Letters To Anyone
28 Fourteenth letter
Notas iniciais
E em parte porque eu queria logo postar esse capítulo ~risos~
POSTEI UMA NOVA ONE, para aqueles que quiserem... "I, I and They" *-*
O tanoshimi. Enjoy ♥
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Vamos jogar?
No jogo do assassino.
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Kurt fora atrás de tudo, realmente. Falou com todo o hospital em que Stéphane estava, conseguindo autorização de todos. Menos de um médico, que ligou para um psiquiatra renomado e que tinha vários artigos publicados sobre as técnicas de hipnose. Ele fora consensual e mostrara ter senso, dizendo que já vira um resultado positivo meu quando trabalhei com aquele tipo de tratamento. Por acaso, parabenizou-me pelo feito. Tinha a autorização de todos ali, inclusive de outras clínicas, até mesmo da clínica psiquiátrica da região, apoiando-me e dizendo que caso precisasse de ajuda bastava chamar.
Kurt brincara inclusive que eu contava com a ajuda dos loucos.
Por acaso, não ouvi isso. Estava distraído demais com tudo aquilo.
A última vez que usara aquele tratamento fora há muitos anos antes, acho que dois ou três anos depois que iniciei minha vida psiquiátrica. Estudara com os grandes nomes da psiquiatria para poder usar aquele naipe, não é todo e qualquer psiquiatra que tem o poder para usar aquilo. Felizmente conseguira o meu. E esperava nunca mais ter que usar novamente.
Só estudara para isso porque um paciente me pedira, caso contrário não o faria. E porque aquele paciente em especial estivera comigo desde o começo. E confiava em mim. Stéphane, por outro lado, parecia não confiar em mim e não queria deixar-me chegar perto.
Naquela noite, após o louro dormir e chorar o dia inteiro, três psiquiatras e um psicólogo conversaram com ele, dizendo o que a polícia queria e porque precisava fazer aquilo, mas deixando muito mais do que claro que ele não tinha a obrigação de fazer caso não desejasse.
– Ele quer, disse que não tem nada a esconder e que vai colaborar.
Suspirei e cruzei os braços.
– Seria melhor não...
– Frank, vá. Faça o que tem de fazer e encontre o homem que fez isso em seu amigo – Kurt murmurou atrás de mim.
Ele sabia como me persuadir.
Assenti e entrei na sala, tendo plena consciência de que os quatro, mais o médico de Stéphane, me observavam pela janela do quarto, parados imóveis no corredor.
Sentei-me ao lado dele e sorri da melhor forma que pude.
– Então, já sabe o que farei...?
– Claro.
– E tudo bem? Mesmo, não precisa se forçar a isso, Stéphane, você tem o direito de não querer fazer isso e ninguém lhe julgará de forma alguma.
– Tudo bem.
Respirei fundo novamente.
– Ótimo, então procure uma forma de ficar confortável e relaxado. Estarei com você o tempo todo, não precisa ter medo.
Ele assentiu.
– Se você me ouvir e tentar fazer o que digo, lhe mostrarei como você pode melhorar seu relaxamento. Isso o ajudará a ficar mais confortável e eliminará o desconforto ou dor que possa sentir. Permaneça o mais confortável possível. Agora, respire profundamente. Inale lenta e profundamente. Exale da mesma forma, deixando seu corpo o mais relaxado possível. Feche os olhos e mantenha-os fechados – fiz uma pausa e recomecei: – Ainda com os olhos fechados, faça-os girar para cima, para baixo e para os lados. Novamente. Deixe os músculos de seus olhos ficarem completamente relaxados que eles deixam de trabalhar. Perfeito – fiz uma nova pausa e vi Stéphane reagir de forma eximia, fazendo tudo o que lhe pedia. – Agora, vou lhe pedir um teste. É só para descobrir o quão relaxados estão os músculos de seus olhos. Quando você fizer esse teste, não abra seus olhos só para mostrar-me que você pode abri-los. Sei que pode. O teste é apenas para provar a você mesmo que está tão relaxado que seus olhos não funcionarão, mesmo que você tente. Quando sentir que ele estão muito relaxados, pode testá-los e vai perceber que estão paralisados, como se estivessem grudados – a terceira pausa. – Se estiver pronto para o teste, pode tentar.
Vi Stéphane testar-se, observando a catalepsia. Estava tudo bem.
