Lie to me

4 Heart of glass


Notas iniciais
A Syd-chan aqui acabou escrevendo mais do que devia e esse capítulo saiu enorme, mas foi feito com muito carinho e amor, viu? Em troca eu só espero que todas as 60 pessoas que estão acompanhando essa fic, comentem. hahah
Divirtam-se

.x.
"Lost inside
Adorable illusion and I cannot hide
I'm the one you're using, please don't push me aside
We coulda made it cruising, yeah
Yeah, riding high on love's true bluish light"
Heart of Glass – Lily Allen

Um mês depois

Saio correndo de meu apartamento, meus cabelos estão todos bagunçados, mais parecidos com um ninho de pássaro, minha roupa está amassada e meu batom com certeza deve estar borrado. Se eu não tivesse deixado Ino trazer aquela garrafa de Vodca, nada disso estaria acontecendo, mas eu realmente preciso chegar na hora hoje, ainda mais porque eu andei faltando. Solto um suspiro pesado quando vejo o quinto táxi passar por mim sem se dar o trabalho de parar. Inferno!

Depois de ter descoberto a cachorrada que Sasori fez comigo, passei os próximos sete dias chorando sem parar. Andava para cima e para baixo com os olhos inchados, quase me tornei uma verdadeira alcoólatra devido ao tanto de bebidas que ingeri tentando esquecê-lo, mas eu superei, ou pelo menos acabei aceitando E Ino acabou encontrando um pequeno apartamento pra mim no centro com um preço mais que razoável.

Acabei ajeitando minha vida, de um jeito ou de outro. Recolhi meus pedaços e me concertei, embora eu saiba que haja algumas rachaduras aqui ou lá... Eu estou bem.

Saio do táxi e vejo a Gekkou Hayate Editora logo a minha frente.

Adentro o local, subo duas escadas e me dirijo a minha pequena sala no final do corredor. Não faço nenhum barulho que possa chamar a atenção da cobra que é o meu patrão.

Assim que ligo o computador, minha porta é aberta bruscamente por ele, Genma.

- Ora, ora... – ele diz sarcástico. – Olha só quem resolveu dar o ar da graça.

Repito como um mantra que eu não me deixarei irritar pelas canalhices de Genma. Afinal, há uma semana atrás comecei a escrever de novo, e tudo realmente parece estar voltando aos trilhos.

- Pois é, olha só. – resmungo olhando para a tela do computador.

- Sakura! – ele diz aumentando o tom de você.

- Genma... – eu continuo olhando para a tela do computador, não vou dar atenção a ele, eu sei que é bem isso que ele deseja.

- Escuta aqui, Sakura... – Genma bate sua mão em minha mesa com brusquidão e sua voz está carregada de irritação. – Tenho um trabalho pra você e eu não quero que você foda tudo como você costuma fazer, entendeu? – puta que pariu, meu deus, não me deixa enfiar meu grampeador nos olhos do meu chefe. – Há algumas semanas conheci um cara muito talentoso chamado Sabaku no Gaara... – ele pausa e olha em meus olhos. – Sakura, por que você não está anotando?

- Eu acho que consigo lembrar de um nome. Sabaku no Gaara. – digo ríspida.

- Vamos ver se consegue... – ele sorri de canto. – Continuando... ele é um cara talentoso, mas é um tremendo de um filho da puta. Da pior espécie. Diz que não sabe se quer capitalizar o dom dele, da para acreditar numa merda dessas? – eu dou de ombros. – Então o seu trabalho e encontrá-lo para almoçar amanhã e tirar essa merda de que arte não se capitaliza e o caramba a quatro da cabeça daquele arrogante de uma figa.

- Certo, parece fácil. – e parece mesmo, eu tenho lá meus dom de persuasão.

- Ótimo! – Genma então joga um manuscrito na minha mesa me fazendo pular de susto. – Isso aqui é o manuscrito do Gaara, quero que leia até amanhã.

- Onde será o almoço?

- Ele ficou de ligar avisar... – Genma dá de ombros. – Você vai ter que pagar, to sem grana.

E logo ele sai bruscamente de minha sala. Eu vou ter que pagar ainda por cima? Eu deveria ter saído com Genma, eu não sabia que rejeitá-lo faria minha vida um inferno. Suspiro pesadamente e começo a ler o manuscrito do tal Gaara.

