Levels
9 Give me that now and later
Notas iniciais
Dessa vez o que não saía da minha cabeça era a forma que Nick tinha me olhado naquela hora, mesmo depois da menina que eu estava procurando ter entrado. Eu tinha ficado sem reação e ele tinha ido embora com ela, dizendo antes que a gente se via depois. Senti frio na barriga pensando que esse depois estava perto.
Mal tinha conseguido dormir de noite com a expectativa do dia seguinte. Estava chegando no local do festival, já todo preparado para o show, quando Mel apareceu exibindo seu visual, ela tinha customizado a blusa com staff escrito atrás cortando-a em tiras na ponta e vestia uma minissaia jeans com sandália tipo gladiadora.
– Arrasou! — comentei. — E o que acha de mim?
Eu tinha cortado a minha tipo cropped e vestia uma calça de cintura alta com minhas botas pretas favoritas apenas, mas tentei me achar um pouco.
–Você ainda tá bem New York, — Mel brincou- falta pele amiga, só que tá linda como sempre.
– Quem sabe quando eu me acostumar. Mas agora temos que organizar os últimos detalhes.
Mel fez carranca, mas logo começou animada a me ajudar a verificar tudo. Quando terminamos, algumas pessoas começaram a chegar para a primeira passagem de som. Nick nos cumprimentou e tentei não ficar nervosa nem pensar no que devia significar o que ele tinha dito.O que foi difícil durante as músicas porque com frequência nossos olhos se encontravam e parecia que não existia mais nada. No final, parecia que eu tinha acabado de acordado de um sonho bom.
Só que a correria começou logo depois, as pessoas chegavam cada vez mais rápido e tudo parecia estar por um fio. Esbarrei em Theo no corredor e ele fez uma careta imitando um ataque nervoso, ri e respondi arregalando os olhos com outra careta enquanto corria. Faltavam dez minutos para o começo do show principal e percebi que não sabia exatamente o que fazer.
– Café chamando leite responda, câmbio.
– Isso é realmente necessário? — falei no rádio que nos deram para nos comunicar.
– Cadê seu espírito de diversão?
– Perdido junto com a minha direção.
– Você tem que avisar que já vai começar para o Nick, o gato.
– Tá certo, valeu café.
– De nada, leite.
Só Melody mesmo, aposto que ela desconfiava do jeito que era ligada nessas coisas. Hesitei na porta, depois bati na minha testa, o que eu estava pensando? Como se existisse alguma coisa, eu só ia fazer meu trabalho. Apenas. Sem expectativas.
Assim que vi Nick, considerei parar de pensar em me segurar, porque claramente aquilo não estava dando certo. Ele estava todo de preto no espelho ajeitando sua camisa justa o suficiente para mostrar um pouco dos seus músculos definidos. Foco Jessica. Foco.
– Licença, — dei umas batidinhas na madeira para enfatizar. — sem querer ser chata, mas cinco minutos.
Ele deu aquele sorriso fofo assentindo, mas percebi sua tensão.
– Você tá nervoso?
– Um pouco, – ele fez careta. — nunca consigo me acostumar.
– Ei, — o fiz olhar para mim. — por que não lembra da sensação boa que me falou antes? Além disso, você é ótimo no palco, não tem motivo para ficar assim.
– Obrigado. — dessa vez ele sorriu sem muita pressão. — Sabe, eu podia fazer outra coisa também.
Não posso dizer que não percebi qual era a sua intenção, mas não conseguir me mover quando Nick chegou perto, mordi meus lábios, agora a tensão ali era outra.
– Não dá pra esperar mais. — seu sussurro me fez desistir de pará-lo.
Ele podia ter feito o que quisesse, só que pareceu hesitar por um momento antes de me beijar suavemente indo só um pouco mais que um selinho, o que foi o bastante para fazer minha cabeça rodar. Assim que me recuperei e vi sua expressão convencida, me senti indignada mas não consegui em pensar em nada para dizer.
– Melhor eu ir para não me atrasar.
Ele pegou sua jaqueta naturalmente e saiu me dando um olhar que me fez ficar mais desconcertada ainda. Deus, eu estava perdida. Mais que isso, ferrada. Adeus, autocontrole.
Ouvir milhares de pessoas, a maioria garotas gritando no começo do show não fez eu me sentir melhor. Droga. Mesmo assim eu não parava de sorrir observando dos bastidores Nick cantar Teacher e fazer o público dançar. Até Mel apareceu batendo seu quadril no meu e fazendo eu aproveitar um pouco. Infelizmente, tivemos que sair antes de acabar para preparar os efeitos do final e a saída.
Assim que terminamos senti o cansaço todo aparecer, como se não bastasse Mel me abraçou e não aguentei caí no chão do corredor. Tentei levantar mas não consegui, então me restou rir enquanto Mel já tinha se espalhado toda como se fosse a coisa mais natural do mundo.
– Conseguimos!!! Deu tudo certo. — minha amiga doida gritou.
– Menos aquela parte... — comecei para implicar.
– Shh, ninguém sabe, então deu sim. — ela me interrompeu. — No final, tudo dá certo.
– O que vocês estão fazendo? — Theo apareceu.
– Filosofando sobre a vida.
– É – reforcei – Tipo quando eu vou conseguir forças pra sair daqui.
Ele nos ajudou a levantar e aproveitou para puxar nós duas num abraço de urso.
– Theo! — protestamos juntas quando começamos a sentir o esmagamento.
– Desculpa gente, to tão feliz que acabou tudo bem.
Alguém pigarreou, era Nick.
– Ei, será que posso falar com você?
Mel nem esperou eu responder e puxou Theo para sair movimentando as sobrancelhas para mim de um jeito engraçado. Nossa, acho que tinha ficado claro que ela tinha percebido, talvez para todo mundo, valeu amiga. Como se já não bastasse passar um monte de coisas na minha cabeça tentando adivinhar sobre o que Nick falaria.
– Oi, pensava que você já tinha ido embora. Não tá cansado?
– Não mais que você.
Fiz careta e botei minhas mãos no rosto, eu devia estar péssima.
– O que você quer?
– Vem cá. — ele pegou minha mão indo para a saída até chegarmos na beira da escada. — Lembra daqui?
– Aah. — falei que nem uma lerda, era onde a gente tinha se esbarrado. — Sim.
E lá estava o olhar convencido dele de novo
– Aff, o que você tá tentando fazer?
– Acho que você já sabe.
Balancei a cabeça para o lado sorrindo, apenas um resquício de negação que desapareceu quando seus braços me envolveram e sua boca encontrou a minha, o calor encheu meu peito e botei minha mão na sua nuca enquanto nossos rostos se movimentavam. Suspirei pesadamente assim como ele, que parou puxando meu lábio inferior.
– Nós não devíamos...
– Shh – Nick me interrompeu ainda com os braços a minha volta. — Tecnicamente, não estamos trabalhando junto mais. Acho que podemos fazer outra coisa.
– Você é horrível.
Ele riu.
– Pode me chamar do que quiser. Contanto que eu te veja amanhã, jantar, eu te busco.
– Amanhã é o segundo dia do festival.
– Então, depois. — ele me deu um selinho e começou a descer a escada.
– Você é louco.
– Pode continuar, só não aceito não como resposta.
Droga, eu não conseguia dizer mesmo se quisesse.
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