– Ótimo. Novamente: faça seus olhos girarem para cima, para baixo e para os lados. Exato. Agora gire seus olhos para baixo e deixe seu corpo relaxar por completo. Tome essa sensação agradável de relaxamento que está em seus olhos e a leve para o resto de seu corpo, desde o topo de sua cabeça até as pontas de seus dedos dos pés. É uma sensação muito agradável...
Tomei fôlego e dei um intervalo de poucos segundos, voltando a soar com a voz incrivelmente baixo perto dele. Novamente aquela sensação de torpor correr por todo meu corpo, como se mergulhasse em água gelada. Era uma sensação única que só sentira das vezes em que hipnotizara antes, jamais novamente na vida.
– O relaxamento pode significar várias coisas para pessoas diferentes. Para algumas, relaxar e sentir-se pesado e afundar em uma cama confortável. Já outras sentem-se tão leves quanto uma pluma, voando por campos calmos e claros. E você? Sente-se pesado? Só acene – mas nada. – Ou sente leveza, como se fosse uma ave voando no céu sem destino ou culpa? Acene se sim – desta vez ele reagiu, acenando levemente que sim. – Ótimo, muito bom. Agora pense em um lugar agradável, pode ser real ou não, um lugar de calma, paz, tranquilidade, serenidade, um lugar apenas seu e que mais ninguém o conheça. O seu lugar secreto especial. Comece a se sentir ainda melhor. Sinta a temperatura do lugar... Olhe ao redor e veja as cores... Ouça os sons deste lugar... Sinta o seu lugar de todas as formas possíveis.
Uma nova pausa. Agora era hora de tirar-lhe algumas informações, e, para isso, tinha de ir devagar a cada passo para não assustá-lo e acordá-lo antes da hora ou do jeito errado.
– Agora escute apenas a minha voz, como se fosse música. Não estou com você, este lugar é apenas seu. Sente-se bem, não? Pois bem, agora vamos conversar... Conte-me tudo o que viu ou o que pensou na madrugada anterior, quando Bob lhe visitou. Mas acalme-se, não precisa ter medo, ninguém pode lhe achar nesse lugar, ele é apenas seu e nem eu sei onde fica. Ninguém poderá lhe tocar enquanto estiver nesse lugar, então está tudo bem e não há por que ter medo. Só quero saber o que houve. Quer falar?
Ele assentiu levemente novamente.
– Quando quiser, pode começar.
Um tempo em silêncio passou-se. Só o que conseguia sentir era o torpor cada vez maior. Não conseguia enxergar Stéphane direito, ele parecia incrivelmente apagado agora, parecia que seu corpo e alma estavam em um lugar completamente diferente do que eu estava. Ele estava em um lugar, em seu lugar especial, e eu no meu. E o meu lugar especial era um quarto vazio. Não havia nada ali, apenas uma porta fechada, mais nada. Não haviam mais portas ou uma única janela. O lugar era razoavelmente claro, estava limpo e não passava de um quarto de cinco metros quadrados. Mas ainda parecia estar mergulhado em água gelada. Parecia que o quarto era um tanque de água, mas sem um único espaço para poder respirar caso me faltasse ar. No entanto, por mais que continuasse flutuando no vazio da água gelada, não sentia vontade de respirar. Apenas flutuava na água.
– Faletti morreu. Bob acabou de me avisar isso. Há alguém na porta.
– Você sabe quem é?
– É Bob.
– Tem certeza?
– É ele. Ele está batendo na porta, três vezes, intercalado por dez segundos. Só Faletti batia na porta assim. Acho que ele pensa que pode me enganar.
– E o que você faz? – aproximei o gravador ainda mais, captando ainda melhor sua voz.
– Estou com medo, mas também com raiva. Quero Faletti de volta, quero-o bem de novo e vivo, me abraçando e protegendo. Estou com medo.
– Não, não precisa ter medo. Respire fundo, bem lentamente. Sim... Está seguro em seu lugar especial, ninguém poderá lhe tocar. Está tudo bem, não? Está sozinho, mas está feliz. O sol é bom, a vista é linda, não é?
Ele assentiu novamente.
– Ótimo. Melhor?
Gemeu baixo o que deveria ser uma afirmação.
– Quer continuar?
