Leão do Inverno
34 Livro Três — Capítulo VIII
Notas iniciais
Ela estava sem fôlego, sem forças, sem voz. Do lado de fora a chuva caía e do lado de dentro labaredas pareciam derreter seu corpo, uma implosão de prazer, de saudade, de uma dor que começava a apaziguar mas que parecia recusar-se a ir embora tão cedo.
As mãos de Samantha Winter estavam suando, geladas, mas agarradas às camadas de roupa de sua irmã com tanta força que suas unhas começavam a dobrar, quase quebrando.
Os lábios macios e delicados escorregavam contra os seus. Quando a língua quente encaixou-se contra a sua e a saliva agridoce atingiu suas papilas gustativas como uma dúzia de papéis de LSD, Sam sentiu seus joelhos fraquejando.
O mundo poderia resumir-se a cinzas. Poderiam explodir uma maldita bomba naquele exato momento e tudo o que a pianista se daria conta era de como as mãos frias de Alexandra apertando com força sua cintura e descendo para sua bunda conseguiam deixá-la tão sensível.
Mas aquela pequena migalha do paraíso, aquele mísero fragmento de êxtase injetado nas veias da mais jovem das Winter começou a desvanecer-se mais rapidamente do que começara a surgir quando, subitamente, sua irmã quebrou o beijo afoito e, paralisada, a encarou.
Sam era incapaz de fitar aqueles olhos por muito tempo, porque sabia que eles estavam repletos de medo, de perguntas, assombrados e, principalmente, carregados de culpa e arrependimento.
Ela apenas trouxe a irmã mais para perto, tornando a beijá-la, mas encontrando, desta vez, rejeição. Alex não a tocava, ela a empurrava, lutando para afastar-se, fechando a boca para que não houvesse mais contato.
— Não – Samantha choramingou, puxando-a mais para si, sugando sem o mínimo de delicadeza ou pudor o lábio inferior de Alexandra, gemendo baixo e de forma interrompida cada vez que suas peles roçavam, trazendo-a para seu encontro de forma desesperada, tentando mantê-la ali em seus braços. – Por favor.
— Pare – a futura psicóloga virou o rosto, tirando os braços da pianista de seu pescoço, esforçando-se para criar uma distância entre elas. – Pare!
— Alex, por favor!
Agora os gemidos não eram mais de satisfação. Os tremores não eram de prazer. Samantha Winter via nos olhos agitados de Alexandra toda a aversão que ela temera. Ela via isso na forma como as mãos dela oscilavam e pelo jeito como os passos incertos afastavam-na.
— O que- Eu não- Eu sinto muito- Eu-
— Por favor, não – Sam adiantou-se para ela, tentando tocá-la, mas seu reflexo simplesmente recuou mais.
— Isso foi errado. Eu não sei o que- Porra! – A futura psicóloga levou a mão até a cabeça, pressionando com aparente força, fechando os olhos.
— Alex – Samantha aproximou-se o suficiente para segurar as mãos trêmulas e interromper o aperto. Seus rostos estavam a milímetros e só então ela percebeu que estava chorando. – Escute-me, por favor. Eu sei que você não se lembra, mas nós éramos um tipo especial de irmãs. Nós-
— Pare – ela implorou, tentando empurrá-la para longe, mas de alguma forma a mais jovem das gêmeas conseguiu fazer-se mais forte naquele momento.
— Nós nos amamos de um jeito diferente-
— Não!
— Alex, eu te amo como mulher – Sam sentia seu coração bater tão rápido contra os ouvidos que mal conseguia ouvir sua própria voz, mas sabia que estava quase gritando, pois o desespero erguia-se em seu íntimo a cada negação da outra.
— Pare!
— Você também me ama! Você me ama tanto que fugiu quando eu disse que não conseguiria. Mas você voltou, porque nós temos que ficar juntas-
— Mentira... Mentira!
— Nós fizemos funcionar. Nós estávamos tão apaixonadas antes do acidente e-
— CALE A BOCA!
