Lie to me

2 All these things that i've done!


.x.
"I wanna stand up, I wanna let go
You know, you know, no you don't, you don't
I wanna shine on, in the hearts of men
I want a meaning from the back of my broken hand
Another head aches, another heart breaks
I'm so much older than I can take
And my affection, well it comes and goes
I need direction to perfection, no"
The Killers — All These Things That I've Done

Mas que porra está acontecendo?

Estou sentada na cama mais macia e grande que eu já tive contato, no quarto mais luxuoso que eu poderia imaginar. O tapete no chão é persa, tudo é branco com detalhes dourados e, caramba, como esse lugar é espaçoso!

Respiro fundo.

Tenten acaba de me dar boa noite, ela mal me deixou falar desde que cheguei, não pude explicar que não sou nenhuma Karin, que só queria alugar o quarto mais barato desse lugar, só pra passar uma noite. Como eu acabei me metendo nisso?

A minha frente, está uma badeja com uma garrafa de champanhe dentro de um balde cheio de gelo, e um prato cheio de ostras. Tomo um gole de champanhe, afinal já estou usando o quarto da mulher, por que não poderia tomar um pouco da bebida cara também?

Checo meu celular e há pelo menos 15 ligações e umas 20 mensagens de Sasori, mas não quero saber nada dele agora. Desligo meu celular, não conseguiria nesse momento ouvir o que ele tem pra falar. Nós acabamos, e eu só quero curar essa enorme cratera que se formou no meu coração, eu só quero seguir em frente.

Não, não posso chorar!

Levanto rapidamente e vou até uma porta, assim que a abro, meu queixo cai, minhas pernas ficam bambas. É um closet! Assim que entro, posso notar que um lado está completo de roupas masculinas: ternos caros, sapatos lustrosos, camisas de marca, relógios Rolex e de outro lado, há apenas roupas femininas. Dou um gritinho de empolgação! Blusas, camisas, casacos da Prada, Chanel, sapatos Manolo Blink, Miu Miu... E as bolsas! As bolsas! Acho que eu estou hiperventilando nesse momento, as bolsas da Gucci, Chanel... Será que eu morri e vim parar no paraíso?

Um sorrisinho aparece em meus lábios...

Logo me vejo na banheira, estou aqui há meia hora? Não faço idéia, mas Lady Gaga está no rádio e eu estou cantando junto... Não consigo pensar em problemas, não consigo pensar em nada lá fora, estou rodeada de espumas, e se isso for um sonho, se tudo isso for apenas um sonho, por favor, eu não quero acordar!

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Acordo com o telefone do hotel tocando, com uma carranca atendo:

– Sim?

– Senhorita Karin, Sasuke-sama me avisou que a senhorita desejaria ser acordada às 6 da manhã. O café da manhã logo será levado. Tenha um bom dia.

Sento na cama ainda tentando assimilar. Ah, é verdade, eles pensam que eu sou algum tipo de mulher rica e que conheço o tal do Sasuke. Tsc, é uma pena que logo terei que ir embora. Dou um leve suspiro e levanto da cama, sinto que hoje as coisas irão melhorar.

Logo me levanto, tomo um banho e resolvo pegar uma roupa do closet. Eu vou sair, e quando eu voltar eu vou devolver, não sou uma ladra, afinal de contas tudo não passa de um mal entendido. Há sol lá fora, mas a essa época do ano, Tóquio possui um frio cortante. Logo me vejo colocando uma calça jeans da Calvin Klein, um sapato azul da Prada e uma blusinha branca. Pego também um casaco grande da Chanel preto. Nunca andei com tantas coisas de marca de uma só vez. Não resisto e também e também pego uma bolsa linda da Gucci vermelha. Eu realmente pareço uma mulher rica, se ao menos minha vida não estivesse a beira de um colapso, e uma verdadeira merda, eu poderia simplesmente fingir que tudo está bem.

Depois de arrumada, um menino muito simpático me trouxe o café. Uma salada de frutas, um copo de suco e uma xícara de café.

– Hum... posso... err.... fazer uma pergunta? – digo meio receosa.

– Claro, Senhorita.

– Não tem algumas torradas por aí? Ou talvez panquecas...

– Mas, Senhorita. Sasuke-sama nos avisou que a Senhorita não come carboidratos.

Sorrio sem graça.

– Ah, é. – coço minha nuca. – É verdade.

Logo o tal garoto se retirou. Mas quem nesse mundo não come carboidratos? Quem abre mão de panquecas no café da manhã? Aposto como essa Karin não é uma daquelas mulheres ricas, parecidas com uma modelo que come uma salada no almoço. Não, não vou julgar. Afinal de contas, é graças a ela, e seu aparente sumiço que eu posso usufruir de tudo isso aqui.

Tomo meu café, pego minha bolsa e me olho no espelho, se não fossem meus olhos levemente inchados por ter chorado ontem, eu estaria perfeita. Não importa, preciso arranjar algum lugar pra ficar hoje, e preciso trabalhar, meu deus do céu!