– Eu peguei a arma na última gaveta do criado mudo, do lado de Faletti.
– Sempre soube que havia uma arma lá?
– Ele a colocou ali quando se mudou. E disse que seria minha proteção caso ele não estivesse. Ele está batendo novamente, do mesmo jeito. Três toques, dez segundos. Não quero atender. Mas ele parou de repente. Vou até a porta e ele toca novamente do mesmo jeito. Falei para ir embora, mas ele disse que havia uma arma apontada para minha cabeça, então abri e corri para a cozinha. Ele entrou. Está me procurando pela casa, mas não me chama. Então ri, um riso maldoso que me dá ainda mais medo.
– Ainda está com a arma?
– Sim. Mas minhas mãos tremem. Não vou conseguir disparar. Ele me achou. Pergunto por que ele matou Faletti. E diz que foi uma questão de princípios. Está me testando. Fica deixando claro que Faletti não me protegerá, que estou sozinho.
Ficou quieto por mais um momento. Podia vê-lo irrequieto de repente, mas ao mesmo tempo em que tentava voltar ao seu lugar tranquilo e respirar fundo. Estava conseguindo voltar ao transe sozinho, o que me surpreendeu.
– Ele quer incriminar Faletti. Quer me matar e forjar um suicídio. Diz que não vai doer nada, tento impedi-lo. Ele para. Disse que não conseguirá imitar a letra dele no falso bilhete de suicídio e que se livrou do corpo. Ele está doente! Sua mente não está mais em ordem e tenho medo disso! Já não é mais o mesmo! E está acusando Faletti! Estou com tanto medo...
Temia que após isso não conseguisse detê-lo novamente e que fosse melhor tirá-lo daquele estado antes que acordasse.
Mas então continuou, seu estado visivelmente inalterado:
– Estou apontando a arma para ele. Minhas mãos estão tremendo, mas estou puxando o gatilho. Ele também apontou a arma dele para mim. Ameaço-o novamente, mas ele não acredita. Ele pediu desculpas e então atirou em mim. Mas errou. Era para me acertar no peito. Não sei por que errou, ele não me pouparia. Acertou em meu ombro. Sinto... Tanta dor... Só o que consigo me perguntar é se Faletti sofreu da mesma coisa. E só o que quero é que ele seja pego.
Sai do meu próprio transe e ouvi-o se agitar ainda mais. O perdera, ele estava se desesperando.
– Stéphane, ouça-me – chamei-o com a voz calma, baixa e dócil. – Vou contar lentamente até cinco; você vai sentir a excitação aumentar a cada número. Quando eu acabar a contagem, você estará totalmente acordado e continuará se sentindo bem, estará tudo de volta ao normal e continuará em segurança. Um...
Ele não parava de murmurar coisas sem sentido, em como sentia raiva de Bob, em como sentia pela perda de seu namorado, o quanto queria que ele não tivesse sofrido e tudo mais.
– Dois...
Cada vez mais agitado, prestes a despertar sozinho antes do fim de minha contagem. Não podia apressá-lo. Não podia pular os números ou correr.
– Três...
O torpor em meu corpo cada vez menor. A água parecia de repente turva, avermelhada. Meu corpo doía e queria sair logo daquele lugar.
– Quatro...
O ar faltava. Não encontrava espaço para respirar. Sentia-me angustiado. Ouvir Stéphane, ver aquela água turva de sangue, meus pulmões ardendo por falta de oxigênio, meu corpo doendo a cada mísero movimento, já não conseguindo mais flutuar naquele tanque, ou quarto.
– Cinco! – resfoleguei.
Stéphane abriu os olhos e sorriu, parecia tudo bem.
Levantei-me de seu lado e corri para fora de seu quarto, abrindo a porta em um rompante, caindo no corredor de joelhos e apoiando as mãos no chão frio, ofegando e tossindo.
– Está tudo bem? – Kurt ajoelhou-se ao meu lado.
Vislumbrei os psiquiatras e o médico entrarem no quarto, certificando-se de que estava tudo bem com Stéphane, que ele estava são e já não mais em um estado hipnótico.
– Frank?
– Nunca... Mais... – murmurei com os dentes trincados olhando para o chão.
Notas finais
O que acharam? Esse foi um dos meus capítulos favoritos. Ficou alguma dúvida...? Me avisem na review, sim?
Kissus. Way.
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