. Ele é todo seu.

Faço uma reverência para o Sr. Heins com um floreio, me viro e sigo rapidamente para uma saída.

- Espera! – Sasuke diz, rapidamente.

- O que foi?

- Que tal, quando eu acabar aqui, eu te levar pra tomar um sorvete ou comer uma torta de maçã?

- Eu já disse que não sou criança!

- E então?

- Está certo.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Estou há meia hora sentada em um sofá confortável enquanto espero Sasuke conversar com os alemães em sua sala. Estou comendo um delicioso bolo folheado de doce de leite que eu Sasuke disse ser a especialidade do chefe.

Acabei aceitando sair com ele, afinal de contas, preciso que ele encontre meus pais. Meus pensamentos são dissipados quando ele aparece em minha frente.

- Obrigado pelo que você fez, agora pouco.

- Eu me humilhei na frente do Sr. Heins e de todo o hotel.

- Você me ajudou a fechar um dos negócios mais importantes da minha companhia. – Sasuke me dá um sorriso sincero. – Obrigado.

- Você vai ficar me devendo umas...

- Umas?

- Sim, por tudo que eu passei, acho que alguns favores seriam o suficiente.

- Vão ser anulados depois de um doce e eu encontrar seus pais amanhã?

- Talvez.

- Certo.

Ele me lança um olhar divertido enquanto pega seu casaco e rumamos até as ruas geladas de Tóquio. Embora estejamos em silêncio, o clima não é desagradável.

- Vou fazer algo, mas não estranhe ou se acostume. – Sasuke sussurra, antes de pegar em minha mão enquanto todos na rua parecem voltar seus olhos para nós. – Não podemos perder essas oportunidades.

Sua mão é fria, mas rapidamente esquenta a minha e o sentimento é deveras agradável. Caminhamos um pouco até que entramos em uma pequena e simpática confeitaria, cheia de doces, bolos e tortas.

Sasuke pede uma torta de maçã para mim e um café preto, sem açúcar para ele.

- Eu não sou bom de conhecer os pais das minhas namoradas, mesmo das de mentira... – ele comenta.

- E são muitas?

- De mentira? Sinta-se privilegiada, você é a única.

Dou uma risada.

- Não, não seja bobo. Eu quis dizer suas namoradas. Você deve ter várias e muitas outras garotas para te ajudarem a fazer o que eu estou fazendo e exercer o papel que eu exerço.

- Elas se iludiriam. – Sasuke diz, me olhando de maneira intensa. – Elas imaginariam que depois de toda a intimidade, o fato de conhecer meus pais, e as eventuais exposições diante da imprensa, elas pensariam que algo sério se criaria entre nós...

- Hum... O fato de conviver com você as desencantaria.

Ele arqueia uma sobrancelha, mas não diz nada porque nossos pedidos chegam. Rapidamente eu começo a comer minha torta e ele beberica seu café.

- Me responde algo sinceramente? – ele pergunta, me olhando nos olhos e rapidamente, eu assinto. – Você nunca mais pretende voltar a escrever?

- Eu estou voltando. – sorrio para ele. – Comecei a escrever faz pouco tempo.

- E sobre o que é?

- Sobre mim, sobre os anos 60 neste país, sobre o direito das mulheres... E sobre o que você vai ler quando eu lançá-lo. – digo, orgulhosa.

- Aguardarei ansioso. – Sasuke, diz, um pouco sorridente.

Ficamos em silêncio mais uma vez, eu me concentro em comer minha deliciosa torta enquanto ele parece pensativo após beber seu café. Assim que eu termino, ele paga a conta e logo estamos na rua novamente. Está tão frio, e a neve não para de cair.

- Quer que eu te leve em casa?

- Não se preocupe, não é tão longe, eu vou caminhando. – digo.

- Certo, então até amanhã.

- Até.

- Sakura, obrigado, mais uma vez.

Apenas sorrio para ele enquanto aceno.

Seguimos em caminhos totalmente opostos. Olho para trás e sorrio enquanto Sasuke caminha até o Palace. Antes que eu possa me virar, me surpreendo com ele olhando para trás também. Sorrio novamente.

Notas finais
NOTAS: ¹O Onigiri também conhecido como Omusubi é um bolinho de arroz japonês geralmente em forma de triângulo, ou de forma ovalada envolto por uma folha de nori.
²Eu imagino as tatuagens do Sasuke assim: http://weheartit.com/entry/54489698/via/Viiiicks
³É um troço que acontece lá na gringa de uma pessoa vestida de gorila ir entregar uma mensagem ou um presente.
YOOO PEOPLE! Estavam com saudades? Eu estava! Eu gosto muito de escrever essa história, e aqui está mais um capítulo fresquinho para vocês. Gente queria falar que a cena da Sakura dançando para os alemães é inspirada na cena de um livro da Sophie Kinsella chamado "Fiquei com o seu número". Agora vamos aos comentários, eu recebi críticas que o Sasuke parece meio distante, mas gente, a Sakura conhece ele ha pouco tempo, há uns dias ele ameaçava processar ela, como eles podem virar muito íntimos agora? Eu quero fazer isso, algo gradativo, mas calma, galera. Nesse capítulo eu fiz eles se aproximarem mais, conversarem, o Sasuke gosta dela como autora. Também quis apresentar os pais da Sakura e vcs gostaram da ideia de um Sasuke tatuado ex garoto punk? Espero que tenham gostado, sempre quis ler ou escrever uma fic com um Sasuke assim. Outra coisa, qual o motivo do Sasuke não querer que o Gaara saiba? Como será o encontro dele com os pais da Sakura? Será que ela esquecerá o Sasori? Tudo isso é muito mais nos próximos episódios da nossa comédia romântica favorita. haha
Beijos e até a próxima!