Letters To Anyone
31 Seventeenth letter
Notas iniciais
Anyway, tô quieta.
Nem consegui relar no pc nesse feriado. Os trabalhos são tantos, e isso porque o ano nem começou direito. Mas é assim mesmo. Tanto que quase me esqueci de postar o penúltimo capítulo da fic. E vocês me matariam caso eu esquecesse, não? Há cinco dias já sem postagem.
Enfim...
O tanoshimi. Enjoy ♥
.
.
Vamos jogar?
Isca errada.
.
.
.
Bryar conversava com um homem moreno que deveria ter cinquenta anos, não menos. Eram da mesma altura e foi só isso que pude constatar, dada a distância que estávamos e por estarmos escondidos.
— Temos que chegar mais perto — murmurei.
— Ficou louco? Se ele nos vir, já era.
— Mas você consegue ouvir alguma coisa? — rosnei.
— E planeja o quê? Ficar invisível e sair dançando entre os dois? — disse sério.
Olhei-o novamente, planejando devolver uma resposta nada educada, mas, quando olhei para ele, perdi a fala.
Haviam cicatrizes em seu rosto, além das marcas escuras que, presumo, terem sido de socos. Sentia medo de olhar para seu corpo sabendo que seu rosto estava daquela forma.
— O que é?
— Nada — suspirei e desviei o olhar, descendo-o pela cicatriz que ia de seu queixo e descia pelo pescoço, provavelmente até o ombro esquerdo.
— Eu sei que não é legal de ver, então agradeço se não o fizer com tanta frequência.
— Desculpe — pigarreei. — Mas como pretende ouvir a conversa dos dois?
Ele olhou ao redor e indicou a cabeça para um grupo de turistas.
— E o quê? Que lhe repassem tudo o que disserem?
— Mais fácil — sorriu e tirou uma escuta do bolso, pequena o suficiente para ser imperceptível.
Montou uma expressão feliz no rosto e recomendou que eu fizesse o mesmo, só não entendi porquê.
— Boa tarde, desculpe interromper — ele disse com a voz afável para o grupo de garotas que conversavam animadamente. — Será que poderiam nos fazer um pequeno favor? — completou exibindo a identificação policial.
— Claro — uma ruiva comentou.
— É simples: só quero que fiquem o mais próximo possível daqueles dois — indicou com descrição.
— Só? — a mesma indagou.
— Sim, uma de vocês usará uma pequena escuta e quando se afastarem, podem voltar. Nem precisa ser todas, apenas uma está ótimo.
As cinco se mostraram animadas com a ideia.
Acabou que a ruiva ficou com a escuta e foram o mais ingenuamente.
— Agora é só ouvir, estressado — riu baixo.
Quando conseguimos receber a conversa, fiquei decepcionado por estar totalmente em italiano.
— Frustrante... — murmurei.
— Poderia, por favor, não reclamar tão alto? Estou tentando ouvir — disse com seriedade enquanto ouvia a conversa rápida dos dois.
— Está em italiano, se é que não percebeu.
— Eu sei. E sei a língua, então não é um problema. Agora, quieto.
Não que eu não soubesse italiano; sabia, mas o básico do básico. E não conseguia traduzir uma conversação tão rápida quanto aquela. Os dois pareciam nativos conversando sobre o tempo, o que me assustou.
Observei a expressão de Gerard e isso não me animou. Ele estava sério enquanto sua mente trabalhava para traduzir o que diziam, anotando rapidamente algumas coisas — em italiano — em um bloco de notas, apesar de saber que ficaríamos com a gravação, lógico.
— Droga... — ele murmurou, quase como um rosnado.
— O quê?
— Eu tenho que ir, fique e ouça o restante, mesmo que não saiba, preciso que fique aqui e tire a escuta delas quando voltarem. Bryar já era.
Fiquei ali aturdido, sozinho enquanto observava afastar-se, sempre procurando manter-se escondido do olhar do nosso alvo.
E então eles se despediram, e alguns segundos depois as garotas voltaram. Pedi para que ficassem ali e esperassem enquanto eu corria atrás de Gerard, temendo que ele resolvesse agir sozinho e acabasse levando a pior de novo.
●●●
O louro não se deu conta de que alguém o seguia até sentir um golpe certeiro no ombro, fazendo-o gritar e olhar para trás, procurando quem o acertara, deparando-se com o moreno, cujos olhos verdes faiscavam em ódio e ira.
