Levels
12 You and that drug you're dealing
Notas iniciais
Acordei ao som de Can't sleep love do Pentatonix e me estiquei na enorme cama de casal pensando em como queria ficar lá para e... Espera aí, levantei de repente. Aquele não era o meu toque de despertar, nem aquela era cama do hotel, que nunca foi grande. Procurei meu celular desesperada quando vi a pequena bolsa que tinha levado para o jantar, a noite de ontem voltava aos poucos. Abri e peguei o aparelho com a foto de uma mulher loira cerrando os olhos.
– Oi, mãe. — tentei não soar culpada, mas dela eu podia esperar tudo.
– Oi, querida.- suspirei ao ouvir sua voz alegre.- Tudo bem aí?
– Tudo. — falei sinceramente depois de perceber que eu estava de vestido debaixo dos lençóis.
– Tá direitinho no hotel?
Tossi, parecia que ela tinha um radar.
– Uhum – fui incapaz de dizer algo diferente. — Não precisava ligar tão cedo, eu disse que não ia trabalhar no dia depois do festival, deram uma folga. — Mudar de assunto era a melhor opção.
– Cedo? A gente já tá na festa de aniversário da sua tia.
– Mãe, você esqueceu do fuso horário de novo?
– Ops. — ela riu. — Mas não é tanto assim, né?
– Não, imagina.
Provavelmente era mais do que eu acordava normalmente. Mas não consegui ficar chateada, estava com saudades demais para isso, então só ouvi a descrição das pessoas conhecidas fazendo as mesmas coisas de sempre numa festa de família e me senti de lá de volta.
– Obrigada, mãe.
– Pelo quê?
– Por me ligar contando.
– Ai, não. — a escutei fungar. — Jessica Melo Denvers, não me deixe emocionada, você já fez isso bastante na vida!
Rindo, me despedi e desliguei antes que minha consciência pesasse mais e eu acabasse contando onde realmente estava, sua reação provavelmente seria pegar o primeiro avião só para me dar um sermão. Deixei esse pensamento para lá saindo do quarto já que não havia sinal algum de como eu tinha chegado até lá, parei no espelho do corredor para ajeitar meus cabelos desalinhados e desci as escadas tentando lembrar como e quando as tinha subido, não consegui. Mas encontrei a resposta deitada no sofá, só que estava dormindo.
A cena era cômica, Nick respirava pesadamente seu corpo jogado um braço estendido para fora do estofado segurava minhas sandálias e o outro abraçava a garrafa de vinho. Com cuidado, tirei os dois objetos dele e o ajeitei como dava. Pensei que ele ia acordar, pois depois se mexeu parecendo querer ficar confortável, mas só murmurou algo a ver com pizza e voltou a dormir tranquilamente.
Suspirei e depois de ficar com dor de cabeça inventando teorias sobre ontem enquanto esperava a bela adormecida, minha barriga roncou e lembrei do que ele meio que falou, me senti uma gorda com fome aquela hora da manhã depois daquele jantar. Mesmo assim o cutuquei, mais de uma vez e nada. Não estava nem com sono, para tentar dormir. Então, fui para a cozinha cambaleando, chegando lá tive uma ideia que faria com que ele não reclamasse.
Assim que terminei de fazer os omeletes, Nick apareceu na entrada da cozinha com cara de sono.
– Que cheiro bom!
– Só isso pra te acordar. — arqueei minhas sobrancelhas.
Ele botou a mão na cabeça e cerrou os olhos como se fosse se desculpar.
– Na verdade, foi sua voz cantando, é desafinada demais.
– O quê?!
– To brincando, — ele levantou os braços na defensiva – eu juro!
Do mesmo jeito parti pra cima dele batendo com raiva, mas nem dei muito porque logo me senti deprimida.
– Nunca mais vou cantar.
– Não é tão ruim assim.
– Eu devia te deixar sem comida. — o fuzilei com olhos.
– Não, tudo menos isso. — disse excessivamente dramático se sentando no balcão e bebendo o milkshake que eu também tinha feito. — Hmm.
– Desculpa, mas não resisti a assaltar sua geladeira. — sentei do seu lado.
– Sem problemas, pode fazer de novo a qualquer hora.
– Folgado.
– Olha quem fala.
– Eu te fiz café da manhã.
– Eu te carreguei até lá em cima. Acho que estamos quites.
Nossos olhares se cruzaram por um tempo, até que tossi ao acabar de processar um pequeno detalhe.
– Pera, você me botou na cama?
– Sim.
– Meu Deus, o que aconteceu? — senti que ficava vermelha.
– Você não lembra? — sua risada me deu uma pontada de desespero.
– Nick!
– Calma, acho que você ficou meio bêbada e não parava de rir até que apagou, então te levei para um dos quartos para dormir melhor.
– Só isso?
– Só isso. — então me olhou maliciosamente. — Por quê? Queria que tivesse tido algo mais?
– Você é tão idiota.
– Só estou dizendo que podemos resolver isso.
– Menos, bem menos. Só acredito em você porque te vi dormindo no sofá e tá difícil, viu.
– Ah, fui buscar sua sandália e depois disso sou eu que não lembro.
– Você devia ter ido para cama também.
– Concordo, podemos ir agora.
– Dormir, em outra cama. — frisei as duas palavras. — Deus, você não perde uma.
Parei de reclamar quando sua boca encostou na minha, seu beijo foi leve e tinha gosto de chocolate.
– Então, hum. — mordi os lábios para me concentrar. — Vai ter festa na produtora hoje.
– Eu sei, sou cliente VIP de lá, esqueceu?
– Nossa, ia te convidar, mas depois dessa vou até embora. — então olhei para o omelete. — Deixa só eu terminar de comer.
Nick riu e provocou aquela sensação boa em mim de novo.
– Vai não.
– Ainda to com o vestido de ontem.
– Percebi, ele fica muito bem em você.
Foi como se tivesse sentido seus olhos nas minhas costas nuas.
– Safado.
– Só pra você mudar de opinião, te empresto até uma roupa decente se ficar.
Desviei dos seus olhos e reuni toda força de vontade que tinha para recusar.
– A gente se encontra á noite.
– Ah, tá, tudo bem.
Ele se afastou e continuou a comer indiferente, fiz o mesmo, mas depois de um tempo nos encaramos e fui envolvida num abraço forte por trás.
– O jeito é te prender e beijar muito antes de sair.
– Nick, estou me alimentando. — protestei com cócegas no pescoço resultado de vários beijos.
– Eu também.
O grude continuou até eu terminar e ao me acompanhar para o carro, seu motorista me levaria para o hotel. Respirei fundo quando saí dos seus braços e já sentia falta dele assim que saiu da minha vista. Se ele fosse uma droga seu efeito estava no fim, mas meu vício estava só começando. Algo me dizia que se essa for mesmo a melhor comparação, aquilo não acabaria nada bem.
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