A história não tem título, mas é um drama muito triste e bem escrito sobre uma família que tem que lidar com o fato do caçula ser um psicopata em potencial. Gaara não abordou a história de um jeito macabro, ao contrário, cada página eu acabo derrubando lágrimas. A mãe está dividida entre entregar o filho para as autoridades ou protegê-lo. O pai parece ignorar que sua família está se desmanchando e os dois outros filhos ficam no meio do fogo cruzado, sofrendo pelo irmão e tendo que assistir seus pais se destruírem.

Quando chego no meio da história, estou aos prantos. Essa provavelmente é uma das histórias mais incríveis que já li, o tal do Gaara tem razão, ele tem um dom.

OoOoOoOOOoOoOoOoOOOoOoOoOoO

Chego ao salão de beleza a tempo. Ino acabou marcando pra mim dizendo que eu precisava mudar meu visual, nas palavras dela, de mosca morta. A mulher que me atende, extremamente simpática, logo me senta na cadeira e começa a me perguntar sobre o que eu quero fazer com os meus longos cabelos, se eu tenho interesse em deixá-los no ombro. Já corto essa idéia. Não me lembro quando tive cabelos curtos, eu sempre me achei melhor com meus cabelos longos e a cor, bem, eu nunca gostei, mas acabei me acostumando com o tempo, algumas pessoas são morenas, outras loiras, ruivas e eu sou rosada. Fazer, o que?

- Então, querida, já decidiu o que quer fazer com seus cabelos? Eles são lindos, mas precisam de um pouco de vida...

- Pois é... – digo automaticamente. – Eu só gostaria de cortar um pouco, nada muito exagerado.

Depois da simpática cabeleleira cortar meu cabelo, ela coloca bobs nele afim de enrolá-los e uma outra mulher chega enchendo minha cara com uma máscara facial verde. Deve ser coisa da Ino. No meio tempo, pego uma Vogue que estava perto de mim e começo a folheá-la, paro numa página com a foto dele, Uchiha Sasuke. A matéria conta sobre como o gênio Uchiha conseguiu sua fortuna antes dos 25 anos, na foto, ele está com um sorriso de canto, usando um terno Hugo Boss e seu cabelo continua meticulosamente desgrenhado. Seu olhar é provocante, sedutor. Obviamente nem parece o cara que quase ameaçou me comer viva por ter usado a suíte do Palace.

Suspiro e me afundo na cadeira, ainda não consigo me lembrar do ocorrido sem meu coração acelerar e eu desejar que o chão me engula. Ainda tenho vergonha. Balanço a cabeça negativamente e quando olho para o lado...

Meu coração para, minha respiração se torna pesada.

É Sasori! E Tayuya! Os dois estão de mãos dadas e estão muito próximos conversando algo alegremente. Afundo-me ainda mais na cadeira. Não deixe que me vejam, não deixe que me vejam, por favor, não deixe que me vejam...

- Sakura! – Sasori diz, se colocando em minha frente.

PUTA.

QUE.

PARIU!

Apesar de meu espanto, ensaio meu melhor sorriso, não preciso ficar com a cara feia só porque ele me chifrou e me rejeitou e me jogou na rua como se eu fosse um cachorro sarnento só porque eu não fazia mais sucesso como escritora. Viro graciosamente minha cabeça para ele, apesar de estar com a cara verde, ainda tenho que parecer graciosa, feliz...

- Mas que... – Sakura, não me vá surtar agora. – Agradável surpresa.

- Não é?! – Sasori diz, simpático. — Tayuya me disse que esse é o melhor salão de beleza de Tóquio... E... Bem, como eu negaria isso a ela, não é mesmo? – ele sorri e eu me seguro para não socar sua cara.

- É... Como negaria? – resmungo.

- Como você está, Sakura? – ele diz, parecendo preocupado.

- Ótima. – eu falo, sem muito entusiasmo. – Ó-TI-MA! – repito, enfatizando cada sílaba, será que eu quero convencer o Sasori ou a mim mesma?

- E você? Está bem?

- Nossa! Tudo está perfeito. – ele diz, olhando para Tayuya, que agora odiosamente caminha até nós.

- Sasori, querido! – ela diz agarrando-o pela cintura. – Quem é... – ela me olha nos olhos, depois os arregala levemente. – Sakura! – ela exclama surpresa, como se estivesse feliz em me ver. – Mas que surpresa, querida. Como você está? – eu sei que a culpa não é dela, Sasori apenas a escolheu, e que ela não é pior por isso, mas que desgraçada!

Se mais alguém me perguntar como eu estou hoje, eu juro que não respondo por mim.