— Ora... Como...? — o próprio Bryar estava começando a sentir sua raiva pulsar no sangue quente. — Pensei que tivesse lhe matado... — sussurrou com os dentes trincados.
— Não fez o serviço direito, como sempre — disse com a voz baixa, um rosnado de advertência que ninguém mais poderia ouvir.
— Acha mesmo que aqui é o lugar certo para conversar?
— O que você está fazendo?
— Tentando viver a minha vida e cumprir com o meu dever. E uma de minhas tarefas é me livrar de você, se é que não percebeu.
— Eu sei o que você procura e está comigo — disse e exibiu um pequeno diamante vermelho.
— Pensei que... — os olhos azuis inflamaram ao ver a jóia.
— Está comigo, sempre esteve. Ou achou mesmo que deixaria isso por aí nas mãos de qualquer um?
— Dê-me — exigiu sério.
— Eu sei de cabeça o que esse diamante pode lhe dizer. Acho que não preciso mais dele, na verdade — ponderou olhando para a pequena pedra vermelha, menor que meio palmo.
— O que pensa que vai fazer? — chegou mais perto e o moreno recuou um.
— Livrar-me dele antes que caia em mãos erradas.
— Mas o quê...
E antes que pudesse completar a indagação, viu a pedra vermelha ser disparada com força para o mar, atravessando facilmente a passarela que havia até certo ponto, onde a encosta começava a descer e as rochas quebrarem o percurso das ondas violentas que haviam naquele mar sempre revolto.
— FICOU LOUCO?! — berrou, pouco ligando se estava incomodando alguém ou não.
Bryar disparou na direção da passarela bastante ampla, sendo perseguido por Gerard.
Antes que pudesse mergulhar no mar em busca do diamante, quem o perseguia o agarrou com força o bastante para que sequer se movesse. Mas, ao tentar jogá-lo para trás, ambos acabaram caindo em direção ao mar.
E, talvez por infelicidade dos dois, no ponto em que a plataforma acabava, o mar era já bastante profundo.
Frank, ao ver ambos caírem, sequer pensou duas vezes e submeteu-se ao mesmo destino, vendo com alegria que havia uma distância até razoável das rochas que se projetavam mortalmente perigosas.
Quando os três voltaram a superfície, os pulmões de todos ardiam devido a falta brusca de oxigênio e o esforço de voltar à tona de uma grande profundidade.
— O que houve? — Frank perguntou resfolegante.
— Tire-o daqui, apenas isso. Os dois — praticamente gritou, mas logo que viu Bob desaparecer, mergulhou junto, acertando-lhe um chute no ombro e o puxando para cima.
— OS DOIS! Frank, quando chegarem à praia, chame a polícia e ligue para Kurt. Bryar vai passar alguns anos na cadeia.
— Então minhas suposições estavam certas? — Frank perguntou com dúvida, segurando firme o louro que, estranhamente, não tentava fugir.
— Estavam. E foi ele quem me acertou naquela madrugada. E foi ele quem matou Sim.
— Certo — Frank respirou fundo e olhou para cima. Via que conseguiram reunir uma boa platéia e não gostou disso. — Você não vem?
— Em alguns minutos — respondeu sério encarando o louro.
Frank, às custas, conseguiu comandar a situação de ter de tomar conta de Bryar, nadando à braçadas atrás dele. Sequer olhou para trás.
Gerard respirou profundamente duas vezes, e tomou fôlego na terceira, voltando a mergulhar, mas agora com o intento apenas de encontrar o diamante vermelho que jogara. Agora amaldiçoava-se por ter tido aquela ideia idiota, arriscando o próprio pescoço com algo que não era inteiramente seu. E temendo que Frank suspeitasse de algo.
Viu algo reluzir preso em uma pedra. Alcançou-o com facilidade e deu impulso para voltar a superfície, guardando o diamante com segurança e de forma que ficasse invisível sob as roupas molhadas.
Ao longe, podia ver a movimentação na praia e Bryar ser preso. Um sorriso lhe estampou o rosto cicatrizado. Agora finalmente estava mais confortável com a situação.
Notas finais
PENÚLTIMO CAPÍTULO!
Acho que agora todo mundo já sabe quem é o assassino, né?
Tsc, queria tanto que meus leitores dos primeiros capítulos voltassem, que droga. É chato perder leitor assim, pelo menos tenho três leitoras fiéis *-*
Anyway, o próximo é o último e parei de atiçar vocês, juro.
Kissus. Way.
Fale com o autor