Letters To Anyone

11 Seventh letter


Notas iniciais
Demorei pra cacete. Ainda com o pc da mamãe ~morrendo de ódio~
Ainda não respondi os reviews, só alguns, mas só por celular. Não respondi os dessa fic, POR ENQUANTO, juro que vou respondê-los.
Por enquanto, curtam esse capítulo *-*
O tanoshimi. Enjoy ♥

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Vamos jogar?

Nem tudo é o que parece.

Aqueles olhos verdes pareciam criticar cada mísero movimento que fazia, mas ao mesmo tempo parecia estudar cada reação minha. Nada escapava daqueles orbes e já começava a sentir medo.

Estávamos presos naquele jogo havia quase uma hora. E devo confessar: estava sendo massacrado naquele maldito jogo de xadrez.

– Desisto – rendi-me e sacrifiquei meu rei.

– Xeque-mate – fez um movimento impiedoso com a peça e só o que pude constatar foi meu rei rolar pelo tabuleiro onde as peças pretas reinavam.

– Não parece ser uma pessoa que se concentra em um jogo desses.

– As aparências enganam, Frank. Deveria saber disso muito bem, doutor – sua voz tinha um toque ácido de ironia, pude perceber.

– Sim, sei – parei o rei antes que este caísse da mesa, observando-o analiticamente.

Como uma peça poderia ser tão fraca e ao mesmo tempo me matar?

– Vejo que se detém em coisas pequenas. Pense em voz alta – pediu ainda com aquele tom indiferente e cansado que sempre carregava. Não havia se movido uma única vez desde que decretara xeque-mate, ainda encostado no espaldar da poltrona cinza à frente minha mesa.

– Estava pensando que uma peça que aparenta ser tão forte não é nada comparada à dama. Mas mesmo assim pôde me matar rapidamente.

– A vida é engraçada, não, peão?

– Sim... Somos todos peões de algo maior, só não sabemos o quê – sorri sem humor algum.

– Insignificantes, sacrificáveis e apenas peças que estão ali para defender os reis e damas. Somos peões – concordou.

– Sabe... – respirei fundo. – Tenho que confessar: no começo, podia jurar que você não se mostraria o que é agora. Devo dizer que foi uma boa surpresa.

– Sou um agente especial, Frank. Tenho que mostrar o que não sou a todo mundo. Não posso sair por aí saltitando com um distintivo no cinto, concorda? Tenho que manipular todos ao meu redor, assumir algumas vidas que não são minhas para salvar outras.

Deu tal explicação como se estivesse admirando a Mona Lisa autentica emoldurada em ouro no Louvre. Era magnífica a forma que falava.

– Diga mais – pedi.

– Todos os dias de manhã, pode ser o meu último. Mas nunca ajo como se realmente fosse. Não quero agir desta forma. Assim que entrei no FBI já sabia que estaria sacrificando minha vida e tudo mais para salvar as vidas de pessoas que jamais vi na vida e que jamais tornaria ver, caso acontecesse de terminar tudo bem. No entanto, foi a escolha que fiz. Entenda, não tenho nada a perder. É idiota, mas aqueles doentes do Oriente Médio tem ração: a morte é a glória. Completo: a morte é a glória para aqueles que não são apegados a vida.

– Então... Entrou nessa para morrer?

– Escute: nunca sei se terei que entrar na frente de uma bala para salvar um amigo ou um cidadão qualquer. Não entrei nessa para morrer, entrei para ajudar a tornar o mundo um lugar melhor, ou pelo menos que fosse mais fácil de conviver nele. Estou me arriscando para salvar um mundo que não quer ser salvo. Acredite quando digo que o que já vi não foram as melhores coisas do mundo, não foi como analisar um belo Claude Monet, Vincent Van Gogh ou qualquer outro.

– Entendo – e de fato entendia.

– E por que entrou nessa?

– Minha mãe era uma bêbada que não lembrava de mim. Quando estava em casa, estava desmaiada ou dormindo, sempre com uma aparência horrível. Meu pai abusava de mim, mas só abusava, nada de tão extraordinário. Cresci muito rápido e conforme ia vendo as diferentes pessoas ao meu redor, passei a me interessar pelo o que havia em suas mentes. Nunca tive nenhum problema tipo depressão, o que é extraordinário, segundo todos.

– Então está disposto a entender os outros e ajudá-los a não serem o que você teve na infância?

– Exato. Quero dar paz, não caos – sorri. – Aliás, tirando tudo isso, deve ter algo a mais. Por que quis isso?

– Não é que eu já tenha tido um momento marcante em minha vida que me fizesse ficar decidido quanto a isso, tipo os médicos. A maioria só é médico porque um familiar ou alguém querido morreu por negligencia no passado e hoje está tentando salvar pessoas que morrerão da mesma forma, por exemplo. Não. E também não foi em uma bela manhã, do tipo: oh, vou ser policial. Levou tempo para formular a ideia. Quando dei por mim, já tinha acontecido. É realmente isso, só quero tentar ajudar um mundo que não se ajuda. Quem sabe tenha um pouco de paz quando morrer?

Como pensara: ele era fascinante.

– Sua cabeça é diferente. Queria poder estudá-lo. Está sempre na mesma frequência que o assassino, entende os raciocínios dele e tenta formular hipóteses com base nisso. É bem melhor que eu.

– Tenho que ser assim. Fui treinado para isso. Além do quê, você só descobre porque isso acontece quando entende os motivos do causador.

– Sim, de fato.

– Sobre me estudar... Lamento, mas sou uma casca vazia, não vai encontrar nada que lhe agrade aqui.

– Duvido um pouco disso. Tudo que acabou de me dizer só atiçou ainda mais.

– Talvez seja a única coisa que possa lhe excitar, na verdade. Minha vida é pelo trabalho, Frank. Só isso.

Não poderia ser só isso.

– Acabou de me derrotar no xadrez! Diga a verdade: quem era Gerard Way na adolescência?

– Um garoto como outro qualquer, okay? Não há mais o que dizer. Fui como todos os outros, que um dia queria ter uma banda e no outro já queria trabalhar no escritório do pai, nem que fosse tirando cópias de documentos. Eu costumava sair toda noite e voltava para casa sem saber como chegara e com quem chegara. Minha vida sempre foi vazia, sempre estive procurando algo para preenchê-la, em vão. Até que isso aconteceu. Agora aquela sensação de vazio parece abrandar um pouco. É só o que tem de saber.

E voltamos a ficar em silêncio.

Na verdade, já estava sendo um progresso. Kurt nos deixara, mas nos deixara com o temor de que conseguíssemos nos matar, não conversar civilizadamente. Nem eu esperava isso. Irrito-me muito facilmente, o que não é de se esperar de um psiquiatra. Talvez fora só no primeiro momento que não nos chocamos, mas quando paramos para conversar parecia ser tão fácil que nem lembrava porque não conseguira me entender com ele anteriormente. Suas ideias eram fantásticas, assim como seu modo de ver o mundo.

E agora já não sabia mais porque, só sabia que estava me interessando por ele cada vez mais e mais.

Notas finais
Erros e tanãnã... Já sabem o que fazer, né? Avisar a tia que ela arruma v-v
Vou postar as outras fics quando der, DESCULPEEEEEEEEM! ~joga cookies pelo ar~
Kissus. Way.