- Estava aqui dizendo ao Sasori que estou no paraíso praticamente... – acho que vou trincar meus dentes se eu forçar mais meu sorriso. – Estou ótima.

- Ah... perfeito! – ela o abraça e olha para mim, provocativa.

Ok, ele a escolheu. Aparentemente ela o agrada mais do que eu e a culpa não é dela. Ele foi o desgraçado, não ela. Eu entendo, mas realmente precisa esfregar minha derrota na minha cara? Por que eles simplesmente não fingem que eu não estou aqui? Eu não faço questão de falar com esses dois pelos próximos cem anos.

Respiro fundo, mas tento não deixar transparecer meu desconforto, eles parecem felizes. E tudo que eu queria era afogar a felicidade dos dois.

- E então, Sakura... – Sasori pigarreia como se estivesse desconfortável. — Onde você está morando?

- Aqui perto... – eu assinto com a cabeça. – E você? Continua lá?

- Sim... – ele coça a nuca. – Alguma novidade?

Nego com a cabeça. Cada minuto é uma tortura. Como eu posso dizer a eles que não quero saber de sua felicidade?

- Eu e Sasori nos casamos!

O QUE? Mentalmente eu grito. Meu coração para de novo e eu sinto um nó na garganta. Em tão pouco tempo? Se casaram?! Olho para os dois e posso ver o sorriso vitorioso na cara de Tayuya, já Sasori possui uma cara de amargura, como se soubesse que eu estou sofrendo. Ele sempre foi bom em me ler, e ele sabe que eu estou machucada.

Após alguns momentos do baque, sorrio de novo, mesmo querendo chorar.

- Se casaram? – eu olho em suas mãos e lá estão: as alianças. – Meus parabéns!

Me levanto e dou um abraço nos dois.

- E você, Sakura? Com alguém? – Tayuya pergunta, venenosa.

Estou prestes a negar quando o meu celular toca, é uma daquelas cobranças automáticas do meu cartão de crédito. Assim que digo alô, escuto Sasori repreender baixinho Tayuya, dizendo que não era algo que se perguntasse. Ele claramente está com pena de mim. Antes que eu pudesse pensar, digo automaticamente:

- Sasuke... – por que o nome desse imbecil veio a minha cabeça? — meu amor! – vejo o casal de infelizes a minha frente arregalarem os olhos. – Não, não precisa me esperar para jantar. – a mensagem do outro lado já acabou, e agora estou falando com o tu tu tu do telefone. – Eu vou ficar na Ino, eu te disse. – digo sorrindo e apaixonada enquanto Sasori e Tayuya estão atônicos olhando para mim. – Quando eu chegar em casa.... eu compenso para você, que tal? Como? – finjo espanto e falo baixo: — Ah, você sabe... – digo amorosa e com um tom provocativo.

Assim que desligo dizendo que o amava, nem Sasori nem Tayuya dizem uma só palavra.

- Me desculpem, é que era meu namorado. – digo triunfante.

Antes que os dois possam falar algo, uma mulher simpática se coloca em nossa frente dizendo que já é hora de tirar a máscara e eu deixo os dois lá, sem saber o que dizer.

OoOoOoOOOoOoOoOoOOOoOoOoOoO

Assim que chego em meu apartamento, meu telefone toca.

- Sakura, o merdinha arrogante me ligou.

É Genma.

- Que?

- O Gaara! – Genma diz, impaciente.

- Ah sim! – sorrio. – E...?

- Você se deu mal. – eu consigo ouvir o risinho do outro lado do telefone. – Gaara escolheu um lugar realmente caro, hein? – acabo perguntando o lugar, com sorte comeremos apenas uma salada e tudo dará certo. – O Tóquio Palace! – ele diz e meus olhos se arregalam. — Vá vestida decentemente para variar.

Antes que eu pudesse protestar, Genma desliga o telefone. Respiro fundo, ta tudo bem. Repito mentalmente umas dez vezes. Ok, é um almoço no lugar que eu quase fui presa, passei a maior vergonha e o dono ameaçou me destruir se me visse de novo.

- Tá tudo bem. – repito enquanto caminho até o chuveiro.

Por que eu daria de cara com o dono do Palace mais de uma vez? Ele claramente tem coisas mais importantes pra fazer do que ficar rondando pelo restaurante do hotel. Ele é um homem poderosíssimo, deve ficar enfiado em um escritório o tempo inteiro.

Certo, Sakura, relaxa.

