Lie to me

1 Dog days are over


And I never wanted
anything from you
Except everything you had
and what was left after that too, oh
Happiness hit her like a bullet in the back
Struck from a great height by
someone who should know better than that
Florence + the Machine — Dog Days Are Over



De todas as ruins, péssimas, horrorosas noites que eu já tive em toda a minha vida ruim. Se julgarmos essa em uma escala de um à dez nós estamos falando... menos seis. E não é como se eu tivesse padrões muito altos.

Aqui estou eu, Haruno Sakura, 22 anos, e... sem teto. Com certeza essa noite é a pior da minha vida, acabo de pegar meu namorado na cama com outra mulher, hoje recebi a noticia que a promoção que eu estava esperando e que eu trabalhei duro pra conseguir foi dada pra outra pessoa. Nesse momento, estou tremendo de raiva enquanto arrumo minhas malas. Sasori está na porta dizendo que isso não significou nada, mas aqui estou eu, me segurando para não cortar seu pênis fora.

– Hein, Sakura? Se acalma, pelo amor de deus. – ele diz se colocando em minha frente enquanto eu estou jogando minhas roupas na mala com toda a força que possuo. – Olha, eu pisei na bola feio, mas quem não erra, não é mesmo? Não pode ser só isso... Você não pode ir embora, onde você vai ficar? Pensa nisso, dorme aqui e amanhã conversamos. Não é? Amanhã tudo vai se ajeitar. – ele me dá um sorriso de canto, o mesmo sorriso pelo qual eu me apaixonei e agora eu simplesmente quero socar até que seus dentes caiam um por um.

Embora eu queira falar um monte pra ele, eu não consigo. Sinto que assim que abrir a boca, eu vou chorar. Estou tentando, com todas as forças que tenho, não derramar uma lágrima sequer. Estou me esforçando pra simplesmente parecer que meu orgulho foi ferido, não meu coração.

Assim que fecho minhas malas e as coloco do lado da porta, dou uma ultima olhada no apartamento. Pelos últimos dois anos, foi esse lugar que eu chamei de lar, esse lugar tem tantas lembranças boas e agora, se resume a uma das piores lembranças que eu poderia ter.

Mesmo sob os protestos de Sasori, eu viro de costas, e sem olha para trás, vou embora.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Assim que deixo o prédio, me lembro que não tenho nenhum lugar pra passar a noite. Isso não é perfeito? Está nevando, mesmo toda encapotada de blusas eu estou tremendo de frio e agora as lágrimas não param de cair. Tudo o que eu precisava, agora eu sou sem teto e sem namorado. Preciso pensar, calma. Tudo vai dar certo.

Dez minutos depois e ainda não consigo achar uma solução e mesmo assim, estou repetindo baixinho como se fosse um mantra: tudo vai dar certo, tudo vai dar certo, tudo vai dar certo!

Eu não posso simplesmente voltar, não dá! Ele ainda está lá com aquela mulher, não posso ligar pra Ino porque ela foi fotografar em algum lugar da Europa, pois é, minha melhor amiga é uma modelo famosa, aliás. Com certeza não posso ligar pra Hinata porque ela mora com a família dela que são os mestres na arte de fazer você sentir que você não é nem um pouco bem-vinda. E sinceramente, elas são as únicas pessoas em toda a Tóquio que eu poderia pedir abrigo.

Nesse exato momento estou sentada num banco da calçada, com três malas ao meu redor, meu rímel borrou devido as lágrimas, agora eu vou ter que dormir debaixo de algum viaduto. E agora o mantra que antes era "tudo vai dar certo" virou "não quero morar debaixo da ponte, não quero morar debaixo da ponte, NÃO QUERO E NEM POSSO MORAR DEBAIXO DA PONTE!"

Calma, Sakura, o jeito é procurar algum hotel, e amanhã eu simplesmente vou procurar um novo apartamento, obviamente menor e menos luxuoso pra mim.

