Notas iniciais
Oi meus amores. Me descuplem pela demora, mas consegui perder um capitulo todinho e tive que reencrevê-lo, este não ficou tão bom quanto o perdido, mas espero que gostem. Como sempre, não irei me alongar muito por aqui, nos falamos lá embaixo.

Se recordava da agradável sensação de sentir a lâmina dourada se enterrar na carne juvenil daquela garota, do sangue ainda quente escorrendo por sua mão enquanto enterrava ainda mais a adaga, do suspiro de dor que ela deu quando girou a lâmina e do olhar estarrecido do Cameron.

Cameron”, pensou analisando a lâmina ainda suja pelo sangue ainda fresco. Alexia não conseguia entender como um demônio tão poderoso feito Cameron tinha se dobrado a uma humana, pois tanto naquele passado fétido, como agora, aquela garota não tinha nada a oferecer senão seu corpo.

Revirou os olhos com a lembrança daquele corpo esguio e quase sem curvas que deixou para trás, Cameron em algum momento entenderia que tinha lhe prestado um favor. Alargou um sorriso satisfeito, assim que ela morresse, Cameron nem se lembraria da passagem daquele “ser” em sua vida.

Seguia pelo longo corredor fazendo seus saltos ecoarem pelo ambiente, estava satisfeita com seu feito e já antecipava mentalmente os ganhos que teria por isso.

Usou os nós dos dedos para bater duas vezes na porta dupla pintada de um vermelho muito intenso, ouvindo a voz por detrás dela autorizando sua entrada.

Lúcifer estava sentado apoiando os cotovelos sobre a mesa, enquanto repousava o queixo sobre os nós dos dedos cruzados. O olhar estreito estava alguns tons mais escuros do que o normal, com os lábios pressionados em uma linha, e uma ruga entre as sobrancelhas deixando-o como uma expressão taciturna. Ele não parecia satisfeito.

Alexia optou por deslizar calada até próximo a mesa e se sentou obedecendo o gesto que o outro fez com o olhar, sentindo um arrepio desconfortável correr por sua espinha.

—Você pode me explicar que porra você fez? – A voz dele saiu áspera que ela quase a sentiu arranhando seus ouvidos. O que tinha feito de tão errado? Ele ergueu o olhar e Alexia notou o crepitar vermelho de sua íris. – Você entende o que fez?

—Eu pensei que...- Sua voz não parecia tão segura como normalmente, talvez devido ao fato de entender que seja lá o que tenha feito de errado, não o tinha agradado.

—Nesse ponto é que habita o seu erro, Alexia. – Ele se ergueu, afastando a cadeira com o movimento fazendo com que ela não conseguisse esconder seu sobressalto. Ele contornou a mesa chegando muito perto dela que no reflexo se enterrou ainda mais na cadeira. – Você não deve pensar e sim, obedecer. – Ele apoiou as mãos nos braços da cadeira em que ela estava sentada e se aproximou, os olhos dele pareciam ainda mais vermelhos, quase em chamas. Alexia sentia o hálito quente tocando em seu rosto e tentou manter a expressão indiferente. — Você acha que aquela adaga serviria somente para matar a alma daquela garota? – Ela não conseguia responder e sentiu somente a saliva descer pela garganta como se fossem lâminas afiadas. –Tomei o cuidado para que aquela arma, além de matar a alma daquela garota, também apagasse qualquer lembrança dela da mente de Cameron. Seria como se ela nunca tivesse existido. – Ele se afastou o suficiente para que Alexia retomasse o ar que parecia aquecer entorno dele.

—Senhor, a matei no passado e Cameron nem irá se lembrar do que aconteceu. – Concluiu deixando transparecer a voz trêmula.

Tinha feito exatamente como tinha sido ordenado, a garota não estava morta no final das contas? Cam não se lembraria de nada, não é mesmo?

Lúcifer gargalhou alto antes de prosseguir.

—Você não me parecia tão estúpida, Alexia. – Ele estreitou os olhos irritado, e pareceu crescer alguns centímetros a acuando ainda mais. – O Passado dele pode não se lembrar, mas o Cameron desse tempo não vai se esquecer, e você para foder ainda mais com tudo, matou a garota na frente dele. – Ele diferiu um soco sobre o tampo da mesa, abrindo uma rachadura profunda e derrubando diversos itens que estavam sobre ela.