OoOoOoOOOoOoOoOoOOOoOoOoOoO

- Certo, Sakura, relaxa. – repito baixinho.

Repito pela milésima vez enquanto estou aqui parada na frente do monstruoso Palace. Meu coração bate tão rápido, não pelo encontro com Gaara, tenho certeza de que ele aceitará depois de ouvir tudo que tenho a dizer sobre seu livro genial. Porém só o nome Palace me lembra Uchiha Sasuke, me lembra aqueles olhos assustadores, sua voz carregada de raiva, seu julgamento sobre mim.

Depois de um mês eu simplesmente não consigo pensar nisso, só de lembrar dele, sinto um arrepio na espinha e o pior é que eu não sei o porquê.

Dou o primeiro passo rumo ao saguão do hotel. O plano é não olhar para os lados, ir direto até o restaurante, comer algo que não custe todo o meu salário e sair sem olhar para os lados. Até que eu estou bem vestida, mas não de forma que eu possa chamar atenção. Visto uma calça jeans da Calvin Klein que a Ino me emprestou, uma blusinha preta, uma sapatilha também preta, um casaco vermelho e um echarpe preta com detalhes vermelhos. Meu cabelo está estrategicamente preso num coque para que, caso Sasuke apareça, ele não me reconheça facilmente pelos meus cabelos. E as sapatilhas são para caso eu tenha que correr do Uchiha.

Certo, eu estou pronta. Caminho em passos largos pelo saguão do hotel sem olhar para os lados e logo estou no chique restaurante do Tóquio Palace, eleito um dos melhores e mais caros restaurantes de todo o ocidente.

Estou sentada em uma cadeira transparente, em uma mesa com toalha branca. Se eu olhar para a direita, verei o famoso tanque de lagostas gigante, que tem crustáceos de todos os tipos amontoados em pedras sendo ocasionalmente retirados por uma rede por um homem em uma escada. À esquerda, há uma gaiola de pássaros exóticos, cujos pios estão se misturando ao barulho de fundo do chafariz no meio do restaurante.

- Bem... – minha voz está muito baixa. – Como você deve saber... a Gekkou Hayate se interessou em seu manuscrito...

Estou falando no automático. Meus olhos estão analisando cardápio, impresso em acrílico. Toda vez que vejo um preço, sinto uma nova sensação de pavor.

Ceviche de salmão, estilo origami: US$34.

É uma entrada! Uma entrada!

Meia dúzia de ostras: US$46.

Não há nenhuma oferta especial. Não há nenhum sinal de crise econômica. No restaurante todo, as pessoas estão comendo e bebendo felizes como se tudo aquilo fosse normal. Será que estão todos fingindo? Será que todos estão apavorados por dentro? Se eu subisse em uma cadeira e gritasse: "É caro demais! Não vou mais aturar esse tipo de coisa!", será que todo mundo iria embora comigo?

- Sinceramente, depois que li seu manuscrito, entendi perfeitamente o motivo de Genma estar tão interessado que nós publicássemos o mesmo. – não faço a menor idéia do que estou falando. Estou me preparando para dar uma olhada nos pratos principais.

Filé de pato com purê de laranja triplo: US$59.

Meu estômago se contorce de novo. Fico fazendo cálculos na minha cabeça e chegando a 300 dólares e me sinto meio enjoada.

- Querem água mineral? – o garçom aparece e oferece um quadrado de acrílico a cada um de nós. – Este é nosso cardápio de águas. Se quiserem água com gás, a Chetwyn Glen é bem interessante – acrescenta. – E filtrada em pedra vulcânica e tem um toque alcalino.

- Ah, certamente.

Obrigo-me a concordar de maneira inteligente e o garçom olha em meus olhos sem piscar. Com certeza todos eles voltam para a cozinha e se jogam na parede de tanto rir: "Ela pagou 15 dólares! Por uma água!"

- Prefiro Pellegrino. – Gaara responde.

Sabaku no Gaara é um homem novo, mais ou menos uns 25 anos, com o cabelo ruivo e intensas olheiras ao redor dos olhos verdes. É muito bonito, apesar de não ter sorrido nenhuma vez desde que sentamos.

- Uma garrafa para cada um então? – diz o garçom.

Nããão! Duas garrafas de água cara, não.

- Então, o que você gostaria de comer, Gaara? – sorrio. – Se estiver com pressa, podemos pedir logo os pratos principais...

- Não estou com pressa. – Gaara me olha de maneira suspeita. – Você está?