Alexandra a empurrou com tanta força que Samantha cambaleou para trás e caiu sentada no chão. A ex-ginasta não pôde se manter de pé por muito mais, tampouco. Com as costas junto à parede, a mais velha das gêmeas escorregou até estar sentada por completo.
— Por favor, cale a boca – Alex cobriu o rosto, chorando como uma criancinha. Ela puxava os cabelos com as pontas dos dedos, encolhendo-se.
— Você precisa acreditar – a pianista ergueu-se em seus joelhos, quase se arrastando na direção da irmã. – Você precisa lembrar! – Com um movimento ágil, a mais jovem agarrou os pulsos de seu reflexo, impedindo-a de se autoflagelar, forçando-a a olhá-la enquanto sentia seu autocontrole desaparecendo, escorrendo junto com suas lágrimas.
— Isso não é verdade! – Alex puxava suas mãos com força, por várias vezes atingindo os punhos cerrados em seu próprio rosto ou no de Sam. – Isso é errado!
Elas estavam gritando uma com a outra. As vozes lutando com afinco para superarem-se enquanto elas trocando tapas e empurrões.
Samantha, que não poderia lidar com a ideia da rejeição, resistia aos esforços da mais velha de afastar-se, mantendo-a perto, pois sabia que não seria capaz de suportar se ela saísse por aquela porta depois de tudo.
— Isso é doentio!
— Não fale assim!
— Você está estragando tudo!
— Você precisa se lembrar! Por favor, POR FAVOR!
O grito foi tão alto que paralisou Alexandra. Os dedos que estavam cravados nos ombros de Samantha tentando mantê-la longe afrouxaram o aperto, as unhas saindo da carne que tinham perfurado.
O eco da voz da pianista morreu no ar enquanto dois pares de olhos azuis se encontravam e sustentavam aquela conexão por vários momentos. O único som ouvido, além da chuva do lado de fora, era o das respirações descompensadas.
— Eu te amo tanto, querida – os dedos de Sammy acariciaram o rosto cálido e molhado. – Deus, eu te amo tanto.
— É isso, então? – A voz de Alex não passava de um sussurro e seu corpo tornou a enrijecer ao sentir o toque da menor. – Essa é a brincadeira desta vez?
— O que? – Sam afastou-se minimamente, olhando-a, confusa. – Do que está falando, meu amor?
— Não me chame assim! – A futura psicóloga exclamou, colocando-se de pé, nitidamente trêmula. – Não me chame assim – repetiu, talvez tentando soar mais controlada.
Ela tornou a pressionar as mãos na cabeça, chorando e andando de um lado para o outro enquanto Samantha, fraca demais para erguer-se, permanecia no chão, de joelhos.
— Isso nunca vai acabar? – Alexandra disse, batendo com força com o punho fechado na cabeça, chorando a ponto de transformar suas feições em algo desagradável de se ver. – Eu só quero que pare! Pare! Pare! Pare!
— Alex, amor- – Sam esforçou-se para colocar-se de pé, mas seu mínimo avanço causou um imenso recuo da outra.
— Fique longe de mim – os olhos muito vermelhos se arregalaram dando-lhe um aspecto enlouquecido.
— Alexandra, apenas deixe-me-
Mas ela não deixou. Obviamente ela não deixou e apenas deu as costas a Samantha, atirando-se pela porta antes que a pianista pudesse erguer-se e correr em seu encalço pelo corredor, vestindo apenas as roupas íntimas.
A pianista gritou por toda a escadaria do Tennyson Lodge, chamando pela irmã. Alexandra não voltou, no entanto, ou sequer olhou para trás. Ela sumiu pelas ruas da Paradise Square mesmo depois da figura seminua de Samantha Winter segui-la pela chuva até a calçada do edifício onde viviam.
Vozes, rostos, luzes, dores. A chuva caía por seu rosto enquanto ela cambaleava pela calçada de uma rua aparentemente desconhecida, pressionando com força a cabeça. Risos, lágrimas, gritos, sentimentos. Medo, solidão, dor.
