Letters To Anyone
27 Thirteenth letter
Notas iniciais
Mas enfim, não tenho muito o que dizer agora (até porque estou com sono e quando estou com sono fico de mais mau humor que o habitual). Anyway...
O tanoshimi. Enjoy ♥
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Vamos jogar?
A perda de um naipe.
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Não fazia ideia de quem estava pior: Kurt ou eu.
Kurt por perder seu melhor amigo e eu por estar perdendo o homem que teve a capacidade de me alucinar em uma única noite. O homem que fizera meu coração disparar com toda aquela frieza, neutralidade e raciocínio acima da lógica. O homem que queria que fosse meu. O homem que me assustara tantas vezes e mesmo assim conseguia mostrar que era humano.
Um amigo. O único que já tivera na vida.
Não saiamos da sala de espera daquele hospital, só esperando por alguma notícia. E tudo o que tínhamos era que ele poderia não sobreviver, trabalhando com a hipótese de que era uma chance em um bilhão de que ele pudesse ficar bem.
Parecia não ser algo muito sério, mas ele ficara muito tempo sozinho, inconsciente, antes que alguém pudesse achá-lo, não sei como. Pelo o que entendi, o tiro não fora como planejado: o atirador queria pegar em sua garganta, mas, como ele desviara da bala, conseguira atingir o pulmão esquerdo.
E ainda haviam os cortes, hematomas e sei lá mais o quê. Fosse quem fosse, parecia ter uma raiva tremenda de Gerard. E não havia o que se pudesse fazer a não ser esperar por seus resultados, ver se seu corpo conseguiria se recuperar daquilo ou se seria melhor poupá-lo de toda dor e desligar os aparelhos que o mantinham.
Deveríamos ter feito isso antes. Ele não sairia dessa.
Por volta das três horas da madrugada seguinte ao acontecimento, Kurt recebeu um chamado. Algo como uma discussão em um edifício perto ao centro. Pelo que pude entender, um dos caras acabou mal e com uma bala no ombro direito.
– Você tem que vir comigo.
– Por quê? – murmurei.
– Porque o azarado foi Stéphane.
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Estava com os olhos fechados a hora que chegamos, respirava devagar, como se estivesse dormindo. Mas não estava, e deduziria facilmente isso pelas suas expressões de dor.
– Stéphane... – sussurrei.
– Hm?
– Está tudo bem?
– Quem é você...? – murmurou grogue.
Sem a peruca, as unhas e aquela pose de mulher, ele jamais me reconheceria.
– Sou Frank Iero, estou no caso em que você é suspeito e me pediram para que visse como você está.
– Hm... – foi tudo o que disse e voltou a fechar os olhos.
Ele não confiaria em mim.
– Seu amigo não está nada bem, só para saber. Então não ajudaria conversar com ele.
– O quê...?
– Gerard foi pego noite passada e parece que você não voltará a vê-lo.
Algo em Stéphane pareceu reluzir, mas essa animação logo se dissipou.
Seria melhor se ele dormisse e fizessem o que tinham de fazer com ele. Naquele estado, ele não diria nada.
– O que temos?
– Nada, só disseram que foi uma discussão que começou por volta da uma da madrugada e só terminou quando o tiro foi disparado.
– Então sejam... Uma hora e meia de discussão, no mínimo. Por que só ligaram agora?
– Em geral, não há muita gente no prédio de madrugada, e foi o síndico quem encontrou Stéphane no chão, e porque foi um telefone sem-fio interminável. Alguns diziam coisas, outros aumentavam, depois outros desmentiam. No final, resolveram arrombar – Kurt resumiu o que tinha. – O que foi uma péssima ideia. Esse pessoal não entende que não se pode fazer nada desse tipo em uma cena dessas? Não toque em nada, não arrombe. Use a droga da chave.
– Mas agora está feito.
– O pessoal já ignorou a procura pelas digitais. Devem haver milhares em um só lugar, o que não nos levaria a lugar algum. Mesmo de antigos inquilinos, isso seria mesmo perda de tempo. E procurar DNA também.
– Não podem ignorar tudo – encarei-o.
– Claro, acharíamos o DNA até de alguém que provavelmente já morreu há vinte anos, Frank. Nunca iríamos a lugar algum com isso.
– E o que vão fazer?
– Esperar que Stéphane lhe diga algo.
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Olhá-lo naquele estado derrubava qualquer defesa que pudesse ter. Não conseguia encará-lo, não conseguia olhá-lo naquele estado terminal.
Queria acabar com tudo aquilo e ir para casa, assim como esquecer que tudo aquilo um dia aconteceu. Sabia que não conseguiria voltar a ser o que era antes depois de tudo.
– Stéphane está acordado – Kurt murmurou.
Assenti e fui ver o que o louro sabia, se é que ele falaria algo.
– Faletti? – murmurou sonolento ao ver-me.
– Quem?
– Ah... Nada – disse simplesmente isso e virou-se de lado.
– Sabe que temos que conversar.
– Eu vou lhe dizer tudo o que sei.
