Levels
10 I can't get enough
Notas iniciais
– Jantar é? Humm, fala logo que é um encontro.
–Bem, acho que é.
No dia seguinte eu tinha vestido uma saia longa preta com uma abertura nas pernas e prendi meu cabelo num coque, enquanto Mel vestia aquelas legs que tinham partes transparentes que a faziam parecer meia-calça. E era justamente sobre roupas que estávamos conversando.
– Aff, não acredito que você não vai me contar com quem.
Sorri com vergonha e balancei a cabeça. Eu não tinha coragem, mesmo já tendo certa confiança entre nós duas, ela era minha colega de trabalho e eu não sabia as consequências da situação em que me meti, na verdade nem queria saber, pelo menos não antes de descobrir o que era aquele sentimento.
– Mas como sou uma ótima pessoa, eu te empresto sim uma roupa. Você pode até se arrumar no meu apartamento antes de encontrar com alguém.
– Obrigadaaa! — a abracei.
– Ai, como é falsa.
– Você vai entender depois.
– Isso só me deixa com mais vontade de saber. — Mel revirou os olhos. — Não acredito que vou dizer isso, mas fica quieta e vamos ao trabalho.
O tempo passou se arrastando, a única hora que relaxei um pouco foi quando fui chamar as meninas do Fifth Harmony para entrar. Estavam todas se arrumando e só faltaram surtar quando contei quantos minutos elas tinham.
– Calma, pessoal. — falou Dinah.
O barulho continuou.
– PERAÍ!- Camila assoviou com a mão na boca fazendo todo mundo parar. — Não adianta nada ficar assim.
– É, — continuou Dinah – vem cá, gente. -elas se abraçaram formando um círculo. — Na verdade, eu não tenho nada pra falar só queria que vocês calassem a boca e se acalmassem.
Todo mundo no camarim riu.
– A gente só precisa ir lá e arrasar como sempre fazemos. — Lauren ajudou.
– Yeah. — as outras apoiaram.
Fiquei bem feliz de elas terem recuperada a confiança, pois quase que eu surtava junto. Suspirei, talvez eu conseguiria mexer uns pauzinhos, afinal eu entendia muito bem de nervosismo.
–Vocês são maravilhosas, por favor. Vamos fazer assim, quando vocês se sentirem preparadas podem ir, fiquem à vontade.
– Obrigada! — me agradeceram e eu senti que elas não iam precisar de muito tempo.
Deixei-as se acertando, só precisaram de mais cinco minutos. E depois, começou um dos melhores shows que assisti na vida. Mel fugiu várias vezes de supervisionar a segurança, só pra dançar comigo e com Theo na parte em cima do palco onde cuidavam da iluminação. Só achava que estava no melhor emprego do mundo no momento.
Quando acabou parecia final de festa, a equipe toda cantando, limpando e arrumando para ficar mais fácil enfrentar o cansaço. Até que ouvimos o barulho de saltos se aproximando.
– Vocês, ein, bonito. — Cami apareceu mais séria que nunca. — Só digo uma coisa, — ela nos encarou — festa amanhã na empresa.
Um silêncio se instalou enquanto processávamos o que nossa chefe havia dito, antes de começarem a gritar e bater palmas. Só vi Beth rindo da nossa cara e Cami também. Comemorei junto para não passar por idiota, mas logo puxei Mel para irmos embora. Eu mal podia esperar para o resto da noite.
– Não estou me reconhecendo.
Olhei para o espelho mais uma vez, meu cabelo estava mais liso que nunca, a maquiagem realçava todos os meus melhores traços e o vestido preto com abertura nas costas me fazia sentir uma celebridade, apesar de que um pouco nua também.
– Eu sei, eu sou um gênio. — Mel se jogou na sua cama. — Agora pega aquela sandália prateada de tira ali embaixo e me deixa dormir até amanhã de noite.
Incrivelmente ela estava falando sério, tanto que colocou uma venda e sua respiração logo ficou pesada. Fui na ponta dos pés até a porta do apartamento que ela dividia com outras garotas e joguei a chave por debaixo ao sair. Peguei um táxi para o hotel, subi apenas para trocar de bolsa e pegar meu colar favorito. Já ia descer quando ouvi a buzina. Nick me esperava encostado na porta do carro.
–Uau, você tá muito linda.
– Obrigada, também fiquei surpresa quando me vi.
– Não, eu quis dizer que você tá mais linda do que normalmente, não achava isso possível.
– Uhum, sei. — eu disse querendo acreditar naquilo. — Você também parece muito bem.
– Olha, ela fazendo um elogio. — ele falou abrindo a porta do carro pra mim. — Acho que vai chover.
– Cala a boca vai.
Uma onda de ansiedade passou por mim no caminho, era estranho ter um motorista mesmo parecendo extremamente sério, sabia que ele podia nos ouvir. Mas bastou eu perceber o sorrisinho cínico para meus olhos revirarem e deixar isso tudo pra lá.
– Não vai falar nada? — questionei demonstrando minha súbita irritação.
– Você acabou de dizer para me calar.
– E você, de repente, resolveu fazer o que eu digo.
Ele deu de ombros, então continuei.
– Que tal dizer como conseguiu meu número e meu endereço? Estou curiosa.
Nick tinha apenas me mandado uma mensagem com o horário que ia me buscar depois da conversa de ontem, não tinha tido a oportunidade de respondê-lo por estar ocupada.
– Uma das muitas vantagens de ter uma assistente.
– Sei, – estreitei meus olhos- e está prestativo demais, por quê?
– Você é minha convidada, estou apenas sendo educado.
– Uhum.
– Sou um cavalheiro, por favor.
– Não estou dizendo nada.
Fiquei quieta depois, observando as ruas iluminadas de Los Angeles até perceber que nos afastávamos do centro chegando num lugar alto com muros grandes finalmente parando em frente a um jardim denso de uma casa. Chamar aquela construção enorme de casa parecia errado, tinha uma arquitetura refinada que realçava seu branco com detalhes escuros da madeira nas portas, janelas e outros detalhes. Nick me guiou para dentro após trocar algumas palavras com o motorista.
– Bem vinda a minha residência.
– Uau.
O interior conseguia ser mais fascinante e ao mesmo tempo aconchegante apesar do tamanho, imaginei uma família rica perfeitamente acomodada naquela sala com móveis não muito elaborados, mas evidentemente luxuosos. Tive um breve devaneio absorvendo todas aquelas coisas.
– Ok, tenho que admitir que é incrível, mas eu pensava que iríamos para um restaurante.
– Era meu plano, só que lembrei que não teríamos muita privacidade.
– Ah, — fazia sentido mas o encarei desconfiada. — sem segundas intenções, né?
– Não mesmo.
– Certeza?
– Bem, eu posso ter outras intenções. — ele se aproximou e segurou minha mão. — Mas, são as melhores eu juro.
Senti minhas bochechas esquentarem e percebi que estava bancando a garota chata cheia de princípios, quando eu já tinha quebrado alguns ficando com Nick nos bastidores do festival. Não faria mal conhecê-lo de perto, parte de mim queria mais ainda, então resolvi me soltar pelo menos um pouco.
–Vou fingir que acredito. — brinquei. — E você mora aqui sozinho?
–É, agora sim.
Queria perguntar sobre antes, mas ele me puxou dizendo que eu ainda não tinha visto nem metade. Pensei que ele podia não estar se referindo apenas à sua casa.
Fale com o autor