A boneca Barbie dos cabelos cortados, o primeiro beijo na boate. Alexandra Winter bateu em alguém, foi xingada baixinho, cambaleou para o lado. Suas costas estavam contra uma parede molhada, sua boca aberta, buscando inutilmente por lufadas de ar.
“Parece que sujo se tornou sua palavra favorita.”
“Você não precisa ir.” “Eu não tenho nada aqui.” “Você tem a mim.”
Alexandra bateu sua cabeça com força contra a parede, as roupas molhadas aderindo ao corpo, a bile na garganta.
“Não torne a partir.” “Então nunca me deixe ir.” Edward, uma discussão sobre política. Natal, orquestra infantil, passeio pelo parque. “Eu amo você, Alexy.”
Alex cambaleou para o lado, as pernas quase cedendo. Alcançando uma lata de lixo antes que pudesse vomitar em si mesma, a mais velha das gêmeas Winter sentiu o vômito subindo por sua garganta. Gemendo e pressionando a barriga enquanto mais lágrimas escorriam por seu rosto, ela fechou os olhos para tentar cegar todas aquelas lembranças.
Réveillon, North Yorkshire. Evony Stortzmann, o lago. “Não faça isso de novo.” “Não vamos falar sobre aquele beijo porque teremos outro para discutir.” Lábios delicados, o perfume dela, aquele gosto.
“Você e eu em Las Vegas. Elvis sendo nosso padre. Um anel de doce e uma champagne barata. É tudo o que preciso.” Os beijos, os toques. “Só desta vez, deixe-me aquecê-la e você me esfria?”.
Alexandra caiu. Estava tremendo, a respiração presa na garganta. Seu coração batia tão rápido que as pontas de seus dedos estavam roxas, doendo e pulsando no ritmo das batidas. Os pingos de chuva chicoteando seu rosto eram quase imperceptíveis. Ela murmurava palavras desconexas enquanto as luzes do ocaso entravam e saíam de foco nos pequenos intervalos de lucidez que tinha entre uma recordação e outra.
Miguel Rodriguez, o beijo roubado, Samantha defendendo-o.
“A porra do meu problema foi colocar as suas necessidades acima das minhas, quando tudo o que você sabe fazer até hoje é ignorar completamente tudo o que eu sinto” “Suma da minha vida, eu não quero vê-la nunca mais! Adeus!” “Alex, cuidado!”
O mundo girando. Todo seu corpo do lado direito sendo quebrado e esquecido. Dor enlouquecedora. Luzes, fagulhas e barulho. E então nada. Só escuro, para sempre.
Rostos estranhos entravam no campo de visão de Alexandra Winter. Ela piscava, tentando focalizá-los enquanto no fundo de sua mente as dores e a clara lembrança do acidente se formavam. Naquela rua molhada da Cidade de Oxford as pessoas falavam com ela, mediam sua pulsação.
— Pode me ouvir, querida?
— Ela está ardendo em febre.
— Deve estar drogada.
Hall de sua casa. Apartamento de Anabelle Parker. Sala do Trono de Ferro. O maldito ruivo. “Você morreu em Londres, Inglaterra, às 19h07min de três de março de 2014.” “Eu sou o Batman”
Olivia Gold morta. Ethan Winter preso. Samantha em depressão.
“Você vai voltar para casa, Batman. E vai ficar perto de sua irmãzinha.”
Insipidez, indiferença, solidão. Inexistência, abandono, loucura.
Ergueram Alexandra do asfalto molhado, seu corpo frágil estava mole, a cabeça pendendo. Ela tentava afastar aqueles desconhecidos, gritar com eles ou pedir ajuda, mas era incapaz de falar. Sua boca, amarga com o vômito de minutos – ou seriam horas? – antes, estava cerrada.
Sonhos, contatos efêmeros. Parapsicologia, sessão de regressão. Reencontro, sensação de estabilidade, felicidade. Frio, desilusão, desespero. Sala do Trono, leão mágico, Loki. Dor, mais dor, tanta dor.