– Ótimo. Então diga tudo o que aconteceu nessa madrugada – sussurrei próximo a ele, ligando o gravador.
– Recebi uma mensagem dizendo que estava feito...
– O quê?
– Que Bob matara Faletti.
– Bob?
– Meu namorado... Se bem que está mais para ex. Faletti e eu começamos a namorar, talvez Bob tenha ficado com ciúmes.
– Continue.
– Enfim, após receber a mensagem Bob foi até meu apartamento. Faletti não estava em casa, só eu. Bateu três vezes na porta. Depois mais três. E como demorei a atender, três vezes novamente. Ou mais, não sei. Sabia que viria atrás de mim, só não sabia que seria tão rápido. Ele pediu para que abrisse a porta, mas me recusei, então disse que havia uma arma sendo apontada para minha cabeça por trás da porta. Tive de abrir. Começamos a discutir. Ele queria me matar também e incriminar aquele quem matou Mattari e Stephen. Mas então fiquei louco de raiva e comecei a ameaçá-lo.
– Com a arma?
– Não, apesar de tê-lo na mira. Comecei a dizer coisas sem sentido que não lembro. Ele não parecia acreditar. Então disparou.
Algo dizia que nem tudo ali era verdadeiro.
Tinha de fazer isso. Sabia que era errado, antiético ou qualquer outra coisa, mas não poderia simplesmente deixar Stéphane mentir.
No entanto... Não se deve usar essa pratica se a pessoa não deseja. Seria barrado em menos de dois minutos e conseguiria um caos psíquico nele sem voltas.
– Certo, algo mais? – suspirei.
Ele negou com um simples movimento de cabeça.
Quando sai de seu quarto, Kurt esperava-me com um semblante sério.
– Ele está mentindo. Sabe de muito mais que isso, sabe coisas que parecem não ter nada a ver com o caso, mas que tem. E não quer dizer absolutamente nada. Isso que ouviu não é nada comparado no que há em sua mente – disse.
– E o que propõe?
– Tive uma ideia, mas está totalmente fora de cogitação. Não sei nem porque pensei em uma coisa tão desalmada dessas.
– O que é?
– Certa vez, curei um de meus pacientes usando a hipnose, mas foi com o consentimento dele, foi ideia dele. Nunca é uma alternativa, ainda mais nesse caso. Nessas circunstâncias, causaria uma pane sem tamanhos na mente dele e aí sim não descobriríamos mais nada.
– E se você falar com ele...? – os olhos de Kurt brilhavam.
– Ficou louco? Nunca. Ele poderia até concordar, mas sua própria mente me impediria de atravessar as suas barreiras e isso também teria consequências. Além do quê, ele jamais concordaria com isso. E ele também não confia em mim. E tem mais: se descobrissem que fiz algo desse tipo, estaria aposentado de imediato. É contra a moral de um psiquiatra usar isso como forma de tratamento.
– Mas daquela vez...
– Daquela vez eu tinha autorização – cortei-o e cruzei os braços.
– Entendo que você não queira fazer isso, mas posso conseguir tudo o que você precisa para arrancar algumas verdades daquele garoto. Precisamos daquela cabeça para nos ajudar.
– Não é tão fácil...
– Posso imaginar que não seja.
– E demoraria demais até termos algo de verdade. É um verdadeiro quebra-cabeças a mente de alguma pessoa.
– Quer tentar?
– Não.
– Oras... É a nossa única chance.
– Kurt...
– Quer salvá-lo ou não? – agarrou-me pelos ombros.
Jamais poderia imaginar que um policial como Kurt se mostraria tão emocionado para conseguir alguma coisa e tentar mostrar ao seu amigo que tudo na vida há uma solução, por mais que esse amigo não estivesse consciente do mundo e mergulhado no coma profundo.
– Quero, quero mais do que tudo salvá-lo, mas... Eu tenho medo. Mesmo que ele diga sim, tem que dizer com todo corpo. Pode dizer sim apenas com a voz mas a mente rejeitar isso.
– Frank... Você é a peça mais importante disso. Você sabe mais do que qualquer um nesse caso. Até mesmo do que eu. Você o acompanha desde seu surgimento até agora. Mesmo que só saiba o que a mídia publicou. No caso, agora sabe tudo até o fundo pelos relatórios que lhe enviamos.
– Eu... Tenho que pensar sobre isso.
– Você tem medo, não?
Notas finais
Eeeeeh, Frank queses mimimi todo engana ninguém não u-u
E chegou naqueles capítulos que eu amei escrever. No próximo capítulo vou usar hipnose, uma técnica que muito me fascina (e que já usei algumas vezes, para ser fraca). E depois que li alguns livros sobre o tema, fiquei ainda mais apaixonada e tive de colocar na fic. Tentei ser o mais real possível e disseram que ficou certo (meu psiquiatra; tive de mostrar o capítulo a ele). Espero que gostem, mesmo fugindo um pouco da temática e ainda assim não. Enfim, falei demais e dei vários spoilers! ~morre~
Desculpem os erros e tal. Avisem na review.
Kissus. Way.
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