Alexia se sobressaltou em seu assento, agora entendia a grande merda que tinha feito, e naquele momento chegou a temer por sua existência. Seu senhor havia planejado que a “garota” do presente fosse morta e assim, Cameron se esqueceria dela e os únicos a sofrerem por sua morte seriam seus pais Daniel e Lucinda.

Teria sido uma simples vingança se não fosse seu erro, que poderia fazer com que tudo tomasse proporções muito maiores. Pelo visto, Lúcifer não queria se indispor diretamente contra Cameron, certamente considerando o fato dele ser um dos seus grandes Generais do inferno e ter um exército aos seus serviços.

Como pôde ter sido tão estúpida? A irá que via fulgurar nos olhos de seu senhor era totalmente aceitável e compreensível, ela tinha cometido um grande erro e teria que achar uma maneira de concertar.

—Ela precisa ser morta com essa lâmina para que tudo fluía como deveria? – Articulou sem muita convicção, mas o suficiente para atrair a atenção de Lúcifer que somente aceno com a cabeça. -Considere feito, meu senhor. Se de alguma maneira a Lily ainda estiver viva, eu a matarei novamente. – Concluiu trincando os dentes irritada.

(...)

Aquela sensação desconfortável que tinha sentindo a partir do momento que decidiu procurar por Cam, estava aumentando, mas não conseguia encontra-lo. Tinha seguido para o lado nordeste do lago, mas Cam não parecia ter seguido aquela direção, então, estava retornando para o lado norte decidido que se não o encontrasse, seguira no máximo até o Noroeste e se daria por vencido se não obtivesse sucesso. Daniel sabia que se Cam quisesse, não seria facilmente encontrado.

Avistou ao longe uma silhueta que parecia de Cam, e tinha constatado isso devido as asas caídas presas as costas feito um manto, e sentiu um aperto ao notar que o branco reluzente de outrora, dava lugar à algumas penas douradas com um risco negro no centro. Cam tinha escolhido o Estrela da manhã.

Se aproximou tempo suficiente para ver uma mulher que reconheceu no último segundo antes dela adentrar em Anunciador, era Alexia.

Cam estava praticamente prostrado e absolto na garota caída que não notou sua aproximação, e antes de erguê-lo o ouviu sussurrando “Lilly”. Quem seria essa garota?

—Daniel. – O amigo murmurou surpreso enquanto ele o ajeitava melhor sobre seus ombros. Naquele momento Daniel vislumbrou aqueles olhos verdes obscuros do amigo e compreendeu que estava diante de um anacronismo clivado no passado.

—Você se clivou em seu passado, Cam. – Concluiu incrédulo. Cam estava visivelmente debilitado, provavelmente em função da transição, porém não tinha como não notar sua preocupação em relação a garota caída ali.

—Me leve até ela, Dani. – O ouviu suplicar, tentando sustentar seu corpo.

—Como posso te ajudar? – Daniel não era um especialista em clivagem, mas tinha acompanhado algumas conversas de Roland e Cam sobre esse assunto e uma coisa era certa, Cam precisava se separar de seu passado o quanto antes.

—Eu sei. Se tivéssemos uma Starshot seria mais rápido e fácil. – O amigo concluiu provavelmente imaginando alguma outra maneira. Daniel se lembrou da seta dourada que repousava em seu bolso, sabia que Cam poderia se enfurecer quando soubesse que ele a tinha, mas ele não podia permitir que o amigo permanecesse naquela angustia. -Você mentiu. – Cam soltou um som anasalado ao ver a seta dourada reluzir entre seus dedos.

—O que precisa que seja feito? – Não tinha ideia do que precisaria ser feito, então observou o amigo se manter de pé sozinho com dificuldade.

—– Toque a Starshort bem aqui. – Cam apontou para o centro de seu peito. – Se você perfurar minha pele, sabe que isso irá me matar, não é? – Ele sabia, e isso o deixou receoso, se errasse um centímetro que fosse poderia tirar a viva do amigo.