“Eu não vou sem você!” “Sempre estarei com você.” “Nós não escolhemos quem amamos”.
O hospital, Samantha chorando, as pessoas aglomeradas a sua volta naquela calçada fria.
Alexandra Winter arregalou os olhos, respirando rápido, como se tivesse acabado de emergir de um mergulho. Estava suada e molhada de chuva, os olhos buscando algo em que se focar entre os rostos estranhos.
Ela estava ficando louca. Completamente louca. Nada mais fazia sentido – na verdade tudo fazia o mais absoluto sentido, mas isso era assustador, uma vez que cada fato que se desdobrava mostrava-se mais impossível que o anterior.
Alex colocou-se de pé, assustando as pessoas a sua volta.
Cambaleando, ensopada até os ossos, Alexandra literalmente correu para longe dali, sentindo as gotas grossas e cortantes de chuva chicotearem seu rosto. O vento forte que soprava por toda a cidade lhe dava uma sensação de estar realmente viva, algo que retraia – mesmo que minimamente – seu pânico.
Era um sonho dentro de um sonho dentro de outro sonho? Ou apenas sua mente se distorcendo em milhares de fragmentos? Ela estava doente? Ou realmente tivera contato com todas aquelas coisas sobrenaturais?
Leão mágico. Deus nórdico. Samantha.
O sentimento estava ali. Sempre estivera e agora ela tinha certeza. Ela a amava. Mas como poderia? Como era possível, como era aceitável que amasse sua irmã gêmea, como conseguira conciliar uma maldita vida decente com ela sendo que...
Alexandra parou, soluçando, na frente de uma cabine de bilhetes do metrô. Com os dedos trêmulos, a gêmea mais velha tirou algumas notas de dentro do bolso, certificando-se de que não estavam molhadas demais para serem utilizadas, e comprou um tíquete.
Com a cabeça doendo e o corpo tremendo, ela adentrou a estação e não soube ao certo para onde estava indo até que parou às portas do prédio de Anabelle Parker, em Londres, quase uma hora e meia depois. Ela precisava falar com alguém, ter certeza de que pelo menos parte daquelas coisas em sua cabeça eram reais.
Ela pretendia entrar, mas o porteiro se adiantou e, ao reconhecê-la, informou-lhe que a psicóloga mudara-se para a cidade de Oxford a pouco mais de três meses. Ele deu-lhe o endereço e um guarda-chuva, mas por já estar molhada o suficiente, Winter aceitou só o pequeno pedaço de papel rabiscado.
Já passava das nove quando ela conseguiu, finalmente, achar a nova casa da Doutora Parker. Alexandra estava tonta e tremia de frio, encolhendo-se sob as roupas molhadas.
— Oh, meu Deus! – Anabelle quase gritou, cobrindo a boca e ficando paralisada por alguns segundos. – Merda, Alexandra, o que está fazendo aqui desse jeito?
Mas as repreensões pararam por aí.
Belle a colocou para dentro e enquanto sua namorada, noiva, ou seja lá que outra posição a loira-presunçosa-da-jaqueta-de-couro-vermelho ocupasse em sua vida, preparava um chá quente para Winter, a psicóloga a ajudava a tomar um banho quente e colocar roupas secas.
Ela estava ardendo em febre, mas consciente o suficiente para conversar com a médica enquanto ela lhe ajudava a comer.
— O que deu em você, huh? – Belle acariciava seus cabelos meio-úmidos, sentada ao seu lado na cama quente do quarto de hóspedes, com a embalagem do antitérmico previamente consumido pela morena ainda em mãos.
— Eu me lembrei – um pouco tímida, Alex só conseguia encarar fixamente a xícara de chá que segurava.
Recolhendo a mão imediatamente, Anabelle fitou-a, preocupada. Emma Thorne, que estivera parada à porta provavelmente com medo de que Alexandra avançasse em sua namorada de camisola, retirou-se com um educado, porém ameaçador, “estarei lá em baixo”.