Saio em disparada a procura do elevador, assim que saio, saio correndo pelo saguão do hotel e pego um táxi e logo estou na pequena editora no centro de Tóquio.

Uma hora de traso! Genma vai me matar.

Abro as portas da Gekkou Hayate Editora esperando que ninguém me note e me dirijo rapidamente a minha mesa, rezando para que meu chefe não tenha chegado ainda. Assim que eu me sento,e tiro meu casaco, ele logo aparece.

– Ora, ora...

– Olha, Genma, eu sinto muito. Essa é a última vez, eu juro.

– E de pensar que eu cogitei dar aquela promoção a você. Tsc. – ele diz acendendo um cigarro – Isso aqui não é a porra de uma zona, Sakura, cê sabe. Você é uma gracinha, mas é irresponsável demais não acha?

Respiro fundo e me desculpo.

Depois que eu recusei ir a um encontro com ele, pela milésima vez, ele começou a me tratar mal, ser cada vez mais ofensivo e grosso. Se eu não precisasse tanto desse emprego, teria pulado fora faz tempo. Sinceramente, nem ele chega no horário, ele não ta nem aí pra isso aqui, afinal logo ele vai sair mesmo. Mas mesmo assim, ele pega cada vez mais no meu pé.

E o dia todo segue assim, qualquer erro meu, ele já arma um escândalo e ameaça me demitir. Se vou ao banheiro ele logo vai atrás pra saber se eu estou ou não falando no celular.

Se eu pudesse pegar esse cigarro dele e apagar bem no meio da sua cara eu o faria. Que cara chato.

O dia se arrastou e logo meu expediente acaba. Recolho minhas coisas rapidamente e de lá saio voando a procura de um táxi. Preciso achar um lugar pra morar hoje. O sonho do Tóquio Palace era bom, mas ao longo do dia acabei tomando minhas doses de realidade. Eu não posso apenas fingir que tudo está bem, eu preciso arrumar minha vida, voltar a escrever, sair desse emprego horrível. Preciso mudar, mesmo que tudo que eu queira agora era fechar os olhos e simplesmente quando os abrisse, em minha vida, tudo estaria em seu devido lugar.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Volto para o Palace irritada. Mais de quatro horas depois, e nada. Visitei hoje um dez apartamentos. Dois deles eram no gueto de Tóquio, mesmo meus padrões sendo baixos, não posso morar num lugar que eu posso ser assassinada toda vez que eu pisar na rua. Fora o barulho dos carros e seus sons altos e as pessoas brigando. Não dá. Outro apartamento era muito lindo, mas eu não poderia pagar. E os outros sete, era para dividir um quarto. Meus possíveis companheiros de quarto ou eram satanistas, ou eram hippies loucos, visitei uma menina que se veste como Lolita e tem uma coleção assustadora de bonecas, fora o tarado que queria saber minhas medidas físicas para ele pudesse avaliar se eu era digna de morar com ele.

Encontro Tenten no saguão, e ela me pergunta se eu gostaria de algo específico para o jantar. Apesar de ela falar pratos sofisticados, peço apenas um lámen de porco. Pela sua cara de espanto imagino que isso não seja um pedido comum. Dane-se, amanhã de manhã irei para a casa de Hinata e quando Ino voltar, poderei ficar com ela até tudo se ajeitar.

Logo que entro em meu quarto, caminho para o chuveiro. Tudo parece tão terrível! Eu sei, eu tento ser otimista, eu preciso ser otimista. Mas parece que tudo parece querer que eu volte para Konohagure. E eu não posso. Minha mãe ficaria o resto de minha vida dizendo como ela me avisou, minhas primas iriam rir de meu fracasso e meu pai tentaria me defender o que só causaria brigas entre ele e mamãe. Não posso voltar.

Assim que desligo a água de chuveiro, escuto um barulho da porta. Deve ser o menino simpático de ontem. Mal posso esperar pra comer e descansar um pouco. Decidi que hoje lerei as mensagens de Sasori, tantas coisas em minha vida que eu preciso colocar no lugar, eu sinto como se as peças estivessem perdidas por aí, é um tarefa muito difícil para se fazer sozinha.

Coloco um roupão e enrolo meus cabelos numa toalha.

– Nossa, vocês foram rápidos... – digo abrindo a porta.

Assim que saio, vejo um homem parado em minha frente, ele possui olhos negros, alto, seus traços são fortes, mas tem um ar aristocrático. Seu cabelo é desgrenhado, mas bonito. Possui um ar sério, e seu cenho está franzido. Ele com certeza não é do serviço de quarto.

– Quem é você? E o que está fazendo aqui? – ele diz, e sua voz está carregada de raiva.

Ah meu deus! Esse é o Sasuke!

Notas finais
Logo eu posto próximo...
E ai, o que acharam?