Sentia os dedos trêmulos, mas não iria falhar. Seguiu a orientação de Cam, e assim que a seta atingiu o ponto correto, observou o “Cam do passado”, sair do corpo do outro. Inicialmente como uma imagem disforme, até que caísse completamente visível e desacordado no chão. Suspirou aliviado deixando enfim a seta dourada tremular visivelmente entre os dedos, quando viu o anacronismo separado do “passado”. Cam estava livre.

Cam passou por ele rapidamente e seguiu para junto da garota caída.

Daniel observou a cena seguinte confuso, ele tinha visto a pouco seu amigo ter o coração partido ao ponto de ter desejado a morte, e agora, ele estava pressionando aquele ferimento profundo daquela garota, e podia ver nos orbes esmeraldas do amigo aquela mesma súplica que reluzia nos seus quando tinha sua amada a mercê da morte.

—Não chora. – A menina sussurrou muito baixo, de onde estava ele quase não entendia, mas o outro solvia cada palavra proferida pois sabiam que seriam as últimas.

—Me perdoe Lilian, não era para ter sido assim, eu sinto tanto. – A voz de Cam estava carregada.

—Eu desejei tanto que seu coração…- A voz dela falhava a cada palavra. – Batesse por mim como o meu por você. – Aquela menina estava apaixonada por Cambriel. – O egoísmo me faz tola, ao ponto de acreditar que é isso que vejo em seus olhos. – Ela ergueu os dedos trêmulos até próximo ao rosto dele. – Eu te amo tanto, Cambriel.

—Você não tem ideia do quanto estou com medo de te perder Lilian. – Daniel se lembrou de ter ouvido aquele nome e forçando sua memória se recordou, ela era uma das servas da Lilith. – Vou arrumar algum jeito de te ter de volta. – Ela estava morrendo. – Eu te amo, Lilian. – Daniel continuou os observando sentindo seu próprio coração se apertar. – Vou dar um jeito de salvar sua alma, Lilly.

Daniel se aproximou e ajoelhou-se do outro lado do corpo sem vida da jovem iria aguardar o tempo que fosse preciso, ele estaria junto do amigo nesse momento difícil assim como o outro sempre esteve ao dele.

Cam ergueu o olhar e Daniel imaginou se já o tinha visto tomado por tanto dor e tristeza, como naquele exato momento. E naquela conversa silenciosa ele entendeu, Cambriel havia perdido sua alma gêmea.

Cam se ergueu com o corpo da jovem em seus braços, no entanto pareceu ter percebido a complacência e confusão em seu rosto.

—O mínimo que posso fazer por ela agora, é enterrá-la. – Sua voz saiu vacilante, diferente da impostação firme ao qual tinha se acostumado a ouvir dele.

—Você tem razão. – Disse simplesmente. – Ela era...-Tentou articular sem sucesso.

—Quer saber quem ela era, Dani? – Cam olhou a garota que parecia dormir em seus braços. – Ela é o grande amor da minha vida. – Daniel percebeu o outro respirar pesadamente. – E aquela maldita da Alexia. – A voz dele se equivalia ao um rosnado animalesco e seus olhos reluziram com um ódio que Daniel nunca tinha visto nele.

Daniel se questionou sobre tudo o que o amigo teria passado, para se tornar aquele que estava a sua frente, rosnando enraivecido pela perda de uma garota.

—Ela está em seu futuro. – Concluiu assertivo.

—Ela é o meu futuro, Dani. – Seus olhos pareciam em chamas.

Observou o amigo estender suas asas douradas, e olhou rapidamente para o outro “Cam” caído com as asas mescladas pela transição.

—Ele vai ficar bem?

—Deixe-o sozinho Daniel, “ele” vai precisar se tornar forte para o encontro que terei no futuro com aquela maldita.

—Entendo, então acredito que preciso ir também, não é mesmo? – Se aproximou tocando o ombro do amigo. Você terá sua Lilly de volta Cambriel, eu sei que sim. – Finalizou antes de ampliar suas asas brancas e alçar voou sem olhar para trás.

Você encontrara sua amada novamente, meu amigo. ”, sua mente reforçou enquanto se afastava.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Beijos meus anjinhos, amo vocês