— Lembrou-se de tudo? Tudo, tudo mesmo? – Belle inquiriu, umedecendo os lábios. – Em relação a Sam?
— Sim.
Com o nó na garganta a impedindo de engolir, Winter apoiou a caneca ao lado da cama e encolheu-se sob as cobertas.
— É verdade, Belle? – Alex finalmente teve coragem de encará-la. – Essas- Céus, essas coisas na minha cabeça sobre ela são verdades?
Esfregando os olhos e soltando um suspiro derrotado, a loira parecia ensaiar o que dizer a seguir.
— Vocês se amam.
— Nós- Ela disse- As lembranças – respirando devagar para manter a calma, Alexandra retomou. – Nós encontramos uma maneira, mesmo? Não é mentira? Diga-me Anabelle, eu não estou ficando louca?
Sorrindo de forma acolhedora e deitando-se na cama ao lado da estudante, a agora professora Anabelle Parker a olhou de forma terna, beijando com delicadeza sua testa.
— Não. Não está ficando louca, Lexi. Vocês estavam vivendo muito bem antes de- Tudo.
— Mas isso soa tão...
Errado? Certo? Estranho? Ela não soube definir e foi poupada de fazê-lo graças ao riso melódico de Belle.
— Não tente decidir como soa. A ligação de vocês não é algo convencional, logo não pode ser facilmente descrita, sequer entendida – ela tornou a sentar-se, claramente melancólica, segurando a mão delicada ainda na sua. – O sentimento está aí. Eu posso vê-lo, Alex. Não pense muito.
E ela não queria pensar. Não por ora.
Estava cansada, com frio, arrependida por tudo. A dor nos olhos de Samantha agora lhe fazia sentir-se a pior das pessoas. Saber que ela provavelmente estaria sentindo-se rejeitada era tão doloroso que superava a dor física em seu corpo, pois ela melhor que qualquer um poderia entender como a irmã estaria se sentindo naquele momento.
— Belle?
Alex murmurou e quando a psicóloga ergueu os olhos para fitá-la, encontrou bochechas brilhando num tom intenso de vermelho que ela sabia nada ter a ver com a febre.
— Sim, Alex?
— Pode me levar de volta até em casa?
Ela jamais soube porque a Anabelle Parker rira daquele pedido, mas a médica o atendeu sem objeções. Enquanto Emma a esperava no carro, Belle levou sua antiga paciente até a porta de seu apartamento no terceiro andar e, antes de deixá-la bater a porta, a loira a abraçou com força, beijando seu ombro de forma reconfortante.
— Prometa-me uma coisa? – Parker pediu, mordendo o lábio e tentando de forma inútil manter-se firme.
— Qualquer coisa.
— Prometa-me que será feliz com ela. Não importa o que digam ou o que pensem. Não importa os julgamentos preestabelecidos ou as críticas que recebam – ela recolheu a primeira lágrima de Alexandra antes que esta corresse pela bochecha minimamente sardenta.
— Eu prometo.
— Essa é a minha garota – Anabelle sorriu, beijando-lhe os lábios da forma mais casta e delicada que alguém jamais fizera e sumindo pelas escadas um instante depois.
Winter manteve-se parada, quieta, às portas de sua casa. Do lugar onde ela sentira sua irmã da forma mais íntima pela primeira vez, e muitas vezes mais depois daquela.
Ela não sabia ao certo como fazer aquilo. Como desculpar-se ou como retomar. Ainda não tinha certeza sobre a veracidade de nada, tampouco estava segura sobre sua sanidade mental ou sobre as viagens etéreas de planos em planos, sob torturas espirituais e absurdas de se imaginar.
Mas ela não se importava, de verdade. Quando Alexandra Winter girou a maçaneta e penetrou aquele pedaço de paraíso, jurando a si mesma que desta vez faria a coisa certa, tudo que realmente tinha algum significado agora era a garota que possuía seus mesmos traços e formas.

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