- É claro que não! – respondo, rapidamente. – Não estou com pressa nenhuma! – faço-me de generosa. – Coma o que quiser.

As ostras, não. Por favor, por favor, por favor, as ostras, não...

- Vou começar com as ostras... – diz ele, decidido. – Para depois, estou dividido entre a lagosta e o risoto porcini.

Olho discretamente para o cardápio. A lagosta custa US$90; o risoto, apenas US$45.

- É uma escolha difícil. – tento parecer casual. – Sabe, o risoto é sempre o meu preferido.

Há um silêncio enquanto Gaara olha pensativo para o cardápio novamente.

- Adoro comida italiana... – digo com uma risadinha tranqüila. – E aposto que o porcini é delicioso. Mas é você que decide, Gaara!

- Se não conseguir decidir – acrescenta o garçom, tentando ajudar. – posso trazer a lagosta e uma porção menor do risoto.

Ele pode o quê? Ele pode o quê?! Quem pediu a opinião dele?

- Ótima idéia! – minha voz está dois tons acima do que eu queria. — Dois pratos principais. Por que não?

Sinto o olhar cínico do garçom em mim e sei imediatamente que ele leu meus pensamentos. Sabe que estou dura.

- E para a senhora?

- Certo. Vamos lá. – passo dedo pelo menu, pensativa. – A verdade é que... tomei um belo café da manhã hoje. Vou comer só uma salada Caesar. Sem entradas.

- Uma salada Caesar, sem entradas – concorda o garçom, apaticamente.

- Você gostaria de beber só água mesmo, Gaara? – tento desesperadamente esconder qualquer vestígio de esperança em minha voz. – Ou quer um vinho...

Só de imaginar a carta de vinhos já sinto um frio na espinha.

- Quero ver a carta. – os olhos de Gaara brilham.

- E uma taça de champanhe envelhecido para começar, talvez? – sugere o garçom com um sorriso manso.

Ele não poderia ter sugerido só o champanhe. Precisava sugerir o champanhe envelhecido. Esse garçom é um sádico.

- Pode ser uma boa! – Gaara dá uma risada sem graça, e, de alguma forma, eu me obrigo a pedir um também.

Finalmente, o garçom vai embora, depois de encher uma taça de champanhe envelhecido de milhões de dólares para cada um. Sinto-me meio tonta. Vou pagar este almoço pelo resto da minha vida, mas vai valer a pena. Preciso acreditar nisso.

Logo me volto a Gaara, ele está me olhando sério. Rapidamente continuo a falar o que achei de seu manuscrito e posso sentir em seus olhos um brilho de contentamento, embora sua boca continue firme e séria.

- ...E apesar de partilhar de seu ideal de que arte não se capitaliza... – digo, para concluir, confiante. – Acho que arte se compartilha e não se guarda para si e devemos acima de tudo, valorizá-la, não é? – concluo, sorridente, tomando o champanhe caro que está a minha frente.

- Sakura... não é? – confirmo. – Certo, você me convenceu.

Quero abraçar Gaara nesse exato momento. Isso quer dizer que Genma ficará pelo menos uma semana sem pegar em meu pé, fora que ficou combinado de eu ganhar parte dos lucros arrecadados com sua venda e eu tenho certeza que esse livro será um sucesso.

O resto almoço acaba correndo bem. Depois de acertarmos os detalhes, começamos a falar de trivialidades e senti que Gaara estava dando em cima de mim... Apesar dele ser bonito – e gostoso, não posso olhar para nenhum homem ainda, porque não consegui tirar Sasori do meu coração. Suspiro pesadamente, quando o garçom sádico trás a conta, abro-a com cuidado para que eu não caia dura no chão.

Porra! Mais de 200 dólares. Arregalo meus olhos sem poder disfarçar. Gaara pode notar minha expressão de espanto.

- Muito salgada, hã? – ele comenta, tentando ser amigável.

A culpa não é dele, é de Genma, um patrão idiota que deixa a funcionária arcar com as despesas da empresa.

- Um pouco.

Logo Gaara me estende seu cartão de crédito.

- Aqui... – ele sorri de canto. – Dividimos. – e eu afundo na cadeira, aliviada.

Depois da conta paga, Gaara e eu nos despedimos e ele sai apressadamente na minha frente enquanto eu estou acertando as ultimas coisas com a recepcionista do restaurante.