Quando eu vim de Konoha para Tóquio, há exatamente três anos atrás, eu queria ser escritora, eu mal tinha alguns trocados no bolso, acabei vindo num impulso porque sempre achei que naquele buraco daquela cidade eu nunca conseguiria publicar algo. E eu estava certa, quando cheguei aqui, aluguei um apartamento minúsculo, num prédio extremamente duvidoso e me coloquei a escrever, quando consegui terminar meu primeiro livro, 6 meses depois, uma editora enfim se interessou e o meu editor era quem? Nada menos que Akasuna no Sasori, umhomem bonito, inteligente, cheio de charme que prontamente fez mil elogios ao meu livro e me conquistou. Ele estava certo, meu livro foi um sucesso, começamos a sair, depois a namorar e logo ele estava me chamando pra ir morar no incrível apartamento dele na cobertura num dos bairros mais ricos de toda Tóquio. E eu estava apaixonada! Apaixonada pelo jeito dele, por aquela casa, pela vida que eu tinha, pelas promessas dele. E durante um ano, eu vivi num perfeito sonho. Meu livro foi um sucesso, eu transava todas as noites, meu namorado me amava e o Tóquio Times fez um ótima crítica ao meu livro, mas logo começaram a me cobrar por um novo livro e no meio da pressão, eu não conseguia escrever uma linha sequer. Sasori me cobrava e logo começamos a brigar, então, eu arranjei um trabalho numa pequena editora, e tudo foi por água a baixo. Eu sabia que tínhamos problemas, mas não sabia que tudo já tinha ido pelo ralo até hoje, até o pegar na cama com a secretária, quer coisa mais clichê?

Agora sou apenas uma escritora de um só sucesso, sem teto, sem namorado, pobre e tendo que começar tudo de novo. Ou seja, voltei a ser uma zé ninguém.

Respiro fundo e levanto do banco. Não adianta, não adianta eu chorar, me arrepender, a culpa não foi minha, não é? Meu deus, como essas malas estão pesadas, mas mesmo com dificuldade acabo andando algumas ruas a procura de algum hotel... Acabo parando então em frente ao Tóquio Palace, se ao menos eu pudesse passar uma noite nesse lugar.

Mas espera um minuto...

Rapidamente eu pego minha carteira dentro da bolsa e lá está! O cartão de crédito do Sasori, ele me emprestou ontem pra fazer algumas compras em casa e eu esqueci de devolver. Eu deveria usá-lo, torrá-lo aqui no Palace, e deixá-lo na miséria... Pelo amor, é só por uma noite, amanhã eu com certeza vou achar algum lugar pra mim. Vou usar, só uma noite, eu mereço, depois eu devolvo, ou não, preciso pensar.

Assim que entro no lugar, meu queixo cai. O Palace é o hotel mais caro do Japão, o chão é lustroso, o piso é puro mármore, mas logo que passamos no hall, posso ver o tapete persa e os funcionários impecáveis. Tudo é tão brilhante e limpo e incrível... Não consigo descrever, fico apenas com a boca aberta enquanto olho ao meu redor...

– Senhorita Karin?

Uma voz me desperta de meus devaneios, assim que eu olho a mulher bonita, com feições delicadas, dois coques no cabelo e com o sorriso que mais parece ter saído de um comercial de pasta de dentes, eu levo um susto. Estou quase dizendo que é um engano quando ela é mais rápida que eu...

– Prazer, sou Tenten. Ah que bom que a Senhorita chegou! A suíte presidencial já foi prontamente arrumada para que tudo fosse do seu gosto.

– Mas eu...

Logo sou interrompida de novo quando ela se vira pra mim novamente...

– Shino se encarregará de suas malas. – antes que eu desse por mim, minhas malas estavam sendo carregadas por um cara de óculos, muito sério.

– Mas é um eng-

Logo me vejo sendo levada para o elevador, e minhas malas estão logo atrás sendo carregadas pelo tal do Shino.

– Fico muito feliz que está aqui, Senhorita Karin! Sasuke-sama teve que fazer uma viagem urgente, mas é curta, e infelizmente não poderá te receber, mas ele já deve ter avisado, com certeza. – ela lançou novamente seu sorriso de comercial pra mim – De qualquer forma, eu estava com medo que não pudéssemos identificá-la, afinal de contas, ele apenas disse que era uma mulher branca de cabelos coloridos, mas ele disse que a reconheceríamos.

Meu deus! Eu só quero dizer a essa mulher que não sou nenhuma Karin e quem diabos é Sasuke? Onde essas pessoas estão me levando?


Notas finais
Bom, como eu disse, to tentando voltar a escrever fanfics. Qualquer sugestão, dúvidas, críticas, elogio, podem me mandar. O importante é sempre deixar um comentário pra eu saber se tem alguém gostando... ou não. Logo eu posto o segundo. Beijos