Me sinto confiante! De repente, um sentimento de alegria se espalha por todo meu corpo. É claro que tudo vai dar certo, como não daria? Logo, caminho até a porta do restaurante, agora o Palace também é um lugar que eu pude ter alguma memória agradável. Sorrio, mas o sorriso morre em meu rosto quando dou de cara com ninguém menos que ele, Uchiha Sasuke.

Seus olhos vão de encontro ao meu. Porra! Ele sabe, ele me reconhece. Seus passos se dirigem a mim. Ah não! O que eu faço? AH MEUS DEUS O QUE EU FAÇO? Antes que eu pudesse começar a correr, ele está a poucos centímetros de mim.

- Haruno Sakura, não é? – escárnio, sua voz está carregada dele, mas eu assinto. – Eu me lembro de ter sido bem claro sobre a sua presença no meu hotel, não é?

Ah, pelo amor! Esse cara é tão rancoroso assim? Isso aconteceu tipo... século passado. E eu não tenho culpa, não poderia simplesmente dizer a Genma minha razão de não me sentir confortável no Palace.

- Olha, eu também não queria vir aqui. – levanto meu queixo, e digo confiante. – Porém tive uma reunião de negócios e teve que ser aqui...

- O que? Negócios? Sua quadrilha se reuniu em meu hotel? – ele diz com um meio sorriso. – Ou veio achar algum quarto para você ocupar...

Trinco meus dentes... Quem esse imbecil pensa que é?

- Não preciso ficar ouvindo esse monte de porcaria...

Falo entre os dentes e dou de costas, mas antes que eu pudesse dar meu primeiro passo, sinto meu braço sendo agarrada com força e vejo Sasuke me levando a algum lugar.

Mesmo sob os meus protestos e gritos, ele não me soltou, ao contrário, apertou com mais força e apenas me soltou quando estávamos em um corredor sem a presença de mais ninguém.

Babaca!

- O que diabos você quer? – pergunto, exasperada. – Vai me bater agora?

- Não seja estúpida! – ele diz, ríspido. – Não vou bater em ninguém. Eu só quero saber o motivo de te ver aqui de novo...

- Eu já disse: eu estava em uma reunião com um cliente. – explico como se ele fosse uma criança e ele parece não gostar.

- Que tipo de clientes teria uma mulher como você?

Apenas nesse instante que percebo que Sasuke está me prensando contra a parede e nossos rostos estão a apenas alguns centímetros de distancia. Sinto meu coração acelerar cada vez mais e me pergunto se Sasuke pode ouvi-lo nesse momento. Ino tinha razão, esse homem é realmente lindo.

- Ele é um escritor, eu sou uma editora... Faça as contas. – digo, revirando os olhos.

Sasuke diz entre os dentes:

- Não use esse tom comigo.

- E você não me julgue sem me conhecer antes! – levanto a voz.

Rapidamente, Sasuke me solta e acabo saindo de lá correndo. Sinto lágrimas brotando de meus olhos e cada vez ando mais rápido afim de sair do Palace de vez. Por que esse babaca consegue me afetar tanto? Não acredito que estou chorando por causa dele.

Atravesso o saguão do hotel sentindo todos os olhos sobre mim, e saio o mais rápido de posso.

Na calçada, me seguro para não desabar.

- Sakura! – quando olho para trás, é Tayuya.

Ótimo! Tudo que eu precisava agora. Acabo dando um oi baixo e desanimado, mas ela parece mais animada que o normal. Já entendi, querida, você conseguiu o Sasori, dá pra ser feliz em outro lugar?

- Agora eu já entendi tu-do! – olho para ela sem entender nada. – Você namora com o poderoso Uchiha Sasuke, sua malandrinha.

O QUÊ?!

Notas finais
YOO, PEOPLE!
Galera, aqui está mais um capítulo de nossa comédia romântica favorita - nn hahaha Então, gente, gostaram? Nesse capítulo podemos ver que a Sakura já começou a plantar a sementinha da mentira. Gente, vou contar uma coisinha, essa mentirinha da Sakura vai se tornar algo tão grande, ceis não fazem ideia. Outra coisa, será que o Gaara vai entrar na disputa pelo coração de nossa mentirosa favorita? Gente, a cena da Sakura morrendo pelos preços do restaurante, é baseada numa cena que acotnece num livro da Sophie Kinsella. Para quem queria que ela enfrentasse o Sasuke, o que vcs acharam do encontro deles?
Logo, Sasuke vai deixar de ser apenas alguém que Sakura tem o azar de encontrar uma vez o outra, e será alguém que participará ativamente da vida dela.
Digam-me que acho deixando um comentário.
Beijos